quinta-feira, abril 10, 2008

ALMOÇO EM FAMÍLIA


Por Letícia Vidica

Domingo era dia de almoço em família. Pelo menos, uma vez por mês, minha mãe fazia questão de reunir os três filhos em volta da mesa e comer a tradicional macarronada da mamma. E esse era o tipo de evento que eu não conseguia fugir, mesmo sabendo todo o script.

Os preparativos

O ritual era sempre o mesmo. Na segunda-feira, minha mãe ligava para que eu não esquecesse do almoço...

- Oi, filha, não esquece hein? Domingo tem almoço lá em casa...
- Pode deixar, mãe, eu não vou faltar.

Mesmo dizendo que essa data já estava anotada de caneta vermelha na folhinha do meu calendário, minha mãe insistia em me ligar sempre achando que eu ia esquecer.



Eu sempre era a última a chegar e logo ia ouvindo as broncas da minha mãe com seu avental sujo de molho, colher de pau nas mãos, guardanapo nos ombros ...

- Eu não disse que era meio-dia, Diana?! Você não tem jeito mesmo! – dizia ela me apertando a bunda e me dando um abraço

- Não está vendo a cara dela, mãe? Deve ter ido para a balada ontem...

Se não bastassem as broncas e cobranças da Dona Eunice, minha querida mãe, a Marisa, minha irmã mais velha, insistia em se achar no direito de me recriminar. Ela sempre foi a perfeitinha da família. Aos seus 35 anos, já era mãe de 3 lindos pestinhas: Gustavo, de 10 anos (o terrível), Ana Luísa, de 8 anos (o meu xodó) e Lucas, de 2 anos. Minha irmã era casada há 10 anos com o Arnaldo, meu querido cunhado. Gordo, dono de um posto de gasolina e pão duro.

- Esse almoço sai ou não sai?! – perguntava meu pai, Seu Matias – Minha menina!!

Eu sempre me dei melhor com o meu pai do que com a minha mãe. Na verdade, acho que ele sempre me paparicou mais e me entendia mais. Na adolescência, quando tinha uma crise logo corria para o colo dele e contava tudo. Até hoje, acho que ele é a única pessoa que me entende.

Ao ouvir a minha voz, os pestinhas vinham logo correndo...

- Tia Dianaaa... – caíam em cima de mim e a gente rolava feito criança no chão da sala. Eu era a tia maluquinha e querida deles (mesmo sendo a única!). Para agradar, eu sempre levava alguns doces para eles, que minha irmã só deixava comer depois do almoço. Mas, às vezes, a gente se escondia no quarto da Lurdinha, a empregada, e se empanturrava de chocolates antes da macarronada. Mesmo sendo uns pestinhas, eu amava meus sobrinhos.

O almoço

- Tá na mesa! – gritava minha mãe
- Ué, cadê o Paco? – perguntava

O Paco era o meu irmão caçula. Vagabundo nato a beira dos 25 anos. Não estudava, não trabalhava e vivia às custas dos meus pais. Acho que a única coisa boa que ele fez na vida foram seus dois filhos (gêmeos) – Davi e Mateus, nascidos de uma das escapadas dele. Eu mal via os dois, só quando a Lara (a mãe deles) resolvia vir cobrar pensão na casa de meus pais.

- Tô chegando, minha gente... e aí, maninha?

Quando todos conseguiam sentar na mesa que minha mãe montava no quintal, era uma zorra total. Um pedindo o macarrão, o outro o queijo, a Marisa brigando com o Gustavo para não puxar o cabelo da Luísa, minha mãe levantando sem parar da mesa porque ela sempre esquecia algo, o Arnaldo reclamando que estava cansado demais e pedindo para a Marisa fazer o prato dele, meu pai paparicando o Lucas, o Paco contando vantagens e eu no meio daquela minha família confusa.

- E aí, cunhada, vai casar quando? – esse era o tipo de pergunta que sempre me faziam e eu sempre me irritava

- No dia de São Nunca, cunhado... os homens não me querem...

- Também quem é o louco que vai querer você né? – dizia Paco

- Não fale assim, filho... fiz novena para Santo Antônio de novo, filha

- Mãe, eu já disse para parar de fazer essas coisas...

- E aquele carinha ... o ... o César? – perguntava Marisa

- Sumiu ...

- Porra, desiste maninha ...

- Poxa, gente, deixem a Diana em paz... quando tiver de ser será...

- Isso mesmo, pai... eu estou muito bem sozinha...

- Deve estar tendo um caso com aquelas suas amigas solteironas desesperadas...

- Olha como fala das minhas amigas, moleque! E você? Tá fazendo o quê da vida? Posso não ter namorado, mas trabalho, pago minhas contas e já saí da barra da saia do papai e da mamãe há muito tempo e não tenho filhos jogados no mundo ...

- Não sei por quê vocês insistem em chamar essa garota para comer aqui em casa... perdi a fome – disse Paco bancando o machão e levantando da mesa...

- Filho... filho

Nessa hora, minha mãe sempre ia correndo atrás do filhinho querido e ele voltava com o rabinho entre as pernas. Eu e o Paco nos dávamos bem, mas era nas brigas que a gente se entendia melhor. O almoço prosseguia como se nada tivesse acontecido.

As louças

A louça sempre sobrava para mim e a Marisa. Era nesse momento que a gente aproveitava para fofocar um pouco.

- Nunca mais apareceu lá em casa, o que houve?

- Aquela agência está me deixando louca... prometo que vou aparecer mais... mas e você parece meio triste ...

- Acho que o Arnaldo está me traindo! – dizia Marisa com lágrimas nos olhos

- Traindo?!

- Fale baixo, ainda não tenho certeza... semana passada, ele chegou tarde e eu encontrei marcas de batom na blusa lá do posto...

- Nossa, estou bege... traição não é uma coisa que faz muito o tipo do Arnaldo, mas fique atenta e se precisar de mim, posso segui-lo se quiser...

- Não é pra tanto, Di... – essa não era a primeira vez que a Marisa suspeitava do Arnaldo, mas ela nunca tinha coragem para prosseguir a investigação. Acho que ela preferia ser a corna feliz. E não era eu que ia incentivá-la, já me basta o título de ovelha negra da família.

Recordações

Empanturrada de macarronada, ainda tinha o pudim de sobremesa. E esse não tinha como resistir. Sentados na sala, comendo aquela delícia, meu pai nos reunia para relembrar os velhos tempos e matar a saudade do tempo em que éramos mais jovens e vivíamos todos na mesma casa.

Minha mãe pegava a maleta com as fotografias e a gente passava a tarde a rir e a chorar com aquelas fotos antigas e com as histórias do meu pai. Meus sobrinhos se divertiam rindo da nossa cara ou tentando rasgar alguma foto...

- Nossa, lembra dessa foto? – dizia Marisa

- Uau... foi nossa viagem à Ilhabela lembra? Nos divertimos à beça...

Apesar de toda minha independência, essas fotos me levavam a um tempo o qual eu tinha muita saudade. Quando podia voltar para casa e me reconfortar no colo do meu pai ou da minha mãe. Eu saí de casa aos 18 anos quando passei no vestibular. Cursei os primeiros anos numa faculdade no interior e terminei os outros na capital, mas peguei gosto por morar sozinha e , mesmo sob recriminações de todos, provei que podia me virar sozinha.

O fim

Os almoços terminavam quase sempre no mesmo horário. Religiosamente, às nove horas da noite. A Marisa reunia os pimpolhos, que nunca queriam ir embora, e era a primeira a dar o toque de recolher...

- Vamos galerinha... amanhã tem aula...

A criançada beijava todo mundo, faziam um pouco de manha, mas iam embora contentes e terríveis.

O segundo a partir era o Paco. Sempre chegava algum dos seus amigos de vagabundagem e o levavam para a balada.

- Falow, velhos, tô indo...

- Onde é a balada hoje?

- Abriu uma nova aqui perto, preciso conferir né?

- Juízo.

Ele me beijava e caía na noite.

Eu era sempre a última. Meus pais aproveitavam para investigar um pouco mais da minha vida...

- Já consertou a geladeira, Diana?

- Essa semana o homem vai lá em casa, mãe– mesmo não morando na mesma casa, minha mãe sabia muito mais sobre o meu apartamento do que eu.

- Tem comido direito? Leva um pouco de comida daqui... sobrou bastante

E lá ia ela preparar a minha marmita do mês. Nessa hora, meu pai deitava minha cabeça em seu colo, acariciava meus cabelos como quando de pequena e perguntava...

- E o emprego?

- Preciso sair de lá, pai... tenho que ganhar mais.

- Se cuida viu, filha... não caia em conversa mole de homem vagabundo e nem enfie um qualquer na sua casa.

- Pode deixar, pai...

Nessa hora, minha mãe chegava com a marmita. Eu beijava os dois. Ela me dava mais algumas broncas e eu ia embora na ânsia de mais uma almoço em família...

Papo de calcinha: Todo almoço de família sempre dá uma boa história para contar, qual é a sua?

terça-feira, abril 01, 2008

QUEM VAI FICAR COM JOHNNY?


Por Letícia Vidica

- Gente, preciso confessar uma coisa – disse Lili com os olhos brilhantes – acho que estou apaixonada pelo Johnny... não consigo parar de pensar nele

- Pelo Johnny?! – dissemos e engasgamos juntas – eu e a Betina – com o chocolate quente que tomávamos sentadas no sofá da casa da Lili

Recapitulando: O Johnny era amigo de um amigo nosso, o Pepe. Nos conhecemos num churrasco que o Pepe fez na casa dele e, desde então, o Johnny entrou para a nossa turma. Ele era um cara legal, simpático e até bonitinho, mas não fazia o meu tipo.

- Nossa, por quê a surpresa? O cara é o maior gato...

- Eu não vejo a menor graça nele – respondi – mas fico feliz em saber que você está apaixonada. Significa que esqueceu o Beto, né?

- Acho que sim...mas o que eu faço?!

Prometemos à Lili que íamos dar uma de cupido para tentar unir os pombinhos. Por isso, resolvi oferecer um jantarzinho no meu apê e convidei o prato principal: o Johnny.

A Lili estava toda animada e fazíamos de tudo para deixar os dois sozinhos. O problema é que parecia que o cara estava fugindo dela.

- Valeu pela ajuda, gente, mas acho que o Johnny não quer nada comigo não... viu como ele me evitou? Fiz de tudo, mas... – disse Lili tristonha, enquanto me ajudava a limpar as coisas.

- Tenha paciência, Li ... tem caras que demoram para perceber, vai ver ele é um desses.
***

“Trimmm, trimmm, trim.”.
Saí do chuveiro correndo e fui atender o telefone.

- Alô? Diana?
- Oi, Johnny?
- Tudo bem? Acho que esqueci a minha carteira na sua casa ontem a noite, posso passar aí para pegar?
- Claro!
- Então, abre a porta

Brincalhão como sempre, o Johnny já estava plantado na porta da minha casa. Me troquei e abri.

- Ainda bem que não tinha dólares né?
- Adorei o jantar ontem...
- Ai, que bom... Johnny, posso te fazer uma pergunta?
- Claro.
- O que você acha da Lili?
- A Lili é uma grande amiga...
- Mas só?
- Já sei o que você quer saber... faz um tempo que eu vejo que a Lili mudou comigo, está agindo estranho ... ela está gostando de mim não está?
- Nossa, você e modesto ... mas acertou!
- O problema é que eu não quero magoá-la... eu não gosto dela, eu gosto de outra pessoa...

Não há coisa pior no mundo do que ouvir o cara que a sua amiga venera dizer que não está afim dela. É como se você tivesse levado um fora!

- Poxa, Johnny... que pena, mas tente, saíam, quem sabe...
- Num rola, Di... é difícil , mas ... eu gosto de você!
- O quê?!

Pior ainda é descobrir que o cara que a sua melhor amiga está apaixonada é afim de você. A gente se sente uma traidora, mesmo sem ter feito nada com ele. E agora?!

***

- O Johnny apaixonado por você?! – perguntou boquiaberta Betina
- Ele confessou há duas semanas e não para de me ligar... e eu estou sem coragem de contar pra Lili ...
- Dificil mesmo, mas temos que contar... a Li esta cada vez mais apaixonada ... ela não pára de falar no Johnny ... ela precisa se desiludir ...
- Amanhã mesmo , eu vou contar ...

Fui para casa confusa. Eu nunca havia passado por situação semelhante e não era nada fácil. Ao chegar na porta do prédio, um homem se aproximou de carro, parou, abriu os vidros e disse:

- Oi, mocinha...

Era o Johnny me convidando para comer algo. Como estava faminta e precisava dar um ponto final naquela história, aceitei. Fomos até um bar próximo.

- Pensou na minha proposta?
- Que proposta?
- A de ficar comigo
- Johnny, isso é loucura. A minha melhor amiga é gamadona em você e eu não posso fazer isso...
- Já falei que não tem nada a ver entre eu e a Lili ... meu negócio é você ... você vai deixar de ser feliz por isso? A Lili é crescida e vacinada. Ela vai entender.
- Não dá, Johnny ... ela é minha melhor amiga.

Terminamos de comer e o Johnny me deixou em casa. Na porta do prédio, quando estávamos nos despedindo, ele se aproximou. Olhou no fundo dos meus olhos e tentou me beijar, mas eu fui mais forte e o evitei.

***

No dia seguinte, fui até a casa da Lili. Eu tinha que alertar a minha amiga, antes que o estrago fosse maior.

- Di, que surpresa... entra aqui, preciso te mostrar uma coisa... acabei de ler meu horóscopo e diz que um amigo próximo vai se declarar... será o Johnny?
- Ai, que bobagem, Lili...
- Ué, você acha que não? Mas é muita coincidência, Di
- Horóscopo é tudo bobagem ...
- Não to te entendendo ...
- O assunto é sério, Lili

Eu não sabia como dizer. Se eu fosse curta e grossa, seria mais fácil, mas a Lili poderia ter um treco e cair dura na sala. Se eu ficasse rodeando, poderia perder a coragem de contar.

- É sobre o Johnny ... eu conversei com ele ... e ... e ... ele disse que ... você é uma grande amiga, mas que não passa disso.

Os olhos de Lili se encheram de lágrimas e ela sentou no sofá. Permanecemos caladas por alguns minutos. Ela se levantou, enxugou as lágrimas e começou a andar.

- Me sinto ridícula, Di. Eu me apaixonei como uma adolescente ... fiquei cega e nem percebi que o cara não queria nada comigo ... que idiota! Como eu vou olhar na cara dele agora?

- E tem mais, Li ... o Johnny está... está... afim de mim – pronto falei!

- O quê?! De você? Mas ... mas...

- Calma, não rolou nada e nem vai rolar. Ele não pára de me ligar, esta insistindo, mas eu não posso fazer isso com você ... nossa amizade vale muito mais do que um homem.

- Poxa, Di... eu não esperava, mas se tiver afim... vai fundo...eu vou entender

Nos abraçamos. O Johnny era uma cara gato, legal e simpático. Eu poderia ficar com ele, mas preferi prezar pela amizade – dele e da Lili. Tem coisas que não valem a pena. E perder dois grandes amigos só para saber como era beijar e ir pra cama com o Johnny não valia...

A Lili sofreu por uns tempos. O Johnny insistiu mais um pouco, mas logo outro rabo de saia chamou mais a atenção dele e nós continuamos bons amigos.

Papo de calcinha: Isso já aconteceu com você?

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domingo, março 16, 2008

HETEROGAY


POR LETÍCIA VIDICA


Depois que os homens descobriram a lipoaspiração, o implante de cabelos, o Viagra, os tratamentos estéticos e a palavra metrossexual, a vaidade passou a não ser apenas exclusividade do clube da Luluzinha porque o Bolinha se interessou também.

E como tudo tem dois lados, assim como a moeda, há uma vantagem e uma desvantagem nisso. A vantagem é que é bem melhor ficar com um homem de barba feita cheirando Pólo Ralph Lauren do que com um porco espinho exalando Lubrax. Porém, a desvantagem é que os homens que fazem parte desse clubinho ficaram mais sensíveis e criaram um novo gênero: os heterogays. Uma mistura de homem – pela preferência sexual por mulheres – e de gay – pela sensibilidade aflorada.

O Thomas foi um desses que passaram pela minha vida e foi por causa dele que descobri esse clube. A Lili havia ganhado um par de ingressos para uma exposição de arte de uma amiga dela. Eu nunca curti muito esse papo de arte, talvez pela ignorância, mas como para as amigas a gente faz de um tudo, eu fui.

Chegando lá, havia muitas pessoas que, só de olhar na cara, era fácil adivinhar que ganhavam 10 vezes mais do que eu e pertenciam ao clube dos VIPs. Eu parecia um peixe fora d’agua mergulhada naquele mundinho privado e naqueles comentários que eu não entendia, mas fazia cara de quem estava entendendo tudo e super interessada...

- Lindo esse não? Maniére, um dos meus pintores favoritos... a liberação do ser e o caos da Terra ... perfeito esse quadro, gosta dele também?

Olhei para o lado e me deparei com um deus de Ébano saído de algum daqueles quadros. Era o Thomas: 1,90 m, olhos cor de mel, pele queimada de sol e lisa como bunda de nenê, cabelos repicados numa mistura de gel com escova ou algo assim... Ele me estendeu as mãos e se apresentou.

- Thomas, prazer.
- Diana!
- Diana... nome lindo. Então gosta de Maniére?
- Eu ?! Adoro – eu não fazia a mínima idéia de quem era esse tal aí, mas para um homem lindo daquele, eu saberia tudo.

Thomas começou a me explicar tudo sobre esse tal Maniére. E fomos andando pela exposição e conversando. Ele disse que adorava arte, que colecionava quadros e que estava lá para comprar mais um. Ao final do passeio cultural, ele me deu seu telefone e disse que me ligaria para que a gente pudesse sair para jantar e falar mais sobre arte.

***

No dia seguinte, Thomas me ligou. Era a primeira vez que um cara me ligava um dia depois do encontro...

- Thomas?!
- Achou que eu ia demorar uma semana para ligar?!
- É, é...
- Jamais faria isso com uma dama. As mulheres não merecem esperar tanto.
Aquele homem não existia!
- Te pego às oito?

Eu estava ferrada. Nem tinha tido tempo de acessar o Google para pesquisar um pouco mais sobre o tal do Meniere, acho que é isso. O que eu ia falar naquele jantar com um homem tão culto? Porém, preferi esquecer da internet e investir no visu. Corri para o salão do Beto, fiz uma escova, tirei cutícula, fiz maquiagem, voei para casa, tomei um banho e às 19h55 meu interfone tocou. Era ele.

- É francês, né? Deixa eu adivinhar... Sherra?
Como ele havia adivinhado o meu perfume? Seria igual de alguma outra de suas amantes?
- Você está magnífica neste vestido vermelho da Portier.
‘Peraí, o cara acertou o meu perfume e a marca da minha roupa sem ao menos ver a etiqueta? Só podia ser um enviado de Deus.

Ele me levou para um dos restaurantes mais disputados da cidade e, ao chegar, nossa mesa já estava reservada à luz de velas, com vista para a represa e com um vinho que eu nunca havia visto na vida em cima da mesa. Além, claro, das centenas de talheres. Para comer, Thomas escolheu um prato com nome difícil mas, que segundo ele, era dos deuses. Enquanto o prato dos deuses não chegava, a gente conversava.

- O que você faz, Diana?
Eu não podia dizer que era modelo porque estava um pouco acima do peso.
- Sou publicitária. Trabalho numa agência no centro.
- Poxa, que legal... deve gostar de artes então?
- Claro, adoro (uma mentirinha não faz mal)
- Sabe aquele quadro do Maniere? Comprei. Você precisa conhecer a minha galeria de arte
- E você, fale um pouco de você...

Thomas tinha 35 anos, era diretor de uma multinacional, falava 4 línguas, conhecia o mundo inteiro, adorava arte... era tudo o que eu pedi a Deus. Em falar em Deus, o prato dos deuses havia chegado...

- Prove. Você vai adorar. O chef deste restaurante é incrível!... Fui eu quem o indiquei. O conheci num curso de gastronomia na Itália...
Era demais, ele sabia cozinhar. E eu que só sabia fazer miojo?!

O jantar foi maravilhoso e, ao contrário da maioria, ele me levou para casa e não insinou nada. Apenas me convidou para que eu fosse jantar na casa dele.

****

- Amiga, esse cara é gay... – dizia Betina
- Ah, não é pra tanto...
- Pensa bem, Di... o cara é super entendido de arte, sabe cozinhar, adivinhou o seu perfume, a marca da sua roupa... é muita sensibilidade para um homem só.
- Ai, Lili, ele só é diferente!

Minhas amigas adoravam teorizar sobre os caras que eu conhecia e aproveitaram aquela tarde para meter o pau no Thomas.

- Bem, hoje você vai tirar a prova dos nove né? Tenta dar uma escapadinha e veja se ele não tem calcinhas na gaveta! – ironizava Betina.

O Thomas havia me convidado para um jantar na casa dele. Casa não, isso é modéstia. Parecia mais um condomínio completo. Era linda, cheia de flores (!) e mais limpa do que o meu apê. Ao chegar, ele me serviu um vinho do Porto e ficamos a conversar na big cozinha dele, enquanto ele cozinhava.

- Nossa, acho tão bacana quem sabe cozinhar... eu não sou muito boa na cozinha...
- Nada que um bom curso de gastronomia não cure... eu não sabia fritar um ovo... prove, veja o que acha ? – dizia Thomas com uma colher de pau cheia de molho que ele levava à minha boca.
- Hmmm, delicioso! Ops... babei – que ridículo, eu babei.
- Seque aqui... nossa, você já fez pieling? Seria ótimo para a sua pele... eu faço um tratamento dermatológico toda semana ... é pele de bebê na certa.

Não podia ser. O cara cuidava da pele? Dermatologista? E ainda insinuou que eu tinha uma pele horrorosa? E não parou por aí, descobri que ele já tinha feito 2 lipoaspirações, malhava todos os dias, fazia progressiva nos cabelos e seu próximo plano era colocar botox nas bochechas. Acho que as meninas estavam certas. Ele era gay!

No final do jantar, ele me levou para conhecer a sua galeria de arte que devia ser do tamanho do meu apê. O tal do quadro do Maniére era apenas mais um dos centenas que ele tinha. Ele me passou umas duas horas falando sobre cada um deles, onde comprou, por quê, de quem era... todas aquelas aulas de Arte que eu cabulei na facul estavam sendo repassadas ali.

Lá pelas três da manhã, pedi para ir embora. Thomas pediu que eu ficasse. Arrumou o quarto de hóspedes para mim, que mais parecia um hotel. Ao dizer boa noite, cheirou os meus cabelos, adivinhou o meu shampoo e me beijou. Foi um beijo diferente, um beijo sensível... Nenhum homem tinha me beijado assim.

***
Pela manhã, acordei antes do sol raiar e comecei a andar pela casa para tentar achar alguma coisa que comprovasse a homossexualidade dele. Não havia encontrado nada. Nenhum bilhete romântico do Betão. Apenas muitos livros sobre arte e gastronomia e discos das minhas cantoras favoritas.

- Já acordada?! – disse Tomas, que me assustou e quase me fez cair dura, ao vê-lo de touquinha na cabeça, hobby vinho e pantufas nos pés.

- Perdi o sono. – disse encabulada ao ser flagrada mergulhada nos discos dele

- Esse é o melhor disco da Cher... Ela é demais, uma diva...

Tomamos nosso café da manhã ao som de Cher. E ele sabia todas as letras e não errava a pronúncia. Ele insistiu para que eu ficasse para o almoço, mas aquela sensibilidade toda já estava me sufocando. Saí de lá cheia de cartões de visitas e telefones de academias, esteticistas e cursos de gastronomia.

***

- Eu não agüento mais! Faz dois meses que eu estou malhando como uma louca, já procurei mil e um dermatologistas, estou vendo programas culinários, comprei um livro de artes... é demais para mim...eu me rendo... a concorrência é acirrada demais...não dá para competir com toda essa sensibilidade do Thomas ... o cara venera a Cher ... canta ‘Like a Virgin’ no banheiro ... faz as minhas unhas ... e até agora não me levou para cama... preciso dar um fim nisso.

- Realmente, amiga, o cara é perfeito, mas é perfeito demais, não acha?

- Olha, Betina... eu sempre pedi a Deus um cara como o Thomas, mas agora que eu tenho não é isso que eu quero ... eu não sei se ele é meu namorado, meu amigo, meu amante ... nem sei se ele gosta de mulher mesmo .... e se ele estiver querendo mudar de lado um pouco? Vai ver ele só ficou comigo para saber como é!

- Se eu fosse você, tirava essa angústia do peito e perguntava para ele, de uma vez por todas, se ele é ou não é!

E foi o que eu fiz. Segui o conselho da Lili e fui até a casa do Thomas. Chegando lá, ele se assustou com a minha presença pois estava numa sessão de massagens, mas educadamente pediu que eu entrasse. Tive que esperar uma hora, a mais angustiante de toda minha vida ...

- Oi, Diana, que surpresa – disse ele me dando um beijo – o que te traz aqui?
- Não dá mais, Thomas!
- O quê não dá?
- Tem uma duvida que está rondando a minha cabeça desde o dia que eu te conheci e eu não agüento mais esconder isso para mim.
- Quer saber se eu sou gay, é isso?
Como ele sabia? Será que tinha o dom de adivinhar pensamentos também?
- Todas sempre querem saber isso ... fico me perguntando para quê as mulheres lutaram tanto, queimaram sutiãs ... e quando conseguem o que tanto pediram se assustam.
- Mas nós não pedimos você!
- Todas sempre dizem isso. Mas a minha vaidade sempre incomoda a todas elas e o fim é sempre o mesmo. Elas vão embora e voltam para o mundo dos brutamontes.
- Desculpe, Thomas ... tente me entender
- É o que eu faço constantemente ... tento entender as mulheres, mas quando as entendo elas fogem de mim ... pode fugir também ... eu sei que você quer, mas para que não fique encucada... eu não sou gay ... amo as mulheres e tudo o que faço é para entendê-las ... você viu aquela foto lá na galeria? Minha ex-esposa ... fomos casados por cinco anos... cinco anos felizes, mas quando resolvi entendê-la, ela também se foi ....

Saí de lá super deprê. O Thomas havia acabado comigo. Talvez ele tivesse razão. Nós, mulheres, sonhamos tanto com um homem que nos compreenda, que repare quando cortamos dois dedos de ponta nos cabelos, que saiba cozinhar, que goste não só de falar de futebol... e quando o encontramos fugimos?!

Pensando bem, acho que vou continuar a fugir... talvez eu ainda prefira o homem das cavernas porque o que gosta da Cher, é demais para mim!

Papo de Calcinha: Você já se relacionou com algum homem que fosse muito sensível ou vaidoso demais? Já passou por situação semelhante?


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domingo, março 09, 2008

ENFIANDO O PÉ NA JACA


Por Letícia Vidica


Sabe quando reaparece do nada aquele cara que você ficou, mas que desejou nunca mais encontrar na vida porque não passou de um momento de loucura ou '´pé na jaca' total...o que fazer?


- Di, é impressão minha ou aquele cara está dando 'tchauzinho' pra você?! - perguntou a curiosa da Betina


Imediatamente, parei de deliciar o meu sorvete de creme e olhei. Afinal, não é todo dia que um cara dá mole assim pra mim. Olhei e me arrependi na hora de ter olhado.


- Você conhece ele?! Incrível como as amigas ao invés de ajudar nessa hora, só atrapalham.


- É... é... - engasguei.


Acho que ele tinha meio metro, devia bater na minha cintura ou talvez no começo dos meus seios. Sua barba mal feita escondia a sua boca. O cabelo seboso exalava o cheiro de cebola. A calça pula brejo deixava à mostra suas meias vermelhas e o seu jeito destrambelhado não tinha como esconder...


- José Otávio?! Você por aqui...


- Oi, frozinha! Que bom te ver...cê nunca mais apareceu...


- É... sabe como é né...ah, essa é minha amiga Betina


- Prazer, José Otávio! - disse a minha querida amiga com ar de ironia e medindo o pobre homem dos pés à cabeça.


- Mas o que você faz aqui em Sampa?


- Arrumei um trabalho ali naquele restaurante... sou o cozinheiro de lá...aparece aí qualquer dia ... faço aquela rabada que você tanto adora...


- Ah, pode deixar...


- Mas me deixa seu telefone... tô perdidão aqui na cidade... 'cê pode me apresentar umas coisa qualquer dia...


Não sei porquê dei o meu número certo. Ele anotou e saiu com aquele andar de Jeca Tatu. Betina me olhou com aquele olhar maligno e antes que ela destilasse o seu veneno, comecei a falar...


- Antes que você pergunte, Betina, eu falo ... o José Otávio... é... bem... a gente... é ... eu fiquei com ele! - pronto falei!


- Não posso acreditar que você ficou com aquele cara... amiga, eu sei que homem ta difícil, mas vamos selecionar né?


- Ai, Be, foi num momento de fraqueza, loucura, sei lá... eu viajei para casa dos meus tios em Minas e conheci o Zé numa dessas voltas super animadas na praça...passeio típico de cidade do interior... acabei cedendo...mas eu jamais ia imaginar que ele ia aparecer aqui um dia...


- Pisou na jaca geral! Se eu fosse você, teria vergonha de contar essa história...


- Poxa, Be, vai dizer que nunca deu dessas?


Pausa: antes que você também me crucifique, amiga, faça um momento de reflexão em sua vida. Confesse, você também já enfiou o pé na jaca e ficou com aquele cara que desejou nunca mais encontrar na vida. Mulheres também têm seus momentos de loucura, caridade ou o que seja. O José Otávio foi um desses momentos!


- E aí encontrou o caipira, Di?


- Poxa, você é fofoqueira mesmo hein Betina? Já foi destilar seu veneno para a Lili?


- Opa! Eu sou amiga também... e te entendo perfeitamente...


- Entende,Li?


-Claro... eu também já fiz umas loucuras dessas ... sabe o Jorgão?


- Aquele cara nojento do seu prédio?


- Esse mesmo... eu não contei pra vocês...mas a gente saiu outro dia.


- Não, isso já é demais...o Jorgão? Meninas, vocês acharam suas bocas no lixo?


- Be, pára de bancar a moralista, confessa...


- Eu nunca fiz isso. Sempre selecionei as pessoas com quem deveria me relacionar...


- E aquele pinguço que você deu uns amassos outro dia na balada hein?


- Ah, Lili, ele era bonitinho...


- Tava escuro e eu bem vi ele caído na sarjeta no fim da festa. Nos olhamos e começamos a rir. Passamos o resto da conversa a confessar os 'tipinhos' com os quais a gente ficou e sonhava nunca mais rever. Pena, que o meu pedido não foi atendido rapidamente...


- Alô? É da casa da Diana?


- É, sim. Quem fala? É ela mesma.


- Oi, frozinha. É o José Otávio. Não podia ser. Tudo o que eu menos queria naquela sexta-feira à noite era receber um telefonema do José Otávio. Mas eu estava no meu inferno astral.


- Oi, Zé...


- Desculpa te ligar assim...mas é que eu queria saber se você não ta afim de dar uma volta...


- Sabe o que é Zé... to com a maior cólica...não vai rolar...desculpe.


- Tudo bem!


Achei que tinha me livrado do Zé. Mas ele passou a me ligar todos os dias. Cada hora com uma desculpa diferente: uma hora era para sair, outra hora para conversar, outro dia para que eu ensinasse o caminho de algum lugar... foram 15 dias de pura encheção de saco. Ele era duro na queda! Se não bastassem os meus foras, num sábado pela manhã, quando eu saía para caminhar, adivinha quem estava parado na porta do meu prédio com uma rosa na mão? O Zé!


- Oi, frozinha... é pra você


- Obrigada, Zé...mas como você descobriu onde eu morava?


- Tenho te seguido todos os dias... Diana, preciso confessar...desde aquele nosso beijo na praça, não consigo parar de pensar em você... foi Deus que fez com que eu te reencontrasse....


- ´Peraí, Zé...aquilo foi só um beijo e além do mais faz dois anos já!


- Mas pra mim foi muito mais...e você não vê como a gente combina?


- Zé, escuta aqui... eu odeio fazer isso, mas vou ser obrigada... a gente não tem nada a ver e nada em comum...posso ser sua amiga numa boa...mas não vai passar de amizade ... sei que a gente ficou, aconteceu...mas foi só isso...


Ele abaixou os olhos tristonho. Me senti uma bruxa de contos de fadas, porém não tinha outro jeito de tirá-lo da minha vida. Ele pegou minha mão, beijou suavemente, beijou meu rosto, virou as costas e saiu andando... pra onde ele foi eu não sei...só sei que o Zé nunca mais apareceu na minha vida... depois dele passei a ser mais criteriosa (às vezes)


Papo de calcinha: E você já enfiou o pé na jaca também?


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sábado, março 01, 2008

T.P.M: Tenha Paciência Meninos


Por Letícia Vidica


Mais uma daquelas frases óbvias, mas que são verdadeiras: TODA MULHER TEM TPM! Até o simples fato de dizer que não tem TPM é um sintoma da tensão pré-menstrual. Que nome mais filosófico para uma coisa tão chata!

Eu me considero uma mulher mutante, pois cada mês os sintomas são de um jeito. Tem vezes que quero me isolar, em outros choro como uma manteiga derretida, explodo por qualquer motivo ou me afogo numa caixa de bis. É um saco, não dá nem pra calcular o que vem por aí...

... e aquele, com certeza, era mais um dia que eu estava prestes a explodir. Se alguém me perguntasse ‘bom dia’, eu perguntaria por quê? O dia estava sendo bem péssimo para mim. Meu chefe só encheu o saco o dia todo, quebrei o meu salto na escada do prédio, esqueci de pagar o condomínio e ainda encontrei a Lili me esperando na porta do meu apê:

- Oi, Di! – disse ela sorrindo
- Oi! O que você quer?
- Nossa, parece que alguém está de ...
- TPM?! Isso mesmo, estou de TPM e nem vem me encher o saco porque eu não estou boa...

Ainda bem que minhas amigas me compreendiam e tratavam de dar o fora quando eu estava nesse mal-humor. Senão, eu seria a pessoa mais sem amigos da face da terra!

Minha TPM costuma ser longa. É antes, durante e alguns dias depois (algumas vezes). E por ser inconstante nunca sei se estou realmente irritada ou se é a danada da TPM. Já arrumei sérias confusões por causa disso, cheguei até achar que eu era anormal, mas nada que uma semana não cure.

Certa vez, voltando do trabalho – quase dez da noite – depois de uma reunião inacabável na agência, saí voada, louca pra chegar em casa, porém... a Paulista estava parada. ‘Que droga, quem são os infelizes que querem fazer trânsito numa segunda-feira à noite?’. E para ajudar, o carro que estava atrás de mim quis desviar o caminho, saiu afobadinho e bateu na minha traseira. Desci do carro na hora, parecia uma loba defendendo os lobinhos.

- Você ta louco? Tirou carta por correspondência? Não olha não? Que droga...tá todo mundo com pressa também ...

Falei tanto, mas tanto que minha raiva me cegou e eu nem de dei conta de que o velho estúpido que eu estava xingando era... o meu chefe. Essa foi a cena mais patética e ridícula de demonstração de TPM. A sorte é que ele levou na esportiva e falou que ia esquecer os ‘elogios’. TPM FEROZ!


Pior que a ferocidade da minha TPM era quando ela se sentia só e chamava companhia. Nunca vi coisa mais chata do que quando eu, a Lili e Betina menstruamos juntas. Até nisso somos unidas. Certa vez, ouvi dizer que mulher disputa até nisso. Pode reparar: ambiente com muita mulher, uma menstrua atrás da outra. É aquela maravilha!

- Me passa o sal, Lili
- Porra, mas o negócio ta do seu lado Betina!
- Custa?! Vai doer o seu braço, você não faz nada o dia todo e fica dando uma de cansada...
- Ta me chamando de vagabunda, Betina Maria?
- Nossa, gente quanto stress. Olha a amizade...
- Que amizade, Diana, essa menina ta muito folgada.
- Gente, não briguem... olhem o escândalo...amigas, paz!

Era daí pra pior. As duas quase se pegavam e eu sempre chorava implorando pela paz. Era uma cena ridícula também. Para evitar esses showzinhos hormonais nos botecos, decidimos que quando a TPM atacasse unida, a gente não se encontrava. Era melhor para o bem da eternidade...

... mas naquele dia a Lili esqueceu essa regrinha...

- Nossa, Di... não me trata assim, to carente ...preciso conversar...
- Ai, Li...não to com cabeça... o dia foi péssimo, meu chefe me irritou, quebrei o salto da minha sandália nova naquela escada velha lá do prédio... o mundo tá virado hoje, sabe?
- Mas, amiga...só você pode me ajudar...
- Implorando desse jeito...vai sobe...

Enquanto eu tomava banho, colocava meu pijama de ursinho e preparava um miojo, a Lili choramingava...

- Ninguém me quer, Di...cheguei a essa conclusão. To ficando velha, acabada... eu preciso de um marido. Meus filhos vão me chamar de vó?!
- Quem te deu um pé na bunda dessa vez?
- O Otávio.
- Não creio que você me aluga a essa hora da noite para falar daquele pilantra do Otávio?! Eu tenho mais o que fazer Li! Amanhã, eu trabalho. Não posso me dar ao luxo de passar o dia correndo atrás de vagabundo, não...eu tenho conta pra pagar...
- Poxa, Di...
- Poxa, o quê, Li? Você não ta cansada de saber que ele não vale nada? E mesmo assim você insiste. Bem feito. Ponto pro Otávio. To torcendo pra ele agora!
- Credo! Não precisa ser grossa...vou embora.
- Vai tarde e vê se não bate a porta.

TPM e a Lili chorando pitanga às onze da noite por causa do Zé mane do Otávio, ninguém merece. Três dias depois, estava tudo resolvido e a gente estava de bem de novo, até a próxima TPM...

... NOSSA! Muitos homens já sofreram comigo por causa da minha TPM. Como eu nunca sei o que me espera nesse período, prefiro não avisar antes. O Davi, coitado, foi um dos que mais sofreu e o nosso romance acabou por causa da TPM. A gente estava de rolinho há 2 meses e ele me convidou para ir ao aniversário da mãe dele. Disse que ia. No dia e na hora combinada, lá estava o Davi e eu deitada no sofá de pijamas...

- Ué, não se trocou ainda?
- Eu não vou.
- Como não vai?
- Não to afim.
- Mas a gente se falou hoje cedo e estava tudo certo.
- Mudei de idéia.
- Como assim?! Ta louca? Minha família inteira ta te esperando.
- Ah, inventa uma desculpa, diz que eu to doente...mas eu não quero ir..vamos ficar aqui, alugar um filme...
- Diana, é aniversário da minha mãe!
- Ai, Davi, eu sei...não precisa repetir, mas ela fica velha todo ano...
- Olha como fala hein...vai logo, se troca... te dou 15 minutos
- Davi! Eu não vou, eu não quero, não to afim... ou melhor, não to afim de ver você mais, sai daqui, você já me encheu, vai apagar a velinha da mamãe...
- Você é louca!

É, eu realmente era. E perdi um bom partido por causa das loucuras da minha tensão pré-menstrual. Mas, poxa, meninos, vocês tem que entender. Alguns entenderam, mas outros não sobreviveram até a próxima TPM...

Papo de Calcinha: E você do que é capaz quando está de TPM? Qual é a sua TPM?


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segunda-feira, fevereiro 25, 2008

O TEMPO PASSA E AS AMIGAS TAMBÉM!



Por Letícia Vidica

Louvado seja o inventor do Orkut. Amo e odeio essa pessoa ao mesmo tempo. Graças a ele, a gente reencontra um trilhão de pessoas que jamais imaginou rever na vida e até mesmo aquelas que não tiveram a capacidade de ligar para você, mas sabem muito bem te adicionar para colecionar mais uma gata na comunidade (que ódio!).

Bem, foi numa dessas navegadas que eu encontrei uma comunidade do Colégio Santa Rita, onde estudei no colegial. Foi incrível o número de pessoas que pertencia a ela e que eu jamais imaginei rever na vida. Dentre elas, reencontrei a Sâmara, minha amigassa de colegial. Daquelas de dividir segredos, dormir uma na casa da outra, andar juntas no colégio... Depois que a gente se formou, eu e a Sâmara ainda tentamos manter contato, mas como acontece com todo mundo, ela se perdeu na vida e eu na minha.

Ficamos trocando recados por quase um mês. Descobri que ela havia acabado de voltar da Flórida, onde foi estudar inglês por um ano (pelo menos ela tinha feito algo de emocionante da vida). Sâmara havia se formado em Marketing e era diretora de uma grande empresa. Além disso, descobri que minha amigona do passado era casada ... e olha que fizemos um pacto de bubballoo que seríamos solteiras a vida toda ... traidora!!!

Resolvemos nos reencontrar e a Sâmara aproveitou para marcar uma reuniãozinha na casa dela e chamou mais outras três amigas de colégio: a Bete, a Patrícia e a Rose que também faziam parte da nossa patota.


Ao chegar na casa da Sâmara, descobri que aquela nossa promessa de virar hippie tinha ido se perdido nos caminhos da Flórida, eu acho. Ela simplesmente morava num residencial fechado m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o!!!

- Diiiiiiiiiiiiiiiii!! – gritou aquela loira cheia de botox, silicone e tudo o mais que o dinheiro permitiu. Era a Sâmara. Fiquei estatizada sem reação. Eu no meu pobre jeans surrado. – que saudades, menina. Entre, fique à vontade. As meninas estão na sala de visitas.

Sala de visitas?! Essa era apenas uma parte do palácio em que minha ex-melhor amiga morava. Fui entrando e, enquanto ela me apresentava cada detalhe da casa, de repente uma mulher de cabelos curtos, gorda, com os dedos lambusados de brigadeiro correndo atrás de um garotinho, parou, me olhou e disse:

- Não creio... é você mesmo? A rainha das hippies?! Diana – ela logo veio e me deu um abraço lambuzado. Demorei para reconhecer, mas era ela mesma, a Bete. Não pude acreditar. A Bete era do tipo de garota que no colégio todos os garotos queriam namorar. Ela era linda e de causar inveja nas garotas (confesso que até eu tinha inveja dela, porém naquele momento me arrependi de um dia tê-la invejado)

- Bete bunduda??? Quem é esse príncipe? – perguntei

- É o Lucas, meu tesouro. Ah, hoje a babá precisou ir ao médico e não tive com quem deixá-lo.

Babá? ’Peraí...será que elas entraram num mundinho vip e esqueceram de me convidar? Estava me sentindo um peixe fora d’água, quando alguém gritou...

- Porra, vão ficar enrolando aí? – nem precisei adivinhar era a Patrícia com seu jeito debochado de sempre. A única coisa que havia mudado nela eram os cabelos que de castanhos cacheados viraram vermelho fogo.

Nos abraçamos e fomos todas para a sala de visitas.

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Ficamos à tarde toda a contar da vida e a nos empanturrar de vinho (porque cerveja é coisa de pobre) e de uns aperitivos que a empregada da Sâmara trouxe para nós. Foi uma tarde maravilhosa, porém ao mesmo tempo que éramos tão íntimas naquele ambiente, éramos tão estranhas e diferentes uma das outras.

A Sâmara estava casada há 5 anos com o Pepe, um nerd do colégio que a gente vivia zuando. Ela contou que eles se reencontraram numa festa e ele estava mudado, mais bonitão vamos dizer, e acabou rolando. Formada em marketing, hoje ela dirige uma multinacional e vive viajando para o Exterior. Filhos? Isso ela não quer nem ouvir falar. Disse que ainda tem muitos planos pela frente. (Também com o dinheiro e o marido dela até eu ia ter um trilhão de planos)

A Bete bunduda virou uma dona de casa perfeita. Engordou uns 20 quilos e hoje só se dedica a cuidar do Lucas e do marido (detalhe!) rico. Ela pode ter mudado de aparência, mas de esperteza, ham, isso não mudou nadinha. A não ser sua conversa que de garota liberal havia se transformado numa conversa chata de filhos, marido, dona de casa e cheia de pudores. Bete sim planejava ter muitos filhos. Disse que seu marido era um empresário renomado e que queria deixar muitos herdeiros para os seus negócios (isso mesmo, no plural.)

A Paty continuava a mesma locona de sempre. Depois de muitas desilusões amorosas e dois filhos, ela havia entrado para o meu clube – das solteiras. Atualmente, trabalhava numa galeria de arte e continuava falando as mesmas bobagens e palavrões de sempre. Contou que já fez de tudo na vida (tudo e mais um pouco), mas que agora a idade estava chegando e ela estava mais calma, porém não queria saber de homem não...

A Rose...ah, essa foi uma supresa...chegou atrasada ao nosso encontro por causa de uma reunião na igreja. Havia virado evangélica. Para falar a verdade, ela ficou a maior parte do tempo muda. Mas conseguimos arrancar algumas informaçõezinhas dela. A Rose no colégio era o tipo de amiga mãe, daquelas que ouvia conselhos de todo mundo, estava sempre pronta a ajudar. Aquela a quem tanto derramei minhas lágrimas de adolescentes, agora mais parecia uma estranha para todas nós. Rose estava noiva de um ‘irmão’ da igreja e trabalhava em escritório. Entrou para a igreja por causa da mãe dela e disse que estava bem mais feliz agora, porém como não podia se atrasar para o culto das seis, não ficou nem uma hora na nossa reuniãozinha.

E eu?! Fiquei sem saber o que dizer quando perguntaram o que eu fazia da vida. Podia dizer que estava namorando um homem maravilhoso, que estava cheia de planos, de dinheiro e com o emprego dos meus sonhos. Mas não...mesmo longe, aquelas eram minhas amigas (ou pelo menos um dia foram). Eu devia lealdade a elas. Contei que estava à procura do meu príncipe que sempre insiste em chegar de jumento, que morava sozinha num apê alugado e tinha arrumado um emprego recentemente numa agência, ou seja, era uma solteirona endividada.

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Ficamos na casa da Sâmara até o anoitecer nos lembrando dos bons tempos de colégio. Das pessoas, das azarações, revelando segredos antes jamais revelados. Sabe que eu descobri que a Sâmara gostava de um namoradinho de colégio meu e que depois que a gente terminou eles ficaram?!

Mesmo em mundos tão diferentes aquela tarde foi maravilhosa e deprimente também. É triste ver que o tempo passa, o tempo voa...


Papo de Calcinha: Já reencontrou alguma grande amiga (o) da época do colégio depois de tanto tempo? E aí como foi o reencontro?

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segunda-feira, fevereiro 18, 2008

O BOM FILHO À CASA TORNA


Por Letícia Vidica


- Gente, o Beto vai casar! – foi o que eu disse à Lili e a Betina naquela tarde de sábado na casa da Bê.


- Num creio e ele te convidou? – perguntou Betina


- Fez questão de me mandar o convite.

Sabe aquele ex-namorado que toda vez que vocês se encontram rola um remember ? O Beto era um desses. A gente se conheceu no cursinho pré-vestibular (faz tempo) e namoramos até o meu penúltimo ano da faculdade. O Beto era o namorado perfeito: a gente gostava das mesmas coisas, ouvia as mesmas músicas, falava sobre tudo e nada, simplesmente, a gente se completava. Era o brother que eu beijava na boca. Pensávamos até em casar, mas um dia apareceu uma oportunidade para ele ir estudar nos EUA e nossos planos de casamento foram adiados. O um ano que ele ia estudar fora se transformou em três e o nosso namoro acabou virando amizade.

Apesar de eu ser gamadona nele, dei um super apoio para que ele fosse estudar fora e achamos melhor terminar a relação pois não ia dar para continuar a trilhões de distância.

Por algum tempo, a gente ainda manteve relacionamento por email, MSN, carta e alguns telefonemas, mas com o passar do tempo a gente parou de se falar. Até que, um belo dia, o Beto voltou e foi me procurar. Fiquei super feliz com a volta dele, mas já não tinha mais nada a ver insistirmos num relacionamento e ele acabou virando o meu amigo colorido (rs).

Toda vez que a gente se via, era mais forte do que nós. Sempre terminava nos braços dele, mergulhada na boca dele ou no apê dele ou no meu. A gente não se cobrava. Rolava e pronto. Tínhamos toda liberdade pra contar de outros relacionamentos, pedir conselhos (nossa, quantas vezes ele me ligou chorando por causa de alguma mulher ou eu liguei aos prantos para ele...)


- Mas, Di, vocês não tinha um rolo?


- Na verdade, Li, a gente sempre foi meio amigo meio amante sabe? O Beto é muito especial para mim, mas é só amizade...


- Será?

Confesso que a chegada daquele convite vermelho aveludado com letras douradas e garrafais com o nome do Beto e sua futura esposa, me convidando para vê-lo fazer juras de amor a uma noiva que não era eu, me deixou deprê.

Eu sei que a gente não era namorado, aliás, já fazia mais de um ano que não rolava mais nada ... eu até sabia que ele estava namorando uma garota que conheceu no trabalho, mas eu ainda tinha uma pequena ponta de esperança de que o Beto era uma das minhas possibilidades de marido. E agora a possibilidade ia subir o altar.

- E você vai no casamento?


- Ainda não sei...


- Ah, se eu fosse você, eu ia... e bem bonita...só pra fazer ele se arrepender de casar com a lambisgóia... – apimentou Betina


- Eu não ia não! E pagar esse mico de solteirona? Além do mais ver o cara todo feliz com outra...


- Ai, gente, vocês me deixam mais confusa ainda.


Faltava um mês para o casamento e ele havia virado artigo de decoração da minha geladeira. Toda vez que eu olhava para ela, vinha a pergunta: ‘Ir ou não ir ao casamento, eis a questão’.

Num desses domingos de sol, resolvi ir caminhar no parque, pois já estava um pouca acima do peso e totalmente preguiçosa. Ouvindo meu MP3 com uma música melancólica da Ana Carolina, eu caminhava e pensava na vida, até uma bicicleta quase me atropelar...

- Beto?!


- Diana?!

Coincidências realmente acontecem e o destino, mais uma vez, pregara uma peça em mim. O noivo e a ex haviam se encontrado no parque.

- O que faz por aqui uma hora dessas? Pelo que eu sei, você não é de acordar tão cedo!
(O chato de reencontrar ex-namorados é que nem dá pra mentir porque o cara simplesmente sabe tudo sobre você. E ser dorminhoca era uma delas!)

- Estou tentando mudar... e você?


- To morando há duas quadras daqui... eu e a Dri alugamos esse apê e eu resolvi me mudar na frente... falando nisso, recebeu o convite?


- Convite?! Ah...recebi, obrigada.


- E você vai né?


‘Por quê ele tinha que fazer essa pergunta?’


- Eu? Vou...vou sim!


- Tá com muita pressa ou tem tempo pra um café?

Educado como sempre, o Beto me levou para tomar café da manhã em uma padaria próxima. Simplesmente, levamos duas horas tomando café. Ele começou a me contar como conheceu a Adriana, a futura esposa, seus planos para o futuro, como estava no trabalho...simplesmente, desandou a falar...ainda bem que ele não perguntou da minha vida, pois trinta segundos seriam suficientes para resumir que sou uma solteirona em busca do homem perfeito... e que ele podia ser esse homem.

- Quer conhecer o meu apê?


- Eu? Mas, Beto, e a Adriana...?


- O que tem? Você é minha amiga!

Realmente, eu era só a amiga. Fui até o ninho de amor dos dois e depois de conhecer o lar feliz, chamei o Beto para almoçar em casa. Ele aceitou. Preparei uma ‘gororoba’ qualquer porque ele também sabia que eu cozinhava muito mal. Comemos e passamos mais algumas horas a conversar...

- Engraçado, né? Quem diria que um dia eu ia no seu casamento...


- É a vida dá voltas...


- E pensar que já sonhei tantas noites em subir no altar ao seu lado...

Neste momento, ficamos mudos como se um filme passasse em nossa memória. O Beto começou a me olhar diferente. Do mesmo modo, que me olhava quando a gente namorava... foi se aproximando... tocou no meu rosto e sem dizer nada me beijou ... e eu continuei. Sei que não estava certa mas, mais uma vez, o remember rolou com a gente e sem cobranças.


- Di, você está louca? O cara vai casar e você serve de despedida de solteiro para ele e ainda quer ir no casamento? – crucificou Betina

Era o dia do casório e eu estava convencendo a Betina a ir comigo. Durona como sempre, ele tentou fazer de tudo para que eu não fosse. Mas eu tinha que ver para que pudesse colocar um ponto final nessa história e acreditar que acabou.

Fui e com a Lili e a Betina a tira-colo. A igreja estava lotada e o Beto lindo como sempre. Só acreditei que não estava sonhando quando o padre disse ‘Pode beijar a noiva e vi que quem ele beijava era a Adriana e não eu’.

Na porta da igreja, encontrei com a mãe do Beto. Ela me abraçou fortemente e desandou a questionar sobre a minha vida. A dizer que me adorava, que eu era a nora que ela queria e blábláblá...

Por fim, respirei fundo e fui cumprimentar os noivos. Eu não sabia o que o Beto tinha contado à sua futura esposa, por isso, corria um sério risco de levar um tapa na cara...

- Parabéns, Beto.


- Diana! – ele abriu um largo sorriso e me abraçou


- Dri, essa é a Diana que eu te falei, aquela minha amigona...

Incrivelmente, a noiva também me abraçou e daí tive a certeza de que colocamos o ponto final na nossa ‘relação’ naquela noite. E o que restava era me conformar...

PAPO DE CALCINHA: E AÍ, AMIGA (O), JÁ TEVE UM CASO DESSES?

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

QUANDO VIRA AMIGO...



por Letícia Vidica

O Tony é o homem que eu pedi a Deus e que minha mãe implorou nas suas novenas. Simpático, educado, bonito, bem-sucedido, bem decidido, um fofo...mas é apenas meu amigo. Sabe aquele cara que você se derrete toda quando conhece, se joga nos braços dele, mas ele só tá afim de desabafar e ser seu amigo?! É o Tony. Porém, antes um amigo bonitão do que um bonitão voando...

Vamos lá...

Eu conheci o Tony numa reunião de trabalho, confesso, num happy hour de trabalho num bar. Era sexta-feira, sol de 40º C na cidade de São Paulo. Galera do serviço estava estressada e resolveu se reunir num boteco próximo.

Lá estava eu tomando o meu choppinho e falando mal do meu chefe com meus colegas de trabalho, quando aquele Deus entrou no bar. Fiquei hipnotizada no primeiro olhar. E mais ainda quando ele se aproximou da nossa mesa. O Tony era amigo do David. Ele trabalhava perto e foi convidado para beber com a gente.

28 anos (idade ideal), morava perto de mim, advogado (bom salário...), inteligente, bonito, educado e ótimo papo. Essas foram as conclusões as quais cheguei no final do happy hour que acabou lá pelas 10 da noite.

Eu estava sem carona. Super educado, o Tony perguntou onde eu morava e disse que poderia me dar uma carona. Claro que não titubeei e aceitei. Fomos conversando sobre várias coisas ao longo do caminho e descobri que tínhamos muitas coisas em comum, até amigos em comum... Ríamos de bobagens como se fóssemos velhos conhecidos. Tinha certeza de que ia dar certo, ainda mais que no final ele pediu meu telefone.

*****

Fiquei esperando pelo telefonema dele por alguns dias e surpreendentemente ele me ligou antes que 7 dias se completassem.

- Oi, Diana, é o Tony.Fiquei muda quando ouvi a voz dele do outro lado da linha- Diana, você está aí? Alô?- Oi, To-tony, tudo bem?- Te atrapalhei?- Que isso...estava de bobeira- Que ótimo...é que eu ganhei um par de ingressos pra um show hoje à noite e é justamente da nossa banda preferida...tá afim?

Em 30 minutos eu estava pronta e o Tony na minha porta. Tinha certeza que ia rolar. Como sempre, fomos conversando o tempo todo. Descobri que ele era filho único (a sogra ia ser um obstáculo muito sério), adorava viajar, azul era sua cor preferida etc etc

O show foi ótimo. Logo depois, ele me levou para jantar num restaurante muito aconchegante. Não tinha dúvida de que ia rolar. No meio do jantar, ele perguntou se eu tinha namorado. Disse que não. Ele não acreditou muito ainda mais porque foi logo derrubando um monte de elogios sobre mim. (O cara tava afim...claro!)

No final do jantar, ele me deixou em casa...- A noite foi muito agradável, Diana. Fazia tempo que não me divertia tanto.- Eu que agradeço por ter me aguentado...- Não é sacrifício nenhum...Suspirei.- Então, a gente se vê.O silêncio pairou no ar. Era a hora do beijo. Olhei dentro dos olhos dele. Dei aquela quebradinha de pescoço e esperei. Ele se aproximou e me deu um beijo...na bochecha!!!! (que ódio, mas eu não podia ser tão precipitada)

Nos despedimos e ele se foi.

********

- ´Peraí! O cara te convida pra ir no show da sua banda preferida, te leva pra jantar num lugar maravilhoso e não rola nada? Que isso...- Ai, Betina, acho que ele é tímido, reservado, sei lá- O cara tem algum tipo de problema não é possível...- Ai, vai ver eu que tô muito apressada. Acha que devo ligar para ele?- Pra ganhar outro beijo na bochecha?

Eu adorava minhas amigas pela sinceridade, mas nem sempre seguia seus conselhos. Liguei para o Tony dali uns dias e o chamei para ir ao cinema. E ele...aceitou! Dessa vez, ele não me escapava. Assistimos uma comédia romântica para apimentar, dividimos a mesma pipoca, comemos um lanche e acabamos a noite no meu apê... não se empolgue... viramos a noite bebendo vinho, falando de livros e adormecemos juntos no tapete da minha casa...e nada rolou.

*****

Saímos mais algumas vezes e eu estava totalmente apaixonada por aquele homem e ele não tomava nenhuma atitude. Será que o problema era comigo? Eu era muito feia? Não podia ser, ele não ia querer sair com um monstro!Tinha bafo? Meu papo era chato? Era gorda? Meu Deus, quanto agonia! Comecei a sentir saudades dos caras que me desprezavam logo de cara...

- Gente, vou enlouquecer. Faz dois meses que estamos saindo e nada? - só uma bebedeira com minhas amigas me curaria daquela deprê apaixonante.- Calma, Di... e se o cara tiver namorada? Vai ver ele não tem coragem de te falar- Mas quem tem namorada não me convida pra sair num sábado à noite ou num domingo à tarde... não me leva em festa de família...gente eu vou enlouqueceeerrr...- Eu acho que ele é viado...- Nossa, não seja tão radical...Passamos a noite toda inventando teorias e desculpas para o Tony não ter se declarado para mim...

****

Sábado à noite. Uma lua de dar inveja e eu assistindo ´Meu primeiro amor´ e comendo uma panela de brigadeiro. Eu só fazia isso quando ficava apaixonada e eu estava perdidamente apaixonada e arrasada porque fazia duas semanas que ele não me procurava.

Meia-noite. Meu celular tocou e era o Tony. Perguntou se podia passar na minha casa. Se não rolasse naquele dia, não rolava mais. Arrumei minhas bagunças, tomei um banho, coloquei uma roupa sensual e esperei meu príncipe. A campainha tocou e eu atendi. Logo , brochei. O Tony estava com uma cara péssima e parecia nem ter reparado no meu visual.

- Nossa, Tony, que cara é essa?- Desculpe te atrapalhar a essa hora...acho que você estava de saída - disse ele me medindo dos pés a cabeça (ele nem imaginava que eu tinha me vestido pra ele)- Que isso...acabei de chegar...senta´í, quer um vinho?- Sim, sim eu preciso beber...

- Eu tô precisando muito falar com você...- Eu também - estava prestes a me declarar...- Pode falar você então - disse eleMas eu não podia me declarar antes de saber o que ele ia dizer... ele começou a falar.- Di, você se tornou uma grande amiga pra mim nesses últimos meses e eu não tinha a quem recorrer... Amiga?!- Acabei de descobrir que vou ser pai...Pai?! Ele me enganou esse tempo todo?- É que eu me separei da minha noiva há 3 meses e eu não sabia que ela estava grávida. Ontem, nos reencontramos e ela me contou. O que eu faço?

O que eu, apaixonada por aquele homem prestes a ser pai, ia dizer? Banquei a amigona e dei alguns conselhos para ele que caiu no meu colo a chorar. Daquele momento em diante, minhas esperanças se foram junto com a gravidez da Joana, minha concorrente...

****

Eu tinha que dar um fim naquela paixão. Resolvi procurar o Tony e me declarar. Fomos a um bar.

- Tony, é muito difícil o que eu vou te dizer, mas eu preciso para que a gente possa continuar a nossa amizade... eu me apaixonei por você...antes que diga algo, eu sei que confundi os sentimentos...achei que você poderia se interessar por mim e criei falsas esperanças...mas já tô tentando te esquecer...mas eu não quero te perder, ou melhor, perder nossa amizade porque você é muito especial...

O Tony se calou por uns minutos e logo me disse...

- Você acha que ia ser louco de perder a amizade de uma mulher maravilhosa como você? ... Saiba que essa não é a primeira vez que isso acontece...acho que ser amigo de uma mulher hoje em dia não é muito comum né?... agora não sei se você vai se sentir bem ao meu lado...

- Claro que vou...por isso, achei melhor dar um fim no meu amor platônico por você e começar a nossa amizade, fechados?

Foi aí que nossa história começou... Hoje o Tony é um dos meus melhores amigos, a filhota dele está para nascer, eu vou ser a madrinha e sou íntima da Joana (a concorrente). Porém, o amor se foi e eu nunca mais senti nada por ele, além de admiração...

... pensando bem, confesso que se ele desse mole, eu caía na rede dele facinho...

PAPO DE CALCINHA: E você, amiga (o), já se apaixonou por alguém que só queria sua amizade?

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AMOR DE CARNAVAL SEMPRE ACABA NA QUARTA-FEIRA



Por Letícia Vidica


Já tive muitos amores de carnaval. O primeiro deles foi um garoto sardentinho (não me faça lembrar o nome, pois eu não recordo!) que eu conheci no meu primeiro baile de carnaval, aos 12 anos, no clube Esperança onde a tia Norma me levou para pular o carnaval. Nosso amor durou as duas primeiras horas do baile porque depois nos enchemos um do outro, tacamos confetes e serpentinas em ambos e decretamos o fim do começo da nossa história de amor.

O Pierre foi o meu segundo amor de carnaval e o meu primeiro beijo também. O conheci num baile de máscaras que a Lurdinha, minha amiga do colégio, fez na casa dela. Foi fixação a primeira vista. Lembro que, fiquei nervosa, quando ele me tirou para dançar, depois me ofereceu um copo de suco Tang (na época, eu mal sabia o que era uma cerveja) e me deu um selinho no final do bailinho.

O mais duradouro deles acho que foi o Fábio. Surfista, sarado, moreno jambo, um pecado em pessoa. Dos meus quinze anos até os dezoito sempre ia passar o carnaval na casa de praia da Aline, minha prima. Foi lá que eu conheci o Fábio e também foi com ele que engatei um amor de verão. Todo carnaval era batata: a gente ficava! Era tipo uma devoção, um hábito, um costume...era coisa de pele sabe? Os quatro dias do carnaval eram aproveitados intensamente, sem nenhuma cobrança, mas com um detalhe: sempre acabava na quarta-feira de cinzas. E a única certeza que tínhamos era de que, dali um ano, tudo começaria de novo. Depois de três anos de amor de folião, nunca mais nos vimos. Minha tia fez o favor de vender a casa e acabar com a minha folia.


Cá estava eu, mais uma vez, pronta a encontrar mais um desses amores. Jurei que, nesse carnaval, ia me internar num SPA ou ir acampar no meio do mato ou fazer um retiro espiritual. Talvez fosse lá que minha alma gêmea estava a minha espera, mas não – eu nunca cumpro o que prometo ... Sabe onde eu estava?

Cheia de tererês no cabelo, em meio a várias malas, com a Lili e a Betina cantando “A cor dessa cidade sou eu...” seguindo rumo a Salvador. Não me crucifique, sei que na Bahia não vou encontrar minha alma gêmea, mas quem sabe metade dela?

Mais uma vez, fui convencida pelas minhas queridas amigas a curtir o carnaval na Bahia. Compramos as passagens e os abadas (caros, por sinal!) e agora enfrentávamos 3 horas de atraso de vôo, mas nada ia tirar a gente do sério...


Com quase cinco horas depois do previsto, desembarcamos na Bahia. Ô terra abençoada! Largamos as malas no hotel e fomos logo torrar no sol de Salvador. Muita gente bonita, sol, turistas, axé, água de coco e só alegria...e uma delas se chamava Jean Pierre, um francês que falava português (aprendeu num curso rápido) que estava hospedado no mesmo hotel.

Primeiro, rolou uma amizade. E combinamos de irmos ver o trio passar juntos. Ele estava acompanhado de dois amigos brasileiros e embarcamos em bando para as ladeiras do Pelourinho.

No meio do caminho, a Lili foi conquistada pelo charme de um negão com todo o seu sotaque mole de um típico baiano. Os dois logo se perderam no meio daquela multidão de gente que se formava nas ladeiras de paralelepípedos. A Betina seguia conversando com um dos amigos do Pierre. Pareciam até que estavam se entendendo, mas assim que o trio passou do nosso lado, Betina se escafedeu e se perdeu na multidão. A única que não conseguiu fugir foi eu porque o francês havia colado na minha ...

- Estou adorando estar aqui no Brasil e conhecer uma mulher tão bela como você...
- Obrigada, mas me fala mais de você...

No meio da batida do Olodum, o Pierre me contou que era engenheiro e que estava de férias no Brasil. Tinha 28 anos e solteiro (pelo menos em solo brasileiro...)

Passamos aquela noite e o resto dos outros dias juntos. O Pierre simplesmente não desgrudava de mim...

- Di, ta na hora de dar uns perdidos nesse francês, hein?
- Isso mesmo, Be... a gente vem curtir o carnaval da Bahia e você perde o melhor da festa...
- Se querem saber, o melhor daqui pra mim é o Jean Pierre, merci!
- Ah, não, Diana...amor aqui não rola...

Realmente, amor na Bahia não rolava não. O negócio era pegação e isso as minhas amigas aprenderam logo. Eu fui a única que preferi a exceção. Enquanto o povo fervia que nem pipoca atrás do trio, eu e o Pierre preferíamos a paz, o sossego e curtir nossos poucos dias de amor.


Porém, tudo que é bom dura pouco e o carnaval era uma dessas coisas que duram muito pouco...
- Foi ótimo, Jean
- Te espero na França!
- Quem sabe...

Demos um beijo e nos despedimos. E, mais uma vez, naquela quarta-feira de cinzas perdi mais um amor. É, mas ano que vem tem mais...


PAPO DE CALCINHA – E você, qual a sua história de carnaval?

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quarta-feira, janeiro 23, 2008

TODA MULHER ADORA UM BANHEIRO FEMININO


Por Letícia Vidica


Há coisas que não tem como a gente negar e uma delas é que toda mulher adora um banheiro feminino. Tem coisa melhor do que deixar os homens morrendo de curiosidade quando todas as mulheres da mesa se levantam e vão ao banheiro juntas? Gostaria de ser um dos neurônios deles para saber o que eles pensam ou imaginam que a gente faz unidas dentro de um banheiro. Porém, sei que eles também adorariam ser uma daquelas mosquinhas chatas de banheiro para nos espionar.

Banheiro feminino é algo especial para toda mulher. É lá que a gente verifica se deu certo aquele trato no visual. É lá que a gente fofoca o que não dá pra falar na frente de todo mundo. É lá que a gente chora nossas mágoas e sempre é acudida por uma estranha que está passando batom no espelho. É lá que a gente respira, conta até 10 e volta sem sair do salto e também é lá que sempre são contadas as melhores histórias.

Se você for homem, sei que será difícil entender. Deve estar se perguntando, mas qual a graça de ficar horas dentro de um banheiro ao invés de curtir a balada ou a festa? Meu amigo, passaria dias tentando lhe explicar e você jamais entenderia. Pois afinal de contas, banheiro para você só é sinônimo de uma mijada rápida e sem dar tempo que o outro fique medindo muito (você entende...)


Códigos

Banheiro feminino é quase um código secreto inventado por alguma mulher da Idade Média. Cada jeito de ir ao banheiro tem um significado. Se uma mulher chega numa festa ou numa balada e vai direto pro banheiro, isso quer dizer que ela quer dar uma conferida no visual. Se estiver acompanhada, quer repassar o batom que o namorado tirou no meio do caminho, arrumar o cabelo que ele desarrumou com o abraço e ver se está realmente poderosa.

Porém, se mais de uma mulher estiverem reunidas num mesmo local conversando no meio de homens e, de repente, elas se olham e alguma delas convida para ir ao banheiro significa que querem fofocar, ou melhor, querem um momento de privacidade. Se todas forem juntas, pode ter certeza que o babado é forte, mas se forem apenas de duplas, com certeza contarão segredos íntimos ou falarão mal da companheira que foi excluída da excursão ao banheiro. (Aliás, é um desrespeito ou uma afronta ir ao banheiro e não convidar alguma mulher presente). Ir ao banheiro em bando é um hábito mais do que comum.

Ir ao banheiro no meio balada é sinal de que você já exagerou na breja e não consegue parar de mijar. Ou sinal de que precisa de um canto pra respirar pois já tá pra lá de bêbada.

Dentro do banheiro

Já reparou como banheiro feminino sempre tem fila? Banheiro feminino que se preze tem que ter fila e um monte de mulheres saculejando pro xixi não sair. É na fila que você ouve as melhores histórias. É uma que conta que encontrou o ex-namorado, é outra fugindo do cara chato que tá ficando na balada, é outra falando mal daquela que não foi convidada para ir ao banheiro...

Se não bastasse a fila, é inacreditável o tempo que uma mulher gasta dentro do banheiro: abaixa calça, tira calcinha, faz o xixi, veste a calcinha, levanta a calça, dá descarga, arruma a blusa... ufa!!! (que inveja de não poder dar apenas uma saculejada ...)

Espelho! Local preferido das mulheres. Já percebeu como a gente fica fula quando não tem espelho no banheiro? Onde já se viu um banheiro feminino sem espelho? É sempre um aperto, mas a gente luta pelo espaço para ver se a roupa tá boa, se a escova que você gastou a tarde toda fazendo já não foi embora... É lá também que você (sutilmente) repara no que a outra está vestindo, se está bonita, feia, gorda ou magra. E sempre surgem comentários do tipo ‘Nossa, preciso cortar o cabelo ‘. ‘Como eu estou gorda’.

Ao contrário do que os homens pensam, banheiro feminino nem sempre é sinônimo de limpeza. Há uns bem imundos por aí. Como pode existir tanta mulher porca no mundo? A pior coisa é entrar num banheiro feminino e sentir aquele cheiro de mijo misturado com menstruação. Pior ainda é abrir a porta do banheiro apertadíssima para fazer xixi e se depara com um absorvente (detalhe!) usado jogado no chão e mostrando abertamente para o quê ele serve. Muito pior é olhar na privada e ver que a companheiro anterior deve ser deficiente porque lhe faltou as mãos para dar descarga. (Nessa hora fico imaginando o chiqueiro em que ela vive e tenha pena das tias do banheiro..)


As histórias

Por falar em tia do banheiro, elas são as que mais se divertem na festa. Elas sabem de tudo! Quietinhas em seu canto enrolando papel higiênico e fumando um Marlboro elas ouvem tudo e será que contam para alguém?

Um dia desses descobri que a Dona Cida, a senhora que limpa o escritório em que eu trabalho, ganha um extra no final de semana limpando o banheiro de uma balada famosa da cidade. Fiquei enlouquecida! A mulher simplesmente era uma enciclopédia brasileira sobre histórias de banheiro e numa tarde dessas que meu chefe saiu mais cedo desandou a me contar algumas, enquanto eu tomava um café.

- Ah, fia, a gente ouve e vê de tudo no banheiro – confessou dona Cida tragando um Marlboro – quietinha no meu canto fico só observando e ouvindo as historias para passar o tempo. Tem aquelas meninas fresquinhas que mal olham para gente, pegam o papel como se nóis fosse máquina, essas são as piores.. já vi muitas dessas cherano, vomitano de tanta cachaça e essas bebidas que eu nem sei o nome. Até mulher armada eu já vi... – Sério, fia. E tem as mais educadas também que cumprimentam e sempre puxam um papo ou outro com nóis tem sempre uma ou outra que desanda a contar da vida.... outro dia, apareceu uma toda bonitona com jeito de grã-fina sabe? Se trancou no banheiro e desandou a chorar...ficou mais de uma hora chorando ... fiquei com dó né? Resolvi ajudar e ela me contou que havia acabado de ver o marido com outra na balada... não sabia o que fazer e o pior é que enquanto ela me contava a vagabunda da outra entrou no banheiro ... e aí? Aí que o pau comeu minha fia... foi cabelo para todo lado...hahahahaha ... é a gente se diverte viu?

Confesso que até sai mais tarde do serviço só pra ouvir as histórias da Dona Cida.

Papo de Calcinha: Você também gosta de um banheiro feminino? Por quê?

quarta-feira, janeiro 09, 2008

NAMORADO E AMIGAS NÃO COMBINAM (QUEM FOI QUE DISSE?!)


Por Letícia Vidica


Já fazia um mês e meio que eu não falava com a Betina. Estava mais do que estranhando. Ela é do tipo de amiga que liga toda semana, sempre agita um chopinho no bar, uma reuniãozinha entre amigas e nesse tempo todo não fiz nada disso a não ser trabalhar demais e só me dar conta de que não me reunia com as minhas amigas há mais de um mês e meio.

Certa sexta-feira daquelas convidativas para um chopinho, liguei na casa da Betina.

- E aí sumida, esqueceu das amigas?

- OOOOOOIIII, DI! – respondeu Betina meio sem graça

- O que houve que você sumiu? Já ia ativar a SWAT...

- Sabe o que é... tô meio namorandinho...

- Namorando???! E você não manda nem um pombo correio para contar a novidade??? E quem é o louco? Hahahaha

- É que foi tudo tão rápido... lembra do Pablo, aquele espanhol que eu conheci naquela balada? Então, a gente começou a sair e ele me pediu em namoro

- E por isso a senhora sumiu?

É incrível como nós mulheres somos bichos estranhos. Quando estamos sozinha só andamos em bando (acho até que superamos as lésbicas – com todo respeito), mas quando arrumamos um cobertor de orelha tratamos logo de dispensar as amigas. Tem sentido isso? E com a Betina não foi diferente.

Confesso que fiquei com um pouco de raiva e ciúmes dela ao mesmo tempo. Primeiro, como amigas que somos ela tinha o dever de contar essa novidade pra gente. Segundo, prometemos umas as outras que nada nos separaria, mas o espanhol dela nos separou...


- Tem visto a Betina? – perguntou Lili numa das nossas sextas no bar

- Ela ainda existe? A última vez que liguei para ela, ela veio com uma desculpa de que não ia poder sair porque el Pablo ia na casa dela...

- Ah, outro dia liguei também só pra bater papo e ela foi logo me dispensando porque o Pablo estava lá. Poxa, será que nem um oi ela podia me dizer?

- Nem fala... nem e-mail mais ela responde.

Passamos a noite toda a falar mal da nossa melhor amiga, que por um acaso chegou no bar no meio da noite acompanhado pelo espanhol. Ao nos ver parece até que levou um susto.

- Oi,meninas. Esse aqui é o Pablo. Pablo essas são minhas amigas Diana e Lili.

Para não ficar chato, os dois sentaram-se na nossa mesa, mas pude ver a cara do espanhol como quem não queria encontrar ninguém naquela noite. Além disso, ele não fez questão nenhuma de ser simpático. Por sinal, ele era um chato (e não bebia, o que era pior)

- Vocês se conhecem há muito tempo? – perguntou ele

Só podia ser brincadeira. Não acredito que a Betina teve a coragem de contar a vida dela nos tirando de todos os capítulos.

- Há apenas 5 anos... – respondi

- Desculpe gente é que nem tive tempo de falar da nossa amizade, né Pablito?
– desculpou-se Betina

- Relaxa, Be... não estamos cobrando ninguém – era incrível como minha melhor amiga tinha se tornado insuportável.

Passamos o resto do tempo, ouvindo o Pablo falar, pois ele adorava falar,e bebendo cerveja (bem quem bebeu fui eu e a Betina porque o espanhol não bebia – engordava- e a Betina teve que se conter com uma coca light).

Como quem quer mandar um recado, ele foi logo dizendo que não gostava de garotas que bebiam, que não curtia balada, que estava em outro momento da vida, blábláblá... era um chato de galocha. A gente não agüentou mais do que uma hora de conversa e logo arrumamos uma desculpa e fomos embora.

Logo depois desse encontro, ainda tentamos manter contato com a Betina, mas ela sempre tinha um desculpa para não ver a gente e quando conseguia era sempre correndo.


Num sábado desses, estava em casa de perna pro ar quando a campainha tocou. Era a Betina em prantos. Logo pude imaginar o que tinha acontecido...

- O Pablo terminou comigo.

E eu com isso? Muito bonito vir na minha casa porque virou solteirona. Não disse, mas pensei. Como boa amiga que sou tentei acalmar a Betina e ela me disse que ele havia terminado com ela sem motivo algum. Ainda questionei se eles brigaram, se ele tinha traído, mas ela disse que não. Apenas andava estranho demais de uns tempos para cá. E resolveu terminar tudo.

- Queria te pedir desculpas também por me afastar de vocês. Como pude trocar minhas melhores amigas por um cara que não tem nem a capacidade de acabar um namoro decentemente?

- Confesso que fiquei com muita raiva de você por um tempo, mas não tenho o direito de impedir que você seja feliz e que bom que você pode voltar e contar com uma amiga novamente.

- Que cena mais patética – disse Lili invadindo o meu apartamento.

- Pega leve, Li. O espanhol terminou com a Betina.

- E eu com isso? Depois que voltou pro clube das titias, fica fácil procurar as amigas.
(Esqueci de dizer que a Lili era a mais esquentadinha das três. E nem preciso dizer que tive de ficar no meio do fogo cruzado)

- Poxa, Lili... sempre pensei que podia contar com você. Eu estou mal.

- Então só servimos pra você quando está mal? Quando tá no bem bom com o bonitão nem lembra que a gente existe? O meu telefone não mudou e você me ligo? A minha casa também não saiu do lugar e você foi me visitar? Não. Agora não vem com chororó.

- Eu sei que errei com vocês, mas foi mais forte. Estava tanto tempo sozinha que quando arrumei alguém fui logo tratando de me dedicar integralmente àquele canalha imbecil.

- Olha gente... de nada adianta ficarmos discutindo. Isso não vai trazer o el Pablito de volta. Então que tal a gente chorar as pitangas no bar do Jorgão e aproveitar para falar mal dos homens? Quem topa?

Nem preciso dizer que fomos todas pro bar né? Afinal de contas, uma amizade verdadeira não pode se abalar por causa de um homem e amiga de verdade entende, aliás, ela também é mulher e entende as estranhezas do nosso mundo.

Papo de calcinha: Você já se afastou de alguma amiga por causa de namorado? Ou alguma amiga fez o mesmo com você ? Conte pra gente como foi essa história.

quinta-feira, dezembro 27, 2007

PROMESSAS DE FIM DE ANO... MAIS UMA VEZ!


Por Leticia Vidica


“Emagrecer 10 quilos. Ser mais paciente com a minha mãe, com os homens e com os meu vizinhos. Beber menos. Sair menos. Gastar menos (isso é muito importante!!). Economizar mais...” Será que consigo dessa vez?

Antes de responder a mim mesma, fui interrompida pela campainha e pelos gritos da Lili e da Betina com uma garrafa de champagne barato nas mãos:

- Feliz Ano Novoooooooooooo
- Nossa, gente, mas pra quê tanto? Querem que eu seja expulsa do prédio? E além do mais hoje ainda é dia 30!
- Já vi tudo...que tédio, amiga! Vamos comemorar.... – disse a empolgada da Betina
- Fazendo o quê?
- Adivinha, Lili... promessas de fim de ano.
- Ihhhh...esse ano eu to fora.... cansei de prometer, nada acontecer e eu não cumprir...ano que vem vai ser igual aquela música ‘deixa a vida me levar...’
- E tava prometendo o que dessa vez?
- Ah, deixa eu adivinhar...hum...emagrecer! Não porque todo ano eu prometo que vou perder 10 quilos e ganho mais 10!
- Homem, com certeza, homem faz parte da promessa da Di...ela não desiste (risos)
- Ai, credo, ao invés de ficarem me zuando deviam me incentivar me apoiar...mas não, vocês sempre me fazem descumprir todas as promessas...
- Nós?! Vamos beber vai...


Pegamos a garrafa de champagne, uns salgadinhos e fomos relembrar a vida na minha varanda. Nem é preciso dizer que bebemos tudo e varamos a noite né?

- Fui numa cartomante!
- Mas você não disse que não acreditava mais nessas coisas, Betina?
- Curiosidade...
- E o que ela te disse?
- Que meu ano será ótimo, mas com alguns obstáculos a superar...e um deles já começou...o Beto me ligou.
- Sai desse corpo que não te pertence...
- Me convidou pra passar o Reveillon com ele em Angra...
- E você não aceitou né?
- E eu sou louca de recusar um convite desses?! Passar o ano novo num lugar maravilhoso e com um homem...
- Canalha! – retrucou Lili
- Pelo menos, garanto que vou começar o ano bem acompanhada e vocês?
- Ah, eu acho que vou pra casa de uns amigos...beber, jogar conversa fora...e você Di?
- Sabe que nem pensei nisso? Esse ano to meio down...queria ir pra uma ilha deserta...
- Nossa, mas o que houve?
- Crise dos 30. Ano que vem serei uma trintona e o que tenho na minha vida?
- Nóssssssssssssssssss....
Pra não chorar me consolei com elas mesmo. Terminamos a noite com um vinho espanhol guardado para ocasiões a dois...mas foi a três.


Amanheci no dia 31 com uma baita dor de cabeça. Beber bebidas ‘caras’ dá nisso. Passei o resto da tarde de pijama, comendo pipoca e assistindo “Uma linda mulher”...confesso que chorei.

Meu telefone tocou algumas vezes. Na primeira, era minha mãe me enchendo o saco para ir para a fazenda passar o ano novo com a tiarada e com a sobrinhada, mas inventei que já tinha programa melhor. Depois, foi a Betina me desejando bom ano novo. E depois a Lili, que ficou com pena de mim e tentou me convencer a todo custo a passar o Ano Novo na casa dos amigos dela. Ela foi tão chata, mas tão chata que prometi que ia dar uma passadinha rápida.

22h. A Lili já buzinava loucamente na frente do meu prédio. Desci e partimos em direção ao meu Reveillon alucinante.


Ao chegar na casa do amigo da Lili, fiquei embasbacada. Era do tipo mansão de cinema,sabe? E mais cinematográfico ainda era o dono...Juan, um moreno com cor de jambo e olhos mel que me deixaram hipnotizada.

Juan era amigo de infância da Lili, mas como amigos bonitos a gente não apresenta, ela escondeu ele a sete chaves e agora me revelava...

- Menina, onde esse pecado se escondeu todo esse tempo?
- Ih, pode tirar o seu boizinho da chuva... o negócio do Juan são lolitas e a dele vem aí...

Meu queixo bateu e voltou do chão, quando viu a paquita, vulgo namorada do bonitão, descer as escadas. Sabia que meu ano novo não ia ser bom....


Faltando 10 minutos para meia-noite, me ausentei do pessoal e fui caminhar no jardim. Comecei a pensar na minha vida e em todas as coisas que conquistei e que me deixaram esse ano. Agora lá estava eu, prestes a ser agarrada por um novo ano onde muitas outras coisas me conquistariam e tantas outras poderiam me deixar.E eu estava preparada para o abraço?

10 ...9...8...7...6...5...4...3...2...1... FELIZ ANO NOVO!


Papo de calcinha: Quais são suas expectativas pro ano que vem?

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quarta-feira, novembro 28, 2007

EBAAA! AGORA TEM COMUNIDADE NO ORKUT

Ebaaaa... Papo de Calcinha está se estendendo para novos horizontes... é isso mesmo. Agora temos comunidade no Orkut. Faça parte : http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42177187

Lá, você também pode comentar as histórias do blog e, o melhor, pode ver o que os outros pensam sobre o mesmo tema.

Não fique fora dessa. Acesse agora mesmo o orkut e faça parte da nossa comunidade. Claro, não esqueça de convidar os amigos.

Um super beijo!

terça-feira, novembro 06, 2007

QUEM LEVA UM BOLO NUNCA ESQUECE... E SEMPRE CONTINUA LEVANDO MAIS


Parece que nós mulheres temos o dom de levar um ‘bolo’. Algo me diz que nosso instinto feminino ou atrai esse tipo de situação ou simplesmente ama inconscientemente esse tipo de situação. Eu já levei uns 15.000.000.000 bilhões de bolos, foras, tortas e outros doces mais, porém nunca aprendo com eles. O próximo é sempre pior que o anterior e eu sempre mais besta também.

Há duas semanas, levei um daqueles! Com direito a recheio, chantilly e cereja. Vou contar: Tem um carinha da minha academia que eu sempre achei ‘gatérrimo’, mas até então ele nem me dava bola. Mas um dia – por falta de espaço e equipamento – ele resolveu vir malhar na esteira ao meu lado. Fiquei super empolgada e pensando em mil formas de começar um assunto. Porém, ele foi mais rápido e puxou conversa da forma mais simples e comum: ‘que horas são, por favor?’. Naquele momento, esqueci completamente como se vê as horas num relógio (detalhe!) digital.

Depois do horário, começamos uma conversa cordial. E dali pra frente, me sentia no direito de cumprimentá-lo toda vez que o encontrava na academia. Não sei porquê, mas nos encontrávamos sempre no mesmo horário?! Após longas semanas de bom dia, boa tarde, boa noite...começamos a contar mais de nossas vidas. Ele, Paulo, 30 anos (homem maduro ou um imaturo homem), bancário e lindo. Eu, Diana, 28 (idade perfeita), publicitária, pobre e na caça de um namorado!!!!


- E aí, Di? Quando vai rolar o primeiro encontro com o cara da academia? – perguntou Betina em uma das nossas típicas sextas-feiras no bar do Jorgão, onde a gente deixa todo nosso stress da semana numas 12 garrafas de Brahma

- Você nem sabe...vamos sair amanhã. Ele me convidou para jantar. – disse toda feliz

- Jantar? Mas que romântico. E aí já preparou o kit primeiro encontro? – questionou Lili, minha outra melhor amiga

- Kit? Que kit?

- Isso que dá ficar muito tempo de molho. Amiga, acorda! Você vai sair com um homem lindo e acha que vai voltar para casa e dormir? Querida, depilação, lingerie nova e um bom perfume é tudo num primeiro encontro.

- Poxa, é verdade...fui!!! – deixei o dinheiro na mesa e saí correndo. Afinal de contas, 24h era muito pouco para ajeitar tudo isso.


Sábado, 18h. Acabei de chegar do cabeleireiro. Mais de cinco horas entre manicure, depilação, escova e as fofocas daquelas mulheres que adoram ir ao salão no final de semana para contar da vida e falar mal dos outros. Estou super atrasada. Que roupa vestir? Tenho apenas 3 horas para me decidir.

Parada frente ao espelho, penso: ‘Esse vestido vermelho? Provocante demais. Ele vai logo achar que eu só quero sexo. Que tal esse terninho? Não, não... formal demais. Desse jeito, ele vai achar que está saindo com a mãe ou com a chefe. Um jeans? Casual demais...’

Depois de duas horas e meia decidindo o que vestir, algo me caiu perfeito. Corri pra maquiagem, retoque final na roupa, última passada no espelho. 21h. ‘Daqui a pouco, o Paulo deve estar chegando. Fica calma, respira.’

21h30. É, ele deve estar um pouco atrasado. Afinal, o trânsito de São Paulo é um caos. 22h30. O pneu dele deve ter furado e a bateria do celular descarregou. 23h30. Não é possível, mais um não. Poxa, o que será que aconteceu? Mas nem um telefonema? Será que a mãe dele morreu?! Fim da noite: fui pra cama com 3 latas de cerveja, uma caixa de bombom e um cd do Fábio Jr. Mais um bolo pra minha coleção, mas que sabor terá esse? (rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr)


- E aí, Di, como foi a noite ontem? Foi boa! – perguntou a Betina, que não agüentou de curiosidade e me ligou logo cedo

- Se tivesse tido noite. Levei mais um bolo amiga.

- Não creio. E ele não ligou?

- Parece até que você não conhece homem. Já viu explicação de homem furão?

Nas semanas seguintes, parece que estrategicamente a gente não se viu e ele nem ligou. Mas, como meu santo é forte, um dia a gente se trombou na porta da academia. Ele me olhou com cara de quem não sabe que desculpa inventar. E eu com minha boca maior que o universo não resisti e perguntei.

- E sua mãe, melhorou?
- Minha mãe?
- É, ela não ficou doente naquele dia que a gente ia jantar? – perguntei irônica e ‘idiotamente’
- Putz, é mesmo, sabe o que é...
- Olha, Paulo, não estou te cobrando nada não. Só fiquei preocupada. Boa malhação. – Virei as costas e fui embora. Não tenho mais saco para ouvir a mesma desculpa.

E você, amiga, tem?

Papo de calcinha: Já levou um bolo? Como foi? Conta pra gente (Ah, se você for homem, por favor, me explica qual a sensação de dar um bolo numa pobre mulher)

QUEM É VIVO SEMPRE APARECE ( E VOLTA!)

Depois de quase um ano (praticamente) sumida, voltei! Quem já passou pelo sufoco de um último ano de faculdade, último ano de estágio na angústia de uma efetivação, pela alegria da efetivação, pela loucura do aumento de responsabilidade, vai poder me entender...nem preciso falar mais nada.

Porém, estou de volta e cheia de histórias novas para contar e um monte de ‘babado’ da Diana pra te falar... Afinal, em um ano quanta história e quanta coisa não muda na vida da gente não é mesmo??? Imagina na vida de uma mulher como ela!

Pra quem não está muito antenado com o que eu estou falando, esclareço melhor: aqui você vai ouvir os desabafos da Diana (nossa personagem virtual) sobre o seu mundo feminino a procura do homem perfeito (que ela nunca vai achar). E não só isso, façamos deste um canal para trocarmos idéias e experiências, totalmente aberto a sugestões, críticas e opiniões.

Sempre ao final de uma nova história fica uma pergunta, que eu sempre fico louca para ouvir a resposta. Por isso, seja (novamente) bem-vindo.

Letícia Vidica

domingo, dezembro 24, 2006

CARTA AO PAPAI NOEL

Por Letícia Vidica

Estava pensando em escrever uma carta para o Papai Noel. Quando eu era pequena, já escrevi bastante. Todo Natal minha mãe me levava nos Correios para que eu postasse a minha cartinha. Eu ficava o ano inteiro pensando no que pedir para o bom velhinho: uma boneca, um vestido novo, um vídeo-game... a lista era sem grande e a minha ingenuidade também.

Acho que acreditei em Papai Noel até uns 12 anos. Foram 12 anos de muita euforia ao postar minha cartinha e receber na noite de Natal o presente, que eu acreditava ser do bom velhinho. Tempos ingênuos, tempo bom que me traz saudades...pois acho que a vida era bem mais colorida, quando eu acreditava que Papai Noel existia, vivia na Lapônia e entrava pela chaminé da minha casa, mesmo que minha casa não tivesse chaminé.

Depois que descobri que o bom velhinho era o meu pai e que ele não andava de renas, os Natais nunca mais foram os mesmos. A magia do Natal se perdeu um pouco dentro de mim. Mas esse ano, estou com vontade de escrever uma carta para o Papai Noel, pois acho que ele nunca morreu dentro de mim.

Se eu fosse escrever uma carta para o Papai Noel, o que eu pediria? Um namorado, obviamente, mas eu não quero qualquer homem. Tem que ser um homem carinhoso, que me entenda, que seja bonito, inteligente, educado, que goste da minha família, ature os meus defeitos, tenha muita disposição, seja bem-humorado, saiba me ouvir, odeie futebol, tenha poucos amigos, com uma mãe adorável (claro!)...será que é pedir muito? Se for difícil, Papai Noel pode me ceder um dos seus ajudantes natalinos, deve ter algum bonitinho disponível lá na Lapônia.

Mas será que eu seria feliz só com um namorado? As crianças abusam de seus pedidos, acho que ele não iria se importar. Dinheiro. Isso. Preciso de muito dinheiro para comprar um carro, reformar o meu apartamento, fazer uma longa viagem, trocar todo o meu guarda-roupas,pagar minhas contas (muito importante) e sair por aí sem ter que pedir descontos, comprar na promoção, parcelar em 500 mil vezes, ou seja, se me endividar ainda mais.
Namorado e dinheiro é uma ótima combinação. Ah, Papai Noel, ainda não sei se vou ser feliz...o que mais me falta? ... um ótimo emprego, claro. Estou gostando de trabalhar nessa nova agência,mas não seria nada mal se eu pudesse abir a minha e ter ótimos clientes, contas grandes, clientes grandes e ótimos funcionários.


Acho que é só: namorado, dinheiro e trabalho. Seria muito feliz assim, não seria? Não, não seria... Acho que tenho mais pedidos, mas Papai Noel não vai conseguir trazê-los numa única noite...mas me contento se, pelo menos, o meu primeiro pedido...não é pedir muito é?

O resto eu deixo pra cartinha do ano que vem...prometo!