domingo, abril 13, 2014

DE PERNAS PRO AR


POR LETÍCIA VIDICA


Tive o meu bate-papo de meninas interrompido pela vibração do meu celular. Cessei a minha gargalhada que, com certeza, tinha sido causada por alguma bobagem que a Lili tinha dito. Dei o último gole, travei uma batalha dentro da minha bolsa até encontrar o meu celular. Ufa!

- Puta que pariu!! Esqueci completamente. Eu tenho exames ginecológicos amanhã de manhã. Que horas são? Que merda! Onze horas. Meninas, tenho que ir embora. Só uma idiota como eu para marcar exames às 07 horas da manhã de uma sexta-feira.

- Relaxa, garota. Não vai. Simples assim.

- Simples assim para você que tem médico particular, Liliana. Eu não tenho Bittencourt no nome. Eu dependo de plano de saúde. Quase um SUS, vamos dizer. Sabe quando eu marquei esses exames? Há dois meses. Beijinhos, amo vocês, mas vou nessa.

****

Quando o meu despertador tocou às 05 horas da manhã, eu quase quis matar a mim mesma. Sonâmbula, tropecei no vento, tomei um banho, coloquei a primeira roupa que sorriu para mim no guarda-roupa, fiz um coque básico, peguei a chave do carro e levei meu corpo para dentro dele.

Incrível que como por mais a gente se programe para chegar com uma hora de antecedência na clínica, essa é uma tarefa puramente impossível. Nem bem raiou o sol e eu já estava no meio do congestionamento.

Finalmente, cheguei na clínica para enfrentar a maratona de exames internas dentro do meu ser. Eu odiava passar por tudo aquilo, mas era necessário. A recepção já estava lotada. Peguei a senha e vi que outras trinta pessoas estavam na minha frente. Olhei os sites, li meus emails, joguei Candy Crush, fucei no facebook até ser chamada.

***

- Diana...

Uma enfermeira que parecia ter a metade da minha idade e o dobro do meu humor àquela hora da manhã me chamou na porta da sala.

- Por aqui, por favor, Dona Diana. Tire toda a parte de baixo e tem um avental ali dentro do banheiro. Fique à vontade.

É possível ficar à vontade dentro de uma sala gelada ao lado de duas mulheres estranhas que estão prestes a analisar a sua mais profunda intimidade?! É, meus amigos, isso é a vulvoscopia e a colposcopia. Só pelo nome já deveria dar medo.

Se não bastasse a enfermeira simpática, agora eu encararia a médica primária feliz.

- Dianinha, abaixa mais. Coloque as pernas nas almofadas e deixe o bumbum bem na pontinha da maca. Vai ser rapidinho...

Apesar da voz doce de professora primária, eu não estava nada confortável parecendo uma rã com as pernas abertas com toda a minha intimidade sendo explorada e cavucada por aquela mulher. Como eu odiava tudo aquilo. Mas, como tudo que está ruim pode piorar, quase desmaiei quando olhei para a televisão à minha frente e vi que minha perseguida era a atração principal. Quem foi o gênio que teve a ideia brilhante de fazer desse exame um verdadeiro big brother? Fechei os olhos porque aquilo tudo estava me dando enjoo.

- Prontinho. Está tudo bem com a sua menininha. - dizia a médica feliz ao finalizar o exame.

Já eu saía como uma pata, com uma leve cólica e muito estranha por saber que aquela mulher agora era tão íntima assim de mim.

***

- Diana. Diana... Diana...

Acho que ainda estava meio tonta ou sonolenta que só ouvi chamarem meu nome na terceira chamada. Ao contrário da enfermeira simpática e da médica feliz, me deparei com uma enfermeira prestes a se aposentar com cara de quem estava totalmente descontente com o trabalho.

- Tira a parte de cima.

Nossa, calma! Seja delicada. Eu sou sensível!

Agora, eu ia encarar um ultrassom de mamas. Isso mesmo. Era a vez de explorar os meus seios. Sem um bom dia sequer, a médica ranzinza jogou aquele gel gelado nos meus seios e começou a fazer a ultrassonografia com aquele aparelho nada agradável. Que situação mais desconfortável! Tentei me concentrar nos afazeres do dia, mas não estava nada bom aquele gelzinho e aquela exploração Discovery Channel nas minhas mamas.

*****

Como eu queria ir para casa, mas ainda faltava o exame mais invasivo de todos. O ultrassom transvaginal. Quem foi o ginecologista depravado que inventou isso?! Além de atrasada para uma reunião importantíssima que eu tinha marcado, contando com a falsa pontualidade dos laboratórios de exame, o meu nome nunca era chamado. Eu já não tinha mais desculpa para inventar para minha secretária sobre o meu atraso.

Trinta longos minutos de atraso depois, muitas lidas na revista Caras (amassada) do ano passado e uma supervisionada no instagram...fui chamada.

A prima da enfermeira simpática chamou o meu nome com uma voz doce de quem anuncia que uma tempestade está por vir. Entrei na sala e dei de cara com um japonês barrigudo com cara de comercial de televisão coreana. Opa! Espera um pouquinho aí. Eu vou ter que abrir as minhas pernas e deixar esse japonês com cara de quem não come ninguém desde a Santa Ceia me explorar com esse aparelho que mais lembra um vibrador?! Pelo amor de Deus, onde é a porta de saída?

- Dona Diana, só tirar toda a parte de baixo. O aventalzinho está pendurado no banheiro. - dizia a enfermeira feliz com voz de quem diz 'Calma! Ele é inofensivo'.

Acho que demorei uns dez minutos ou até mais ou muito mais para sair daquele quadrilátero minúsculo que eles ousam chamar de banheiro. A DR com a minha consciência estava frenética. 'Calma, Diana. É só um exame. Saia desse banheiro, deite na maca e deixa acontecer naturalmente. Não se sinta tão privilegiada. A sua perseguida não será a primeira e nem a última que esse japonês vai examinar', dizia o lado mais sensato da minha consciência. 'Tá louca?! Você não viu o olhar de tarado maníaco sexual que ele lançou sobre você quando entrou na sala?! Vai ter coragem de ficar sozinha nessa sala escura com esse homem desconhecido enquanto ele introduz um aparelho, quase vibrador, dentro de você?! O Pedro não ia gostar nada disso'.

- Tudo bem, dona Diana? - era a enfermeira mega simpática que interrompia meus pensamentos.

Respirei fundo, saí da sala e encarei a triste realidade.

- Bom dia, dona Diana. É apenas um exame de rotina? Pode se deitar e fique à vontade. Serei breve. Qualquer incômodo, me avise. - era o japonês com uma voz que nada lembrava um maníaco sexual. Naquele momento, fiquei com raiva de mim mesma por julgá-lo tanto assim.

Ok, ok. Fiquei contando carneirinhos, pensando no meu dia, no meu almoço, no Pedro... enquanto eu me submetia àquele exame nada agradável.

- Prontinho, dona Diana. Tá tudo bem. Seus exames acabaram ne?

Saí até meio tonta depois de toda aquela exploração e desbravamento no meu corpo. Era como se as coisas estivessem fora do lugar sabe?

****

Pior ou melhor de tudo isso é esperar mais uma eternidade pelos resultados. Recebê-los, abri-los, tentar bancar da Dr. House e ler os diagnósticos. Eu nunca entendo, mas a minha curiosidade fala mais alto.

O melhor do melhor ainda é esperar mais uma outra eternidade para conseguir um espaço na agenda da sua ginecologista só para marcar um retorno. Chegar ao consultório, vê-la abrir os exames com cara de mistério ou de quem vai dar o diagnóstica de alguma doença sexualmente transmissível incurável ou vai te dizer que está grávida de quintuplos. Minutos angustiantes e intermináveis.

- Você está ótima! Seus exames foram perfeitos. Está tudo bem. - diz ela sorrindo.

Como assim?! Quer dizer então que eu me submeto a praticamente uma autópsia das minhas partes mais íntimas, abro as minhas pernas para as pessoas mais estranhas do mundo, acordo cedo e aguardo quase dois meses para sentar no consultório e, em três minutos, receber o diagnóstico que está tudo bem?! Eu sempre soube que estava tudo bem! Não precisaria passar por tudo isso, não é mesmo doutora?

- Ufa! Que bom! Obrigada! - é a única coisa que consigo dizer.

- Mas não se esqueça. Daqui uns seis meses, a gente repete tudo de novo.

Um trilha de filme de terror toca na minha mente, olho para a médica com cara de boneco assassino e sorrio. O que eu posso fazer? Daqui seis meses, tem mais!


PAPO DE CALCINHA: Você também se sente desconfortável com esses exames? Tem alguma história curiosa para nos contar?

sexta-feira, fevereiro 07, 2014

PASSARINHO NA GAIOLA



Por Letícia Vidica

- Dona Diana, o seu Pedro está lá em cima. Ele insistiu pra subir e eu dei a chave reserva, tudo bem?

- O Pedro?! Nossa, que estranho... mas a gente não marcou nada hoje...tudo bem. Obrigada, seu José.

Subi ainda um pouco intrigada com a declaração do porteiro. O que o Pedro estava fazendo lá em cima? Claro que eu adorei a surpresa, mas a gente não tinha marcado nada para hoje. E por que ele não me ligou?! Será que algo grave tinha acontecido?

- Oi, meu amor. Tudo bem? Aconteceu alguma coisa? - perguntei ao terminar de dar um selinho nele que retribuiu com o pior beijo que ele podia me dar e com cara de nenhum amigo.

- Onde você estava? - perguntou na lata com aquela cara de bunda ainda.

- Ué, Pedro! Onde eu poderia estar? Hoje é sexta. Óbvio que eu estava no bar do Pedrão com as meninas. Mas por que a pergunta? - respondi ainda um pouco sem entender o rumo daquela conversa.

- E você acha isso normal?

- E porque não deveria ser? Você sabe que toda sexta eu estou no bar com as meninas e até onde eu saiba, a gente não tinha combinado nada hoje. - dessa vez, fui eu quem cruzou os braços.

- Opa...esqueci que o seu namorado tem que marcar hora agora. Desculpe por não consultar sua agenda. Se estou valendo menos do que o bar do Pedrão...

- Espera'í. Onde você pretende chegar com essa conversa? Se você queria me ver, sabia onde me encontrar ou poderia ter marcado algo comigo ou me ligado...

- Eu tentei, mas parece que você não estava afim de me atender.

- O celular estava na minha bolsa e eu não vi as suas ligações... - respondi caçando o celular na bolsa e comprovando as milhares de ligações dele. - Mas eu não estou aqui?! Ainda não entendi onde você quer chegar com isso... A mulher aqui sou eu viu?!

- Será Diana?! As vezes, acho que você esquece que não é mais uma mulher solteira, mas insiste em querer ter alguém mas não quer prender-se... Talvez você ainda não tenha conseguido arrumar um espaço para ter alguém no meio da sua vida.

O QUE???? Foi o que berrei internamente. Que papo é esse?! Como assim eu não tenho tempo para ele? Todo esse estresse porque eu fui tomar um chope no bar do Pedrão??!!! Espera um pouco aí, Pedro. Mas ele não esperou. Foi pra casa de cara fechada.

- Satisfação, Diana. É isso que ele quer. - era Betina quem me consolava.

- Gente, mas o Pedro nem parecia o mesmo. Me cobrando só porque eu fui no bar com vocês?!! Se eu ainda tivesse mentido pra ele.... Ele sabe que isso é sagrado para mim.

- Não se surpreenda. O Pedro é homem!! Todos são assim. O problema é justamente esse. Ele tá puto porque você não abriu mão da sua rotina de solteira pra ficar com ele.

- E o que tem de errado nisso, Be??

Antes que ela respondesse, o meu celular tocou. Era o Pedro.

- Oi, Pe, tudo bem? Onde eu estou? To na casa da Betina. Desculpe..eu saí correndo do trabalho e esqueci de te ligar... Tudo bem. Podemos nos ver amanhã?

- To me sentindo um passarinho na gaiola sabia? Acredita que ele questionou até o que eu estou fazendo aqui?!

- Calma, Diana. Você tem que fazer o Pedro entender que, por muito tempo, sempre foi você com você. Solteira, sem dar satisfação a ninguém e agora não vai ser da noite para o dia que tudo vai mudar.

- É isso, Be!!! Eu adoro o Pedro, mas não faz nem seis meses que estamos juntos de novo. Ele é o mesmo mas a situação é nova. Eu assumo que ainda não me acostumei com toda essa ideia de ter alguém o tempo todo querendo saber o que eu fiz, onde eu vou, com que estou, por que liguei, por que não liguei...

- Seja sincera com ele e com você. Fale isso pra ele.

Foi o que fiz. No dia seguinte, sem aviso prévio, me desbanquei pra casa do Pedro. Acho até que ele sabia que eu viria. Estava preparando uma massa deliciosa.

- Hmmmm...que cheiro bom!!! Esperando alguma visita especial?

- Você!!! - dizia ele me agarrando entre a geladeira e o fogão com um fogo que nada lembrava a

tempestade de neve da nossa última conversa.

- Pe, a gente precisa conversar.

- Eu sei. A gente tem que conversar mesmo.

- Olha, não me entenda mal. Mas aquela sua cobrança sobre a minha dia ao bar do Pedrão na semana passada me fez pensar. Eu te amo, Pedro, mas eu preciso de um tempo para me acostumar com a ideia de ter alguém na minha vida de novo. Tanta coisa aconteceu nesse meio tempo. Sempre foi só eu e eu. Sem cobranças, sem satisfação e,de repente, você reaparece...graças a Deus, mas eu ainda não estou acostumada com todas essas cobranças...

- Linda, eu que tenho que me desculpar com você. Eu não tenho o direito de te cobrar tanto assim. Chegar do nada e ir invadindo o seu espaço. Eu sei que você precisa dele e eu vou respeitar. Não quero que você se sinta um passarinho na gaiola.

- Você realmente não existe... - dei um super beijo naquele homem maravilhoso - Não saia da minha vida nunca!!!

Nós beijamos e fomos saborear a maravilhosa massa do Pedro.

Confesso que ainda não sai totalmente da gaiola. Talvez nem saia completamente, mas poder dar umas voltinhas, as vezes, livremente pelos céus faz toda a diferença e, por incrível que pareça, é o que me faz querer voltar pra gaiola.

PAPO DE CALCINHA: Você já se sentiu como um passarinho na gaiola? Já passou por uma situação como a da Diana, ter dificuldade para dar satisfação depois de tanto tempo sozinha?!

segunda-feira, janeiro 13, 2014

RÁ TIM BUM


POR LETÍCIA VIDICA

Desliguei o telefone ainda um pouco passada com aquela ligação. Apesar do meu esforço em tentar ignorar aquele fato e despistar o Pedro, tudo foi em vão.

- Que cara é essa? Quem era ao telefone? – perguntou ele que, até então, parecia tão concentrado com o jogo do Corinthians.

- Era a Olívia. – respondi fria e secamente. Eu queria encerrar o assunto, mas ele queria iniciar.

- A Olívia?! Do Pierre? E o que ela queria? – perguntou Pedro, parecendo também um pouco surpreso com a ligação.

- Você acha... ela ligou para convidar para o aniversário de um ano da filha deles. – desabafei, sentando ao lado do Pedro no sofá.

- Poxa, que legal! Quando vai ser? – respondeu todo animado como quem não tinha ainda identificado muito bem quem eram os anfitriões.

- Legal?! – pasmei – Vai ser sábado agora. Agradeci, mas claro que a gente não vai ne? Nada a ver!

- Por quê? Eu adoro festa infantil. Além do mais, acho muito chato recusar um convite.

Não. Eu não estava escutando aquela declaração!

- Pedro, nem vou te dizer o que é chato. Além do mais, a gente nem tem crianças para levar nessa festinha. – disse em tom de quem quer encerrar o assunto.

- Não seja por isso. A gente aluga os seus sobrinhos. – disse ele me abraçando e se jogando em cima de mim. – Eu não vejo problema nenhum em ir a esta festa. A não ser que você se incomode... – com ar típico de Pedro, ele jogava a bola para mim.

Claro que eu me incomodava com tudo aquilo. Eu não tinha mais nada a ver com aquela história e não queria, mais uma vez, ficar no meio daquele casal problema. Mas eu também não queria deixar o Pedro com pulga atrás da orelha, achando que eu ainda me incomodava com o Pierre. Apesar de ser a mais pura verdade. Fui vencida pelo cansaço.

***

- Como assim você vai à festinha de aniversário da filha do Pierre? – era Betina quem pasmava enquanto eu me trocava para ir a tal festinha.

- Pois é, amiga. Eu me fiz a mesma pergunta. O que eu vou fazer lá? Mas o Pedro insistiu e quer porque quer ir nesta festa. Tô achando tudo muito estranho. Até agora, ele está achando muito normal sabe?

- Olha, eu adoro o Pedro, mas ele me surpreende cada dia mais. – respondia Betina. – Mas por que você não disse para ele que não queria ir? Afinal de contas, esta história maluca é sua. E você tem todo o direito de não querer ir.

- E deixar ele pensando que eu ainda me incomodo com o Pierre? Jamé! Agora deixa eu correr para o banho que já já o Pedro vai chegar aí com os meus sobrinhos.

- Vai te entender, Diana!

****
Chegamos a tal festinha com meus três sobrinhos a tiracolo. Assim que entramos no salão, os pestinhas já correram para piscina de bolinhas, atropelando os convidados e garçons. Eu fiquei estática olhando tudo aquilo. Aqueles balões, a música infantil, aquela família que poderia ter sido a minha e a Olívia com sua simpatia (irritante) se aproximando de nós.

- Que bom que vocês vieram! – disse ela dando beijinhos doces no meu rosto – Fiquem à vontade.

- Cadê o Pierre? – perguntou Pedro como quem pergunta do amigo de infância.

- Foi resolver um negócio sobre o chope e já volta. Mas fiquem à vontade. – dizia ela.

Tentei ser o mais discreta possível, mas antes que chegássemos a nossa mesa, fui parada pela mãe do Pierre.

- Diana, minha flor! Que bom te ver! – dizia minha ex-sogra, nada espalhafatosa. – Olha, Lourdes, ela não continua uma belezura?
– dizia ela sobre mim para a tia do Pierre.

- Oi, tudo bem? – respondi sem graça – Este é o Pedro, meu amig-namorado. – engasguei.

- Olha, se o Pierre não fosse meu filho, eu diria que você fez uma bela troca. – ria ela.

Pedro olhou para mim e caiu na gargalhada também. A única que não achava graça de todo aquele circo era eu. Acho que Pedro percebeu a saia justa e disse que ia ver se as crianças estavam bem. Enquanto isso, minha ex-sogrinha do coração me acompanhou até a mesa. E tudo o que eu queria era apenas respirar sozinha no banheiro.

- Como você está? Que saudades de você! Você sabe que minha neta é uma graça, mas eu sou sua fã. Ai, como eu adoraria que você tivesse ficado com o Pierre. Incrível, como esse menino era muito melhor com você. A Olívia é educada e tal, mas eu não consigo gostar dela como eu gosto de você. Ah, o seu namorado é um espetáculo. O que ele faz? E blablablablabla – a mulher desatou a falar. Eu apenas concordava com a cabeça ou grungunhava algum som.

Graças a Deus, alguém a chamou para tirar fotos e pude finalmente respirar.

- Tá tudo bem? – perguntou Pedro que flagrava com cara de desesperada.

- Tá sim. Só estou com sede.

- Só isso mesmo? – perguntava ele em tom de Sherlock Holmes.

- Só. E as crianças? Onde estão?

- Se afogando na piscina de bolinhas. – ria Pedro. – Mas ainda estou te achando estranha...

- Nada. A mãe do Pierre que continua a mesma matraca. Ela fala tanto que fico até tonta.

- Aposto que ela tentou te convencer a voltar com o filhinho dela? – ironizava Pedro.

- Nem que ela me pagasse a mega sena acumulada! Estou muito bem com um tal de Pedro viu?

- Tem certeza disso? – perguntava ele olhando profundamente nos meus olhos.

- Só não te agarro agora porque estamos numa festa de família. – sussurrei no ouvido dele.

- Não seja por isso.

Pedro me lascou um beijão de surpresa que fiquei até tonta.

***

- Se a festa não fosse da minha filha, eu diria que a melhor coisa da festa é a sua presença.

Me assustei com a declaração do Pierre que me flagrava na área externa do salão.

- Oi, Pierre, tudo bem? Pa-rabéns. A festa está linda. Fiquei surpresa com o convite.

- Antes que você brigue comigo, a ideia foi da Olivia. Ela fez questão de que vocês viessem. Eu não sei por que, mas você também
enfeitiçou a minha esposa. – ria Pierre.

- Isso não tem graça, Pierre. Muito legal o convite, mas acho bom parar por aqui.

- Parar o que? Não foi você mesma quem disse que somos apenas bons amigos? O Pedro se incomoda com isso?

- Não. O Pedro faz parte do clube da Olívia. Tá achando tudo lindo. Mas eu não estou. Não tem nada a ver eu ficar invadindo a vida de vocês, a festa de vocês...

- Diana, não pira. Não tem nada a ver. Tenho que admitir que o Pedro é um grande cara. Se fosse eu no lugar dele, não ia gostar nadinha disso.

- Viu só? Até mesmo você que é um desmiolado, tem mais lucidez do que ele nesta historia.

- Adoro quando você fica assim irritadinha. Fica ainda mais bonita. – dizia Pierre se aproximando de mim.

Antes que eu pudesse recrimina-lo pelo abuso do ato, Olívia entrou procurando por ele.

- Pierre, todo mundo está te procurando. Hora de cantar os parabéns!

Pelo tom da voz e o olhar fuzilante dela para ele, acho que naquele momento ela se arrependera totalmente de me convidar para a festinha.

Entrei no salão e encontrei o Pedro sentado na mesa com meus sobrinhos.

- Onde você estava? – perguntou ele secamente.

- Fui tomar um ar lá fora.

- Com o Pierre?

- Pedro, não é nada disso que você está pensando.

- E o que eu estou pensando?

- Crianças, hora do parabéns!

Peguei meus sobrinhos e levantei puta da mesa. Achei um abuso aquele interrogatório. Afinal de contas, quem quis ir naquela festinha foi ele. Agora, aguenta as consequências.

Comemos o bolo, as crianças se lambuzaram de brigadeiros, mas não trocamos palavras tão doces quanto os beijinhos. Depois daquela minha resposta, o Pedro ficou um pouco calado e logo quis ir embora da festa. Nos despedimos dos anfitriões. Olivia continuou com sua doçura irritante e o Pierre estava um pouco mais contido com ares de quem tinha tomado uma enrrabada.

****

- Nos vemos amanhã. – dizia Pedro me dando um selinho na porta do prédio.

- Ué, você não vai dormir aqui hoje? – estranhei a reação.

- Vou para casa. Preciso resolver umas coisas por lá. – disse ele em tom de quem queria finalizar o assunto.

- A gente não tinha combinado de dormir juntos hoje?! E que coisas você tem para resolver agora? – questionei com ar de quem só estava começando a conversa.

- A gente se vê amanhã, Diana. Eu prometo. – desbaratinava ele, já com ares de irritação.

Fiquei em silêncio e olhando para os olhos dele, com quem diz’ fala que eu te escuto’.

- Acho que a gente não devia ter ido a festa mesmo. – dizia ele – Achei que eu já era capaz de lidar com tudo isso mas, às vezes,
me bate uma nostalgia e fico possesso em ver o Pierre perto de você. Ver como ele te olha, como ele te deseja e como ele aguarda, como uma raposa sorrateira, qualquer deslize meu para dar o bote. E eu sei também que ele ainda mexe com você.

- Pedro, eu não estou te entendendo agora. Quem quis ir nessa festa de aniversário foi você. Eu tentei dizer que eu não queria, mas você insiste em agir como se tudo fosse normal. Não é. Agora, eu não te dou o direito de desconfiar de mim. Aquela hora, eu estava tomando um ar e o Pierre apareceu. Se quer saber, ele ficou rasgando seda pra você, admirando a sua atitude de ir a festa.

- Só um babaca como eu mesmo para fazer isso. – dizia ele.

- Para com isso, Pedro. Já foi. Vamos nos preservar mais das outras vezes ok? Eles tem a vida deles e nós temos a nossa. Não precisamos fazer parte da historia deles e nem eles da nossa.

- É, você tem razão. – dizia ele acariciando o meu rosto e dando aquele sorriso maroto. – Mas confessa que ele deu em cima de
você? Aposto que ele aproveitou a brecha e foi te xavecar.

- Nem mil xavecos do Pierre se comparam ao seu charme irresistível que neste momento está me hipnotizando para ser levada para minha cama em seus braços. Vai insistir ainda com essa história de resolver negócios em casa? – questionei com a cara mais sexy que eu pude fazer.

- Acho que os negócios podem esperar.

Ufa! Tudo terminou bem. Depois da noite delicada, tivemos uma festinha particular com direito a muito RÁ-TIM-BUM.

PAPO DE CALCINHA: Você teria ido a esta festa? Já passou por alguma saia justa dessas?

quarta-feira, outubro 23, 2013

JOVEM VELHA JOVEM



Por Letícia Vidica


- Ai, ai, ai... que dor! Me ajuda aqui, Pedro! – eu gritava ao colocar o pé no chão e sentir meu joelho travar.

- O que aconteceu? – perguntava Pedro assustado e tentando me ajudar.

O que tinha acontecido é que eu estava com desgaste na patela do meu joelho. Isso mesmo. Esse foi o diagnóstico que o médico me deu na maior naturalidade. Disse que era normal, mas que eu teria que me cuidar. E eu que achei que as engrenagens só começavam a travar muito mais tarde. Sinais da idade.

- Mas e aí, o que você vai ter que fazer? – perguntava Pedro, enquanto saíamos do médico.

- Tenho milhares de sessões de fisioterapia para fazer, estou proibida de fazer uma série de exercícios, vou ter que começar a hidroginástica e emagrecer. É, Pedro, já não sou mais uma garotinha. Estou ficando velha. – eu lamentava.

- Não exagera, Diana. Você só tem 30 anos!

Aquele diagnóstico só confirmou o que eu já vinha sentindo: eu estava virando uma jovem senhora. As três décadas começavam a pesar nas minhas costas ...
... e pesou mais ainda quando cheguei na minha primeira aula de hidroginástica.

Meninas, o que acham de deixarmos essa baladinha para outro dia? Eu tive um dia de cão, - Abriram a porta do asilo ou é impressão minha? – eu perguntara para Lili que tinha resolvido me acompanhar – Eu estou me sentindo ridícula com esse maiô e essa touquinha.

- Diana, relaxa! E vamos cair na água.

- Oi, meninas, primeiro dia na aula? – era uma senhorinha muito simpática, baixinha, com as colunas curvadas que sorria para gente embaixo daquele maiô e daquela touca.

- Sim, estamos começando hoje. E a senhora? – Lili emendou o assunto.

- Eu já faço hidroginástica há oito anos. Faz muito bem para o meu bico de papagaio. É maravilhoso, vocês vão ver. Mas o que duas moças tão jovens fazem por aqui?

Engraçado que há alguns dias eu também tinha me feito a mesma pergunta. Mas agora eu já não me sentia tão jovem assim. Lili engrenou um bate papo com a velhinha simpática e seguimos para a aula.

Alguém pode me explicar quem foi que disse que fazer exercícios na água é fácil? O mais difícil para mim foi entender como todas aquelas jovens senhoras se exercitavam naquelas acrobacias, vencendo a água, cantando e rindo o tempo inteiro?

- Eu estou morta, Lili! – eu confessava para minha amiga ao sair ofegante da aula.

- Eu amei a aula, Diana. Foi super divertido!!!

- E aí, gostaram da aula, meninas? – era a senhora simpática que perguntava – Nos vemos na sexta hein?
Será que eu ia aguentar fazer tudo isso sem ao menos uma folguinha de uma semana?

****

- Nada de bocejar hein, dona Diana. – era Lili que brigava comigo ao ver minhas olheiras no pé e minha boca que não parava de abrir.

- estou exausta... – eu tentava argumentar em vão com minhas amigas no bar do Pedrão.

- De jeito nenhum. Hoje a gente tem alvará. É a noite das garotas e nós vamos dançar sim! Joga esse sono pra lá, hein, Diana? Tá ficando velha é?

Por incrível que pareça, apesar da noite linda de sexta-feira, tudo que eu mais queria naquele momento era ir para casa, tomar um banho quente, me enfiar embaixo da coberta e assistir a um filminho meloso. Em outros tempos, um esquenta no bar do Pedrão e uma baladinha com as meninas seria o convite perfeito, mas naquela noite nada disso me excitava. Porém, trato é trato. E não adiantava eu brigar com a Lili. E lá fomos nós para a tal baladinha.

- Nossa, tá cheio aqui né? – eu olhava ao ver a fila quilométrica na porta da balada – Ainda bem que a gente vai ter uma mesinha lá dentro ne?

- Então, Di, não tem mesa. É só pista mesmo. Hoje vamos nos acabar na pista.

- Eu não acredito! A gente vai ficar em pé a noite toda?! Esses saltos já estão me matando.

- Ihhhhh, dá para parar de reclamar um pouquinho? Quem tem quase quarenta anos aqui sou eu viu? – era Betina, cheia de energia.

Depois de quase uma hora em pé na fila, entramos na balada. Acho que nem uma lata de sardinha era tão apertada. Todas aquelas pessoas felizes, aquele som alto, um empurrando o outro... o meu desejo era jogar uma bomba ali e eu só visualizava a minha cama.

- Vamos beber, meninas? Tequila?

- Vamos, vamos... – eu dizia desesperada para sair do meio daquela lata de sardinha. – Três tequilas, por favor? - eu pedia ao barman.

- Por favor, eu faço questão de pagar a bebida para você.

Olhei para o lado e me assustei com o garoto que se oferecia para pagar a minha bebida.

- Não, eu agradeço, querido. Eu pago a minha bebida! – respondi para o fedelho.

- Nossa, adoro mulheres autênticas. – ele dizia e se aproximava também.

- Meu amor, agradeço a sua delicadeza, mas eu tenho namorado e já sei onde esse papinho vai acabar. Melhor investir numa garotinha da sua idade. Passar bem.

Peguei a minha tequila e fui falar com as meninas.

- Tá arrasando é, nega? – perguntava Lili.

- Arrasando? Aquele menino ainda cheirava leite. Enquanto ele jogava Playstation, eu já lia Capricho. Gente, eu tô me sentindo uma velha nesse lugar. Por um acaso é alguma matinê noturna? Só tem muleque aqui.

- Não exagera, Diana... tira essa história de que está ficando velha da cabeça. Ah, eu já volto. Acabei de ver um amigo. – Lili saiu pra pista.

- Não sei como ela não cansa, Betina. Eu já estou exausta.

- Entende agora como eu me sinto? – ria Betina.

- Acho que essa vida de balada já deu pra mim, sabia? Nada mudou. As músicas são as mesmas, as pessoas são as mesmas, os xavecos são os mesmos... ai, que saudades da minha cama, que saudades do meu Pedro... sem contar que eu não estou mais aguentando esse salto. Tá me matando!!! Vamos embora?

- Amiga, eu adoraria fugir daqui com você, mas a Lili iria ficar muito chateada. Aguenta firme!

- Que horas são? Falta muito para acabar?

- Ainda são meia-noite e meia.

- Só?! Estamos lascadas.

Eu e Betina brindamos com nossos copos de tequila e caímos na gargalhada. Como quem está na chuva é para se molhar, resolvi cair na pista mesmo com sono e com pé doendo. Até que a noite passou rápido.

****

- Diana, eu te convidei para um almoço e não para um jantar. Que cara é essa? – era minha querida mãe ralhando comigo ao me ver chegar um pouquinho atrasada para o sagrado almoço de domingo.

- Foi para balada e ficou assim, sogrinha. – Pedro me entregava para ela.

- Diana, já te falei que você não tem mais idade para essas coisas. A idade pesa, maninha. – era meu irmão que me irritava.

- Seu irmão tá certo, filha. Não acha que já está na hora de parar com a noitada? – incrivelmente esse era meu pai que concordava.

- Eu amo todos vocês viu? Mas podem parar com esse complor. Sei que não sou mais uma mocinha, meus joelhos doem e dizem isso todos os dias para mim e a ressaca que eu estou sentindo só confirma isso, mas vamos para o almoço? – finalizei o assunto.

...

- Tia Dirce ligou. Vai ser vó. A Paloma está grávida. – comemorava minha mãe enquanto lávavamos a louça do almoço.
- Nossa, mas ela casou não faz nem um ano e já engravidou? – me assustei.

- Certa ela. Esperar mais para quê? Ela já tem quase 30 anos, não é mais uma mocinha e o corpo pede viu? Acho bom você se apressar, filha. – mais uma vez, minha mãe vinha com aquele papo de ser avó.

- Eu sei, mãe. Não precisa repetir. Até os 35 anos está de bom tamanho.

- Você quer ser mãe ou ser avó? Melhor se apressar, Diana. Esperar tanto tempo assim para quê?

- Mãe, não é tão fácil assim. Encontrar o pai primeiro é um bom começo né?

- Acho que aquele que está na sala já está de bom tamanho ne? – apontava para o Pedro e saía da cozinha para levar café para os meninos.

- Ai, Marisa, você acha que eu estou velha demais para engravidar? Eu nunca pensei nessa história de ser mãe, de casar, mas depois que eu fiz 30 anos isso tem me martelado todos os dias...eu tenho que confessar.

- Calma, irmã. Tudo tem seu tempo. Não caía nas pilhações da mamãe e não faça como eu. Aproveita a sua vida. Ter filhos é muito bom, mas é preciso muita estrutura.

- Mas eu só tenho cinco anos para tudo isso! E se não acontecer?

- Diana, eu não estou te reconhecendo. Para! O que tiver de ser será...come um pedaço de pudim... você ainda é uma jovem...

- Me sinto uma velha jovem ou uma jovem velha...fudeu...acho que estou em crise!

Mordi o pudim e caímos na gargalhada para não chorar. Essa sensação de mulher balzaquiana estava acabando comigo.

PAPO DE CALCINHA: JÁ SE SENTIU UMA JOVEM VELHA OU VELHA JOVEM?







sexta-feira, outubro 04, 2013

ENCONTRO DO ACASO


POR LETÍCIA VIDICA

- Diana? – assustei-me ao reconhecer aquela voz que me chamava (ou melhor, gritava meu nome) na porta do restaurante japonês.

Eu não teria ficado tão tremula e sem graça se não fosse o Pierre. Tudo que eu menos queria naquela noite estrelada e calorosa de sexta-feira era encontrar o meu ex-namorado. E tudo que eu menos queria naquela noite que teria que ser maravilhosa ao lado do
Pedro era encontrar o meu ex-namorado, que eu não via há um tempão, ao lado da sua digníssima esposa.
Sei que a nossa história é complicada e que muuuita coisa já aconteceu e sei que eu amo o Pedro, mas (re)encontrar ex-namorado é sempre um encontro um tanto quanto estranho, ainda mais quando se tem terceiras partes envolvidas.

- Oi, Pierre! Oi, Olivia! – respondi ainda sem graça e acho que minha voz não conseguiu disfarçar tão bem. – Que coincidência a gente se encontrar aqui não é mesmo? – emendei ao final de dois beijinhos cordiais no rosto da Olívia.

- Ah, nem tanto, Di. Afinal, a gente adora comida japonesa, ne? – respondeu ele, resgatando uma certa intimidade desnecessária.

- Senhores, temos uma mesa disponível para quatro. Aceitam? – perguntava o gentil do garçom olhando para os casais, pensando (obviamente) que éramos melhores amigos. Eu quase quis socar a cara dele, mas o coitado não tinha culpa nenhuma do rolo que era a minha história amorosa com o Pierre.

- Por mim, tudo bem. Se não se importarem de jantar com a gente.

Rapidamente, a fúria que eu sentira pelo garçom foi transmitida para o Pedro. Como assim ‘eu não me importo?!’, mas eu me importo sim. Essa é a nossa noite. A última coisa que eu quero é ter o Pierre sentado na minha mesa. Respirei fundo, sorri cordialmente para o Pedro com aquele olhar de ‘conversaremos sobre isso mais tarde’ e entramos no restaurante. O ronco do meu estômago também não estava nem um pouco afim de esperar mais.

- E como foi de viagem, Pedro? Voltou para ficar? – perguntava Pierre num tom suspeito de investigação.

- Digamos que sim. – respondia Pedro calmamente com o interrogatório – Na verdade, vim a negócios profissionais e pessoais...- dizia ele olhando para mim e emendando um abraço, como quem marca território.

- Entendo, entendo...sei bem como são esses negócios. – respondia Pedro, como quem quisesse dizer que já tinha trabalhado muito nos meus negócios.

- E como vai a bebê, Olívia? – desconversei e tentei ser simpática com a Olívia. – Deve estar enorme não é mesmo?

- Tá uma pestinha, Diana, mas é uma fofa. Deixamos ela com a babá. Só assim para ter um momento mais romântico com meu amoreco ne? – dizia ela, abraçando o Pierre.

Aquela cena patética de marcação de território foi interrompida pelo mesmo garçom que ofereceu a mesa, trazendo as nossas comidas. Dessa vez, confesso que quase beijei o homem na boca. Ele tinha me salvado de uma.

Comemos falando de coisas banais e tentando quebrar aquele gelo estranho que estava no ar. Num desses momentos de silêncio, resolvi ir ao banheiro para respirar um pouco. Mentira! Escapei para mandar uma mensagem no celular da Lili e da Betina para contar o apuro que eu estava passando, mas antes de finalizar o torpedo fui pega pela Olivia.

- Acho que bebi saquê demais. – ela dizia, enquanto retocava a maquiagem no espelho.

- Nossa, nem fala.

- Fico feliz que tenha voltado com o Pedro. Vocês formam um belo casal.

Me espantei com a declaração, mas sorri cordialmente.

- Ele é uma ótima pessoa mesmo. A gente está tentando.

- Bom ver um casal que se dá bem ne? – dizia ela num tom de quem estava prestes a desabafar.

- Você e o Pierre também parecem se dar muito bem. – emendei.

- É, a gente tá tentando. Acabamos de sair de uma crise séria e estou dando mais uma chance. Inclusive, esse jantar é uma das coisas que eu impus pra ele.

Tá virando moda ou o que? Primeiro, a mulher vem desabafar comigo na despedida de solteiro, depois no casamento e agora?!

- Todo mundo merece uma chance, não é mesmo? Vamos voltar? – despistei. Eu não estava afim de bancar a terapeuta da Olívia novamente.

Quando voltamos para a mesa, o Pierre e o Pedro pareciam melhores amigos. Estavam às gargalhadas. Eu e Olivia olhamos sem muito entender, mas nos inserimos no assunto e a noite, incrivelmente, fluiu bem. Sem aquela atmosfera estranha do inicio.

***

- Que tanto você e o Pierre riam lá na mesa? – perguntei ao Pedro enquanto a gente voltava para casa.

- Ele é um palhaço, mas é gente boa. – respondia Pedro.

- Quem te viu, quem te vê ne? Você e o Pierre tão amiguinhos... – desdenhei.

- E o que é que tem? Isso te incomoda? – perguntou Pedro naquele tom de quem iria me interrogar e que ia reverter o jogo.

- Não. Nenhum um pouco. Prefiro assim. – menti. É claro que aquilo me incomodava! Mas, às vezes, é necessário omitir algumas coisas para evitar confusões.

***

Não sei por qual motivo, aquela noite não saía da minha mente. Aquele encontro e as declarações da Olívia me corroíam a cabeça. Ainda bem que eu ia me encontrar com as meninas para desabafar.

- E eu que achei que o Pierre já tinha mudado de planeta... – dizia Betina com desdém ao me ouvir contar do encontro.

- E a piriguete da Olívia? – perguntava Lili

- A Olivia se comportou bem. Até desabafou comigo no banheiro. Veio dizendo que estavam em crise, elogiando a minha relação com o Pedro...

- Ih, nega, cuidado hein! Ela já te tirou o Pierre e pode muito bem tirar o Pedro!

- Credo, Betina! Vira essa boca pra lá! Não é pra tanto, mas é melhor ficar esperta. – dizia Lili

- Será? Sabe que isso nem me passou pela cabeça? E vocês não sabem da última. O Pedro e o Pierre ficaram conversando como melhores amigos. E o Pedro até me disse que o Pierre é gente boa e achou ruim quando eu me assustei com isso, mas eu disfarcei e fingi que estava tudo bem. Mas é ob-vio que eu odiei essa amizade ne?

- Acho bom manter distância. Esse casal é perigo. E você não pode dar mais motivos para o Pedro desconfiar de você ou querer ficar resgatando história do tempo da arca ne?

A Betina estava certa. A melhor coisa era não dar corda para aquela história. Fácil se o Pierre não tivesse ido me procurar. E foi o que aconteceu na segunda-feira, quando eu saía do meu trabalho. Fui surpreendida pelo Pierre na porta do meu prédio.

- O que você tá fazendo aqui? – perguntei assustada, olhando para o lado com medo de ser flagrada.

- Eu queria te ver. – respondeu ele com a maior naturalidade do mundo.

- Ué, a gente já se viu na sexta. Esqueceu? Eu tenho que ir embora.

- Calma! Eu sei. Mas na sexta foi diferente. Eu estava com a Olivia, você com o Pedro e a gente nem conversou direito. – dizia
ele se aproximando de mim.

- A gente conversou tudo que tinha que conversar, Pierre. Não inventa, por favor. Não me arrume mais problemas. Eu preciso ir, de verdade. – ameacei sair.

- Um café! Só um café? Como amigos? – implorava ele com aqueles olhinhos de gato siamês.
Não sei como e por qual motivo, mas aceitei o tal café. Era um só e mais nada! Eu prometi isso para mim.

- Você continua linda ne? Não muda nunca!

- Obrigada! – respondi sem graça.

- Adorei te encontrar lá na sexta. Mesmo com o Pedro. Vocês estão juntos?

- O que te importa hein? – respondi grosseiramente.

- Calma, bravinha. To perguntando numa boa. Vim em missão de paz mesmo. Relaxa!

- Tá, ok! A gente tá junto sim. Você já aprontou tantas que eu estou vacinada de você, seu Pierre.

Caímos na gargalhada e, ao final dos risos, ficamos nos olhando. Sabe aquele silêncio nostálgico? Antes que a nostalgia reinasse, o meu celular tocou. Era o Pedro. Olhei para o visor e para o Pierre.

- Pode atender. Não vai deixar ele esperando. Só não dizer que tá comigo.

Até engasguei para atender, depois daquela declaração do Pierre. Quem te viu quem tevê? Despistei o Pedro falando que eu estava num happy hour com as meninas do trabalho e que a gente se encontraria depois. Fiquei muito mal em mentir para ele, ainda mais por causa do Pierre, mas não tive escolha.

- Não posso demorar, Pierre. Eu não quero envolver o Pedro nisso novamente.

- Fica tranquila. Eu te prometi um café. Você ainda não terminou o seu, não é mesmo?

- E como vai a vida de casado? A filhota...

- A minha princesinha é demais. Apesar da forma que ela veio ao mundo, foi a melhor coisa que me aconteceu na vida. Mas a vida de casado não está tão legal assim... a Olívia é uma ótima mãe, mas acho que não rola mais entre a gente, entende?

- Mas vocês pareciam tão felizes lá no restaurante... – disfarcei fingindo que já não sabia do rolo todo.

- A gente tá tentando, sabe? Mas, no fundo, eu acho que nunca mais vou encontrar alguém como...

- Pronto! Terminei. Eu realmente preciso ir, Pierre. – interrompi ele, antes que completasse a frase. Eu não estava afim de ouvir a mesma conversa. Eu já sabia o final da história.

- Espero de verdade que vocês se entendam e formem uma família muito feliz, viu? – abracei o Pierre como uma grande amiga e dei um beijo na bochecha dele.

- Você sabe que é muito especial para mim, né? – respondeu ele segurando meus braços e olhando no fundo dos meus olhos.

- Não mais do que a sua princesinha. Te cuida.

Virei as costas e me controlei para não olhar para trás. Encontrar o Pierre sempre mexia comigo. E aquele encontro, mais uma vez, mexeu comigo. De uma forma estranha e diferente, mas mexeu. Pensar que um dia eu jurei amor eterno para ele, acreditei que seríamos felizes e agora era eu quem desejava que ele fosse feliz, mesmo depois de tudo que ele me aprontara. É, meninas, a vida é mesmo muuuito engraçada.

PAPO DE CALCINHA: VOCÊ JÁ SE TEVE ALGUM ENCONTRO COM EX ASSIM? CONTA PRA GENTE!

segunda-feira, agosto 12, 2013

O DIA SEGUINTE


POR LETÍCIA VIDICA

- Bom diiiiaaaaaaa, dorminhoca!!!

Aquela voz soou como um doce sino para os meus ouvidos, mas confesso que acordei atordoada, descabelada(acho até que com bafinho), mas me senti a mulher mais poderosa do mundo ao ver o sorrisão do Pedro com uma bandeja de café da manhã nas mãos.

- Nossa, que horas são? Eu dormi tanto assim? Nem vi você levantar...- disparei a falar.

- Calma, meu anjo. - disse ele me dando um selinho - ... te dei um sonífero gostoso para evitar que você fugisse mais uma vez de mim.

- Golpe baixo hein? Do jeito que eu estou feliz e faminta, eu só fugiria depois do café da manhã. Não se preocupe. Hmmm... que delícia!! Não é que essa temporada em Londres te fez bem? - disse ao saborear o lanchinho gostoso que ele preparara pra mim.

- Acho bom comer bastante. Ainda temos muita energia para gastar... - insinuou Pedro roubando um pedaço do meu lanche.

Seguimos saboreando o nosso café da manhã. Em um silêncio apaixonante e excitante. Em meio a olhares, trocávamos beijinhos, risinhos e carinhos. Mas,de repente, no meio daquele momento mágico, a imagem da Globeleza na noite passada invadiu meu pensamento.

- O que foi, Dona Diana? Conheço muito bem esse olhar e essa cara de interrogação hein? - perguntou Pedro naquele tom de psicólogo e de quem me conhecia mais do que a mim mesma.

- Não fica bravo comigo...mas eu estava pensando naquela cena de ontem à noite.... a Kamilla aqui daquele jeito...

- Você ainda está pensando nisso? Esquece dela...não vamos deixar que ela estrague esse clima tão bom. - disse ele me abraçando.

- Ai, Pê, eu confesso que não engoli muito bem toda essa história. Não te falei nada. Não quis estragar a nossa noite, mas eu preciso saber da verdade. Seja sincero comigo. Joga a real...

- Diana... - disse ele olhando profundamente nos meus olhos - eu...não... tenho ...nada ...com a Kamila. Eu já te contei tudo, mas se quiser eu repito. Ela foi pra Londres com a desculpa de que ia estudar e quando vi ela já estava de mala e cuia em casa. A gente ficou sim, mas eu nunca dei esperanças pra ela. Ela sempre soube que eu amo você.

- Tem certeza disso?

- Quer que eu prove?

Pedro jogou a bandeja no chão,me empurrou contra o colchão e foi possuído pelo espírito William. Transamos mais uma vez.

****

Fomos interrompidos pelo toque do interfone. A gente até que queria ignorar, afinal não queríamos ser incomodados pelo mundo. Mas a insistência era tanta que Pedro correu para atender.

- Betina e Lili estão subindo aí! Vou colocar uma bermuda.

- O que elas querem?

Foi o que perguntei ao Pedro e para as meninas cheias de sorrisos, sacolas com carne e cerveja nas mãos.

- Nem vou perguntar se você viu o passarinho verde. Já que você não atende esse seu celular, a gente resolveu te procurar de mala e cuia. – dizia Betina entrando no apartamento.

- Oi, meninas. Mas eu nem ouvi o meu telefone tocar... – desconversei.

- Diana, eu também não ouviria. – respondeu Lili.

- Desculpe a invasão, mano. Mas eu não consegui lutar contra essas duas. – dizia Tavinho ao cumprimentar o Pedro.

- Relaxa, gente. Entrem. Fiquem à vontade! Já estava mais do que na hora da gente comer alguma coisa...

- Realmente, isso dá uma fome... – brincou Betina.

Enquanto os meninos tinham saído para ir ao supermercado comprar mais bebidas e quitutes, aproveitávamos para conversar, ou melhor, elas aproveitavam para me interrogar.

- E aí, safadinha, tá com cara de que deu mais do que chuchu na cerca ne? – brincava Lili – Como foi a noite?

- Ai, gente, se melhorar estraga. Não tem como não ser maravilhoso com o Pedro ne? Mas teve um detalhe bem chato. A Globeleza apareceu aqui ontem, arrumou o maior barraco quando me viu aqui e insinuou que o Pedro fica procurando ela quando eu não estou...

- Jura? Tô Barbie na caixa, mas e aí?

- Ai, Bê, ele colocou ela para correr, disse que sempre foi sincero com ela dizendo que gostava de mim e me jurou de pés juntos que eles não tem nada mais e que ele nunca negou a ela que gosta de mim.

- Sei não hein? Melhor ficar esperta – desconfiava Lili.

- Para de colocar minhocas na cabeça da Diana! – incrivelmente era Betina quem ralhava com a Lili defendendo o santo Pedro mais uma vez.

- É, eu estou tentando não pirar com isso. Não quero estragar tudo mais uma vez, mas ainda não tirei a pulguinha detrás da orelha.

- Podem parar de fofocar que o assunto chegou – gritava Pedro abrindo a porta do apartamento.

- Ai, meu Deus! Acha mesmo que a gente só tem um assunto na vida? – brincava Betina.

- A queimação na minha orelha não me engana jamais.

****

Passamos uma tarde maravilhosa, comendo churrasco na varanda, provando as mais deliciosas caipirinhas da Betina e rindo muito com as histórias do Tavinho e da Lili. Esses momentos ao lado deles era sempre bom e, melhor ainda, com o Pedro ali.

- E aí, Pedrão, veio para ficar? – perguntava Tavinho.

- É o que eu mais quero sabe? Estou batalhando por isso, mas tenho que voltar para Londres daqui um mês.

Olhei espantada para o Pedro com essa informação nova. Ele não tinha me falado nada sobre esse retorno. Sob recriminação dos olhares de Betina, prevendo que eu ia começar a questionar isso e poderia estragar tudo, eu me calei. Mas passei o resto do dia com aquele caroço na garganta. E tive que perguntar quando todos foram embora.

- Você não me disse que teria que voltar para Londres de novo... – perguntei enquanto lava a as louças.

- Eu sabia que você tinha ficado encucada com isso. Eu não me desliguei totalmente da empresa. Vim pro Brasil pra tentar abrir uma filial, ainda não consegui. Mas vai dar tudo certo. Relaxa! – dizia ele me abraçando.

- E se não der? Como a gente fica?

- Nada vai mudar. A gente fica do jeito que está. Juntos. – disse ele me apertando e beijando o meu pescoço.

- Você lá e eu aqui? Você sabe muito bem que isso não dá certo.

- Diana, que tal se a gente vivesse uma coisa de cada vez hein? Por exemplo, agora eu estou afim de viver uma outra coisa. Larga
essa louça aí. Vem pra aqui.

Pedro me pegou no colo e saiu me beijando, arrastando-me até o quarto. Mais uma vez, me deixou sem resposta. Mas acho que ele está certo. Um dia de cada vez.

terça-feira, junho 25, 2013

RECONCILIAÇÃO


POR LETÍCIA VIDICA

- Pode cortar, repicar, pintar... faça o que você quiser. Hoje eu tenho que sair daqui montada! – eu dizia me jogando na cadeira do salão do Beto e decidida a me produzir para laçar eternamente o coração do Pedro.

- Nossa, Lady Di! Qual é o babado? Vai casar é?

- Vou laçar o noivo isso sim! O Pedro voltou!

- Pá-ra tudo! Tô bege! Tô Barbie na caixa! O príncipe William voltou?! – comemorava o meu cabeleireiro batendo palminhas como uma foca e me dando um abraço apertado e fugaz.

- Nossa, qual é o motivo da comemoração posso saber? – essa era Betina que chegava com seu tradicional chicotinho e balde d’água no meio da nossa conversa.

- Acabei de saber da novidade, bicha! O lorde inglês voltou. E é claro que eu vou dar um tudo de mim para deixar a nossa lady Di um es-pe-tá-cu-lo!

- Já contou pro Beto sobre a cagada que você fez? O Pedro já te perdou?

- Betina será que dá para parar de jogar sal no meu angu, pelo menos, uma vez na vida? O que importa é que eu estou decidida a reconquistar o Pedro e vai ser hoje.

- Qual foi a parte que eu perdi? – perguntava Pedro sem nada entender.

Antes que eu pudesse me explicar, Betina fez questão de contar tim-tim por tim-tim para ele que suspirava, gritava, comemorava, me batia a cada ponto final e entre uma escova e outra.

- Pronto! O príncipe William só não vai ficar com você se for muito louco. Você está diva, meu amor. Até eu, se não fosse diva também, viraria macho e ficaria com você. – disse rindo.

- Muito obrigada, Beto. Agora eu tenho que sair correndo porque ainda tenho que comprar um vestido fatal para combinar com essa obra de arte.

- Te cuida hein? E vê se não vai aprontar de novo hein? Você tá lindona mesmo, amiga.

- Obrigada, meus amores. Agora eu fui. Te ligo depois, Bê.

****

O meu coração já tinha saído pela minha boca e o meu estômago andava ao lado dos meus pés quando cheguei ao prédio do Pedro. Era agora ou nunca. Era tudo ou nada. Como o porteiro já me conhecia, confirmou que ele estava no apartamento e me deixou subir sem ser anunciada.

A cada andar dentro do elevador, eu suava mais e mais frio. Ainda bem que a maquiagem resistiu. Pronto, cheguei! Agora é só tocar a campainha e me jogar nos braços dele. Mas e se ele me jogar da sacada para baixo? Ele jamais faria isso. É uma loucura. É melhor eu ir embora. Não, não! Enfrente. Toquei a campainha.

- Diana?! – disse Pedro assustado ao me ver, mas também aproveitou para dar uma conferidinha no meu look.

- Posso entrar? – perguntei com a voz mais doce que eu podia. – Desculpa vir assim, de repente...

- Você demorou demais...

Repentinamente, me vi encostada na porta do apartamento dele, espremida por aquele corpo maravilhoso, sufocada por aquela boca deliciosa que me beijava cheia de desejo e por aquela mão de seda que se entrelaçava no meu cabelo (acabando com a minha escova, mas tudo bem. O que são três horas dentro de um salão?!).

- Nossa! Isso significa que eu estou perdoada? – respondi recuperando a respiração e me recompondo.

- Acho que eu não fui muito claro né?

Eu não sei o que estava acontecendo com o Pedro. Parecia até que o William tinha baixado nele. Ele me jogou no sofá dele e me atacou novamente.

- Quando você vai parar de brincar comigo desse jeito hein? – perguntava ele

- Eu não brinco com você. Eu sei que eu sou meio impulsiva, atrapalhada, confusa...mas a última coisa que eu quero é brincar com você. Eu quero é ficar com você. – pronto, confessei.

- E o seu peguete? Já se livrou dele? – perguntava ele.

- Problema resolvido. Pode ficar tranquilo quanto a isso. Mas, falando de coisa boa, acho que eu te devo um jantar como pedido de desculpas ne? O que acha de irmos comer algo?

- Ótima ideia. Me dá cinco minutinhos que eu vou só tomar um banho e a gente já vai. Quer vir comigo? – perguntou ele me abraçando e dando beijinhos na minha nuca.

- Apesar de você ter destruído o meu visual – ri – aceito o banho depois do jantar. Tenho certeza de que precisarei dele.

Fiquei no sofá esperando o Pedro e respirando aliviada por ter ficado tudo bem entre a gente. De repente, a campainha tocou. Será que ele estava esperando por alguém? Achei que eu era a única a subir sem ser anunciada. Pedro gritou do banheiro para que eu abrisse a porta.

- Eu sabia! Tinha certeza que o casal 20 estava no ninho de amor! – para a minha surpresa era Kamila.

- O que você está fazendo aqui, Kamila? – era Pedro quem aparecia na sala secando o cabelo e também surpreso e irritado com a presença dela.

- Já que você não me procurou, eu resolvi te procurar.

- E posso saber por que eu deveria te procurar? – respondeu Pedro.

- Você não contou para ela? – insinuou.

- Existe algo que eu deva saber? – perguntei irritada com aquela cena e cruzando os braços.

- Não, meu amor. Tudo que você tinha que saber você já sabe. Que eu amo você e que eu não quero nada com a Kamila. Vamos parar com essa ceninha desnecessária.

- Desnecessária? Se você não quer nada comigo, eu deveria saber não acha? Mas não! É sempre assim. Essa daí aparece e eu fico pra escanteio.

- Pelo que eu saiba, Kamila, eu era a namorada do Pedro antes de você se jogar nos braços dele em Londres.

- Eu me jogar? Tem certeza que EU me joguei nos seus braços, Pedro? Qual foi a parte da historia que você não contou para Diana?

Olhei para Pedro esperando uma resposta.

- Eu não tenho nada a esconder, Kamila. Fui muito sincero com você e com a Diana. Agora, por favor, sem cenas. A gente está de saída e não temos mais nada pra conversar. Mantenha o mínimo de decência para que a gente possa ser, pelo menos, amigos.

- Tudo bem. Se eu estou atrapalhando, eu vou embora. Eu não tinha nada que ter me metido nessa historia mesmo. E, olha, desculpa mas eu não quero a sua amizade apenas. Boa noite!

Kamila virou as costas e saiu batendo as tamancas.

- O que foi isso?! – perguntei meio sem entender.

- É sempre assim. Ela gosta de uma plateia. Mas foi bom que você assistiu. Assim não vai achar que eu estou exagerando. Vamos
jantar? – perguntou ele enquanto me abraçava.

- Você ainda tem fome? – perguntei ainda confusa com toda aquela cena rodriguiana.

- Sempre tenho. – respondeu ele me dando uma abraço pela cintura e mordidinhas na orelha.

- Desse jeito, eu acho que vou direto para a sobremesa... – insinuei.

- Não seja por isso.

Pedro me pegou no colo. Acho até que soltei um grito pela reação inesperada. Que se danem os vizinhos! Fui jogada na cama dele e nos curtimos como a uma pessoa que acaba de sair de um regime e pode, depois de anos, saborear um delicioso sorvete de chocolate. E, o melhor, sem culpa. Que se danem as calorias. Hoje eu quero me acabar.



PAPO DE CALCINHA: QUAL FOI A SUA MELHOR RECONCILIAÇÃO?