terça-feira, maio 14, 2013

O RETORNO

POR LETÍCIA VIDICA

- Olha só quem eu encontrei perdido aí na rua!!!

Nos assustamos com a gritaria do irmão que interrompeu o nosso almoço de domingo na casa dos meus pais. Quando levantei os olhos para ver o que poderia ser tão importante assim para aquele alvoroço (bem típico dele por sinal), meu coração parou. Fiquei gelada, depois meu corpo esquentou e meu coração voltou a bater descompassado. Era o Pedro. O perdido na rua era o Pedro que agora estava parado na minha frente e eu não sabia o que fazer.

- Meu Deus, mas que surpresa boa!! – dizia minha mãe dando um beijo na bochecha dele e um abraço apertado demonstrando todo o seu carinho italiano sufocador que ela tinha por ele.- Senta, meu filho, vou colocar mais um prato. – dizia minha mãe nem dando tempo para que ele negasse o convite. Afinal, negar comida em casa era um pecado.

- Tio Pedro!!! – eram os meus sobrinhos pestinhas que se jogavam em cima dele. Tio?! Ninguém avisou essas crianças que ele não é mais tio de ninguém?! Ou será?

Enquanto minha família sufocava o Pedro com perguntas e mais perguntas, entre um olhar e outro que ele me dava, percebi que talvez ser chamado de tio não era um pecado tão grande assim. Talvez ele voltasse a ser. Só sei que eu tive pouco tempo e coragem para dizer algo para ele.

***
- Desculpe a confusão lá de casa. Você conhece bem essa família. – eu dizia no portão enquanto nos despedíamos.

- Que isso, Diana! Você bem sabe que eu adoro a sua família. É quase a minha ne? – disse ele de sopetão, mas logo algo lhe chamou para a realidade – Mas e você? Parece que viu fantasma. Não está feliz em me ver?

- Eu?! Que isso... eu estou muito feliz que você está aqui. Nem parece verdade... – confessei

- Mas é. Estou aqui vivinho e de carne e osso. Olha só.

Pedro me abraçou fortemente e senti meu corpo todo arrepiar dos pés a cabeça. Sabe aquele abraço gostoso de urso que não dá vontade de soltar? Se eu tivesse um cronômetro, eu diria que passamos muitos minutos abraçadinhos, ouvindo nossas respirações e a batida dos nossos corações num beat acelerado.
- Chegou quando? Por que não avisou? – eu disse quando me soltei dele e pousei na Terra novamente.

- E onde fica a surpresa?

Realmente, eu tinha (quase) me esquecido que surpresa era um ponto forte dele. Fazia tanto tempo que eu não tinha uma boa surpresa. Pedro contou que aquela ideia de abrir uma filial no Brasil estava amadurecendo e que ele tinha vindo para cá acertar alguns detalhes. Se desse tudo certo, ele voltaria para o Brasil. Segundo ele, já não dava mais para ficar em Londres. Ele tinha muitas prioridades e pendências por aqui. Onde será que eu me encaixava. Nas prioridades ou nas pendências?

Nos despedimos porque ele ainda tinha que almoçar com a família e percorrer uma via crucis. Mas prometemos de nos ver na semana. Ele jurou de pé junto e dedo cruzado que me procuraria. E selou nossa despedida com mais um abraço de urso apertado e um olhar 43 que estremeceu toda a minha arquitetura.

***

Eu não preciso dizer que passei a semana toda esperando um contato dele ne? Não desgrudava do celular, ficava 24 horas online no Facebook, almoçava no escritório todos os dias para não deixar que o recado caísse na secretária eletrônica e ia para casa pontualmente para não correr o risco do porteiro interfonar e eu não estar lá. Mas já era sexta-feira e, mesmo com todos os meus cuidados, não tinha recebido nenhum sinal de Pedro. Bora jogar a toalha e desabafar com as amigas então. Sexta é sagrada.

- Vocês não vão acreditar em quem voltou? Ou melhor voltou não né... está por aqui. – eu fazia um suspense para as meninas no bar do Pedrão.

- Fala logo, criatura. Sem suspenses. – dizia Lili, a curiosa.

- O Pedro. Ele voltou! Apareceu na casa dos meus pais no meio do almoço de domingo.

Claro que as meninas ficaram passadas e animadas. Foram logo me enchendo de perguntas. O que ele tinha vindo fazer aqui, se a gente já tinha saído, por que eu não liguei para ele e blablabla.

- Calma, gente. Não posso meter os pés pelas mãos.

- Diana, calma?! Esse homem está a quilômetros de distância de você e quando ele volta dando uma esperança de que pode ficar aqui você quer calma?! Melhor cercar o peixe hein. Não esquece que a Globeleza tá solta na parada.

- E você acha que eu não pensei nisso, Betina? Quando ele não me deu nenhum sinal de vida na semana, a única coisa que eu pensava era nisso. Mas tenho que me conter. Eu preciso sentir o que o Pedro quer, se ele ainda me quer, o que eu sou para ele... pra variar, a nossa conversa no portão foi bem enigmática. Ele me tratou tanto quanto uma amiga querida de velhos carnavais ou tanto quanto uma futura amante. Não consegui decifrar.

- Nem precisa decifrar. A resposta vem aí. – dizia Lili.

Mais uma vez, meu coração parou quando olhei para trás e vi o Pedro, lindamente, se aproximar da nossa mesa.

- Ainda bem que nada mudou hein, meninas. Sabia que ia encontrar vocês aqui. Tudo bem?

- Daí que você se engana, meu bem. Tudo mudou. – brincava Betina.

- Senta aí, Pedro. Que ilustre presença. Vamos pedir mais uma para comemorar. – dizia Lili gritando para o garçom.

- Tentei te ligar, mas acho que acabou a bateria do seu celular. Daí, lembrei que hoje era sexta. Dia sagrado para o clube da
Luluzinha. – dizia ele.

- Nossa! É verdade... nem percebi que estava descarregado.- eu dizia ao conferir a tela apagada do celular. Idiota! Tanta precaução para ele te procurar justo no dia que o celular descarrega. Coisas da vida!

- Vai virar cidadão britânico quando? – perguntou Betina.

- Se depender de mim, nunca. Adoro aquela cidade, mas minha raiz é aqui. Não vejo a hora de voltar. – dizia Pedro olhando pra mim. Algum sinal?

- Nós também contamos com isso, não é Diana? – era Betina quem jogava a bola para mim.

- Cla-claro! Acho que já foi tempo demais, não acha? – o que foi isso? Uma cobrança? Que horror! – Mas está dando certo o seu
projeto no Brasil?

- Tudo caminha para isso. Se prepara porque você vai ter que me aturar novamente. – dizia ele passando a mão por cima do meu ombro e me dando um abraço apertado. Corei. E as meninas abafaram os risinhos.

- Mas e vocês, garotas? O que me contam de novo? Casaram, tiveram filhos...

- Estamos longe disso, viu! Pelo menos, no meu script, essas duas palavrinhas não constam. – dizia Betina.

- Aposto que a Lili casou com o Tavinho...

- Ainda não consegui amarrar o bofe...quase! Um passo de cada vez ne? Ixi... falando nele...olha ele aí... ele e o ... William.

Lili gelou quando viu que o Tavinho entrava no bar acompanhado do William. E eu queria me enfiar embaixo da mesa. Tudo que eu menos queria era que o William e o Pedro se encontrassem. Tudo bem que eu não tinha nada sério com o William e nem sabia o que eu era do Pedro, mas esse era um encontro astral que eu não desejava.

- Pedrão!!! Que bom te ver aqui!!! – era Tavinho quem abraçava ele – Quer dizer que voltou e foi logo se infiltrando no clube da Luluzinha? Tá com a moral alta hein?

- Ops, desculpe! Eu acabei me intrometendo na reunião delas. Ei, e aí, tudo bem? – Pedro dava a mão para cumprimentar William que cedeu a mão dele também, mas fez questão de medi-lo e olhar para mim. Atitude desnecessária ne?

Fiquei sentada entre Pedro e William querendo fugir daquele sanduíche nada agradável. Disfarçadamente, Pedro olhava para mim e para o William sentindo que tinha alguma atmosfera diferente no ar. William também me encarava como se eu fosse uma criminosa, mas ainda bem não tomou nenhum atitude do tipo ‘você é minha’. E minhas amigas me salvaram desviando o assunto para coisas banais do tipo futebol, novela, tempo, trânsito e piadinhas. Ainda bem que tenho amigos.

Apesar de não querer, as cervejas que eu tinha tomado falavam mais alto. Não tive escapatória e fui ao banheiro. Me tranquei numa cabine e fiquei lá pensativa. Até que uma voz me chamou...

- Diana, você está com diarreia, morreu aí ou o que? Faz horas que você está dentro desse banheiro. – era Betina.

- Diz que eu estou passando mal. Quando eles forem embora, você me chama. – eu dizia saindo da cabine.

- Para de ser ridícula!

- Ridicula eu?! Ridiculo é o William aparecer aqui pra estragar com a minha festa. O que o Pedro vai pensar? Ele já sacou que tem algo estranho no ar. Eu conheço ele.

- Deixa ele pensar, boba. Tira proveito da situação. Homem gosta de disputa. Aproveite desse desejo mútuo. Aposto que estão excitados para ver quem vai levar você.

- Gente, o que tá acontecendo? Você não voltam pra mesa nunca! – era Lili que chegava. – Diana, perdoe o Tavinho. Ele não tinha como adivinhar que o Pedro tinha voltado.

- Relaxa, Lili. O Tavinho não tem culpa de nada. Vamos voltar.

Retornamos para a mesa e os meninos nos olhavam assustados.

- Tá tudo bem, Diana? – perguntava Pedro carinhosamente.

- Está sim. Acho que bebi um pouco demais. Estava um pouco tonta. Resolvi respirar no banheiro. – menti.

- Quer que eu te leve pra casa? – oferecia William.

- Não se preocupem. Eu vou ficar bem.

Uau! Quanta gentileza! Betina estava certa. Os dois estão numa guerra camuflada acirrada. Mas o Pedro ganha disparado.

Continuamos jogando papo pro ar por mais algumas horas até percebermos, como de costume, que éramos os únicos clientes do bar. Hora de partir. Como o Pedro estava sem carro, me ofereci (claro) para leva-lo em casa. William tentou se enfiar na carona, mas menti pra ele dizendo eu ia passar na casa dos meus pais ainda.

Enquanto Pedro pagava o vallet (gentilmente), William se aproximou de mim e colocou os braços sobre os meus ombros. Gelei e fiquei de rabo de olho para ver se o Pedro ia ver aquela cena.

- Quem é esse cara? – perguntou do tipo de quem quer marcar território.

- Ele é um grande e queridíssimo amigo.

- Tem certeza que é apenas um amigo?

Fui salva pelo carro do Tavinho que chegara no vallet e não tive que responder àquela cobrança absurda. Até que eu saiba o nosso relacionamento fugaz tinha acabado. Pelo menos, eu pensei nisso. William me abraçou e tentou me dar um beijo, mas desviei o rosto disfarçadamente porque o Pedro retornava para perto de mim. William me olhou nos olhos e prometeu me ligar.

- Tudo bem ? – perguntou Pedro ao ver minha cara de espanto.

- Sim, claro. Só com um pouco de frio.

- Não seja por isso. – Pedro tirou o casaco e jogou sobre as minhas costas. E também me abraçou para me aquecer. Tem como desapaixonar?

O carro chegou e ele acabou dirigindo para mim porque eu estava cansada e tinha bebido um pouco demais. Comovido pelo meu estado
– que era de extase ao vê-lo ali tão perto de mim – ele me levou direto para casa, dizendo que não ia me deixar dirigir naquele
estado e que depois pegaria um taxi.

- Bom... vou indo. – dizia ele na porta da garagem do meu prédio.

- Tem certeza que não quer subir? Faço um café e a gente conversa mais.

- Não precisa se incomodar. Você está cansada. Prometo que recompenso depois... falando nisso, podemos nos ver amanhã. Os meus
amigos vão fazer um churrasco de boas-vindas pra mim e gostaria muito que você fosse... se quiser, chama as meninas também.

- Claro. Vai ser um prazer! – cada minuto a mais que eu pudesse passar com ele era sagrado.

- Não quero incomodar. Se tiver outro compromisso, eu entendo. Não quero ficar queimando o seu filme.

- Jamais.

- Ah sei lá... eu vi que o seu amigo, sei lá...não ficou muito contente ao me ver. Afinal, eu não tenho direito de chegar e ir bagunçando sua vida né.

- Você organiza a minha vida ... – pensei alto – Não se preocupe. Eu não tenho compromisso e o William é um amigo.

- Queridíssimo como eu? – que indireta! – Bem, vou indo. Nos vemos amanhã então.

Pedro me abraçou fortemente. Acho até que cheirou os meus cabelos e depois foi embora. Fiquei paralisada vendo ele partir. Tenho certeza que um pedacinho de mim estava partindo com ele...

CONTINUA...

quarta-feira, abril 24, 2013

PRESENTE DE GREGO




POR LETÍCIA VIDICA


- Dona Diana, entrega para a senhora na recepção... – era minha secretária quem entrara na minha sala interrompendo uma divagação sobre um projeto qualquer que eu estava tendo naquele momento.

Entrega para mim? Ué, não estou esperando nada. Mas como a minha curiosidade fala mais alto, me despenquei para a recepção para ver a tal encomenda. No caminho, percebi que não só eu, mas como quase toda a agência já tinha se despencado para a recepção para murmurar e confabular sobre a tal entrega.

- Flores para mim? Mas quem mandou? – perguntei para o garoto magricela que segurava o lindo arranjo de rosas vermelhas. – Cadê o cartão? – indaguei ao vasculhar o arranjo e não encontrar um mísero bilhetinho.

Acho que o rapaz tinha assinado algum tipo de pacto mega ultra secreto que não me revelaria o nome do admirador nem com reza brava. Voltei para a minha sala com o arranjo nas mãos depois de vencer a barreira de curiosos que tentavam adivinhar quem seria o tal admirador ou que achavam que eu estava blefando. Pior é que não estava. Eu não fazia ideia de quem seria a criatura que tinha me mandado aquelas flores. Mas não posso mentir que não fiquei feliz. Afinal, que mulher não gosta de receber flores? Uma velha tática que funciona desde os tempos de Eva.

***

- Recebi flores hoje lá na agência... – eu contava para Lili e Betina em mais um de nossos happy hours de sexta-feira.

- Flores?! De quem?

- Eis a questão, Betina. Eu não faço ideia. O arranjo não tinha identificação. Vasculhei de cima a baixo e não encontrei uma pista sequer.

- Ai, que romântico!! Um admirador secreto!! Ou será um antigo admirador? Será que foi o Pierre?

- Tá maluca, Lili?! Aí que não teria nada de romântico ne? O cara casado e com filho. Demorou, mas parece que o Pierre finalmente se colocou no lugar dele.

- O Pierre eu também não acho, mas e se for o Pedro...

- Lá vem você, Betina, com essa história de novo. Duvido que o Pedro se daria ao trabalho.

- E se for o William?

- Piorou. Isso não faz o estilo dele, Lili. Além do mais, ele tomou um chá de sumiço.

Passamos mais algum tempo a divagar sobre quem seria o tal admirador. Dentre as suspeitas mais improváveis e os motivos mais absurdos e cabeludos que a nossa criatividade (quase) alcoólica conseguia imaginar fui surpreendida com um torpedo. “Espero que tenha gostado das flores. Bjs, Will”.

- Acabou o mistério. Foi o William. – respondi ainda um pouco passada. Ele era a última pessoa que eu imaginava que teria essa reação.

- Que romântico! – suspirava Lili – Hmmm...vai dar namoro hein? Quem sabe ele não inspira o Tavinho porque ultimamente eu não tenho ganhado nem bombom mofado.

- Isso tá cheirando cilada viu? O que ele aprontou para te dar flores? Se liga, hein, Diana. Isso tá me cheirando presente de grego. – era Betina quem me trazia à realidade ou me jogava um balde de água fria.

****

Ficamos mais um tempo no bar discutindo sobre os motivos para tal ato do William e segurando os meus dedos para não responder ao torpedo. As meninas acharam que era melhor eu manter um suspense.
Como o sono já queria me dar um abraço de urso, fechamos a conta e fui para casa. Na porta do meu prédio, fui surpreendida por um certo conhecido.

- Posso subir? – dizia William na janela do meu carro.

- Gostou das flores? – perguntava ele enquanto eu estacionava o carro na garagem.

- O que te deu? Flores para quê? – questionei ainda sob influência da opinião betiniana.

- Nossa! É assim que você retribui a uma surpresa? E tem motivos para dar flores a uma mulher bonita? – dizia ele se aproximando de mim e me espremendo contra o vidro do carro.

Não consegui resistir a essa cantadinha e me deixei influenciar pela opinião Liliana. Porque não viver um romance? Nem sei quanto tempo se passou. Só sei que nos amassamos, nos beijamos e transamos dentro do meu carro mesmo.
E a loucura continuou no meu apartamento madrugada adentro. Eu não conseguia resistir à todo aquele charme e sex appeal.

- Você é um louco mesmo! – eu dizia jogada na minha cama depois de mais uma transa.

- Confessa que você adora as minhas loucuras vai? – dizia ele me beijando.

As nossas semanas de amor duraram bem menos que nove e meia. Foram algumas semanas intensas. Pelo menos, umas três vezes na semana o William fazia plantão lá em casa e a gente fazia a festa.

****

- E aí já virou namoro? – perguntava Lili enquanto fazíamos a unha no salão de cabeleireiros num sábado ensolarado.

- Namoro que nada, Lili.

- E ele te mandou as flores para quê? Para nada?

- Temos que ir com calma ne? E eu não acho que ele queira isso. Outro dia, ele veio com uns papos que não quer se apegar, que é melhor assim e tals.

- Ih! Fica esperta. Te avisei. Ele só quis chamar a sua atenção e marcar território. – completava Betina.

- Mas vocês tem saído?

- Que nada, Lili. A gente só fica quando ele vai lá em casa. Tentei armar alguns compromissos nos finais de semana, mas ele nunca
pode. Acho que a última vez que saímos foi com vocês.

- Comodo demais para ele você não acha? Aparece na sua casa na semana, te come, encontra uma caminha quente, vai embora e no final de semana desaparece?!

****

Será que a Betina estava certa? Resolvi me afastar e observar a relação e as atitudes dele. Não senti nenhuma mudança significativa. William sumia, aparecia quando queria, aparecia de surpresa em casa durante a semana e ainda queria ser recebido com lingerie vermelha e velas!!! O problema é que eu tinha cansado dessa história.

- Oi, gataaaa... – era William que me ligara numa quinta-feira. – Estou pertinho da sua casa.

- Desculpe, Will, mas pode retornar e voltar para a sua casa.

- O que houve? – perguntou assustado.

- Eu não estou me sentindo bem hoje. Não vai rolar.

- Então deixa eu ir aí cuidar de você.

- Estou precisando de ar puro... tá afim de sair para jantar?

- Eu já comi, gata. Mas posso ir te fazer um carinho...aposto que você melhora. – insinuou.

- Carinho?! Obrigada. Preciso mais do que isso. A gente se fala outro dia. Beijos.

Desliguei o telefone e aposto que William ficou sem entender. Ainda deve estar procurando uma resposta, mas eu cansei de facilitar. A Betina estava certa. Aquelas flores tinham sido o maior presente de grego.

- Como anda o garanhão apaixonado? – perguntava Betina em um bate-papo na casa dela.

- Ihhh...em algum lugar que não ao meu lado. Você estava certa, amiga. Foi o maior presente de grego.

- Te falei. Ele queria chamar a sua atenção, mas usou o artifício errado. Se ele só queria te comer de vez em quando, não precisava ter mandado flores ne? Que coisa mais incoerente.

- Vai entender...só sei que canse de ser barranco dos outros. Olha, continuo adorando flores, mas se forem gregas...por favor, não me entregue.

PAPO DE CALCINHA: VOCÊ JÁ RECEBEU ALGUM PRESENTE DE GREGO?

sexta-feira, abril 12, 2013

ROTINA




POR LETÍCIA VIDICA

06h30. O despertador toca. Que musiquinha chata! Eu sempre prometo a mim mesma que vou trocar a música do despertador do celular, mas sempre esqueço e só relembro a minha promessa quando ele toca essa musiquinha chata. Ok. Eu já ouvi! Ainda tenho uma folguinha e o soneca vai me acordar. Viro para o outro lado da cama e esqueço da vida. Meu nome, que dia é hoje e que eu tenho que trabalhar.

07h00. Meu Deus! Estou atrasada. O despertador tocou? Eu juro que ativei o soneca. Quase sempre sou surpreendida por isso também. Levanto correndo, tropeçando nos meus passos e zonza de sono. Corro para o chuveiro. Tudo tem que ser milimetricamente calculado, mas todo dia é sempre igual.

Depois do banho, começa a saga da roupa. Eu tenho costume de pensar na noite anterior o que vou vestir no dia seguinte. O problema é que, quase sempre, no dia seguinte eu nunca acho alguma peça que eu escolhi. Ai, meu Deus, cadê aquela camisa? Eu jurava que eu vi essa bendita aqui no meu guarda-roupa. Desmonto o meu armário inteiro. Peça para lá, peça pra cá e nada de achar a tal da blusa. Até que algum anjo me faz lembrar que ela está para passar.

Caramba! Quase 8h. Cama desarrumada, guarda-roupa revirado (mais um sinal de que preciso parar esse final de semana para arrumá-lo). Sem escolha, visto uma roupa qualquer. Ai, não estou me sentindo bem, mas o relógio me olha feio e diz em alto e bom som que não temos tempo para sentir nada. Ops! Mas essa bolsa amarela não está combinando com a minha blusa. Rapidinho passo as tralhas, carteira, papel, guarda-chuva e tudo o mais de uma bolsa a outra.

Em direção à saída do meu apartamento, organizo uma coisa e outra pelo caminho. Pego um iogurte na geladeira para beber elevador abaixo. Falando em elevador, é um inferno espera-lo de manhã. Horário de pico no prédio. Congestionamento nos andares. Inquieta, aproveito para ir desembaraçando o meu cabelo e adiantar a maquiagem que, por conta do meu atraso, nunca consigo fazer com calma.

Minutos intermináveis depois, o elevador chega e sou surpreendida por quase todo o meu prédio que me olha espantado ao me ver passar o rímel. Disfarço e procuro um espaço naquela sardinha ambulante. Como não sou de muito papo pela manhã, esboço apenas um sorriso para não parecer antipática. Sempre bom manter a política da boa vizinhança, mas tem sempre um abençoado bem humorado que fala pelos cotovelos assassinando o silêncio tão precioso das manhãs.

****

Simbora enfrentar a parte mais saborosa do meu dia: o congestionamento. Ligo o rádio numa estação que toca notícias e nada mais deprimente do que ser bombardeada de informações sobre quantos morreram na noite passada, sobre mais uma promessa política (que jamais será cumprida), sobre mais um acidente e sobre mais um dia de quilômetros e quilômetros de congestionamento. Daí, começo a pescar uma estação e outra pelo rádio. Paro sempre naquela que costuma tocar nos consultórios de dentistas. Uma musiquinha mais leve para começar o dia. Quase sempre são sempre as mesmas músicas, mas cantarolo mesmo assim.

Anda. Para. Acelera. Para. Dá a seta! Tirou carta à distância? Tento ser calma no trânsito, mas a folga das pessoas me transforma. E é assim durante uma hora e meia de pura diversão no trânsito. Aproveito para dar uma olhadinha nas minhas redes sociais, consultar e responder os e-mails da empresa que já lotam minha caixa postal e atender sempre uma ligação de alguém da agência avisando sobre uma reunião surpresa. É de propósito. Por que as reuniões surpresa só acontecem quando eu estou atrasada?!

***

Ainda bem que posso me dar ao luxo de abandonar o meu carro com o manobrista. Se não o meu atraso seria maior. Desço correndo, cumprimento o seu João educadamente que sempre elogia as minhas roupas (mesmo no dia que me sinto a pior das mulheres). Pareço política cumprimentando Deus e o mundo até chegar ao elevador e tentando achar o meu crachá na bolsa (que sempre se perde no triângulo das bermudas que existe dentro delas).

O mesmo congestionamento do elevador meu prédio, também enfrento no meu trabalho. Mas aqui não são minutos intermináveis. São anos. E subir de escada é inviável: eu trabalho no 30º andar. Ufa, chegou! Bem na hora que meu celular toca e posso ver que é alguém da agência me ligando. Ignoro a ligação e rezo para que subir 30 andares seja rápido. Sempre alguém repara a minha pressa e é sempre algum parente do meu vizinho abençoado que desata a conversar. Será que não dá para perceber que eu estou atrasada demais para conversa?!

***

Entro na agência desesperada, mandando bom dias coletivos. Jogo minha bolsa na minha sala e minha secretária já me acompanha relatando todas as ligações, missões e me alertando sobre o bom humor do chefe. Dou uma paradinha e uma respiradinha inspiradora na porta da sala de reuniões e entro com o meu melhor sorriso de comercial de creme dental. Cumprimento a todos, finjo ignorar a cara de diarreia do meu chefe e sua olhadinha sutil para o relógio (como quem me cobra pelo atraso). Coloco a culpa no trânsito e ganho a maioria que também desata a reclamar como o trânsito dessa cidade está cada dia mais caótico.

Depois de estabelecida tento me concentrar. É mais uma daquelas reuniões que começam no café da manhã e só terminam no jantar. Discussões, estabelecimento de metas, cobranças, cobranças e mais cobranças. Conclusão: quase sempre nenhuma. Mas todo mundo finge que entendeu e sai com cara de paisagem.

Como a reunião me consome quase toda a manhã, a velha e boa saída para o almoço é um lanchinho rápido. Aproveito para comer na minha mesa mesmo enquanto respondo aos trilhões de e-mails que lotam a minha caixa postal. Entre um email e outro, uma ligação da minha mãe para contar mais um problema de casa (ou melhor, mais uma que meu irmão aprontou), outra ligação da Betina marcando algum happy hour para a semana, uma ligação da Lili choramingando pelo Tavinho e sempre finalizo com uma ligação do meu chefe chamando para mais uma reunião. Dessa vez, uma videoconferência. Haja, reunião. Que tanto as pessoas gostam de se reunir?

Mais uma tarde inteira afogada em uma reunião. Resultado: vou sair mais tarde do trabalho. Até porque acumulei várias coisas que a tal reunião não me deixou fazer e tenho que entregar o esboço de uma super campanha que acaba de ser criada nessa reunião.

***

21h30. Afogada e concentrada em trabalho sou interrompida pelo silêncio na agência. Meu Deus! Com toda a educação, a faxineira entra na minha sala e pergunta se não me incomodo se ela limpar por ali. Hora de ir para casa.

A única vantagem da volta é que vou fugir do congestionamento do elevador e das ruas. O trânsito é outro. E, no meio do caminho, meu estômago anuncia que a última refeição que fizemos foi o almoço. Hora de comer. Ops! Lembro que a geladeira está vazia. Bora parar no supermercado para fazer umas comprinhas rápidas.

... rapidez que dura quase uma hora e meia. Aproveitei e fiz logo a comprinha do mês e proporcionei um rombo na minha conta quando vejo o total na telinha do caixa.

23h30. Chego em casa acabada e mergulhada em sacolas. Preparo um lanchinho e me jogo no sofá, mas não posso me dar ao luxo de dormir porque tenho um projeto para terminar. Mergulho minha carinha e minha mente (nada) criativa a essa altura da noite na frente da telinha do meu notebook e entro madrugada afora.

02h30. Não sei mais o meu nome, quem eu sou e o que estou fazendo acordada àquela hora. Projeto finalizado. Me jogo no chuveiro para tirar a sujeira e o cansaço do dia. Sou levada pelo meu corpo inconsciente para a cama e apago. Amanhã, 06h30, começa tudo de novo e vai ser sempre assim.

PAPO DE CALCINHA: TODO DIA É SEMPRE TUDO IGUAL PARA VOCÊ? QUAL É A SUA ROTINA?

quarta-feira, março 20, 2013

A PRINCESA E O SAPO




POR LETÍCIA VIDICA

- Nossa, que cara inchada é essa? O que aconteceu?

Minhas amigas me flagravam com os olhos inchados e vermelhos.

- Quem fez isso com você? Aposto que foi o William.

- Não, Lili... – respondi com a voz ainda um pouco embargada - ... eu estava assistindo um filme.

- Meu Deus! Que filme é esse? Fala o nome aí para eu não assistir. – zombava Betina, enquanto colocava as bebidas em cima da mesa do meu apartamento.

O culpado pelo meu choro tinha sido a Fera. Mais especificamente, “A Bela e a Fera”. Pela quinquagésima vez, eu assistia ao desenho (o meu favorito) e, pela quinquagésima vez, eu chorava no final. Era sempre assim.

- Conta outra, Diana. Você estava chorando por causa de um desenhinho da Disney? – respondeu Betina enquanto me oferecia um copo de vinho.

- Que insensível, Bê! Não liga para ela não, Diana. Confesso que eu sempre choro quando assisto ao Rei Leão.

- Eu sei que eu pareço uma boba, mas esses filmes deviam ser proibidos para mulheres solteiras maiores de 30. Ou, melhor, tinham que ser proibidos para garotinhas. É tudo uma mentira! Esse lance de final feliz, de príncipe encantado... a realidade é bem outra viu? – eu desabafava.

- Tá explicado! Vai dizer agora que a culpa de estar assim é do pobre do Walt Disney?! – zombava Betina.

- Claro! Foi ele que colocou em nosso inconsciente essa história de sapo que vira príncipe, de príncipe que chega de cavalo branco, sobe nas nossas tranças, procura uma eternidade pela dona do sapatinho de cristal... e cadê a PORRA desse príncipe que a gente espera, espera e nunca aparece?! Claro! A gente passou a infância inteira enganada e achando que um dia iria morar num castelo.

- Não exagera, vai? Acho que você está bem crescidinha para não cair mais nessa de contos de fadas. – dizia Betina.

- Concordo com a Diana. A gente está bem crescidinha sim, mas não está preparada para cair do cavalo. Isso sim. Hoje em dia, minha filha, só tem sapo que não vira príncipe. – completava Lili.

- ... e príncipe que vira sapo! Tá um brejo só. – eu ria.

- Amadas, somos princesinhas do século 21. Livres, donas de si, independentes, autossuficientes... eu que não queria ser uma princesa da Disney. Que coisa mais chata! Imagina só ficar uma eternidade trancada numa torre, esperando um príncipe para me libertar?! Aposto que a Rapunzel de hoje, iria rodar a baiana, fazer logo um rapel, fugir da torre e ir azarar em Las Vegas. – ria Betina. – Prefiro a Cinderela...essa sim foi transgressora... deu o bote nas irmãs, fugiu para baladinha e ainda arrumou um príncipe. E deixou o bobo atrás dela um tempão. Tá aí. Gostei da Cindy.

A essa altura da nossa filosofia principesca, eu preciso dizer que já tínhamos entornado umas duas garrafas de vinho? Mas essas são as melhores horas para filosofar.

- Eu queria bem ser a Branca de Neve... – filosofava Lili.

- Jura?! Sua cara...rodeada de homens...sete, ainda por cima. – zombava Betina.

- Ai, eu acho que estou mais para Bela Adormecida, esperando o príncipe me acordar com um beijo. – eu disse me jogando no sofá e deixando o pensamento vagar.

- Hmmm...senti uma certa nostalgia no ar... e o William?

- Esse daí está longe de ser meu príncipe encantado. É um aprendiz de príncipe. Ou, melhor, um sapinho tentando uma coroa ... ah, sei lá, eu não sei qual é a dele. Ele liga, depois some, depois aparece... às vezes, me sinto um drive thru sabia? Vem, pega o lanche, come a sobremesa e vai embora em menos de 20 minutos.

- Drive thru?! – ria Lili – essa é muito boa!!! Amiga, você bem sabe que o William não quer nada da vida... ele só quer se divertir... não encana nele.

- Eu sei. O problema é que eu estou começando a cansar de me divertir. Eu conheço esse script direitinho. Um mar de rosas no começo e depois desilusão. Não sabe o que quer, não era bem isso, não está preparado para se envolver... e o pior de todos os crimes... não tem atitude. Ai que saudades do Pedro!!! Pedro, cadê você?! – acho que nessa hora eu gritei um pouco mais alto. Quem sabe ele não me ouvia na Inglaterra?

- E ele?

- Outro desaparecido, Betina. Depois do último telefonema, não nos falamos mais. Esse sim é o meu príncipe sabe?! Tem seus defeitos, eu sei. É confuso, cheio de dúvidas, mas por ele eu ficaria presa na torre por uma eternidade. – suspirei.

- Você não ficaria presa. Você já está, Diana. Ou acha que engana alguém? – era Betina quem me trazia a realidade.

- Pode até ser, mas enquanto ele não vem, eu tenho que aproveitar com os sapinhos mesmo né?

Não sei até que horas ficamos a divagar sobre princesas, príncipes e sapos encantados e desencantados, cavalos brancos, castelos e finais felizes para sempre. Afinal de contas, sonhar é sempre bom ne? Vai que vira realidade.

PAPO DE CALCINHA: VOCÊ ACREDITA EM PRÍNCIPE ENCANTADO? ACHA QUE, HOJE EM DIA, TEM MUITO MAIS SAPO DO QUE PRÍNCIPE? SE A SUA VIDA FOSSE UM CONTO DE FADAS, QUAL SERIA O SEU?

quarta-feira, fevereiro 20, 2013

ESTILO MULHERZINHA



POR LETÍCIA VIDICA

- Aleluia! Até que enfim, vocês chegaram!!! Eu já estava faminta!!! – resmungava Lili ao ver eu e o William chegarmos na pizzaria. Aquela era mais uma noite de encontro de casais em mais um restaurante descolado de algum amigo V.I.P de Liliana Bittencourt.

- Desculpe, meninas! A culpa foi totalmente minha. Tive uma reunião de última hora no trabalho e me atrasei para pegar o William em casa. – eu dizia me desculpando enquanto ia puxando minha cadeira para sentar.

- Achei que o Will iria te pegar no trabalho. – questionava Betina.

- Eu insisti para isso, mas vocês conhecem a cabeça dura da amiga de vocês, né? – desabafava William.

- Eu já falei mil vezes que era meu caminho, qual o problema de pegar você? – respondi ríspida cansada daquela discussão repetitiva.

- Vamos logo pedir essa pizza? Meu estômago já está no pé. – ralhava Lili.

- Vai querer do quê, gatinha? – perguntava Tavinho para Lili.

- Ah, sei lá...pode escolher! A que você quiser, meu bem. – respondia Lili com voz mansa, nada parecida com o monstro faminto de alguns minutos atrás.

Dudu também perguntou para Betina qual pizza ela preferia. Para minha surpresa, ela também respondeu com a mesma voz mansa da Lili. Nada familiar para a Betina, ainda mais quando se trata de decidir alguma coisa. Eu, logo emendei, que eu queria uma portuguesa para dois e dois chopes gelados. Para quê tanta enrolação?

Enquanto esperávamos a pizza, fugimos para o banheiro para confraternizar. Na verdade, senti que eu ia levar algum tipo de sermão, mas até então ainda não sabia bem o por quê.

- Vocês estão doentes ou é algum tipo de complor? Que papelzinho é aquele de vocês duas na mesa? Me estranha muito te ver fazendo doce, Betina. – eu questionava enquanto retocava a maquiagem no espelho.

- Acho bom ficar bem na sua, Diana. Você que não se cuide não porque o seu mar não está para peixe... – cutucou Betina.

- Não estou entendo onde vocês querem chegar. – cruzei os braços com sinais de irritação.

- Hello, amiga! Que história é essa de VOCÊ ir buscar o William?!

- E qual é o problema nisso?! – perguntei sem entender.

- O mesmo problema de você ir pedindo a pizza de vocês, não esperar ele puxar a sua cadeira e outros mais... afinal quem é o homem dessa relação?

- Gente, é claro que ele é o homem. Que papo mais estranho!!! – bufei.

- Diana, você está tomando as rédeas de tudo isso. Você não percebe mas você age como o homem da relação. Deixe o Will sentir que
tem alguma utilidade na sua vida. Se você fizer tudo, qual a importância dele ao seu lado? – era a Betina que transformara aquele banheiro no meu mais novo divã.

- Faça o estilo mulherzinha, baby! É claro que eu sei que eu quero uma pizza bem suculenta de marguerita, mas prefiro bancar a indecisa e deixar o Tavinho decidir por mim.

- Não sei, gente. Acho que vocês estão exagerando!!! Não vejo problema nenhum em tomar algumas decisões. Onde fica aquele papo todo de mulher moderna?

- Depois não diga que avisamos hein?! Ou você muda agora ou pode ser tarde. Daí, não adianta cobrar o coitado. Faça o teste.

Voltamos para a mesa e os rapazes não estavam com cara de bons amigos. A pizza já tinha chegado e, gentilmente, eles nos esperavam para comer. Com exceção do Will que já devorara o terceiro pedaço da pizza portuguesa. Já seria uma consequência da minha tomada de decisões? Estranhei, mas preferi não encucar naquele momento.

Ao final do jantar, nos despedimos. As meninas cada uma seguiu no carro de seus respectivos e eu esperava a chegada do meu no vallet abraçada ao Will.

- Lindo, leva o carro para mim vai? – eu dizia com voz doce, começando a fazer o bendito teste.

- Não dá, gata. Leva você. Você quem trouxe! E outra eu bebi um pouco demais.

- Credo! Você bem podia ter pensado em mim e maneirado na bebida. Agora você me levaria para casa dirigindo ne? Eu estou tão cansadinha. – acho que fiz até biquinho.

- Eu insisti para te trazer e você não quis. Agora, não adianta chorar. E não faz doce porque não combina com você.

Nossa!! Que tapa na cara!!! Eu podia ter ido dormir sem essa, mas o que eu iria responder? Era a mais pura verdade. Perdi todo o tesão que eu tinha guardado para aquela noite, inventei uma enxaqueca, deixei ele em casa e segui para a minha bem pensativa. Será que as meninas estão certas? Estou sendo machona demais? Mas será que eu consigo bancar a mulherzinha? Não tinha outra escolha a não ser fazer o teste.

****

A primeira iniciativa que tive foi inventar um pneu furado no meio da semana e gritar socorro para o William vir me buscar. Resultado: ele recomendou que eu pedisse ajuda ao porteiro do prédio ou chamasse a seguradora. Além disso, ele não poderia vir me buscar porque estava sem carro. E custava dizer que ia pegar um taxi e me acompanhar até em casa porque era perigoso uma dama sozinha à noite? Que falta de cavalheirismo!

Na segunda tentativa, liguei para ele do bar do Pedrão pedindo para ele me buscar. Ele estava ocupado demais e pediu para eu voltar com uma das meninas.

Na terceira e última, saímos para jantar e ele não puxou a cadeira para mim, foi logo pedindo o nosso prato e achou que era frescura minha não saber o que queria comer.

- Eu desisto, meninas! Eu não nasci para bancar a mulherzinha. É muito difícil e o Will não está acostumado com esse tipo de mulher. – eu desabafava em mais um happy hour na mesa do Pedrão.

- A culpa é sua. Você acostumou ele com esse seu estilo de mulher-independente-resolve-tudo que agora ele não te leva mais a sério. – dizia Betina.

- Mas talvez eu realmente não seja esse tipo ou talvez eu não queira. É difícil demais para mim. Eu me rendo!!!

- Não desiste, amiga. Não é fácil para ninguém, mas tem hora que a gente tem que bancar a fragilizada para fazer os homens enxergarem que eles tem uma função na relação. Se não, é a gente que começa a conduzir tudo. Quando o Tavinho começa a folgar demais, eu me esqueço até como se abre uma lata de sardinha.

Rimos com a declaração da Lili. Minhas amigas estavam certas. No fundo do fundo do meu estilo mulher-independente-resolve-tudo, eu quero um homem com uma capa vermelha nas costas com superpoderes que apareça na hora que eu mais preciso e que cuide de mim. E que, acima de tudo, me faça sentir uma mulherzinha sim! Um homem com superpoderes que veja uma mocinha em mim e não a mulher maravilha que resolve tudo sempre.

O problema é que na falta desses super-heróis, eu tive que vestir a roupa da She-Ra e desfazer desse papel da noite para o dia é bem difícil. Ou não? Será que eu gosto de ser a She-Ra? Afinal de contas, ela se entende com o He-Man ne?

Olha, amigas, essa história não tem fim. Nem adianta eu terminar. Estou até hoje na luta entre ser mulherzinha e mulherzão. Ainda estou na opção entre ser uma e outra dependendo da situação e do super-heroi que tenho ao meu lado.

PAPO DE CALCINHA: VOCÊ ACHA QUE BANCAR A MULHERZINHA DÁ CERTO? GOSTA DE SER A MULHERZINHA? PARA VOCÊ, OS HOMENS GOSTAM DESSE ESTILO?

terça-feira, janeiro 22, 2013

A REGRA DO JOGO


POR LETÍCIA VIDICA


- E aí, Diana, algum sinal de vida do gato tarado? – perguntava Lili em mais um de nossos happy hours no bar do Pedrão.

- Podem me chamar de burra... burra, burra é isso que eu sou! – eu afogava as minhas mágoas num chope – Coloquei tudo a perder. O William tomou chá de sumiço isso sim.
Faz mais de uma semana que ele não me procura e não dá sinal de vida.

- Ainda bem que você sabe o que fez. – preciso dizer que era a Betina quem falava?!
– Mas isso faz parte da regra do jogo.

- Regra do jogo?! Lá vem você com suas teorias. – eu bufava. O que eu menos queria naquela noite era mais um dos sermões da Betina e ter que admitir que ela estava certa, mas foi em vão...

- Essa eu quero saber... que tal de regra é essa? – interessou-se Lili.

- Enquanto a Diana estava dando uma de durona, de difícil... o gatinho estava de quatro... é do tipo de cara que gosta de ser motivado pelo que é mais difícil, mas foi só você vir com esse papinho de carência, de que quer algo mais e pum! O gato subiu no telhado... perdeu a graça... é simples assim... essa é a regra do jogo. O negócio é ser durona.

Será que a Betina estava certa? Eu não tinha obedecido a essa tal regra do jogo? Bela amiga, hein? Por que não me ensinou isso antes? Mas, independente de regras, tudo que eu mais queria era ouvir a voz do William e, confesso, sentir aquele corpo sobre o meu também.

- Bom dia, seu Tomás! Alguém procurou por mim? – eu investigava ao chegar ao prédio da agência.

- Bom dia, dona Diana! Ninguém procurou a senhora não.

- Tem certeza? Nenhuma carta? Ninguém diferente perguntando por mim? – perguntei desapontada.

- Nadinha, dona. – respondia ele criterioso.

Subi o elevador até minha sala bem desapontada. Saudades do dia em que o William deu plantão na porta do meu prédio e eu ainda fiquei puta ... que idiota!!! Mas como a esperança é a última a morrer, entrei na agência na expectativa de encontrar um telefonema perdido.

- Bom dia! – disse para a minha secretária – Alguém me ligou?

Suei frio e meu coração descompassou, enquanto ela listava os nomes intermináveis de quem tinha me ligado, mas nenhum era o William.

- Algum William me ligou? – insisti.

- Não me recordo desse nome não.

- Tem certeza? Algum recado na secretária eletrônica?

- Não. Eu anotei todos. Mas se ele ligar...

- ... passe imediatamente para a minha sala. Pode me interromper. Eu autorizo.

Passei o dia todo trabalhando na expectativa de um telefonema, um torpedo, um whatsapp, uma mensagem inbox, um sinal de fogo ou fumaça. Porém, terminei o dia sem nenhum deles. Fui para casa bem decepcionada e querendo bater na minha própria cara. A teoria da Betina parecia se confirmar. Nada de William no hall ou na frente do prédio, nem na porta do estacionamento, nem na porta do meu prédio, nem na porta do meu apartamento e, muito menos, na minha cama.

****

Ligar ou não ligar, eis a questão! Era o pensamento que me consumia deitada em minha cama encarando o visor do meu celular. Ah, quer saber? Eu vou ligar... seja o que Deus quiser.

Tum, tum, tum... a sua mensagem será encaminhada para a caixa postal.

Droga! É um sinal divino. Não vou ligar. Ah, mas vai que estava fora de área?

Tum, tum, tum...


- Alô?

Estremeci quando ouvi a voz dele do outro lado da linha.

- Oi, Will-William, tudo bem? É a Diana.

- Oi, gata, tudo bem? – respondia ele como se nada tivesse acontecido. Parecia até que tinha acabado de sair da minha cama.

- Tudo...liguei para saber se está tudo bem com você.

- Tô bem sim. Posso te ligar daqui uns dez minutinhos? Só estou resolvendo uma pendência aqui e já nos falamos. Espera que eu vou ligar hein? Beijos.

Dez minutinhos? Sei. Até parece que vai ligar e até parece que eu vou esperar né? Pendência? Sei. Uma pendência loura de olhos azuis. Aff!

.... trinta minutinhos depois e nada. Eu já estava babando na minha cama. Ligo de novo?! Vai parecer que sou uma carente chatonilda necessitada. Um torpedo, acho que não pega mal né? O que eu escrevo?

“Oi, William, tdo bem? Se qzer, pode ligar. Ainda estou acordada. ((( NÃO! APAGO )))” Melhor ser mais informal. “Oi, gatinho, saudades. Qdo der, me procura ((( NÃO! APAGO)))” Muito meloso e carente. Melhor ser mais formal mesmo e objetiva. “William, precisamos conversar. Me liga! ((( NÃO! APAGO ))) Nem eu ligaria para mim. Por fim... “Tenha uma ótima noite, bjs, Di”. Enviado.

Tenho que confessar que ainda esperei mais duas horas, entre piscadas e sonecas, mas ele não retornou e nem respondeu ao torpedo. Saiu pela culatra. A Betina estava certa.

****

- Que ânimo, hein, amiga! – dizia Lili enquanto tentavam me convencer a ir comer pizza na casa do Tavinho. – Bora, levantar esse astral!

- Tá difícil. Podem ir, meninas. Eu não estou no clima. Vou ficar por aqui mesmo.

- Isso tá me cheirando William, hein? – dizia Betina. – Ligou para ele ne?

- Semana passada. Atendeu, disse que retornaria em dez minutos e estou esperando até hoje. Você, mais uma vez, estava certa amiga. Caí no conto da tal regrinha. – eu respondi desolada.

- Não dê ouvidos para tudo que essa terapeuta barata diz. Bora se trocar e dar umas paqueradas. Já tá na hora de trocar de amigo e hoje vai ter vários novos por lá. –
Lili me empurrava até o quarto para me trocar.

****

Não tive muita escapatória e, quando dei por mim, estava na casa do Tavinho. O apê estava bombando. Mais um pouco, caía gente da sacada. Realmente, tinham vários gatinhos novos, mas eu não estava afim de olhar para nenhum. Peguei minha caipirinha e sentei num canto do sofá. Três caipirinhas depois e ouvi uma voz familiar entrando na sala. Arrepiei quando vi que era o William.

Ao me ver, ele abriu um largo sorriso, abaixou o rosto e me deu um beijo... na bochecha!! Murchei! Cadê aquele tesão todo? Depois, virou as costas e se infiltrou no meio da homarada. A minha vontade era sair correndo dali, mas eu tinha que tirar aquela história a limpo. Tá na chuva é para se molhar.

- Esse homem é um pedaço de mal caminho né? – comentava uma morena sentada ao meu lado que, até então, eu não tinha notado.

- Quem?! – perguntei desbaratinando.

- Esse William. Eu acho ele o maior gato. Tem uma amiga minha que tem um trelelê com
ele e diz que ele é tudo de bom na cama.

- Deve ser mesmo... – respondi ainda meio passada – E a sua amiga... está aqui?

- Não, ela não pode vir. Mas pediu para eu ficar de olho no gatão. Tarefa difícil ne? Quer mais uma caipirinha, amiga? Eu vou buscar.

Era tudo que eu precisava ouvir àquela altura. Uma confissão sexual de uma amiga de uma peguete do William. Estava mais do que na hora de partir para o tudo ou nada. Percebi que ele bebia sozinho na varanda e me aproximei.

- Fugindo de mim? – ataquei com uma voz doce.

- Oi, gata! – respondeu ele colocando os braços sobre os meus ombros. – Eu? Jamais. Por que eu fugiria de você?

- Não me procurou mais. Disse que ia me ligar e nada... tá tudo bem?

- Está tudo ótimo. É que eu estou com umas pendências aí... – coçou a cabeça.

- Sua mãe adoeceu de novo?

William me olhou sem graça e logo baixou os olhos.

- Pode ser sincero, vai. Fala, eu estou preparada. Não quer mais ficar comigo, é isso? Enjoou de me comer? – era o álcool falando mais alto. – Tem outra na parada?

- Diana... – puxou meus braços e me olhou profundamente nos olhos – Não é nada disso. Você é espetacular. Eu jamais enjoaria de você. O problema sou eu. Eu não estou preparado para assumir o que você quer agora... agora não dá para mim... se quiser um lance informal, como a gente tava levando... tudo bem... mas eu não sou o cara para você, entende?

Ele estava sendo sincero de verdade? Agarrei ele e o beijei na varanda. O beijo já não era o mesmo.

- Já sei. É a regra do jogo. Eu me rendo. Tudo bem. Um lance informal? É isso que você quer?

- É o que dá para ser... topa?

- Acho que não vale a pena. Deixa quieto, gato. – virei as costas com cara de durona e fiz o teste da regra do jogo.

Cruzei a sala disfarçadamente, peguei minha bolsa e saí sem que as meninas percebessem. Chamei o elevador e, quando a porta já ia se fechar, ouvi uma voz. Era William que chegava desesperado.

- Retiro tudo que eu falei.

A porta do elevador se fechou e ele me deu um daqueles beijos de tirar o fôlego, me empurrou contra a parede e nos atracamos no elevador. Não é que essa tal de regra do jogo tinha funcionado mesmo?! Se eu tivesse entendido isso mais rápido, não tinha sofrido tanto. Do elevador seguimos para a casa dele e, daí, o final você já sabe.
Confesso que ele não é o meu ‘algo mais’, mas é o que tem para hoje. E, se com ele tem que ser assim, custa nada arriscar.

PAPO DE CALCINHA: VOCÊ CONCORDA COM ESSA REGRA DO JOGO? ACHA QUE ELA REALMENTE EXISTE? JÁ FEZ O TESTE? PARA OS HOMENS: É ASSIM MESMO QUE FUNCIONA? QUANTO MAIS DIFÍCIL MELHOR?

segunda-feira, janeiro 14, 2013

ALGO MAIS...

POR LETÍCIA VIDICA


- Posso saber qual o motivo da comemoração? – perguntei ao William, depois de abrir a porta do meu apartamento e flagrá-lo com uma garrafa de vinho e duas taças nas mãos, me olhando com olhos gulosos de cima a baixo e com sorrisinho malicioso.

- Deixa eu entrar e você vai descobrir! – disse ele jogando aquele corpo maravilhoso para cima de mim, me empurrando da porta ao sofá. Nem tive tempo de fechar a porta.
Aquele beijo sufocante me deixou tonta.

- Eita! Calma, calma...- eu disse depois de conseguir me desvencilhar daquele corpo e levantando do sofá para fechar a porta – Não quero ser tema da próxima reunião de condomínio! Falando nisso, vou ligar lá na portaria para brigar como seu Zé. Que história é essa de você ir subindo sem ser anunciado? Tá pagando quanto para ele? – perguntei parada na porta com as mãos nas cadeiras e olhando aquele corpo todo gostoso esparramado no meu sofá.

- Melhor não fazer isso! Fui obrigado a amarrar o seu Zé na casa de máquinas. – dizia William pegando na minha cintura, me puxando contra o peito dele e beijando minha nuca.

- Então, a situação é pior? Vou ser obrigada a chamar a polícia!! – eu dizia já amolecendo naqueles braços.

- Amanhã cedo, você faz o que quiser. Mas essa noite eu vou te sequestrar.

Não tive tempo de fugir daquele sequestro. Quando dei por mim, já estava prensada no meu sofá com as mãos dele tirando a minha velha camiseta que costumo chamar de meu melhor pijama e puxando a minha calcinha. Ele me deixa tão tonta que eu tinha até me esquecido que aquela era mais uma das noites que eu iria dormir com minha camiseta velha de guerra para noites de bons sonhos.

- Agora já podemos brindar. Quer gelo? – William saía de cima de mim depois de completar o seu ‘serviço’ me deixando enterrada, pelada, suada, acabada, mas feliz no meu sofá.

- Melhor você ir para casa. Estou cansada! – eu dizia retomando a minha consciência.

- Já estou em casa, baby! Você não entendeu. Vou ficar aqui até amanhã. Eu te sequestrei. Estou no comando! - ria ele me oferecendo uma taça com vinhos.

- Você não cansa não? – perguntei, tentando me recompor.

- De você?! Jamais...sempre quero mais...mais? – ele beliscava meus lábios.

- Muita calma nessa hora! Eu ainda não esqueci da história sobre a sua mãe doente...falando nisso, como ela está? – perguntei e me desvencilhei daqueles lábios antes de cair novamente em tentação.

- Está ótima! Na mesma...

- Assume então que a sua mãezinha não está doente, nunca foi e vive muito melhor do que eu e você juntos no sol do Rio de Janeiro? Vai continuar bancando esse drama até quando? Se a sua meta era apenas sair comigo e dormir comigo, você já conseguiu. Não precisa mais manter a farsa!

- Uau! Já te disse que esse seu jeito mandona e bravinha me excita? – dizia ele tentando se aproximar de mim – Se acha que eu estou mentindo, então, eu estou mentindo.

- A Lili me contou tudo... – cruzei os braços.

- Desculpe, mas a sua amiga não consegue nem ao menos saber onde o Luis Otávio está e vai querer saber mais da minha família do que a mim mesmo?! Vai mais vinho aí?
Como eu odiava isso! Mistério, sempre mistério. Ele sempre fugia dos assuntos e nunca respondia algo que eu perguntasse com clareza. Era sempre mistério no ar. E, por mais que isso me irritasse, também dava mais tempero à nossa relação. Tempero que apimentou aquela noite de sábado, que seria pacata até ele chegar. Foi a noite toda de lerê. Do sofá, dando uma passadinha na cozinha, no banheiro até terminar acabada na minha cama.

***

Achei que era um sonho, mas a minha campainha estava realmente tocando. Me enrolei nos lençóis ainda sonolenta, deixei William capotado na cama e fui atender. Quem seria agora? Mais um que não se anuncia? Espero que não seja uma pegadinha do destino.

- Ixi, chegamos na hora errada? – era Betina que me analisava dos pés a cabeça e já supondo o que tinha acontecido.

- Oi, meninas! – cocei os olhos para acordar melhor – Aconteceu alguma coisa?

- Pelo jeito, a noite foi tão boa que você esqueceu que a gente tinha combinado de correr no parque né?

Realmente, eu tinha esquecido o compromisso com as meninas. E, antes que eu me desculpasse do meu esquecimento, fui abraçada por William que chegou sorrateiramente atrás de mim.

- Bom dia, meninas! Vieram resgatar a minha gata? Desculpem, mas não abro mão. Ela é todinha minha... – dizia ele beijando a minha nuca e me fazendo sentir que alguém também já estava acordadinho.

- Oiiiii, William!!! – dizia Lili com sorrisinho malicioso na cara – Noite foi boa?

- Olha, bofe. Sei que não podemos competir com o seu corpinho ... – dizia Betina analisando a silhueta tentadora dela - ... mas a gente vai resgatar a Diana sim!!! Tempo encerrado.

- Perdeu, playboy! Betina falou, tá falado. Não gosto de desobedecer ela. Hora de ir para casa. – eu dizia para ele fazendo biquinho.

Aquele resgate tinha chegado em boa hora. Acho que desfaleceria se passasse mais uma tarde intensa daquela com aquele homem. Que pique!!!

- Pelo visto, as coisas andam fluindo muito e bem com você né, nega? – perguntava Lili enquanto fazíamos uma parada no banco do parque para um descanso.

- Bem até demais, Lili! O Will continua misterioso... até agora não esclareci a historia da mãe doente...

- Deixa isso para lá, Diana. É arrumar sarna para se coçar. Finge que acredita e aproveita do corpinho. Não é toda hora que se tem um amigo colorido como esse...

- Num sei... to me sentindo meio usada sabe? Às vezes, eu acho que sou a extensão da minha vagina. Ele só quer me comer...

- Tem coisa melhor do que isso? – exclamava Lili.

- Eu quero algo mais! Me sinto uma boneca inflável, não tenho escolha e é sempre ele que dá a última palavra. Não tem conversa.

- Você não sabe o que quer , isso sim. Até ontem chorava pelos cantos porque não tinha ninguém. Agora, arrumou um Deus tarado de ébano e reclama porque ele te deseja demais?!

- Não é isso, Betina. O sexo é maravilhoso e tal, mas é só isso. A gente mal conversa. Quando se encontra parece que dá choque e nos atracamos. To sentindo falta de algo mais...

- E você acha que ele quer algo mais com você? – perguntava Lili.

Aquela era mais um tipo de pergunta que eu não saberia responder. Estava louca para perguntar a ele, mas faltava a coragem. Passei o resto do dia tentando achar uma resposta, mas resolvi deixar isso um pouco de lado e aproveitar a noite que chegava ao lado das meninas.

Depois de muito tempo, sairíamos só as garotas para mais uma nova baladinha vip patrocinada por algum amigo playboy da Lili. E a noite prometia: o ritmo seria a salsa.

O mesmo de sempre: fila na porta, a gente passando na frente com a pulseirinha vip, uns olhares trocados no caminho, aquela conferida básica no banheiro e um pit stop no bar para pedir uma tequila.

Enquanto eu terminava de fazer o meu pedido, fui abraçada por dois braços fortes pela cintura e por um corpo que me prensava contra o bar.

- Ahá! Achou que ia se ver livre de mim? – era o William que me flagrara. Fiquei numa mistura de raiva por ele ter ido atrás de mim, afinal aquela era uma noite que eu queria curtir entre amigas; mas também orgulhosa por ele ter ido atrás, entendeu?

- Nossa! Implantou um chip em mim? – me virei e perguntei a ele.

- Eu sinto o seu cheiro.- dizia ele fungando na minha nuca. – Bora bailar?

- Pode ir... as meninas estão me esperando. – olhei para o lado e vi que a Lili já estava atracada com alguém na pista e a Betina me dava uma piscadinha como quem libera o meu caminho.

Não tive escolha. Engoli a tequila e cai na pista com o William. Aquela música envolvente, aquele homem maravilhoso era a soma perfeita para mais um clima surgir. Mas, no fundo de mim, eu não queria terminar mais uma noite na cama com ele. Mais uma vez, fazendo o que ele queria.

- Eu quero você! Aqui e agora! – ele dizia enquanto me beijava no sofá do camarote.

- Não dá, William! – eu tentava me desvencilhar.

- Por que não dá?! O perigo é sempre bom...

- O perigo é maravilhoso sim... o problema é que é só isso que você quer... sempre na hora que você quer... parece que você só quer me comer!!! – pronto, falei. Em hora e local errado, mas saiu.

- E ter tesão por você é um problema tão grande assim? Que eu saiba o que um não quer, dois não fazem.

- É ótimo que você me deseje. Mas me sinto uma boneca inflável.

- Diana, você tá confundindo as coisas. Não queira criar caso agora... eu que não estou entendendo. – dizia ele se afastando de mim. – Olha, se tá ruim para você, eu caio fora.

- NÃO, não é isso!!! – eu gritava retomando a minha consciência. O que eu estava fazendo? Colocando tudo a perder mais uma vez?

- E o que é então? – dizia ele olhando nos meu olhos.

- É que eu queria... queria...algo... mais... queria ter a certeza que você me quer além do sexo.

William ficou me olhando como quem encontra um ET. Fez aquele silêncio crucial que só os homens fazem. Antes que ele respondesse, Lili chegou bem louca no camarote, gritando e me puxando pelo braço para ir dançar na pista.

- Vamos, Di. Deixa o bonitão aí! A noite é nossa!

- Já vou, Lili. – eu dizia olhando para o William esperando a resposta.

- Vai nessa!!! A noite é de vocês mesmo. Eu não tinha nada o que fazer aqui... – virou as costas e desceu as escadas.

A música estava tão alta que meus gritos foram em vão para que ele voltasse. Desci as escadas puxada pela Lili, mas perdi ele na multidão. Ai, meu Deus, o que eu fiz? Mais uma vez, coloquei os pés pelas mãos? Eu só queria algo mais, mas será que é isso que ele quer também?



PAPO DE CALCINHA: VOCÊ ACHA QUE A DIANA DEVE INVESTIR EM ALGO MAIS? JÁ PASSOU POR ALGUMA SITUAÇÃO PARECIDA?