sábado, outubro 25, 2008

SAINDO DA FOSSA

Letícia Vidica

´Trim, trim´
- Oi, Di, tudo bem?
- Oi, Betina! Nossa, estava pensando em vocês agorinha mesmo...olhei no meu calendário e lembrei que a gente não marca uma boteco encontro há muito tempo né?
- Nem me fale...liguei também para saber se você tem notícias da Lili? Faz mais de um mês que ela não dá um sinal de vida.
- Isso está me cheirando uma coisa...

Toda vez que a Lili tomava um chá de sumiço era por causa de alguma desilusão amorosa. Nossa amiga tem a mania de se trancar em casa e achar que mundo acabou. Só porque ela não tem um homem ou porque terminou um relacionamento. E o script é sempre o mesmo: ela some, a gente sente falta e a gente a procura.

Foi o que fizemos naquela tarde de sábado ensolarada. Eu e Betina seguimos para casa dela na missa "Resgate Lili".

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´Toc, toc, toc´
- Abre a porta, Lili. A gente sabe que você está aí. Não adianta se esconder.

Depois de várias e insistentes batidas, ela abriu. Estava de pijama amarelo (não soube distinguir se era a cor natural dele ou se era por falta de banho mesmo). A casa dela estava um horror. Caixas de chocolate e pizza espalhadas pelo chão, louças e mais louças empilhadas na pia. Sem contar a aparência de dragão dela...

- Por um acaso o mundo acabou aqui e eu não estou sabendo?
- Ai, Betina, se vocês vieram aqui para me crucificar, podem saindo...
- E deixr você morrer trancada nesse apartamento fedido e bagunçado? Pode ir parando, Lili...vamos tomar um banho, arrumar essa zona e você vai contar pra gente o que aconteceu.

Empurrando Lili, eu consegui convencê-la a tomar um banho. Enquanto isso, a nêga Dita baixou em nós e deixamos o apartamento limpo e perfumado de novo. Perfumada também ficou a Lili depois do banho.

- Pode ir desembuchando - disse Betina - por quê é que você desapareceu.
- O Otávio.
- O que foi que aquele pilantra aprontou dessa vez?
- A gente terminou...
- Novidade né? - ironizou Betina - e quando é que vocês voltam?
- Agora é sério, Bê. A gente não volta mais. E quem terminou fui eu.
- O quê?!

Eu e a Betina desacreditamos do ato de coragem da Lili. Ela namorava o Otávio há mais de 3 anos. Um namoro bem conturbado, mas um namoro. Toda semana, eles brigavam, terminavam e voltavam. Mesmo sabendo de todas as mentiras e traições dele, ela sempre perdoava em nome do amor que dizia sentir por ele.

- Não dá mais. Eu caí na real que o Otávio não é homem para mim. Pra variar, eu o peguei com outra. Todo mundo sabia que ele tinha outra mulher e eu fazendo papel de trouxa?! Chega! Cansei de ser a idiota, a pacata, a boazinha, a que sempre perdoa tudo...eu não preciso disso. Eu não quero isso...mas dói e tá sendo difícil...

- Amiga! Tô boquiaberta com sua reação. Nunca acreditei que você seria capaz de dar um pé na bunda daquele cara.

- É, Di, como eu disso, fácil não foi. Mas chega uma hora que a gente tem que se amar em primeiro lugar.

- Eu tenho que confessar que nunca morri de amores pelo Otávio, mas voce dizia que o amava né? A gente respeita. Afinal somos amigas.

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Ouvindo a história da Lili me lembrei do quanto é difícil tomar uma decisão radical na vida, ainda mais quando envolve o coração.
Namorei um cara por muito tempo, um dos meus primeiros namorados. Morria de amores por ele e achava que o mundo ia acabar se não ficássemos juntos.

Um belo dia, me enchi das suas mentiras, do seu ciúme doentio, da sua falta de atenção comigo e dei um BASTA. Foi duro no começo, me senti perdida, sozinha, frustrada em muitos momentos. Mas vi que o mundo não acabou e que eu estava me fortalecendo a cada dia, a cada novo encontro comigo mesmo. Comecei a perceber que eu tinha esquecido de mim esses anos todos. Não sabia nada sobre mim. A separação me ajudou a conhecer uma pessoa maravilhosa: EU MESMA.

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- E agora, Lili, o que você vai fazer?
- Não sei ainda, Betina. É tudo muito novo para mim. Até uns dias minha vida girava em torno do mundo do Otávio.
- Nós sabemos muito bem o que você vai fazer... - eu disse
- Você vai viver. A vida é bela, o mundo é imenso e tem um mar de gente bacana que merece conhecer a pessoa maravilhosa que você é...É só se mostrar e brilhar...
- Ai, amigas, o que seria de mim sem vocês hein?

Nos abraçamos e saímos para apresentar o mundo a Lili. Afinal, ela tinha que sair daquela fossa.

quarta-feira, agosto 20, 2008

AMIGO COLORIDO


por Letícia Vidica


- E ai, Di!
- Oi!
- Nossa, que ânimo! Tá fazendo o quê de interessante...
- Se para você lamber uma panela de brigadeiro assistindo a novela das oito for interessante, é isso que eu estou fazendo, Betina.
- Já vi que ta precisando de um ombro amigo...
- Se esse fosse o meu problema ainda ia...tô precisando de muito mais do que isso... preciso desesperadamente de um corpo amigo...
- Ih, já vi tudo. Mas não sei o que você está esperando...liga para o Edu.
- Ah, Bê...eu prometi para mim mesma que eu não ia mais apelar para o Edu...eu quero um homem que me ame de verdade e não um boneco inflável...
- Mas, amiga, pelo seu desespero e a essa altura da noite, o único gato malhado que vai atender o seu pedido imediatamente é o Edu. Bem, se desistir da idéia, me liga que a gente pode sair para comer alguma coisa.
- Tá bom...beijos amiga.

Desliguei o telefone pior do que eu atendi. Era difícil para mim assumir mais uma vez que eu ia ter que apelar para o Edu. O quê? Quem é o Edu? Ah, tá, eu explico. O Edu é o meu amigo colorido, pau pra toda obra, cama, mesa e banho. A gente se conheceu através de uma amiga minha do trabalho. Ficamos algumas vezes, mas nunca tivemos nada sério. O problema é que, apesar do meu coração não pulsar por ele, o meu corpo se acende todo quando vê o corpo dele. É um negócio de pele, entende?

E toda vez que eu estava subindo paredes e matando canil a gritos, o Edu foi o meu salvador da pátria. Assim como eu sei que sou a dele, mas prefiro acreditar que ele me liga porque sentiu saudades (coisas de mulher!).


Sábado à noite. Nada para fazer. Nenhuma ligação, nenhuma mensagem na caixa postal, nenhum SMS,nenhum scrap e minha agenda de homens completamente desatualizada.

Eu não queria apelar para o Edu, me controlei o máximo que pude. Mas o calor era demais. Talvez se eu fosse dar uma volta na rua, passaria. Resolvi então ir até a padaria para comprar um sorvete, talvez um Kibon ia me refrescar....
...Dez Kibons depois e tudo continuava como antes ou até pior. O telefone parecia gritar para mim “Liga pro Edu! Liga pro Edu!”. A pressão era tanta que eu inconscientemente peguei o telefone e disquei os oito números. Tum, Tum, Tum, Tum... sua mensagem está sendo encaminhada para caixa postal...

Que bosta! Demorei demais, a essa hora Edu já devia ter arrumado companhia. Tola eu pensar que ele estaria a minha disposição. Poxa, sem o Edu, o que me resta?! Dormir? Gritar? Me jogar da janela? Ligar para a Betina?... Trim...

- Alô, Diana? ... Oi, gata! A que devo a honra da sua ligação?
- Edu? Oi! – Só podia ser um sonho, Deus ouviu minhas preces
- Nossa mal acreditei quando vi a sua ligação perdida. Então, pensei, não posso deixar a gatinha na mão – O Edu era um tremendo xavequeiro, mas tinha uma pegada inexplicável.
- Liguei para saber o que você estava fazendo, mas tenho certeza que você já tem compromisso para essa noite...
- Tenho sim... com você... a que horas posso passar para te pegar?

Meia-hora depois eu estava pronta, cheirosa, vestida para matar, de lingerie nova e com uma ansiedade de pré-adolescente prestes a perder a virgindade.


O Edu me pegou pontualmente e nós fomos a um bar que ele quis que eu conhecesse. Por mim, nós iríamos direto pro motel, mas eu não podia deixar transparecer a minha ansiedade.

- Nossa você arrasou hoje, hein? Desse jeito, não há quem agüente.
- Que isso, Edu... eu estou tão simples... – Ninguém poderia estar simples com um vestido colado e um decote ‘olhe para os meus peitos, pelo amor de Deus’. Confesso que a minha roupa não negava a minha intenção.
- O que houve que você sumiu... nunca mais me ligou...
- Estava trabalhando demais...
- E sem tempo para os amigos? Ou será que alguém laçou o seu coração?
- Antes fosse... estou livre, leve e solta...
- Mas deve ter uma fila de pretendentes né?

Ficamos no bar ate o meio da madrugada, jogando conversa fora e bebendo muito.

- Você sabe que eu adoro sair com você né? As noites são sempre tão divertidas e acabam melhor ainda.

Edu me agarrou no estacionamento, o clima esquentou e eu acabei suada e jogada numa cama redonda. Foi uma noite maravilhosa, como todas com o Edu.

Cheguei em casa com o sol queimando minha cabeça. E o melhor de tudo, era que não rolava cobrança, nem marcações de próximos encontros, nada disso... Eu sabia muito bem qual seria o motivo da próxima ligação dele e ele da minha. Mas a gente era assim, amigos eternamente coloridos.


Três horas da tarde de domingo....

- Dormindo a essa hora?
- Ai, gente, entra...
- Pode me contando tudinho, essa cara não nega, viu? – perguntava Lili
- Isso não é cara de quem passou a noite sozinha não...
- Já que vocês me acordaram né? Eu sai com o Edu ontem.
- O boneco inflável?
- Não fala assim, Lili....
- Nada mais do que a verdade ou o Edu é o quê para você?
- Eu confesso que não queria mais ligar para ele, mas era caso de vida ou morte. Mas eu juro que eu não ligo mais...
- Ih, essa história eu conheço viu, Dona Diana?

O pior é que minhas amigas estavam certas. Se até a próxima crise da loba, eu não arranjasse um namorado, o Edu seria a minha única salvação. Ai, cupido, tenha piedade de mim, tá?


Papo de Calcinha: Você tem algum(a) amigo(a) colorido(a)?

sábado, julho 26, 2008

CRISE DE IDENTIDADE


Por Letícia Vidica

- Tem gente que vai ficar mais velha amanhã...

- E isso é bom? – perguntava Betina com a amargura rotineira do dia anterior ao seu aniversário.

- Claro que é, Betina!

- Só se for para você que ainda desfruta da casa dos vinte porque para mim, a um dia dos 30 anos, isso é um peso!

Betina estava vivendo mais uma daquelas fases críticas do universo feminino. Ela estava passando pela crise dos 30. Há uma semana, minha amiga resolveu se enfurnar no seu apartamento e não sair mais. E lá estávamos eu e a Lili tentando convencê-la a pelo menos apagar as velinhas no dia seguinte.

- Ai, Betina, que deprê! Também não é pra tanto.

- Não adianta, Lili, vocês não me entendem! Ninguém me entende. Amanhã eu completo três, três décadas de vida e o que eu fiz da minha vida? Sou uma super executiva? Não. Casei com um homem rico? Não. Tenho um homem? Não. O que eu consegui da minha vida?!

Betina desandou a chorar. E nós tentamos todas as cartadas para animá-la até que desistimos, ou melhor, compreendemos que ela tinha o direito a passar por essas crises e por esse momento.

*****

- E aí tá melhor, Bê?

Com muito custo, conseguimos levar a Betina para bebemorar no bar do Pedrão a sua saúde.

- O que seria de mim se não fossem vocês?

- Ih...já vi tudo. Três copos de cerveja e começa a sessão melancolia. – dizia Lili já acostumada com a deprê de bêbado da Betina, ainda mais no dia do seu aniversário.

- É sério gente. Se eu não tivesse vocês, o que eu estaria fazendo hoje? Ninguém me ligou...nenhum flor, nenhuma telemensagem. A única carta que eu recebi foi uma conta atrasada!!!

Mais uma vez, Betina desandou a chorar e a dizer o quanto nos amava e o quanto a vida dela estava uma bosta. Resultado: 5 horas da manhã eu tinha como espetáculo a Betina vomitando no banheiro do meu apê.

***

Apesar de ter sido um porre aturar a minha amiga choramingando no dia do seu aniversário, aquilo tudo me fez refletir sobre a minha vida e sobre os meus objetivos.

Eu estava há 3 anos à beira dos trinta anos e também não havia cumprindo nem um quarto de tudo que eu planejei aos 15 anos. Será que eu ia conseguir cumprir em três anos? Eu tinha poucos dias para me tornar uma publicitária bem sucedida, ter um homem com H do meu lado, ficar sem dívidas, dar a volta ao mundo, falar 3 línguas, me casar e ser feliz para sempre... Será que o tempo seria suficiente para cumprir tudo isso? Será que eu serei a eterna solteirona, mal amada e sem filhos?

Nesses momentos de deprê, só uma pessoa podia me ajudar: minha mãe. Recorri ao seu colinho maternal para chorar minhas pitangas.

- O seu mal minha filha é que você sonha demais. Viva, dê tempo ao tempo. Deixe o tempo fazer as mudanças na sua vida e não queira você mudar o tempo.

- Mas são só três anos para isso, mãe? E se eu não conseguir?

- Será que você vai ser menos feliz por isso? Será que ter tudo isso de uma vez vai te deixar feliz?

As conversas com a minha mãe sempre terminavam com uma interrogação que ficava martelando a minha consciência por um longo tempo. E aquela foi mais dessas interrogações. E que eu ainda não consegui responder.

****

Não só eu e a Betina passávamos por algumas crises, como a Lili também. E a dela foi financeira. Lili era secretária de uma multinacional. Achava que seu emprego era vitalício, só porque já tinha dado umas voltinhas com o chefe. Mas tudo que é bom dura pouco...

- Ai, Diiiii – foi o que Lili conseguiu dizer aos prantos na porta do meu apartamento. Pedi que ela entrasse, se acalmasse e me contasse o que estava acontecendo.

- Eu, e-eeu f-fui mandada embora. Aquele canalha me escurraçou de lá e agora?

- Calma! Agora é olhar pra frente e seguir, minha amiga. Você tem potencial para coisa melhor.

- O pior é que eu to com o aluguel atrasado há 3 meses e vou ser despejada na semana que vem. O que eu faço?

- Se não se importar, posso dividir a minha cama com você.

- Ai, amiga, você me aceitaria?! ... Poxa, o que vale se matar por uma empresa, vestir a tal da camisa e levar um pontapé na manhã seguinte?! Eu estudei, me formei, fiz pós, fiz curso de línguas, me especializei para ser trocada por uma ‘estagiária’ e humilhada? De que adiantou tanto estudo?!

Estávamos na maior crise de identidade! Cada uma com a sua, mas unidas por uma crise que como todas as outras são passageiras. Elas vêm de uma forma que você não pode controlar, você se afoga nela, acha que não tem solução e quando menos espera até esqueceu que ela passou. Esse é o nosso mundo, o nosso universo.

O que seria de nós , mulheres, sem as crises? São elas que nos ajudam a achar a resposta certa nem que seja no momento errado: A Betina saiu da sua deprê quando descobriu como a maturidade dos 30 anos poderia ajudá-la a conquistar o que queria. Eu resolvi parar de me questionar e deixar tempo conspirar ao meu favor e a Lili aprendeu a ir a luta, coisa que ela não estava muito acostumada.

Agora eu aguardo o próximo Tsunami que vai chegar já, já. Só espero que eu não seja a vítima principal!

PAPO DE CALCINHA: Qual foi a sua pior crise de identidade?

quinta-feira, junho 19, 2008

AS MENTIRAS QUE OS HOMENS CONTAM


Por Letícia Vidica

A gente bem que tenta, mas eles sempre inventam uma desculpinha nova. Quando a gente acha que já está vacinada a todos os tipos de desculpas típicas dos homens, eles fazem um novo MBA e mandam uma nova, que você só percebe que é mentira muuuuito tempo depois.

Eu já caí em muitas desculpas típicas, do tipo: ´Você é a mulher da minha vida´, ´Juro que vou te ligar amanhã´, ´Ninguém nunca me deixou assim´, ´Eu não tenho namorada ou eu não sou casado´, dentre tantas outras que eu passaria séculos aqui contando.

Cansei de ficar com cara de besta, fula da vida, me empanturrando de doces e engordando só porque um filho da mãe inventou mais uma desculpa para mim. Por isso, resolvi dividir a minha angústia com você, cara leitora, e contar algumas das desculpinhas que eu (estúpida!) já caí.

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O Murilo era o rei das mentiras e o pior é que eu caía em todas. Por mais alertada e esperta - que eu achava que era - ele sempre conseguia inventar uma nova. Pior ainda é quando eu descobria a mentira e ele inventava outra para justificá-la e eu caía também.

A gente se conheceu através de um amigo em comum e logo de cara ele já me mandou uma típica. Implorou o meu telefone,o meu email, o meu MSN, meu celular, meu perfil no Orkut e jurou por todos os santos que me ligaria assim que o sol raiasse. E eu? Nem dormi a noite toda e o resto dos 3 meses seguintes esperando ele ligar.

Quando eu já estava desistindo de esperar, ele me ligou. Como se nada tivesse acontecido e como se aqueles 3 meses de longa espera não existissem. Quando ouvi a sua voz no telefone a minha vontade era de entrar pelo fio e trucidá-lo, mas mais uma vez ele me enganou e eu aceitei o convite para jantar.

Ele sempre ficava de marcar os encontros e cada hora era um compromisso diferente. Quando eu convidava, também nunca rolava. Até que eu cansei disso e resolvi acabar o que nem existia. Ele jurou de pés juntos que me adorava, que não queria me perder e que queria continuar. Dei mais uma chance, mas... me dei mal. Descobri que o cara tinha duas namoradas (fixas!) e fazia o maior jogo de cintura para administrar as duas e queria me enfiar no meio desse triângulo amoroso... caí fora - já machucada, iludida e mais uma vez enganada.

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Depois dele, muitos outros passaram pela minha vida e jogaram os mesmos xavecos. Uns menos habilidosos na arte de mentir, eu conseguia perceber e cair fora. Quando não estava muito interessada, fingia que caía. Mas sempre tem um que se dá melhor na arte de mentir e aparece na sua vida.

O melhor lugar para dividir a minha fúria e contar sobre as mentiras que eu caí era às sextas-feiras no bar do Pedrão. Junto com as minhas amigas - que também caíam na rede da mentira - eu me consolava.

- E o Juca, Betina?
- Nem me fale daquele desgraçado, Diana.
- Ué, mas o cara não era o máximo e blablablá?
- Era, mas acredita que ele tem um filho e não me falou nada?
- Jura?! Mas qual o problema de ter um filho.
- Nenhum se ele ainda não morasse com a ex mulher. O cara queria era um teto para morar. Descobri que ele tá se separando da ex e como não tinha onde cair morto, resolveu me seduzir e acampar na minha casa.
- Homem é tudo igual né? Acredita que o Luís Otávio me ligou ontem à noite cancelando o nosso encontro porque estava com dor de cabeça. Eu, idiota, acreditei e não é que ele foi pra balada?
- E como vocês descobriu, Li?
- Ah, eu não queria ficar em casa, Bê, e resolvi ir dar uma volta. Flagrei o desgraçado saindo do prédio dele todo perfumadinho. Ainda teve a cara de pau de dizer que estava indo na farmácia? De camisa engomada e perfume novo?!
- Ai, amigas, não tem jeito, por mais que a gente tente e ache que estamos vacinada contra essas mentiras sempre vem mais uma.
- O nosso mal, Di, é se deixar levar. A gente é muito boba. Se apaixona de cara e depois sempre quebra a cara.

Passamos a noite toda a contar as mentiras que nós já tínhamos caído. Era bom porque todo o ódio que a gente sentia daqueles mentirosos de plantão ia embora naquele instante.

O problema é que a gente podia cair em mais uma a qualquer instante.

Papo de Calcinha: E, você, em quais e quantas mentiras já caiu?

sexta-feira, junho 06, 2008

O DIA DOS DESENCANTADOS


Por Letícia Vidica

Eu odeio o Dia dos Namorados! Odeio mais ainda quando estou solteira. Parece que os outdoors, as propagandas, as flores tudo berra aos quatro cantos ininterruptamente “Você está solteira!!! Hahahahaha”. Me sinto totalmente depressiva quando essa data se aproxima.

Às vezes, até que tento esquecer e agir normalmente, mas é pior. E mais uma dessas datas estava se aproximando.

No meu trabalho, as meninas não paravam de pedir sugestões umas as outras do tipo de presente que poderiam dar, qual o melhor restaurante para jantar, que lingerie é mais sexy... é tudo tão irritante que eu logo fico de mau-humor. E elas, como quase sempre sabem que eu sou do clube das solteiras, fazem questão de me excluir da conversa. Porém, por mais que eu queira, a internet e o meu e-mail me bombardeam de notícias, promoções e dicas de presentes para o tal dia dos apaixonados.

18h. Fim do expediente. 12 de junho de um ano qualquer.

- Ué, Di... não vai embora? - perguntava Sabrina, uma das minhas colegas de trabalho.

-Ah...eu tenho que terminar um relatório...já vou!!! E você?

- Ai, estou atrasadíssima... O Du ficou de passar lá em casa para me levar para jantar e depois...ah você sabe né?

E como eu sabia. O Du e a Sabrina teriam uma longa noite de amor feliz, que nem as horas que eles passariam no congestionamento na porta do motel seria capaz de desanimar.

- Feliz Dia dos Namorados! - eu disse morrendo de inveja da felicidade e da companhia que a Sabrina teria naquela noite.

E eu?! Sozinha naquele escritório. Na verdade, eu não tinha relatório nenhum para entregar. Eu só queria um momento de paz e não ter que encarar todos os casais apaixonados que eu encontraria pela minha frente. Talvez fosse melhor acampar no escritório, dormir por aqui e fingir que hoje era apenas mais um dia normal...

... impossível! O pensamento de que eu poderia ser uma dessas apaixonadas nessa noite me cortava o coração. Por quê Deus era tão cruel comigo? Pelo menos alguém pudesse me ligar... E me ligou, mas era somente a Betina.

- Oi, Be.

- Nossa, que ânimo é esse?

- E tem algum motivo para festejar hoje?

- Ih, já sei... mais uma deprê de dia dos namorados, acertei?

- Na mosca!

- Te liguei para gente sair e tomar um cerveja. Espairecer um pouco. Te encontro lá no Pedrão,ok?

Se pior estava sozinha na agência, jogar uma conversa fora não seria tão ruim.


Mas o meu drama estava apenas começando. Levei uma hora e meia para chegar no bar do Pedrão. Havia esquecido que hoje era o dia do congestionamento dos apaixonados. Ninguém fazia hora extra naquela noite e todos saíam com os hormônios à flor da pele para o trânsito. Tudo bem, senão fosse ao mesmo tempo.

Tentei ouvir uma música para relaxar e me desestressar do trânsito. Erro número dois: todas as rádios só tocavam músicas de corno apaixonado e os locutores não paravam de dizer que hoje era o dia dos namorados e as ouvintes não paravam de ligar desejando músicas lindas aos seus namorados. Poxa, que injustiça com os solteiros. Ou será que eu era a única naquela noite?!


Ao chegar no bar do Pedrão, o estacionamento estava lotado. Tive que parar na rua. A Betina já me esperava na porta do bar.


- Tá lotado, Di. Uma hora e meia de espera.

- É castigo demais.

- E aí esperamos ou vamos para outro bar?

Resolvemos andar pela rua para achar algum bar mais próximo e que estivesse vazio. Mas foi em vão. Estavam todos lotados de casais apaixonados que pareciam ter grudado a bunda da cadeira e esquecido da vida. Três voltas no quarteirão depois e muitos esbarrões em casais cegos e apaixonados, estávamos de volta ao bar do Pedrão.

Ficamos mais uma hora na espera e nenhuma alma caridosa levantava da mesa. Parecia que ninguém tinha mais nada da vida para fazer e olha que era apenas uma quarta-feira.

Se não bastasse a minha impaciência, ouvi uma voz masculina me chamando. Logo achei que Deus havia me enviado um príncipe para curar minha tristeza, mas era ...

- Pedro?!

- Oi, Diana, tudo bem?

O Pedro era um dos meus rolinhos antigos e um promissor candidato a namorado, se ele não estivesse acompanhado.

- Essa aqui é a Adriana, minha namorada.

Morena, linda e acompanhada da minha promessa de namorado. Nos despedimos e eles foram embora encarar o congestionamento dos motéis.

- Chega, vamos embora!

- Mas agora que esvaziou uma mesa, Di

- Eu não fico aqui nem mais um minuto, Betina. Já olhou à sua volta? Esse bar tá infestado de casais. Se a gente sentar aí, é capaz de acharem que somos um casal de lésbicas. Além do mais, ver o gato do Pedro acompanhado acabou com o meu astral.

Ainda bem que a Betina era minha amiga e não se encanava com essas coisas. Saímos do bar, pegamos mais algum tempo de congestionamento...

- To me sentindo uma extraterrestre hoje. Parece que eu sou a única pessoa da face da terra incapaz de arrumar um namorado. Eu tenho algum problema, Betina? Até a Lili arranjou companhia para hoje...

- Pára de se estressar com isso. Eu to muito bem sozinha.

- Claro... ter um namorado nunca foi o seu plano de vida.

- E não deveria ser o seu também...

- Porra, olha para onde anda seu cego - mais um apaixonado beijava a apaixonada enquanto virava o carro e quase batia no meu. Tudo para encarar o tráfego da porta do motel.

- Que tal um vinho?

- E tem outra saída.

Acabamos parando o carro num posto de gasolina, compramos uma garrafa de vinho barato e ficamos conversando encostadas no capô. Depois de umas goladas, já estava quase me esquecendo que dia era aquele. Eu e a Betina começamos a falar um monte de bobagens, a lembrar das nossas loucuras e a brindarmos o quanto éramos felizes sozinhas...

- Viva a solteirice!! Eeeee - gritou a Betina no posto

- Eeeeee

Logo, os solteiros de plantão que se embriagavam para esquecer a solteirice se juntaram a nós. Terminamos a noite ali, bêbadas e rodeada de solteiros. Final feliz para uma noite estressante, mas eu tinha apenas 365 dias para arrumar um namorado e garantir que o meu stress do dia 12 não se repetisse.

Papo de Calcinha: Qual foi o pior ou o melhor dia dos namorados da sua vida?

quinta-feira, maio 29, 2008

A TERCEIRA PARTE DO NOSSO RELACIONAMENTO


Por Letícia Vidica

- Oi, amor. Onde você está?

- Tô indo pegar a Vivi no shopping. O carro dela quebrou e ela me pediu um help.

- Mas a gente não combinou de ir ao cinema hoje? Tô prontinha te esperando.

- Juro que não vou demorar.

Ele não só demorou como nós perdemos a sessão do filme que eu estava esperando há dois meses para assisti, como saímos para jantar à três. Você não deve estar entendendo nada né? Mas eu explico. Quando eu namorei o Rui eu nunca pude ter um momento de privacidade com ele porque sempre tinha alguém entre nós. Entre um beijo e outro sempre tinha um amigo ou uma amiga. E a amiga da vez era a Vivi.

A Vivi era a melhor amiga de infância do Rui.Ela até que era simpática, o problema é que ela não dava um peido sem o Rui. E ele achava a coisa mais normal do mundo. Eu tinha limitações, mas a Vivi podia pedir para ele lamber o chão que ele lambia. Nunca tive nada contra amigos e nunca fui do tipo ´ou os amigos ou eu´. Sempre soube conciliar um relacionamento e os amigos. Acho até que é saudável ter um momento de privacidade com os seus amigos, até porque eu não largaria a Lili e a Betina por nada a não ser quando estava com o Rui. Mas já o Rui...

- Desculpe, Di... a gente se atrasou e acho que vamos ter que deixar o nosso cineminha para outro dia...

- Mas que tal se a gente fosse comer naquele restaurante japonês que você adora? - dizia Vivi - por ser mulher acho que ela sentia quando eu ficava com raiva do Rui.

********************************************

- E aí, Di, foi no cinema ontem?

- Não.

- Mas por quê? - perguntava Betina

- Adivinha? O Rui teve que ir buscar a Vivi no shopping.

- O quê?! Esse mundo tá ficando louco. Você ficou plantada esperando o seu namorado enquanto ele carregava sacolas para a amiguinha dele? - dizia Lili inconformada - Ah se fosse comigo...

- Esse é o problema, Lili... A Diana é boa demais, aguenta demais e por isso sofre demais. Dá um basta nisso. Daqui a pouco, ela vai até pro motel com vocês!!!

Minhas amigas tinham razão. Eu tinha que impor limites à presença da Vivi no nosso relacionamento. E eu estava decidida que naquela noite eu falaria sobre isso.

- Oi, gata...você vai ficar muito brava se eu não puder ir aí hoje?

- O que houve dessa vez?

- A mãe da Vivi está passando mal e ela me ligou pedindo para que eu as levasse para o hospital...

- Mas a Vivi não tem carro?

- Ainda não voltou do mecânico. Se não demorar muito eu passo aí mais tarde. Beijão.

Só Deus sabe o ódio que eu fiquei naquele momento. Sábado à noite com a maior lua, eu toda cheia de amor para dar e agora só me restava assistir ao Corujão?! E o pior é que eu fiquei com o Corujão.

No dia seguinte, quase meio-dia o Rui ainda não tinha me ligado. ´Poxa, custava ter me ligado quando voltou do hospital?´. Resolvi ligar no celular dele e adivinha quem atendeu?

- Vivi?!

- Oi, Di...poxa, desculpa mais uma vez por ter te roubado o Rui. A pressão da minha mãe subiu e eu não tinha a quem recorrer. Fala com ele, ele tá aqui.

...

- Oi, amor.

- Oi, Rui. O que você tá fazendo aí?

- A gente chegou tarde do hospital e a dona Sônia não quis que eu fosse embora altas horas da noite. Mas já tô indo pra´í.

- Não, não vem não. Tenho um compromisso com as meninas hoje, esqueceu?

A gente se fala depois.

O meu compromisso era ir chorar as pitangas na casa da Lili. Eu precisava ouvir minhas amigas antes de qualquer passo importante.

- Eu já falei você precisa impor limites.

- Melhor que isso, Betina... faz o jogo do contrário. Comece a desmarcar compromissos com ele por nossa causa e faça os mesmos pedidos que a Vivi faz a ele para ver se ele atende. Se o cara não sair correndo para te ajudar ou não te entender, desista amiga. Ele é mais um que morre pelos amigos, mas não por você.

Elas estavam certas e foi isso que fiz nas semanas seguintes. A primeira investida foi desistir de ir ao aniversário do chefe dele com a desculpa de que a Lili estava depressiva por ter levado um pé na bunda e precisava de mim. ´Poxa, Diana, mas a gente já tinha marcado isso há mais de um mês? Sua amiga leva foras toda semana!´ Compreensão zero.

A segunda investida foi me atrasar ao almoço na casa da mãe dele com a desculpa de levar a Betina até o shopping. ´Mas ela não pode andar de ônibus?!´ Pimenta nos olhos dos outros é refresco.

A terceira e a derradeira do nosso relacionamento foi quando pedi alguns favorzinhos semelhantes ao da Vivi e ele negou todos. Apesar de estar apaixonada por ele, o meu orgulho fala mais alto e eu preciso de alguém que goste de mim e que não ache um sacrifício ter que me buscar num shopping. Quero um homem que saiba a diferença entre amigos e namoradas.

**************************

- Nossa, o que aconteceu? Sua voz estava diferente no telefone.

- Aconteceu Rui que a partir de hoje você está livre.

- Como assim? O que eu te fiz?

- Tudo para mim tem limite. E o meu acabou. Não aguento mais ter que ficar em segundo lugar na sua vida e ter que ficar com você no tempo livre da Vivi.

- Ah é isso? Você tá com ciúmes da Vivi? Pára com isso, que besteira. Ela te adora.

- Não é ciúmes e não me interessa se ela me ama ou não. Acontece que você não percebe, mas faz tudo o que ela quer e esquece que tem namorada. Se eu te peço um favor, você sempre recusa. Mas se a Vivi liga você esquece que eu existo e sai correndo para salvá-la. Se eu tenho que atender a uma amiga, você reclama e faz bico. Nunca me compreende. Chega!

- Isso não é motivo para gente terminar, Diana. Eu posso rever isso.

- Você nunca vai rever isso, Rui. E sabe por quê? Porque os seus amigos sempre estarão em primeiro lugar para você. E não é isso que eu quero do homem que esteja ao meu lado. Eu quero que ele saiba o momento certo e o lugar certo de cada um.

- Se você prefere assim...

Com os olhos cheio de lágrimas, o Rui foi embora da minha casa e da minha vida. Eu também cai em prantos, mas nem tanto porque ele foi embora e sim porque estava cada dia mais difícil encontrar o homem perfeito e os que eu achava ser sempre iam embora.

Papo de calcinha: O seu namorado (a) se dedica tanto aos amigos? Qual o peso deles no relacionamento de vocês?

quinta-feira, maio 22, 2008

POEMA DA MULHER

(autor desconhecido)

Que mulher nunca teve Um sutiã meio furado, Um primo meio tarado, Ou um amigo meio viado?

Que mulher nunca tomou Um fora de querer sumir, Um porre de cair Ou um lexotan para dormir?

Que mulher nunca sonhou Com a sogra morta, estendida, Em ser muito feliz na vida Ou com uma lipo na barriga?

Que mulher nunca pensou Em dar fim numa panela, Jogar os filhos pela janela Ou que a culpa era toda dela?

Que mulher nunca penou Para ter a perna depilada, Para aturar uma empregada Ou para trabalhar menstruada?

Que mulher nunca comeu Uma caixa de Bis, por ansiedade, Uma alface, no almoço, por vaidade Ou, um canalha por saudade?

Que mulher nunca apertou O pé no sapato para caber, a barriga para emagrecer Ou um ursinho para não enlouquecer?

Que mulher nunca jurou Que não estava ao telefone, Que não pensa em silicone Ou que ´dele´ não lembra nem o nome?

Só as mulheres para entenderem o significado deste poema! Segundo elas, estamos em uma época em que:

´Homem dando sopa, é apenas um homem distribuindo alimento aos pobres´

´Pior do que nunca achar o homem certo é viver pra sempre com o homem errado´

´Mais vale um cara feio com você do que dois lindos se beijando´

´Se todo homem é igual, porque a gente escolhe tanto???´

Mande para mulheres que precisam rir, ou para homens que possam lidar com essa realidade!

quarta-feira, maio 14, 2008

MEU EX-NAMORADO AMIGO



- Gente, adivinha com quem eu sai para jantar ontem? ... Com o Gustavo.

- Ué, mas vocês não tinham terminado? –perguntou Betina

- Vocês voltaram? – completou Lili

- Não, gente, nada disso... nós somos amigos.

- Como assim? Você não tinha prometido que não queria vê-lo nem pintado de ouro e agora vem com esse papo de amizade?

- Isso foi antes, Bê... a gente conversou e acabamos virando amigos.

- Ah, pra mim esse negócio de amizade com ex não rola.

Antes de jantar com o Gustavo, eu também pensava como a Lili. Namorei o cara por um ano, era loucamente apaixonada por ele, até ele me trair com uma loira peituda e dez quilos mais magras do que eu. Jurei de pés juntos que nunca mais queria olhar, falar e nem sentir o cheiro do Gustavo. O problema é que ele não jurou o mesmo e resolveu me procurar. Ele me ligou dizendo que a gente precisava conversar e que eu não podia negar o convite. E eu – idiota - não neguei.

- Mas e aí o que ele queria?

- Conversar. Disse que me considera muito, que sente falta das nossas conversas e que queria selar um acordo de paz comigo.

- E você selou?

- É, selei, Lili... e o pior é que ele tá namorando aquela broaca peituda e me convidou para ir as bodas de casamento dos pais dele sábado que vem.

- Você recusou né?

- Ai, gente, eu adoro os pais dele...

****

Eu sei que o que eu estava fazendo ia contra os meus princípios, mas que mal tem sermos amigos? Resolvi apostar nisso. Não só apostei como fui até a bodas. Sozinha porque nenhuma das minhas amigas puderam me acompanhar.

Quando cheguei no salão, tipo barata tonta, logo fui arrastada pela Selma, minha ex-cunhada, que me fez questão de dizer o quanto sentia minha falta e gritar para todo salão ouvir que eu havia chegado. Foi aquela zorra: toda a parentaiada do Gustavo, que eu não via há mais de um ano, ficou em cima de mim.

- Oi, Diana! Que bom que você veio. Joyce, lembra da Diana?
- E como... – disse a broaca com sorriso amarelo e me medindo dos pés a cabeça.

Bem que eu tentei sentar em uma mesa separada, mas o Gustavo fez questão de que eu sentasse na mesa dele. E eu sentei. Passamos a noite toda conversando e rindo. A tal da Joyce até que tentou ser simpática, mas não deu. Teve que me engolir no final da festa porque o Gustavo acabou me levando para casa.

****

Achei que esse papo de ser amigo de ex tinha acabado nas bodas, mero engano meu. Toda semana o Gustavo me ligava e a gente ficava horas no telefone falando da vida. Descobri que ele estava feliz com a tal da Joyce, apesar de todo ciúmes dela em relação a nossa amizade, que ele estava querendo mudar de emprego e todos os seus planos para o futuro. Acabei virando uma espécie de mãe guru amiga. Qualquer probleminha que fosse, até unha encravada, o Gustavo me ligava.

- Tem falado com o Gustavo, Di?
- Somente todos os dias.
- Nossa, mas o cara tá te ligando mais agora do que quando vocês estavam juntos!!!
- Esse é o problema, Lili... e eu não sei como cortar isso. Acho sim que podemos ser amigos, mas ele tá meloso demais.
- Quem mandou se enfiar nesse barco.

Ela estava certa. Eu quis navegar sozinha agora tinha que aprender a remar. Comecei então a não atender a todos os telefonemas do Gustavo. Atendia quando queria. Mas não satisfeito, ele me bombardeava de torpedos, scraps, e-mails e mensagens no MSN. Essa amizade já estava me enchendo e invadindo demais a minha privacidade.

Sexta-feira, 23 horas, sem vontade nenhuma de sair, de pantufas e pijamas assistindo qualquer besteira na tevê. O Gustavo apareceu.

- Oi, Di... que isso? Nesse estado numa lua dessas? Vamos sair?

- Cadê a Joyce?

- Vou passar na casa dela daqui a pouco. Vim te buscar primeiro.

- ‘Peraí, Gu...não é assim... você tá invertendo as coisas. Eu sou a amiga e a Joyce é a namorada. Você deveria estar com ela agora e não comigo.

- Não to te entendendo, Diana.

- Eu explico: esse lance da nossa amizade já está indo longe demais. Você está mais presente agora do que antes. Além do mais, eu sei muito bem que a Joyce não gosta de mim e só me atura por você. Apesar dela ter te roubado de mim, eu entendo ela. Pensa bem.

- Poxa, desculpe, não sabia que estava pisando tanto na bola assim. Foi mal. Sabe o que é...eu gosto de você pra caramba e depois que a gente virou amigo eu não consigo deixar de falar com você. Você é a minha melhor amiga agora, Di.

- Muito legal, Gustavo. Mas você tem que saber separar as coisas. Por exemplo, sexta-feira com uma lua dessas, leva a sua namorada para um barzinho, uma balada, um motel, sei lá....

Realmente, eu estava mudada. Quem diria que eu mandaria o meu ex-namorado que me traiu levar a atual namorada – com a qual ele me traiu – para um motel. Ainda indiquei um dos bons!!

- Eu não te entendo, Di... você mandou o Gustavo pro motel com a Joyce? – falava indignada Betina do outro lado da linha

- Ah, Bê, ele tem que se tocar. Eu fui a namorada, agora eu sou a amiga, tudo bem. Então vamos fazer jus aos papéis.

- Eu não sei se agüentaria isso não... você é forte amiga

- Todas nós somos. Quando o calo aperta, você aprende a gritar. Melhor assim. Aprendi que esse negócio de amizade com ex não dá muito certo. E, confesso, que estava quase arrastando asinha pra ele de novo.

- Não digo que mulher é bicho burro?!

- Mas foi quase, viu? Quase mesmo... eu acordei antes e já to bem vacinada para o próximo que queira ser meu amigo. Colega, no máximo, e com direito a processo seletivo antes.

- HAHAHAHAH

- Boa noite, Bê

- Boa noite, Di.

PAPO DE CALCINHA: Você acredita que é possível ser amiga (o) de um ex-namorado (a)?

sexta-feira, maio 09, 2008

NO BALANÇO DA BALANÇA


Por Letícia Vidica

Num daqueles típicos e rotineiros dias em que eu acordo atrasada e atordoada para sair voando para o trabalho, peguei um velho jeans surrado (aquele que a gente gosta e nunca joga fora) e fui me vestir correndo ou, pelo menos, tentar. Foi quando uma coisa horrível aconteceu: a calça não fechava.

Não é possível! Semana passada mesmo, eu vesti essa calça... A Dorinha, minha empregada, deve ter feito alguma besteira que a calça encolheu. Tudo bem, depois eu brigo com ela.

Corri e peguei uma calça social que estava no cesto de roupas sujas. Depois de cinqüenta puladinhas, uma respiração profunda e uma deitadinha básica na cama o zíper subiu e... uma banhinha chata pulou. Meu Deus, mas o que está acontecendo? Perguntei ao espelho . Saí correndo e paranóica. O que eu não queria admitir estava acontecendo: eu tinha engordado! Quantos quilos, eu não sabia porque eu estava fugindo da chata da balança há uns bons meses.

Não há nada pior para uma mulher do que ter que admitir e ouvir o seu espelho e suas roupas gritando o quanto você está gorda. Acho que a gente preferiria ser cega e surda nessas horas. Pior ainda é ter que dar por vencida e entrar num regime.

Para compensar o cansaço que as gordurinhas a mais me deram pela manhã, no almoço resisti à picanha e a lasanha e comi apenas alface.

- Ué, o que houve, Di? Vai comer só isso – perguntou Ana, minha colega de trabalho
- É... estou sem fome – mentira! Eu estava tentando resistir àquela minha vontade louca de cair de boca naquela picanha. Confesso que foi um castigo para mim ver todas aquelas tentações.

Castigo pior foi quando na saída do trabalho decidi encarar a minha maior inimiga: a balança. Olhei para os lados para ver se nenhum gatinho que eu conhecia estava por perto, respirei fundo, olhei para ela, contei até três, fechei os olhos e subi. Seria doloroso demais ver aqueles números subindo e não parando nunca mais. Por isso, preferia a surpresa. Abri os olhos e constatei o que já sabia: eu tinha engordado. Fui para casa depressiva.

***

Confesso que eu nunca fui muito paranóica com essa coisa de regime. Eu comia de tudo e maneirava quando achava que devia. Minha balança era minha mãe. Toda vez que a gente se via, ela fazia questão de dizer o quanto eu estava gorda e que eu devia comer coisas mais saudáveis. É incrível como mãe gosta de te deixar pra cima.

Naquele dia, quando cheguei em casa, eu estava tão mal que a minha vontade era me acabar numa caixa de bombons, mas eu não podia. Então, resolvi abrir a minha geladeira e ver o que de mais saudável tinha nela. De saudável percebi que só tinha o ventinho que saía dela. Tomei apenas um copo de leite, fingi não escutar a sinfonia de Beethoven que tocava na minha barriga e fui dormir.

No dia seguinte, sexta-feira, era dia do encontro religioso com as minhas amigas no bar do Pedrão. Mas aquele local era um dos motivos dos meus quilinhos a mais. Por isso, resolvi mudar o nosso encontro para o meu apê.

- Ué, gente por quê nós não fomos ao Pedrão hoje? – disse Betina que chegava com uma caixa de cerveja e duas pizzas na mão

- A Diana cismou que engordou e vai fazer greve de Pedrão.

- Gorda onde, Betina?

Se há uma coisa que deveria ser eliminada da sua vida quando está tentando emagrecer são as suas amigas. Primeiro que elas nunca dizem a verdade porque não querem te chatear. Por isso, insistem em dizer que você não tá gorda. E, segundo, que elas não entram no regime junto com você. Por isso, não tem a menor dó nem piedade de beber e comer coisas maravilhosas na sua frente, assim como naquela noite.

- Não adianta tentarem me animar... as minhas roupas não mentem. Nenhuma calça me serve! Eu preciso emagrecer urgente.

- Eu conheço um regime que é tiro e queda... – dizia Lili

- Ih, não entra nessas dietas malucas da Lili não...sai dessa. Vai num médico que é melhor.

- Não dá, Bê, eu tenho que emagrecer para ontem... o casamento daquela minha prima é sábado que vem e o vestido já está alugado. Eu preciso perder rapidinho todos os quilos que não existiam quando eu provei ele. Além do mais, aquele meu primo gatérrimo vai vir da Alemanha pro casório e eu tenho que estar bonita...

- Tá bom. Depois não diga que eu não avisei. Agora, relaxa e bebe uma cervejinha.

- Tira esse negócio da minha frente agora ou eu te jogo pela janela, Betina!

Passei a noite bebendo suco diet.

****

Para perder os quilinhos indesejáveis resolvi embarcar nas dietas da Lili e todas as outras que me ensinaram. Como eu tinha pressa, decidi fazer todas ao mesmo tempo. Quem sabe o resultado não seria mais rápido? Tomei chá verde, chá branco, água com limão, água morna em jejum, tomei sopa para emagrecer, passei o dia na base do alface e outras loucuras mais.

Resultado: acordei no sábado e não conseguia levantar da cama. Não tinha forças. Tudo rodava. No único momento de lucidez que tive, liguei para a Betina e pedi que ela viesse correndo. Fui parar no hospital e, por causa da minha saga para emagrecer, também perdi o casamento, o dinheiro do aluguel do vestido e o gato do meu primo. Fiz tanta loucura que acabei desidratada, internada e ainda tive que agüentar sermão duplo da Betina e da minha mãe...

- Filha, o que você fez? Eu não te disse que era para comer direito? E agora?
- Eu falei para ela não embarcar naquelas dietas malucas da Lili...

Fiquei dois dias em observação e depois fui obrigada a passar uma temporada na casa da minha mãe sob sua vigilância constante. Nunca comi tanta verdura e legume juntos! Sei que cometi uma loucura naquela semana e não recomendo a ninguém, mas uma coisa é certa: consegui emagrecer! Mas prometi a mim mesma procurar um médico e começar um regime certo. Só espero que o santo não me castigue muito se eu não conseguir cumprir a promessa.

Papo de calcinha: Já fez alguma dieta louca para entrar em forma?

quinta-feira, maio 01, 2008

EU SEI O QUE VOCÊ FEZ NO SÁBADO PASSADO


Por Letícia Vidica


Fazia dois meses que a Lili estava namorandinho com o canalha do Otávio. Mais uma vez, ele resolvera assumi-la à sociedade dentre tantas idas e vindas.

A Lili sempre foi completamente apaixonada pelo Otávio. O problema é que a recíproca não era verdadeira. Para não ficar só, ele voltava para ela quando convinha cheio de arrependimentos, desculpas esfarrapadas e buquês de flores. O Otávio fazia parte do clube dos canalhas. Era o tipo de homem que não perdoava ninguém, nem mesmo a mim e a Betina. Bastava ser mulher que ele caía dentro.

Nós já havíamos cansado de alertar a Lili para cair fora dessa, mas mulher apaixonada sempre fica boba, burra e cega.


Era sábado. Eu e a Pámela, minha colega lá da agência, havíamos marcado de ir a um bar para conversar um pouco. A noite estava ótima - quente e enluarada – e pedia uma cerveja gelada.

Meia-hora depois de fofocar sobre o pessoal da agência e de falar mal do chefe, algo me paralisou. O Otávio entrou no bar de mãos dadas com uma mulher e não era a Lili. Fiquei pálida. Apesar de desconfiar das puladas de cerca dele, nunca desejei ser a testemunha ...

- O que foi, Diana?! Você ficou pálida de repente ...
- Disfarça, ta vendo aquele cara de blusa azul sentado naquela mesa ao lado do careca?
- Sei
- É o namorado da minha melhor amiga
- E por quê você não vai lá falar com eles?
- Porque aquela mulher não é a minha melhor amiga!

Tentei continuar a conversa, mas eu não podia deixar de olhar para os dois pombinhos. Que desculpa será que ele havia inventado para a boba apaixonada da Lili?

Antes que eu e a Pámela resolvêssemos ir embora, o Otávio e a amante se levantaram para ir. Porém, como a minha mesa ficava na rota do caixa, não teve como evitar o encontro. Ele me olhou com cara de assustado, mas tentou disfarçar...

- Oi, Otávio, tudo bem? Que surpresa!
- Oi, Diana.
Essas foram as únicas palavras que trocamos.


Quase não dormi à noite pensando em como contar à Lili. E, se não bastasse ter sido testemunha da traição, a Lili havia marcado uma feijoada na casa dela no dia seguinte.
Quando cheguei o Otávio ainda não estava lá ...

- E aí meninas, o que fizeram ontem? – perguntou Lili
- Aluguei um DVD e não saí de casa – respondeu Betina
- E você, Di?

Como eu preferia que ela não tivesse feito essa pergunta. Eu podia ter dito que fui a um bar e vi o namorado dela com outra, mas não era o momento.

- Saí com uma colega lá da agência e você?
- Ah, fiquei preparando as coisas para a feijoada.
- Ué não viu seu príncipe? – perguntou Betina
- Ele teve uma reunião lá do time de futebol. Vão participar de um campeonato na semana que vem.

Reunião do time de futebol num sábado à noite? Essa foi a pior que já ouvi. Pior ainda foi que a Lili acreditou! Eu tinha que contar a verdade, mas fomos interrompidas pela campainha. Era o Otávio. Ele me cumprimentou como se nada tivesse acontecido e agiu normalmente o resto do dia. Quase me convenceu de que era um homem fiel apaixonado, se não fosse a cena que vi ontem...

- Tô te achando meio estranha, Di. O que foi? – perguntou Betina enquanto fumávamos no quintal.
- Preciso te contar uma coisa mas, por enquanto, tem que ficar de bico calado...ontem à noite,o Otávio não estava na reunião do time .... eu o encontrei lá no bar que eu fui com a Pamela e ele estava com outra mulher...
- O quê?! – engasgou-se Betina com a tragada do cigarro – Que cachorro! E você quer que eu fique quieta?!
- Pelo menos por hoje. Eu to tomando coragem para contar para Lili ... olha só como ela está apaixonada!
- Antes sofrer de amor do que de dor de corno! Mas tudo bem, desde que você conte e não demore. Se não, conto eu.

A feijoada havia acabado e eu e a Betina estávamos sem carro. Então, a Lili insistiu que o Otávio nos levasse. Fomos mudos o caminho todo, ouvindo Paralamas. Ele deixou a Betina e, quando se dirigia para o meu prédio, disse...

- Obrigado Diana.
- Pelo quê?
- Por não ter falada nada sobre ontem para a Lili
- E você ACHA que eu não vou contar?
- Deixa que eu faço isso.
- Duvido que você seja homem para isso
- Eu mudei, Diana.
- Só se for para pior ... te dou 24 horas para contar, se não conto eu!

Foi a pior bobagem que eu fiz. Como podia acreditar que o cafajeste do Otávio falaria a verdade? Mas resolvi dar um voto de confiança. Uma semana depois, Lili me ligou me chamando para a festinha surpresa que ia fazer para o ‘Tavinho’ no sábado à noite...

- Festa surpresa para o ca... o Otávio? Sábado? E ele não te disse nada?
- Sobre o quê?
- Sobre sábado passado...
- Ah que vocês se encontraram? Disse sim. Ele falou que encontrou você no bar. O Tavinho encontrou uma velha amiga do colégio quando saía do clube e os dois foram beber uma cerveja juntos. Mundo pequeno não? Ela vai estar aqui no sábado. Ah, vou precisar da ajuda de vocês... beijinho.

Amiga do colégio? Festa de aniversário surpresa? Enrolar docinhos para o galinha? A Lili só podia estar louca e eu mais ainda. Sem escolhas, eu e a Betina fomos bancar a mestre cuca da festa do traidor...

- Olha esse brigadeiro, Betina, tá muito grande... o Tavinho não gosta.
- Por falar nele e vocês? – perguntei
- Nunca estivemos melhor. O Otávio mudou bastante. Está mais presente, mais carinhoso... estou perdidamente apaixonada por ele.

Eu e a Betina nos olhamos com cara de quem diz ‘E agora, José?’.

- E você confia nele?
- Que pergunta, Betina... de olhos fechados.

Depois de enrolar beijinhos, brigadeiros, coxinhas e risoles estava tudo pronto. Os convidados já estavam lá. O Otavio chegou junto com a tal da amiga. Acredita que a idiota da Lili pediu para ela despistá-lo? Aposto que ela cumpriu o trato direitinho. Ele fez cara de surpresa, beijou Lili, fez declaração de amor e curtiu a festa como o namorado perfeito.

Aproveitei um momento de distração da Lili e me aproximei do calhorda...

- Parabéns, Otávio!
- Obrigada, Diana
- Como você pode ser tão canalha e enganar a Lili na cara dela? Amiga do colégio?! Aposto que essa vagabunda te levou para um motel barato, enquanto a pobre da Lili se descabelava para fazer a festinha.
- Eu não disse que ia contar?
- A verdade!
- Pois então, a verdade depende de quem vê. Essa é a minha verdade.

Antes que eu cuspisse na cara dele, a Lili se aproximou...

- Precisando de algo, amorzinho?
- De você.
Como era cínico!

- Estavam falando sobre o quê?
- Sobre sábado passado – eu disse
- Coincidência vocês se encontrarem não?
- Foi Deus quem me mandou lá. Assim eu pude ver o Otávio com a outra.
- Outra?! A Priscila?! Ela é amiga dele.
- Acorda, Lili! Você não está vendo que o Otávio tá te enganando? Essa Priscila é...
- Minha amiga de colégio – disse o calhorda rapidamente
- Você só pode estar cega e burra ... esse cara não vale nada!
- Olha aqui, Diana, esse cara é o homem da minha vida e eu não admito que você fale mal dele na minha casa.
- Tudo bem, Lílian, se o problema é falar mal do Don Juan na sua casa, eu saio.

Fui embora e me arrependi burramente de tentar alertar a Lili sobre o Otávio. Demorei demais porque ela já estava cega de amor. Ficamos um mês sem nos falarmos. Além de trair, aquele canalha havia conseguido destruir nossa amizade. A Lili não me ligava mais e parecia ter me excluído da sua vida e tudo por causa de um homem que não vale meio fio de cabelo.

Numa segunda-feira à noite, voltando cansada do trabalho, encontrei a Lili parada na porta do meu prédio. Ela perguntou se podia subir e entramos.

- Bem, eu nem sei por onde começar ... ai, amiga, me desculpe – disse ela correndo para me abraçar – eu fui uma idiota ... vocês sempre tentaram me alertar, mas eu não via ... o Otávio não vale o que come... eu o peguei no flagra com a tal da Priscila ... terminamos. Me perdoe por não ter acreditado em você.
- Eu sou mulher, Lili... e nós somos amigas.

Nos abraçamos e choramos feito duas bobas. Ela acho que por arrependimento e eu por ter feito a coisa certa. Agora o que me restava era esperar a poeira baixar e ser, mais uma vez, testemunha de uma traição do Otávio porque eles iam reatar (eles sempre reatam) e alertá-la novamente. Mas o que é mais uma vez para quem já fez tantas?


PAPO DE CALCINHA: VOCÊ JÁ DEU O FLAGRA NO NAMORADO DA SUA AMIGA?

domingo, abril 27, 2008

NADA É PIOR QUE O FIM


Por Letícia Vidica

Eu sempre odiei levar foras, mas odeio mais ainda dar o fora. Como é horrível terminar um relacionamento. Acho que não inventaram nada pior. Devia ser tudo mais fácil. As pessoas deveriam se olhar e dizer ‘não quero mais, tudo bem?’ e cada um deveria seguir sua vida sem maiores constrangimentos, sem choro nem vela. Infelizmente, não é assim!

Já levei muitos foras na vida, confesso! Foras de diversos tipos: leves, do tipo ‘é melhor assim’ que você fica meio mal, mas é só o cara virar as costas que você já telefona para uma amiga, como se nada tivesse acontecido, e parte para a balada. Sutis, do tipo educado, mas sincero. ‘Não é nada contra você, mas...’ Mas o quê? Esses deixam a gente meio encaraminholada por um tempo, mas nada que um bom chope e uma reunião com as amigas não cure. Graves, daqueles que você passa uma semana na cama, chorando e que não esquece jamais.

Nem gosto de lembrar dos foras que já levei, mas como diz alguém por aí ‘tudo que entra,sai’ e muitos já saíram de uma forma ou de outra da minha vida. Alguns deixaram marcas que a brisa apagou, outros deixaram eternas tatuagens que, mesmo que eu tente esconder, sempre arranjam um jeitinho de aparecer.

Porém, tenho que combinar: a coisa que eu mais odeio é dar um fora. Não um fora num ficante ou num cara que não presta, isto eu tiro de letra. Mas dar um fora num cara legal, aquele cara que era tudo que você sempre sonhou, porém na sua loucura de mulher, ele não tem a menor graça quando surge na sua vida. É legalzinho, mas não rola!

O César foi um desses legaizinhos que não rolou. Eu estava solteira fazia já uns 3 meses. A carência, a vontade de ouvir uma voz masculina do outro lado do telefone, de Ter alguém para te levar para passear...já começava a dar sinais cada vez mais fortes. Numa dessas, eu conheci o César. Num daqueles lugares e dias inesperados. A Paulinha, minha amiga, tinha um churrasco na empresa dela e não queria ir sozinha. Eu não estava nem um pouco afim, além do mais estava chovendo e o bendito do sítio ficava a umas duas horas de viagem, mas o que a gente não faz por uma amiga?! Eu fui!

Não conhecia ninguém e tive que ficar dando risadinhas daqueles piadinhas de empresa que só quem trabalha entende. Foi quando, resolvi dar uma volta pelo local e encontrei o César. Ele estava sentado frente a piscina e começamos a conversar, sobre o tempo ou coisa parecida. Quando me dei conta, já havíamos trocado telefone e a festa também já tinha acabado.

O César era o tipo do cara certo que aparece na hora errada. Ele era gerente administrativo da empresa em que a Paulinha trabalhava, 35 anos, divorciado (pra variar), morava sozinho, falava 3 línguas, conversava sobre qualquer coisa e sabia agradar uma mulher. Saímos pra jantar algumas vezes e, aos poucos, percebi o quão especial que ele era. Ele era o genro que mamãe pediu a Deus e o pai ideal para os meus filhos, com um detalhe: eu nunca quis Ter filhos.

A gente se dava muito bem. Eu gostava de MPB, ele também. Eu curtia ficar horas, conversando sobre política, ele também. Se eu não queria sair, ele entendia. Alugava um DVD, comprava umas pizzas e passava a noite toda comigo. Nossos gostos, ideais, pensamentos e tudo o mais era igual. A cada dia que passava, o César se envolvia mais e mais comigo, mas eu não sei por quê, achava que ainda faltava algo...

- Você está louca? Como assim não quer mais ficar com o César?


- Não sei, Paula...ele é legal, mas...

- Mas nada! O César é perfeito. Você não tem noção do quanto aquele homem é disputado naquela empresa e ele não dá mole para ninguém. É Diana pra cá, Diana pra lá e você me diz que não quer mais?

- Eu sei que ele é um cara legal, bonito, inteligente, mas falta alguma coisa...

- Falta ele sumir da sua vida,não é? Se ele não te ligasse, sumisse, te traísse, te tratasse com desprezo...você ia gostar, não ia? Eu não entendo nós mulheres!

- Não diga isso, Paula. Eu estou confusa, você acha que é fácil abrir mão assim...

- Então, não abre! Olha eu não te digo mais nada. Pensa bem, porque essa forma já foi jogada fora viu?

************************************

Só eu sei, o quanto ensaiei para dizer que não queria mais. Porém, quando percebi que já estávamos praticamente namorando e quando ele veio com um papo de que queria que eu conhecesse a mãe dele, eu decidi cair fora.

- Olha César, eu não quero te magoar, mas acho que a gente está indo rápido demais com as coisas...

- Como assim rápido? Já fazem oito meses que a gente está junto!

- Eu sei, mas acho que não estou preparada pra encarar um relacionamento assim tão profundo como o nosso.

- O que eu te fiz? Eu fiz alguma coisa errada?

- Pelo contrário, você só fez a coisa certa. O problema não é você, é comigo.

- Então me diz o que eu posso fazer pra te ajudar?

- Nada. Você não pode fazer nada. Eu acho melhor a gente se afastar.

- Mas, Diana...ontem, estava tudo tão bem...eu achei que você estava gostando de mim.

- E estou mas...não sei, estou confusa e não quero te magoar

- E você acha que eu vou ficar bem sem você?

- César, não complique as coisas.

- Quem está complicando aqui é você...eu sei muito bem o que eu quero!
...

- Vamos tentar, Diana? Eu tinha tantos planos pra gente

- Nossa, mas a gente se conhece há apenas 8 meses?

- Só que você me balançou de uma forma que nem minha ex-mulher foi capaz...

- César, deixa eu pensar...vai ser melhor assim.

- Tudo bem, eu não vou mais forçar a barra. Você sabe onde me encontrar. Quando tiver uma resposta, é só ligar. Estarei esperando...tchau!

Acho de verdade que ele realmente esperou...o problema é que eu não liguei. Fiquei sabendo pela Paula que ele sofreu bastante e que, três meses depois, foi transferido para uma filial da empresa no Rio de Janeiro e nunca mais nos falamos. O César era um cara legal, espero que ele tenha encontrado alguém capaz de fazê-lo feliz porque infelizmente eu não pude. Ai, meu deus, será que não vou mais achar nenhum César por aí? Só que se for mandar, manda na hora certa tá? Será que estou pedindo demais?

Papo de calcinha: Quem já não conheceu aquele cara perfeito – que você tanto pediu a Deus – mas quando ele apareceu não rolou? Desabafe : lericiav@gmail.com

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sábado, abril 19, 2008

CIÚMES É BOM, MAS NA MEDIDA CERTA


Por Letícia Vidica


Eu sempre achei que ciúmes era uma das mais belas provas de amor...até conhecer o Ricardo, o cara mais ciumento de toda face da terra. Antes de conhecê-lo, eu achava que era lindo ter um homem me ligando de cinco em cinco minutos, que me buscasse no trabalho todos os dias e que fizesse ceninhas de amor quando um cara assobiava para mim na rua. Mas, o negócio era bem mais embaixo com o Ricardo.

- Caramba, Diana, a gente não tá aqui nem 15 minutos e esse cara já te ligou mais de 20 vezes?! - reclamava Betina num desses nossos encontros religiosos às sextas-feiras à noite no bar do Pedrão.


- Ai, gente... ele é um cara preocupado.- Ele é maníaco, isso sim... ! Daqui a pouco, ele te proíbe de sair de casa - falava Lili irritada

Naquele momento, achei que minhas amigas estavam exagerando, mas quando olhei para porta do bar e vi que o Ricardo estava lá, conclui que não se tratava de exagero e sim de um caso de saúde pública.

- O que você está fazendo aqui? - perguntei


- Ué, vim te ver...não posso?


- Claro que pode...mas eu não te falei que hoje eu ia encontrar minhas amigas?


- E porque não podia me ver?


- Ricardo, a gente se vê todos os dias! Eu preciso de um momento de privacidade- Pra quê? Pra ficar galinhando com essas suas amiguinhas?


- Olha como fala...eu não galinho,até porque não pertenço a essa espécie...eu converso...


- O que está acontecendo, Di? - perguntou Betina que se aproximava


- Nós vamos embora - disse Ricardo


- Como assim,nós?! - perguntei


- Isso mesmo e agora - disse Ricardo pegando no meu braço e praticamente me arrastando.


Aquele foi o ápice do cúmulo do ciúmes. O cara queria disputar com as minhas amigas!!! Lembro que fomos quebrando o maior pau no carro até chegarmos na porta do meu apê. E, como se nada tivesse acontecido, ele pediu para subir. Eu apenas bati a porta do carro na cara dele e saí.

****

Achei que estava livre do Ricardo porque eu não o procurei por uma semana. Mas ele mandou um buquê de flores para a minha casa pedindo desculpas. De coração mole, acabei aceitando, mas impus alguns limites que ele pareceu aceitar à primeira vista. Mas, foi só a primeira vista mesmo!

Para testar sua resistência ao ciúmes, convidei o Ricardo e minhas amigas para bebermos uma cerveja no bar num sábado à noite. Como ele sempre andava em bando, levou outros três amigos (chatíssimos,por sinal, com ele).

No começo, a experiência parecia estar indo bem. Um dos amigos do Ricardo até se interessou pela Lili, mas como ela só tem olhos para o Otávio, só dava fora no cara. No meio da noite, a cerveja começou a fazer efeito. Não parava de ir ao banheiro. Numa dessas, percebi que um carinha da mesa do lado não parava de me olhar e fez questão de me secar quando levantei para ir ao banheiro. Na volta, foi bosta na certa...

- Que tanto você vai no banheiro? - perguntou Ricardo, fazendo questão de falar em alto e bom som para todos da mesa e do bar ouvirem.


- Que isso, Ri... beber cerveja dá nisso...


- Então, acho bom parar de beber porque EU não quero que você vá ao banheiro mais...


Aproveitei as 5 latinhas que eu já tinha tomado e comecei a provocar...


- Posso mijar em você então?

Todos riram e ele ficou puto e com cara de bobo. Ele se levantou e foi ao banheiro. Os amigos aproveitaram para ir junto. Acho que um sacudia o do outro (rs). Nessa hora, o carinha da mesa de trás se aproximou e me ofereceu uma cerveja. Bem nessa hora também, o Ricardo voltava do banheiro. Não teve meias palavras, ele foi logo socando o cara. Resultado: arrumaram o maior barraco no bar, fomos expulsos e levados à delegacia.

- Di, esse cara é maluco! Olha só o que ele fez! - dizia Betina irritada - Eu esperava tudo menos acabar a noite numa delegacia! Eu vou embora, você vai comigo?

Achei que era melhor esperar o Ricardo. Fomos juntos para casa e resolvi não comentar nada. Não era uma boa hora, mas eu tinha que me livrar daquele louco. Na manhã seguinte, durante o café...

- Ricardo, a gente tem que conversar... eu e você...


- Me desculpa, Diana, não termina comigo - ele começou a chorar como um garoto de três anos que tem o pirulito roubado.


- A gente não vai dar certo ... eu sou uma mulher independente, livre...e você quer uma mulher para domar e eu não sou essa mulher.


- Eu vou mudar.


- Ricardo, já perdi muito tempo na vida esperando mudanças. Agora eu quero atitudes. Por favor, não dramatize. Vai embora.

Ele pegou as coisas e me ameaçou dizendo que isso não ficaria assim. Mal sabia do que ele seria capaz. Simplesmente, ele me ligava todos os dias pedindo para voltar, me seguia até o trabalho, aparecia na porta do meu prédio...tornou a minha vida um inferno.

- Gente, eu não sei mais o que eu faço. Eu virei uma prisioneira da minha própria vida! O Ricardo não para de me perseguir.


- Isso é orgulho de macho ferido. Ele não quer admitir que perdeu


- Não, isso é locura mesmo, Betina... mas desde o começo eu disse que não ia dar certo e você não me ouviu né, Di?

Realmente, mais uma vez eu quis ouvir apenas a voz do coração e me dei mal. Desde o primeiro encontro, o Ricardo demonstrou quem ele era, mas eu simplesmente resolvi ignorar os sinais e ouvir apenas os meus hormônios. Agora, lá estava eu sem saber o que fazer.

***

Num desses dias em que eu saí tarde do trabalho, quando ia para o estacionamento pegar o meu carro, avistei o Ricardo parado do outro lado da rua. Fingi ignorá-lo, mas ele atravessou e veio até mim.

- Me solta, Ricardo.


- Pára de fugir de mim, Diana


- E você para de me seguir?- Eu só quero você.


- Mas eu não... Ricardo, eu não quero te magoar, mas admita que não dá mais. Eu não sou mulher pra você e você não é homem para mim. Foi um erro a gente se envolver. Eu não aguento o seu ciúmes e você não suporta a minha liberdade.- Mas eu aceito mudar.


- Você nunca vai mudar, você é assim, admita! Vamos aproveitar que ainda resta um mínimo de consideração entre nós e ponto final. Tchau, Ricardo...e se você continuar a me procurar, vou ser obrigada a te denunciar para a polícia.

Virei as costas e fui embora. Confesso que, pelos próximos dias, fiquei morrendo de medo do Ricardo me procurar novamente. Mas acho que ele me ouviu ou arrumou outra mais gostosa do que eu. Depois dele, sempre peço a Deus nas minhas orações para que meu príncipe nem saiba o que é ciúmes, pois prova de amor assim eu não quero nunca mais.

* Papo de calcinha: Você já se relacionou com homem ciumento? Como foi a experiência melosa?