sexta-feira, maio 09, 2008

NO BALANÇO DA BALANÇA


Por Letícia Vidica

Num daqueles típicos e rotineiros dias em que eu acordo atrasada e atordoada para sair voando para o trabalho, peguei um velho jeans surrado (aquele que a gente gosta e nunca joga fora) e fui me vestir correndo ou, pelo menos, tentar. Foi quando uma coisa horrível aconteceu: a calça não fechava.

Não é possível! Semana passada mesmo, eu vesti essa calça... A Dorinha, minha empregada, deve ter feito alguma besteira que a calça encolheu. Tudo bem, depois eu brigo com ela.

Corri e peguei uma calça social que estava no cesto de roupas sujas. Depois de cinqüenta puladinhas, uma respiração profunda e uma deitadinha básica na cama o zíper subiu e... uma banhinha chata pulou. Meu Deus, mas o que está acontecendo? Perguntei ao espelho . Saí correndo e paranóica. O que eu não queria admitir estava acontecendo: eu tinha engordado! Quantos quilos, eu não sabia porque eu estava fugindo da chata da balança há uns bons meses.

Não há nada pior para uma mulher do que ter que admitir e ouvir o seu espelho e suas roupas gritando o quanto você está gorda. Acho que a gente preferiria ser cega e surda nessas horas. Pior ainda é ter que dar por vencida e entrar num regime.

Para compensar o cansaço que as gordurinhas a mais me deram pela manhã, no almoço resisti à picanha e a lasanha e comi apenas alface.

- Ué, o que houve, Di? Vai comer só isso – perguntou Ana, minha colega de trabalho
- É... estou sem fome – mentira! Eu estava tentando resistir àquela minha vontade louca de cair de boca naquela picanha. Confesso que foi um castigo para mim ver todas aquelas tentações.

Castigo pior foi quando na saída do trabalho decidi encarar a minha maior inimiga: a balança. Olhei para os lados para ver se nenhum gatinho que eu conhecia estava por perto, respirei fundo, olhei para ela, contei até três, fechei os olhos e subi. Seria doloroso demais ver aqueles números subindo e não parando nunca mais. Por isso, preferia a surpresa. Abri os olhos e constatei o que já sabia: eu tinha engordado. Fui para casa depressiva.

***

Confesso que eu nunca fui muito paranóica com essa coisa de regime. Eu comia de tudo e maneirava quando achava que devia. Minha balança era minha mãe. Toda vez que a gente se via, ela fazia questão de dizer o quanto eu estava gorda e que eu devia comer coisas mais saudáveis. É incrível como mãe gosta de te deixar pra cima.

Naquele dia, quando cheguei em casa, eu estava tão mal que a minha vontade era me acabar numa caixa de bombons, mas eu não podia. Então, resolvi abrir a minha geladeira e ver o que de mais saudável tinha nela. De saudável percebi que só tinha o ventinho que saía dela. Tomei apenas um copo de leite, fingi não escutar a sinfonia de Beethoven que tocava na minha barriga e fui dormir.

No dia seguinte, sexta-feira, era dia do encontro religioso com as minhas amigas no bar do Pedrão. Mas aquele local era um dos motivos dos meus quilinhos a mais. Por isso, resolvi mudar o nosso encontro para o meu apê.

- Ué, gente por quê nós não fomos ao Pedrão hoje? – disse Betina que chegava com uma caixa de cerveja e duas pizzas na mão

- A Diana cismou que engordou e vai fazer greve de Pedrão.

- Gorda onde, Betina?

Se há uma coisa que deveria ser eliminada da sua vida quando está tentando emagrecer são as suas amigas. Primeiro que elas nunca dizem a verdade porque não querem te chatear. Por isso, insistem em dizer que você não tá gorda. E, segundo, que elas não entram no regime junto com você. Por isso, não tem a menor dó nem piedade de beber e comer coisas maravilhosas na sua frente, assim como naquela noite.

- Não adianta tentarem me animar... as minhas roupas não mentem. Nenhuma calça me serve! Eu preciso emagrecer urgente.

- Eu conheço um regime que é tiro e queda... – dizia Lili

- Ih, não entra nessas dietas malucas da Lili não...sai dessa. Vai num médico que é melhor.

- Não dá, Bê, eu tenho que emagrecer para ontem... o casamento daquela minha prima é sábado que vem e o vestido já está alugado. Eu preciso perder rapidinho todos os quilos que não existiam quando eu provei ele. Além do mais, aquele meu primo gatérrimo vai vir da Alemanha pro casório e eu tenho que estar bonita...

- Tá bom. Depois não diga que eu não avisei. Agora, relaxa e bebe uma cervejinha.

- Tira esse negócio da minha frente agora ou eu te jogo pela janela, Betina!

Passei a noite bebendo suco diet.

****

Para perder os quilinhos indesejáveis resolvi embarcar nas dietas da Lili e todas as outras que me ensinaram. Como eu tinha pressa, decidi fazer todas ao mesmo tempo. Quem sabe o resultado não seria mais rápido? Tomei chá verde, chá branco, água com limão, água morna em jejum, tomei sopa para emagrecer, passei o dia na base do alface e outras loucuras mais.

Resultado: acordei no sábado e não conseguia levantar da cama. Não tinha forças. Tudo rodava. No único momento de lucidez que tive, liguei para a Betina e pedi que ela viesse correndo. Fui parar no hospital e, por causa da minha saga para emagrecer, também perdi o casamento, o dinheiro do aluguel do vestido e o gato do meu primo. Fiz tanta loucura que acabei desidratada, internada e ainda tive que agüentar sermão duplo da Betina e da minha mãe...

- Filha, o que você fez? Eu não te disse que era para comer direito? E agora?
- Eu falei para ela não embarcar naquelas dietas malucas da Lili...

Fiquei dois dias em observação e depois fui obrigada a passar uma temporada na casa da minha mãe sob sua vigilância constante. Nunca comi tanta verdura e legume juntos! Sei que cometi uma loucura naquela semana e não recomendo a ninguém, mas uma coisa é certa: consegui emagrecer! Mas prometi a mim mesma procurar um médico e começar um regime certo. Só espero que o santo não me castigue muito se eu não conseguir cumprir a promessa.

Papo de calcinha: Já fez alguma dieta louca para entrar em forma?

2 comentários:

paula disse...

oi,este negocio de regime é doideira mesmo,
eu tinha um aniversário pra ir e a roupa ja estava escolhida,
então uma semana antes eu fui experimentar de novo e a calça não fechou,fiquei desesperada,
precisava usar aquela roupa
então eu fiquei uma semana sem comer nada,
quando eu sentia que estava quaze desmaiando de fome eu tomava um suco,e comia uns biscoitos.
mas consegui perder os quilinhos ,pena que 15 dias depois eu engordei de novo
minha luta com a balança é constante,toda segunda eu prometo pra mim nesma que vou fazer dieta,que vou me reeducar,mas
sempre me frusto.... é sempre assim..

Anônimo disse...

Já. Resultado? Anorexia. Estava muito abaixo do peso ideal, vivia mau humorada, não sentia mais o sabor nem da vida.
Procurei uma endocrinologista, mas a incompetente me passou um regime para gordos, que incluía até gelatina. Não fez orientação nenhuma e ainda disse que eu estava no peso certo. Não procurei mais profissional nenhum e deixei o tempo passar, pois havia chegado no limite e parado de emagrecer.
Anorexia não está só na magreza, mas também na cabeça, pois é uma neurose. Felizmente, hoje consegui o corpo que eu sempre quis e aprendi a respeitá-lo como ele é. Adaptei a minha alimentação e não me obrigo mais a fazer exercício físico, só faço quando o corpo pede. Desencanei de regimes.
Alimentação é algo muito subjetivo. Se ela está errada é porque tem algo errado com a própria pessoa. Por isso, é muito importante descobrir o que é e evitar besteira maior.