segunda-feira, fevereiro 18, 2008

O BOM FILHO À CASA TORNA


Por Letícia Vidica


- Gente, o Beto vai casar! – foi o que eu disse à Lili e a Betina naquela tarde de sábado na casa da Bê.


- Num creio e ele te convidou? – perguntou Betina


- Fez questão de me mandar o convite.

Sabe aquele ex-namorado que toda vez que vocês se encontram rola um remember ? O Beto era um desses. A gente se conheceu no cursinho pré-vestibular (faz tempo) e namoramos até o meu penúltimo ano da faculdade. O Beto era o namorado perfeito: a gente gostava das mesmas coisas, ouvia as mesmas músicas, falava sobre tudo e nada, simplesmente, a gente se completava. Era o brother que eu beijava na boca. Pensávamos até em casar, mas um dia apareceu uma oportunidade para ele ir estudar nos EUA e nossos planos de casamento foram adiados. O um ano que ele ia estudar fora se transformou em três e o nosso namoro acabou virando amizade.

Apesar de eu ser gamadona nele, dei um super apoio para que ele fosse estudar fora e achamos melhor terminar a relação pois não ia dar para continuar a trilhões de distância.

Por algum tempo, a gente ainda manteve relacionamento por email, MSN, carta e alguns telefonemas, mas com o passar do tempo a gente parou de se falar. Até que, um belo dia, o Beto voltou e foi me procurar. Fiquei super feliz com a volta dele, mas já não tinha mais nada a ver insistirmos num relacionamento e ele acabou virando o meu amigo colorido (rs).

Toda vez que a gente se via, era mais forte do que nós. Sempre terminava nos braços dele, mergulhada na boca dele ou no apê dele ou no meu. A gente não se cobrava. Rolava e pronto. Tínhamos toda liberdade pra contar de outros relacionamentos, pedir conselhos (nossa, quantas vezes ele me ligou chorando por causa de alguma mulher ou eu liguei aos prantos para ele...)


- Mas, Di, vocês não tinha um rolo?


- Na verdade, Li, a gente sempre foi meio amigo meio amante sabe? O Beto é muito especial para mim, mas é só amizade...


- Será?

Confesso que a chegada daquele convite vermelho aveludado com letras douradas e garrafais com o nome do Beto e sua futura esposa, me convidando para vê-lo fazer juras de amor a uma noiva que não era eu, me deixou deprê.

Eu sei que a gente não era namorado, aliás, já fazia mais de um ano que não rolava mais nada ... eu até sabia que ele estava namorando uma garota que conheceu no trabalho, mas eu ainda tinha uma pequena ponta de esperança de que o Beto era uma das minhas possibilidades de marido. E agora a possibilidade ia subir o altar.

- E você vai no casamento?


- Ainda não sei...


- Ah, se eu fosse você, eu ia... e bem bonita...só pra fazer ele se arrepender de casar com a lambisgóia... – apimentou Betina


- Eu não ia não! E pagar esse mico de solteirona? Além do mais ver o cara todo feliz com outra...


- Ai, gente, vocês me deixam mais confusa ainda.


Faltava um mês para o casamento e ele havia virado artigo de decoração da minha geladeira. Toda vez que eu olhava para ela, vinha a pergunta: ‘Ir ou não ir ao casamento, eis a questão’.

Num desses domingos de sol, resolvi ir caminhar no parque, pois já estava um pouca acima do peso e totalmente preguiçosa. Ouvindo meu MP3 com uma música melancólica da Ana Carolina, eu caminhava e pensava na vida, até uma bicicleta quase me atropelar...

- Beto?!


- Diana?!

Coincidências realmente acontecem e o destino, mais uma vez, pregara uma peça em mim. O noivo e a ex haviam se encontrado no parque.

- O que faz por aqui uma hora dessas? Pelo que eu sei, você não é de acordar tão cedo!
(O chato de reencontrar ex-namorados é que nem dá pra mentir porque o cara simplesmente sabe tudo sobre você. E ser dorminhoca era uma delas!)

- Estou tentando mudar... e você?


- To morando há duas quadras daqui... eu e a Dri alugamos esse apê e eu resolvi me mudar na frente... falando nisso, recebeu o convite?


- Convite?! Ah...recebi, obrigada.


- E você vai né?


‘Por quê ele tinha que fazer essa pergunta?’


- Eu? Vou...vou sim!


- Tá com muita pressa ou tem tempo pra um café?

Educado como sempre, o Beto me levou para tomar café da manhã em uma padaria próxima. Simplesmente, levamos duas horas tomando café. Ele começou a me contar como conheceu a Adriana, a futura esposa, seus planos para o futuro, como estava no trabalho...simplesmente, desandou a falar...ainda bem que ele não perguntou da minha vida, pois trinta segundos seriam suficientes para resumir que sou uma solteirona em busca do homem perfeito... e que ele podia ser esse homem.

- Quer conhecer o meu apê?


- Eu? Mas, Beto, e a Adriana...?


- O que tem? Você é minha amiga!

Realmente, eu era só a amiga. Fui até o ninho de amor dos dois e depois de conhecer o lar feliz, chamei o Beto para almoçar em casa. Ele aceitou. Preparei uma ‘gororoba’ qualquer porque ele também sabia que eu cozinhava muito mal. Comemos e passamos mais algumas horas a conversar...

- Engraçado, né? Quem diria que um dia eu ia no seu casamento...


- É a vida dá voltas...


- E pensar que já sonhei tantas noites em subir no altar ao seu lado...

Neste momento, ficamos mudos como se um filme passasse em nossa memória. O Beto começou a me olhar diferente. Do mesmo modo, que me olhava quando a gente namorava... foi se aproximando... tocou no meu rosto e sem dizer nada me beijou ... e eu continuei. Sei que não estava certa mas, mais uma vez, o remember rolou com a gente e sem cobranças.


- Di, você está louca? O cara vai casar e você serve de despedida de solteiro para ele e ainda quer ir no casamento? – crucificou Betina

Era o dia do casório e eu estava convencendo a Betina a ir comigo. Durona como sempre, ele tentou fazer de tudo para que eu não fosse. Mas eu tinha que ver para que pudesse colocar um ponto final nessa história e acreditar que acabou.

Fui e com a Lili e a Betina a tira-colo. A igreja estava lotada e o Beto lindo como sempre. Só acreditei que não estava sonhando quando o padre disse ‘Pode beijar a noiva e vi que quem ele beijava era a Adriana e não eu’.

Na porta da igreja, encontrei com a mãe do Beto. Ela me abraçou fortemente e desandou a questionar sobre a minha vida. A dizer que me adorava, que eu era a nora que ela queria e blábláblá...

Por fim, respirei fundo e fui cumprimentar os noivos. Eu não sabia o que o Beto tinha contado à sua futura esposa, por isso, corria um sério risco de levar um tapa na cara...

- Parabéns, Beto.


- Diana! – ele abriu um largo sorriso e me abraçou


- Dri, essa é a Diana que eu te falei, aquela minha amigona...

Incrivelmente, a noiva também me abraçou e daí tive a certeza de que colocamos o ponto final na nossa ‘relação’ naquela noite. E o que restava era me conformar...

PAPO DE CALCINHA: E AÍ, AMIGA (O), JÁ TEVE UM CASO DESSES?

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

QUANDO VIRA AMIGO...



por Letícia Vidica

O Tony é o homem que eu pedi a Deus e que minha mãe implorou nas suas novenas. Simpático, educado, bonito, bem-sucedido, bem decidido, um fofo...mas é apenas meu amigo. Sabe aquele cara que você se derrete toda quando conhece, se joga nos braços dele, mas ele só tá afim de desabafar e ser seu amigo?! É o Tony. Porém, antes um amigo bonitão do que um bonitão voando...

Vamos lá...

Eu conheci o Tony numa reunião de trabalho, confesso, num happy hour de trabalho num bar. Era sexta-feira, sol de 40º C na cidade de São Paulo. Galera do serviço estava estressada e resolveu se reunir num boteco próximo.

Lá estava eu tomando o meu choppinho e falando mal do meu chefe com meus colegas de trabalho, quando aquele Deus entrou no bar. Fiquei hipnotizada no primeiro olhar. E mais ainda quando ele se aproximou da nossa mesa. O Tony era amigo do David. Ele trabalhava perto e foi convidado para beber com a gente.

28 anos (idade ideal), morava perto de mim, advogado (bom salário...), inteligente, bonito, educado e ótimo papo. Essas foram as conclusões as quais cheguei no final do happy hour que acabou lá pelas 10 da noite.

Eu estava sem carona. Super educado, o Tony perguntou onde eu morava e disse que poderia me dar uma carona. Claro que não titubeei e aceitei. Fomos conversando sobre várias coisas ao longo do caminho e descobri que tínhamos muitas coisas em comum, até amigos em comum... Ríamos de bobagens como se fóssemos velhos conhecidos. Tinha certeza de que ia dar certo, ainda mais que no final ele pediu meu telefone.

*****

Fiquei esperando pelo telefonema dele por alguns dias e surpreendentemente ele me ligou antes que 7 dias se completassem.

- Oi, Diana, é o Tony.Fiquei muda quando ouvi a voz dele do outro lado da linha- Diana, você está aí? Alô?- Oi, To-tony, tudo bem?- Te atrapalhei?- Que isso...estava de bobeira- Que ótimo...é que eu ganhei um par de ingressos pra um show hoje à noite e é justamente da nossa banda preferida...tá afim?

Em 30 minutos eu estava pronta e o Tony na minha porta. Tinha certeza que ia rolar. Como sempre, fomos conversando o tempo todo. Descobri que ele era filho único (a sogra ia ser um obstáculo muito sério), adorava viajar, azul era sua cor preferida etc etc

O show foi ótimo. Logo depois, ele me levou para jantar num restaurante muito aconchegante. Não tinha dúvida de que ia rolar. No meio do jantar, ele perguntou se eu tinha namorado. Disse que não. Ele não acreditou muito ainda mais porque foi logo derrubando um monte de elogios sobre mim. (O cara tava afim...claro!)

No final do jantar, ele me deixou em casa...- A noite foi muito agradável, Diana. Fazia tempo que não me divertia tanto.- Eu que agradeço por ter me aguentado...- Não é sacrifício nenhum...Suspirei.- Então, a gente se vê.O silêncio pairou no ar. Era a hora do beijo. Olhei dentro dos olhos dele. Dei aquela quebradinha de pescoço e esperei. Ele se aproximou e me deu um beijo...na bochecha!!!! (que ódio, mas eu não podia ser tão precipitada)

Nos despedimos e ele se foi.

********

- ´Peraí! O cara te convida pra ir no show da sua banda preferida, te leva pra jantar num lugar maravilhoso e não rola nada? Que isso...- Ai, Betina, acho que ele é tímido, reservado, sei lá- O cara tem algum tipo de problema não é possível...- Ai, vai ver eu que tô muito apressada. Acha que devo ligar para ele?- Pra ganhar outro beijo na bochecha?

Eu adorava minhas amigas pela sinceridade, mas nem sempre seguia seus conselhos. Liguei para o Tony dali uns dias e o chamei para ir ao cinema. E ele...aceitou! Dessa vez, ele não me escapava. Assistimos uma comédia romântica para apimentar, dividimos a mesma pipoca, comemos um lanche e acabamos a noite no meu apê... não se empolgue... viramos a noite bebendo vinho, falando de livros e adormecemos juntos no tapete da minha casa...e nada rolou.

*****

Saímos mais algumas vezes e eu estava totalmente apaixonada por aquele homem e ele não tomava nenhuma atitude. Será que o problema era comigo? Eu era muito feia? Não podia ser, ele não ia querer sair com um monstro!Tinha bafo? Meu papo era chato? Era gorda? Meu Deus, quanto agonia! Comecei a sentir saudades dos caras que me desprezavam logo de cara...

- Gente, vou enlouquecer. Faz dois meses que estamos saindo e nada? - só uma bebedeira com minhas amigas me curaria daquela deprê apaixonante.- Calma, Di... e se o cara tiver namorada? Vai ver ele não tem coragem de te falar- Mas quem tem namorada não me convida pra sair num sábado à noite ou num domingo à tarde... não me leva em festa de família...gente eu vou enlouqueceeerrr...- Eu acho que ele é viado...- Nossa, não seja tão radical...Passamos a noite toda inventando teorias e desculpas para o Tony não ter se declarado para mim...

****

Sábado à noite. Uma lua de dar inveja e eu assistindo ´Meu primeiro amor´ e comendo uma panela de brigadeiro. Eu só fazia isso quando ficava apaixonada e eu estava perdidamente apaixonada e arrasada porque fazia duas semanas que ele não me procurava.

Meia-noite. Meu celular tocou e era o Tony. Perguntou se podia passar na minha casa. Se não rolasse naquele dia, não rolava mais. Arrumei minhas bagunças, tomei um banho, coloquei uma roupa sensual e esperei meu príncipe. A campainha tocou e eu atendi. Logo , brochei. O Tony estava com uma cara péssima e parecia nem ter reparado no meu visual.

- Nossa, Tony, que cara é essa?- Desculpe te atrapalhar a essa hora...acho que você estava de saída - disse ele me medindo dos pés a cabeça (ele nem imaginava que eu tinha me vestido pra ele)- Que isso...acabei de chegar...senta´í, quer um vinho?- Sim, sim eu preciso beber...

- Eu tô precisando muito falar com você...- Eu também - estava prestes a me declarar...- Pode falar você então - disse eleMas eu não podia me declarar antes de saber o que ele ia dizer... ele começou a falar.- Di, você se tornou uma grande amiga pra mim nesses últimos meses e eu não tinha a quem recorrer... Amiga?!- Acabei de descobrir que vou ser pai...Pai?! Ele me enganou esse tempo todo?- É que eu me separei da minha noiva há 3 meses e eu não sabia que ela estava grávida. Ontem, nos reencontramos e ela me contou. O que eu faço?

O que eu, apaixonada por aquele homem prestes a ser pai, ia dizer? Banquei a amigona e dei alguns conselhos para ele que caiu no meu colo a chorar. Daquele momento em diante, minhas esperanças se foram junto com a gravidez da Joana, minha concorrente...

****

Eu tinha que dar um fim naquela paixão. Resolvi procurar o Tony e me declarar. Fomos a um bar.

- Tony, é muito difícil o que eu vou te dizer, mas eu preciso para que a gente possa continuar a nossa amizade... eu me apaixonei por você...antes que diga algo, eu sei que confundi os sentimentos...achei que você poderia se interessar por mim e criei falsas esperanças...mas já tô tentando te esquecer...mas eu não quero te perder, ou melhor, perder nossa amizade porque você é muito especial...

O Tony se calou por uns minutos e logo me disse...

- Você acha que ia ser louco de perder a amizade de uma mulher maravilhosa como você? ... Saiba que essa não é a primeira vez que isso acontece...acho que ser amigo de uma mulher hoje em dia não é muito comum né?... agora não sei se você vai se sentir bem ao meu lado...

- Claro que vou...por isso, achei melhor dar um fim no meu amor platônico por você e começar a nossa amizade, fechados?

Foi aí que nossa história começou... Hoje o Tony é um dos meus melhores amigos, a filhota dele está para nascer, eu vou ser a madrinha e sou íntima da Joana (a concorrente). Porém, o amor se foi e eu nunca mais senti nada por ele, além de admiração...

... pensando bem, confesso que se ele desse mole, eu caía na rede dele facinho...

PAPO DE CALCINHA: E você, amiga (o), já se apaixonou por alguém que só queria sua amizade?

Faça parte da nossa comunidade no Orkut:
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42177187

AMOR DE CARNAVAL SEMPRE ACABA NA QUARTA-FEIRA



Por Letícia Vidica


Já tive muitos amores de carnaval. O primeiro deles foi um garoto sardentinho (não me faça lembrar o nome, pois eu não recordo!) que eu conheci no meu primeiro baile de carnaval, aos 12 anos, no clube Esperança onde a tia Norma me levou para pular o carnaval. Nosso amor durou as duas primeiras horas do baile porque depois nos enchemos um do outro, tacamos confetes e serpentinas em ambos e decretamos o fim do começo da nossa história de amor.

O Pierre foi o meu segundo amor de carnaval e o meu primeiro beijo também. O conheci num baile de máscaras que a Lurdinha, minha amiga do colégio, fez na casa dela. Foi fixação a primeira vista. Lembro que, fiquei nervosa, quando ele me tirou para dançar, depois me ofereceu um copo de suco Tang (na época, eu mal sabia o que era uma cerveja) e me deu um selinho no final do bailinho.

O mais duradouro deles acho que foi o Fábio. Surfista, sarado, moreno jambo, um pecado em pessoa. Dos meus quinze anos até os dezoito sempre ia passar o carnaval na casa de praia da Aline, minha prima. Foi lá que eu conheci o Fábio e também foi com ele que engatei um amor de verão. Todo carnaval era batata: a gente ficava! Era tipo uma devoção, um hábito, um costume...era coisa de pele sabe? Os quatro dias do carnaval eram aproveitados intensamente, sem nenhuma cobrança, mas com um detalhe: sempre acabava na quarta-feira de cinzas. E a única certeza que tínhamos era de que, dali um ano, tudo começaria de novo. Depois de três anos de amor de folião, nunca mais nos vimos. Minha tia fez o favor de vender a casa e acabar com a minha folia.


Cá estava eu, mais uma vez, pronta a encontrar mais um desses amores. Jurei que, nesse carnaval, ia me internar num SPA ou ir acampar no meio do mato ou fazer um retiro espiritual. Talvez fosse lá que minha alma gêmea estava a minha espera, mas não – eu nunca cumpro o que prometo ... Sabe onde eu estava?

Cheia de tererês no cabelo, em meio a várias malas, com a Lili e a Betina cantando “A cor dessa cidade sou eu...” seguindo rumo a Salvador. Não me crucifique, sei que na Bahia não vou encontrar minha alma gêmea, mas quem sabe metade dela?

Mais uma vez, fui convencida pelas minhas queridas amigas a curtir o carnaval na Bahia. Compramos as passagens e os abadas (caros, por sinal!) e agora enfrentávamos 3 horas de atraso de vôo, mas nada ia tirar a gente do sério...


Com quase cinco horas depois do previsto, desembarcamos na Bahia. Ô terra abençoada! Largamos as malas no hotel e fomos logo torrar no sol de Salvador. Muita gente bonita, sol, turistas, axé, água de coco e só alegria...e uma delas se chamava Jean Pierre, um francês que falava português (aprendeu num curso rápido) que estava hospedado no mesmo hotel.

Primeiro, rolou uma amizade. E combinamos de irmos ver o trio passar juntos. Ele estava acompanhado de dois amigos brasileiros e embarcamos em bando para as ladeiras do Pelourinho.

No meio do caminho, a Lili foi conquistada pelo charme de um negão com todo o seu sotaque mole de um típico baiano. Os dois logo se perderam no meio daquela multidão de gente que se formava nas ladeiras de paralelepípedos. A Betina seguia conversando com um dos amigos do Pierre. Pareciam até que estavam se entendendo, mas assim que o trio passou do nosso lado, Betina se escafedeu e se perdeu na multidão. A única que não conseguiu fugir foi eu porque o francês havia colado na minha ...

- Estou adorando estar aqui no Brasil e conhecer uma mulher tão bela como você...
- Obrigada, mas me fala mais de você...

No meio da batida do Olodum, o Pierre me contou que era engenheiro e que estava de férias no Brasil. Tinha 28 anos e solteiro (pelo menos em solo brasileiro...)

Passamos aquela noite e o resto dos outros dias juntos. O Pierre simplesmente não desgrudava de mim...

- Di, ta na hora de dar uns perdidos nesse francês, hein?
- Isso mesmo, Be... a gente vem curtir o carnaval da Bahia e você perde o melhor da festa...
- Se querem saber, o melhor daqui pra mim é o Jean Pierre, merci!
- Ah, não, Diana...amor aqui não rola...

Realmente, amor na Bahia não rolava não. O negócio era pegação e isso as minhas amigas aprenderam logo. Eu fui a única que preferi a exceção. Enquanto o povo fervia que nem pipoca atrás do trio, eu e o Pierre preferíamos a paz, o sossego e curtir nossos poucos dias de amor.


Porém, tudo que é bom dura pouco e o carnaval era uma dessas coisas que duram muito pouco...
- Foi ótimo, Jean
- Te espero na França!
- Quem sabe...

Demos um beijo e nos despedimos. E, mais uma vez, naquela quarta-feira de cinzas perdi mais um amor. É, mas ano que vem tem mais...


PAPO DE CALCINHA – E você, qual a sua história de carnaval?

Faça parte da nossa comunidade no Orkut:
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42177187

quarta-feira, janeiro 23, 2008

TODA MULHER ADORA UM BANHEIRO FEMININO


Por Letícia Vidica


Há coisas que não tem como a gente negar e uma delas é que toda mulher adora um banheiro feminino. Tem coisa melhor do que deixar os homens morrendo de curiosidade quando todas as mulheres da mesa se levantam e vão ao banheiro juntas? Gostaria de ser um dos neurônios deles para saber o que eles pensam ou imaginam que a gente faz unidas dentro de um banheiro. Porém, sei que eles também adorariam ser uma daquelas mosquinhas chatas de banheiro para nos espionar.

Banheiro feminino é algo especial para toda mulher. É lá que a gente verifica se deu certo aquele trato no visual. É lá que a gente fofoca o que não dá pra falar na frente de todo mundo. É lá que a gente chora nossas mágoas e sempre é acudida por uma estranha que está passando batom no espelho. É lá que a gente respira, conta até 10 e volta sem sair do salto e também é lá que sempre são contadas as melhores histórias.

Se você for homem, sei que será difícil entender. Deve estar se perguntando, mas qual a graça de ficar horas dentro de um banheiro ao invés de curtir a balada ou a festa? Meu amigo, passaria dias tentando lhe explicar e você jamais entenderia. Pois afinal de contas, banheiro para você só é sinônimo de uma mijada rápida e sem dar tempo que o outro fique medindo muito (você entende...)


Códigos

Banheiro feminino é quase um código secreto inventado por alguma mulher da Idade Média. Cada jeito de ir ao banheiro tem um significado. Se uma mulher chega numa festa ou numa balada e vai direto pro banheiro, isso quer dizer que ela quer dar uma conferida no visual. Se estiver acompanhada, quer repassar o batom que o namorado tirou no meio do caminho, arrumar o cabelo que ele desarrumou com o abraço e ver se está realmente poderosa.

Porém, se mais de uma mulher estiverem reunidas num mesmo local conversando no meio de homens e, de repente, elas se olham e alguma delas convida para ir ao banheiro significa que querem fofocar, ou melhor, querem um momento de privacidade. Se todas forem juntas, pode ter certeza que o babado é forte, mas se forem apenas de duplas, com certeza contarão segredos íntimos ou falarão mal da companheira que foi excluída da excursão ao banheiro. (Aliás, é um desrespeito ou uma afronta ir ao banheiro e não convidar alguma mulher presente). Ir ao banheiro em bando é um hábito mais do que comum.

Ir ao banheiro no meio balada é sinal de que você já exagerou na breja e não consegue parar de mijar. Ou sinal de que precisa de um canto pra respirar pois já tá pra lá de bêbada.

Dentro do banheiro

Já reparou como banheiro feminino sempre tem fila? Banheiro feminino que se preze tem que ter fila e um monte de mulheres saculejando pro xixi não sair. É na fila que você ouve as melhores histórias. É uma que conta que encontrou o ex-namorado, é outra fugindo do cara chato que tá ficando na balada, é outra falando mal daquela que não foi convidada para ir ao banheiro...

Se não bastasse a fila, é inacreditável o tempo que uma mulher gasta dentro do banheiro: abaixa calça, tira calcinha, faz o xixi, veste a calcinha, levanta a calça, dá descarga, arruma a blusa... ufa!!! (que inveja de não poder dar apenas uma saculejada ...)

Espelho! Local preferido das mulheres. Já percebeu como a gente fica fula quando não tem espelho no banheiro? Onde já se viu um banheiro feminino sem espelho? É sempre um aperto, mas a gente luta pelo espaço para ver se a roupa tá boa, se a escova que você gastou a tarde toda fazendo já não foi embora... É lá também que você (sutilmente) repara no que a outra está vestindo, se está bonita, feia, gorda ou magra. E sempre surgem comentários do tipo ‘Nossa, preciso cortar o cabelo ‘. ‘Como eu estou gorda’.

Ao contrário do que os homens pensam, banheiro feminino nem sempre é sinônimo de limpeza. Há uns bem imundos por aí. Como pode existir tanta mulher porca no mundo? A pior coisa é entrar num banheiro feminino e sentir aquele cheiro de mijo misturado com menstruação. Pior ainda é abrir a porta do banheiro apertadíssima para fazer xixi e se depara com um absorvente (detalhe!) usado jogado no chão e mostrando abertamente para o quê ele serve. Muito pior é olhar na privada e ver que a companheiro anterior deve ser deficiente porque lhe faltou as mãos para dar descarga. (Nessa hora fico imaginando o chiqueiro em que ela vive e tenha pena das tias do banheiro..)


As histórias

Por falar em tia do banheiro, elas são as que mais se divertem na festa. Elas sabem de tudo! Quietinhas em seu canto enrolando papel higiênico e fumando um Marlboro elas ouvem tudo e será que contam para alguém?

Um dia desses descobri que a Dona Cida, a senhora que limpa o escritório em que eu trabalho, ganha um extra no final de semana limpando o banheiro de uma balada famosa da cidade. Fiquei enlouquecida! A mulher simplesmente era uma enciclopédia brasileira sobre histórias de banheiro e numa tarde dessas que meu chefe saiu mais cedo desandou a me contar algumas, enquanto eu tomava um café.

- Ah, fia, a gente ouve e vê de tudo no banheiro – confessou dona Cida tragando um Marlboro – quietinha no meu canto fico só observando e ouvindo as historias para passar o tempo. Tem aquelas meninas fresquinhas que mal olham para gente, pegam o papel como se nóis fosse máquina, essas são as piores.. já vi muitas dessas cherano, vomitano de tanta cachaça e essas bebidas que eu nem sei o nome. Até mulher armada eu já vi... – Sério, fia. E tem as mais educadas também que cumprimentam e sempre puxam um papo ou outro com nóis tem sempre uma ou outra que desanda a contar da vida.... outro dia, apareceu uma toda bonitona com jeito de grã-fina sabe? Se trancou no banheiro e desandou a chorar...ficou mais de uma hora chorando ... fiquei com dó né? Resolvi ajudar e ela me contou que havia acabado de ver o marido com outra na balada... não sabia o que fazer e o pior é que enquanto ela me contava a vagabunda da outra entrou no banheiro ... e aí? Aí que o pau comeu minha fia... foi cabelo para todo lado...hahahahaha ... é a gente se diverte viu?

Confesso que até sai mais tarde do serviço só pra ouvir as histórias da Dona Cida.

Papo de Calcinha: Você também gosta de um banheiro feminino? Por quê?

quarta-feira, janeiro 09, 2008

NAMORADO E AMIGAS NÃO COMBINAM (QUEM FOI QUE DISSE?!)


Por Letícia Vidica


Já fazia um mês e meio que eu não falava com a Betina. Estava mais do que estranhando. Ela é do tipo de amiga que liga toda semana, sempre agita um chopinho no bar, uma reuniãozinha entre amigas e nesse tempo todo não fiz nada disso a não ser trabalhar demais e só me dar conta de que não me reunia com as minhas amigas há mais de um mês e meio.

Certa sexta-feira daquelas convidativas para um chopinho, liguei na casa da Betina.

- E aí sumida, esqueceu das amigas?

- OOOOOOIIII, DI! – respondeu Betina meio sem graça

- O que houve que você sumiu? Já ia ativar a SWAT...

- Sabe o que é... tô meio namorandinho...

- Namorando???! E você não manda nem um pombo correio para contar a novidade??? E quem é o louco? Hahahaha

- É que foi tudo tão rápido... lembra do Pablo, aquele espanhol que eu conheci naquela balada? Então, a gente começou a sair e ele me pediu em namoro

- E por isso a senhora sumiu?

É incrível como nós mulheres somos bichos estranhos. Quando estamos sozinha só andamos em bando (acho até que superamos as lésbicas – com todo respeito), mas quando arrumamos um cobertor de orelha tratamos logo de dispensar as amigas. Tem sentido isso? E com a Betina não foi diferente.

Confesso que fiquei com um pouco de raiva e ciúmes dela ao mesmo tempo. Primeiro, como amigas que somos ela tinha o dever de contar essa novidade pra gente. Segundo, prometemos umas as outras que nada nos separaria, mas o espanhol dela nos separou...


- Tem visto a Betina? – perguntou Lili numa das nossas sextas no bar

- Ela ainda existe? A última vez que liguei para ela, ela veio com uma desculpa de que não ia poder sair porque el Pablo ia na casa dela...

- Ah, outro dia liguei também só pra bater papo e ela foi logo me dispensando porque o Pablo estava lá. Poxa, será que nem um oi ela podia me dizer?

- Nem fala... nem e-mail mais ela responde.

Passamos a noite toda a falar mal da nossa melhor amiga, que por um acaso chegou no bar no meio da noite acompanhado pelo espanhol. Ao nos ver parece até que levou um susto.

- Oi,meninas. Esse aqui é o Pablo. Pablo essas são minhas amigas Diana e Lili.

Para não ficar chato, os dois sentaram-se na nossa mesa, mas pude ver a cara do espanhol como quem não queria encontrar ninguém naquela noite. Além disso, ele não fez questão nenhuma de ser simpático. Por sinal, ele era um chato (e não bebia, o que era pior)

- Vocês se conhecem há muito tempo? – perguntou ele

Só podia ser brincadeira. Não acredito que a Betina teve a coragem de contar a vida dela nos tirando de todos os capítulos.

- Há apenas 5 anos... – respondi

- Desculpe gente é que nem tive tempo de falar da nossa amizade, né Pablito?
– desculpou-se Betina

- Relaxa, Be... não estamos cobrando ninguém – era incrível como minha melhor amiga tinha se tornado insuportável.

Passamos o resto do tempo, ouvindo o Pablo falar, pois ele adorava falar,e bebendo cerveja (bem quem bebeu fui eu e a Betina porque o espanhol não bebia – engordava- e a Betina teve que se conter com uma coca light).

Como quem quer mandar um recado, ele foi logo dizendo que não gostava de garotas que bebiam, que não curtia balada, que estava em outro momento da vida, blábláblá... era um chato de galocha. A gente não agüentou mais do que uma hora de conversa e logo arrumamos uma desculpa e fomos embora.

Logo depois desse encontro, ainda tentamos manter contato com a Betina, mas ela sempre tinha um desculpa para não ver a gente e quando conseguia era sempre correndo.


Num sábado desses, estava em casa de perna pro ar quando a campainha tocou. Era a Betina em prantos. Logo pude imaginar o que tinha acontecido...

- O Pablo terminou comigo.

E eu com isso? Muito bonito vir na minha casa porque virou solteirona. Não disse, mas pensei. Como boa amiga que sou tentei acalmar a Betina e ela me disse que ele havia terminado com ela sem motivo algum. Ainda questionei se eles brigaram, se ele tinha traído, mas ela disse que não. Apenas andava estranho demais de uns tempos para cá. E resolveu terminar tudo.

- Queria te pedir desculpas também por me afastar de vocês. Como pude trocar minhas melhores amigas por um cara que não tem nem a capacidade de acabar um namoro decentemente?

- Confesso que fiquei com muita raiva de você por um tempo, mas não tenho o direito de impedir que você seja feliz e que bom que você pode voltar e contar com uma amiga novamente.

- Que cena mais patética – disse Lili invadindo o meu apartamento.

- Pega leve, Li. O espanhol terminou com a Betina.

- E eu com isso? Depois que voltou pro clube das titias, fica fácil procurar as amigas.
(Esqueci de dizer que a Lili era a mais esquentadinha das três. E nem preciso dizer que tive de ficar no meio do fogo cruzado)

- Poxa, Lili... sempre pensei que podia contar com você. Eu estou mal.

- Então só servimos pra você quando está mal? Quando tá no bem bom com o bonitão nem lembra que a gente existe? O meu telefone não mudou e você me ligo? A minha casa também não saiu do lugar e você foi me visitar? Não. Agora não vem com chororó.

- Eu sei que errei com vocês, mas foi mais forte. Estava tanto tempo sozinha que quando arrumei alguém fui logo tratando de me dedicar integralmente àquele canalha imbecil.

- Olha gente... de nada adianta ficarmos discutindo. Isso não vai trazer o el Pablito de volta. Então que tal a gente chorar as pitangas no bar do Jorgão e aproveitar para falar mal dos homens? Quem topa?

Nem preciso dizer que fomos todas pro bar né? Afinal de contas, uma amizade verdadeira não pode se abalar por causa de um homem e amiga de verdade entende, aliás, ela também é mulher e entende as estranhezas do nosso mundo.

Papo de calcinha: Você já se afastou de alguma amiga por causa de namorado? Ou alguma amiga fez o mesmo com você ? Conte pra gente como foi essa história.

quinta-feira, dezembro 27, 2007

PROMESSAS DE FIM DE ANO... MAIS UMA VEZ!


Por Leticia Vidica


“Emagrecer 10 quilos. Ser mais paciente com a minha mãe, com os homens e com os meu vizinhos. Beber menos. Sair menos. Gastar menos (isso é muito importante!!). Economizar mais...” Será que consigo dessa vez?

Antes de responder a mim mesma, fui interrompida pela campainha e pelos gritos da Lili e da Betina com uma garrafa de champagne barato nas mãos:

- Feliz Ano Novoooooooooooo
- Nossa, gente, mas pra quê tanto? Querem que eu seja expulsa do prédio? E além do mais hoje ainda é dia 30!
- Já vi tudo...que tédio, amiga! Vamos comemorar.... – disse a empolgada da Betina
- Fazendo o quê?
- Adivinha, Lili... promessas de fim de ano.
- Ihhhh...esse ano eu to fora.... cansei de prometer, nada acontecer e eu não cumprir...ano que vem vai ser igual aquela música ‘deixa a vida me levar...’
- E tava prometendo o que dessa vez?
- Ah, deixa eu adivinhar...hum...emagrecer! Não porque todo ano eu prometo que vou perder 10 quilos e ganho mais 10!
- Homem, com certeza, homem faz parte da promessa da Di...ela não desiste (risos)
- Ai, credo, ao invés de ficarem me zuando deviam me incentivar me apoiar...mas não, vocês sempre me fazem descumprir todas as promessas...
- Nós?! Vamos beber vai...


Pegamos a garrafa de champagne, uns salgadinhos e fomos relembrar a vida na minha varanda. Nem é preciso dizer que bebemos tudo e varamos a noite né?

- Fui numa cartomante!
- Mas você não disse que não acreditava mais nessas coisas, Betina?
- Curiosidade...
- E o que ela te disse?
- Que meu ano será ótimo, mas com alguns obstáculos a superar...e um deles já começou...o Beto me ligou.
- Sai desse corpo que não te pertence...
- Me convidou pra passar o Reveillon com ele em Angra...
- E você não aceitou né?
- E eu sou louca de recusar um convite desses?! Passar o ano novo num lugar maravilhoso e com um homem...
- Canalha! – retrucou Lili
- Pelo menos, garanto que vou começar o ano bem acompanhada e vocês?
- Ah, eu acho que vou pra casa de uns amigos...beber, jogar conversa fora...e você Di?
- Sabe que nem pensei nisso? Esse ano to meio down...queria ir pra uma ilha deserta...
- Nossa, mas o que houve?
- Crise dos 30. Ano que vem serei uma trintona e o que tenho na minha vida?
- Nóssssssssssssssssss....
Pra não chorar me consolei com elas mesmo. Terminamos a noite com um vinho espanhol guardado para ocasiões a dois...mas foi a três.


Amanheci no dia 31 com uma baita dor de cabeça. Beber bebidas ‘caras’ dá nisso. Passei o resto da tarde de pijama, comendo pipoca e assistindo “Uma linda mulher”...confesso que chorei.

Meu telefone tocou algumas vezes. Na primeira, era minha mãe me enchendo o saco para ir para a fazenda passar o ano novo com a tiarada e com a sobrinhada, mas inventei que já tinha programa melhor. Depois, foi a Betina me desejando bom ano novo. E depois a Lili, que ficou com pena de mim e tentou me convencer a todo custo a passar o Ano Novo na casa dos amigos dela. Ela foi tão chata, mas tão chata que prometi que ia dar uma passadinha rápida.

22h. A Lili já buzinava loucamente na frente do meu prédio. Desci e partimos em direção ao meu Reveillon alucinante.


Ao chegar na casa do amigo da Lili, fiquei embasbacada. Era do tipo mansão de cinema,sabe? E mais cinematográfico ainda era o dono...Juan, um moreno com cor de jambo e olhos mel que me deixaram hipnotizada.

Juan era amigo de infância da Lili, mas como amigos bonitos a gente não apresenta, ela escondeu ele a sete chaves e agora me revelava...

- Menina, onde esse pecado se escondeu todo esse tempo?
- Ih, pode tirar o seu boizinho da chuva... o negócio do Juan são lolitas e a dele vem aí...

Meu queixo bateu e voltou do chão, quando viu a paquita, vulgo namorada do bonitão, descer as escadas. Sabia que meu ano novo não ia ser bom....


Faltando 10 minutos para meia-noite, me ausentei do pessoal e fui caminhar no jardim. Comecei a pensar na minha vida e em todas as coisas que conquistei e que me deixaram esse ano. Agora lá estava eu, prestes a ser agarrada por um novo ano onde muitas outras coisas me conquistariam e tantas outras poderiam me deixar.E eu estava preparada para o abraço?

10 ...9...8...7...6...5...4...3...2...1... FELIZ ANO NOVO!


Papo de calcinha: Quais são suas expectativas pro ano que vem?

Faça parte da nossa comunidade: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42177187

quarta-feira, novembro 28, 2007

EBAAA! AGORA TEM COMUNIDADE NO ORKUT

Ebaaaa... Papo de Calcinha está se estendendo para novos horizontes... é isso mesmo. Agora temos comunidade no Orkut. Faça parte : http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42177187

Lá, você também pode comentar as histórias do blog e, o melhor, pode ver o que os outros pensam sobre o mesmo tema.

Não fique fora dessa. Acesse agora mesmo o orkut e faça parte da nossa comunidade. Claro, não esqueça de convidar os amigos.

Um super beijo!

terça-feira, novembro 06, 2007

QUEM LEVA UM BOLO NUNCA ESQUECE... E SEMPRE CONTINUA LEVANDO MAIS


Parece que nós mulheres temos o dom de levar um ‘bolo’. Algo me diz que nosso instinto feminino ou atrai esse tipo de situação ou simplesmente ama inconscientemente esse tipo de situação. Eu já levei uns 15.000.000.000 bilhões de bolos, foras, tortas e outros doces mais, porém nunca aprendo com eles. O próximo é sempre pior que o anterior e eu sempre mais besta também.

Há duas semanas, levei um daqueles! Com direito a recheio, chantilly e cereja. Vou contar: Tem um carinha da minha academia que eu sempre achei ‘gatérrimo’, mas até então ele nem me dava bola. Mas um dia – por falta de espaço e equipamento – ele resolveu vir malhar na esteira ao meu lado. Fiquei super empolgada e pensando em mil formas de começar um assunto. Porém, ele foi mais rápido e puxou conversa da forma mais simples e comum: ‘que horas são, por favor?’. Naquele momento, esqueci completamente como se vê as horas num relógio (detalhe!) digital.

Depois do horário, começamos uma conversa cordial. E dali pra frente, me sentia no direito de cumprimentá-lo toda vez que o encontrava na academia. Não sei porquê, mas nos encontrávamos sempre no mesmo horário?! Após longas semanas de bom dia, boa tarde, boa noite...começamos a contar mais de nossas vidas. Ele, Paulo, 30 anos (homem maduro ou um imaturo homem), bancário e lindo. Eu, Diana, 28 (idade perfeita), publicitária, pobre e na caça de um namorado!!!!


- E aí, Di? Quando vai rolar o primeiro encontro com o cara da academia? – perguntou Betina em uma das nossas típicas sextas-feiras no bar do Jorgão, onde a gente deixa todo nosso stress da semana numas 12 garrafas de Brahma

- Você nem sabe...vamos sair amanhã. Ele me convidou para jantar. – disse toda feliz

- Jantar? Mas que romântico. E aí já preparou o kit primeiro encontro? – questionou Lili, minha outra melhor amiga

- Kit? Que kit?

- Isso que dá ficar muito tempo de molho. Amiga, acorda! Você vai sair com um homem lindo e acha que vai voltar para casa e dormir? Querida, depilação, lingerie nova e um bom perfume é tudo num primeiro encontro.

- Poxa, é verdade...fui!!! – deixei o dinheiro na mesa e saí correndo. Afinal de contas, 24h era muito pouco para ajeitar tudo isso.


Sábado, 18h. Acabei de chegar do cabeleireiro. Mais de cinco horas entre manicure, depilação, escova e as fofocas daquelas mulheres que adoram ir ao salão no final de semana para contar da vida e falar mal dos outros. Estou super atrasada. Que roupa vestir? Tenho apenas 3 horas para me decidir.

Parada frente ao espelho, penso: ‘Esse vestido vermelho? Provocante demais. Ele vai logo achar que eu só quero sexo. Que tal esse terninho? Não, não... formal demais. Desse jeito, ele vai achar que está saindo com a mãe ou com a chefe. Um jeans? Casual demais...’

Depois de duas horas e meia decidindo o que vestir, algo me caiu perfeito. Corri pra maquiagem, retoque final na roupa, última passada no espelho. 21h. ‘Daqui a pouco, o Paulo deve estar chegando. Fica calma, respira.’

21h30. É, ele deve estar um pouco atrasado. Afinal, o trânsito de São Paulo é um caos. 22h30. O pneu dele deve ter furado e a bateria do celular descarregou. 23h30. Não é possível, mais um não. Poxa, o que será que aconteceu? Mas nem um telefonema? Será que a mãe dele morreu?! Fim da noite: fui pra cama com 3 latas de cerveja, uma caixa de bombom e um cd do Fábio Jr. Mais um bolo pra minha coleção, mas que sabor terá esse? (rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr)


- E aí, Di, como foi a noite ontem? Foi boa! – perguntou a Betina, que não agüentou de curiosidade e me ligou logo cedo

- Se tivesse tido noite. Levei mais um bolo amiga.

- Não creio. E ele não ligou?

- Parece até que você não conhece homem. Já viu explicação de homem furão?

Nas semanas seguintes, parece que estrategicamente a gente não se viu e ele nem ligou. Mas, como meu santo é forte, um dia a gente se trombou na porta da academia. Ele me olhou com cara de quem não sabe que desculpa inventar. E eu com minha boca maior que o universo não resisti e perguntei.

- E sua mãe, melhorou?
- Minha mãe?
- É, ela não ficou doente naquele dia que a gente ia jantar? – perguntei irônica e ‘idiotamente’
- Putz, é mesmo, sabe o que é...
- Olha, Paulo, não estou te cobrando nada não. Só fiquei preocupada. Boa malhação. – Virei as costas e fui embora. Não tenho mais saco para ouvir a mesma desculpa.

E você, amiga, tem?

Papo de calcinha: Já levou um bolo? Como foi? Conta pra gente (Ah, se você for homem, por favor, me explica qual a sensação de dar um bolo numa pobre mulher)

QUEM É VIVO SEMPRE APARECE ( E VOLTA!)

Depois de quase um ano (praticamente) sumida, voltei! Quem já passou pelo sufoco de um último ano de faculdade, último ano de estágio na angústia de uma efetivação, pela alegria da efetivação, pela loucura do aumento de responsabilidade, vai poder me entender...nem preciso falar mais nada.

Porém, estou de volta e cheia de histórias novas para contar e um monte de ‘babado’ da Diana pra te falar... Afinal, em um ano quanta história e quanta coisa não muda na vida da gente não é mesmo??? Imagina na vida de uma mulher como ela!

Pra quem não está muito antenado com o que eu estou falando, esclareço melhor: aqui você vai ouvir os desabafos da Diana (nossa personagem virtual) sobre o seu mundo feminino a procura do homem perfeito (que ela nunca vai achar). E não só isso, façamos deste um canal para trocarmos idéias e experiências, totalmente aberto a sugestões, críticas e opiniões.

Sempre ao final de uma nova história fica uma pergunta, que eu sempre fico louca para ouvir a resposta. Por isso, seja (novamente) bem-vindo.

Letícia Vidica

domingo, dezembro 24, 2006

CARTA AO PAPAI NOEL

Por Letícia Vidica

Estava pensando em escrever uma carta para o Papai Noel. Quando eu era pequena, já escrevi bastante. Todo Natal minha mãe me levava nos Correios para que eu postasse a minha cartinha. Eu ficava o ano inteiro pensando no que pedir para o bom velhinho: uma boneca, um vestido novo, um vídeo-game... a lista era sem grande e a minha ingenuidade também.

Acho que acreditei em Papai Noel até uns 12 anos. Foram 12 anos de muita euforia ao postar minha cartinha e receber na noite de Natal o presente, que eu acreditava ser do bom velhinho. Tempos ingênuos, tempo bom que me traz saudades...pois acho que a vida era bem mais colorida, quando eu acreditava que Papai Noel existia, vivia na Lapônia e entrava pela chaminé da minha casa, mesmo que minha casa não tivesse chaminé.

Depois que descobri que o bom velhinho era o meu pai e que ele não andava de renas, os Natais nunca mais foram os mesmos. A magia do Natal se perdeu um pouco dentro de mim. Mas esse ano, estou com vontade de escrever uma carta para o Papai Noel, pois acho que ele nunca morreu dentro de mim.

Se eu fosse escrever uma carta para o Papai Noel, o que eu pediria? Um namorado, obviamente, mas eu não quero qualquer homem. Tem que ser um homem carinhoso, que me entenda, que seja bonito, inteligente, educado, que goste da minha família, ature os meus defeitos, tenha muita disposição, seja bem-humorado, saiba me ouvir, odeie futebol, tenha poucos amigos, com uma mãe adorável (claro!)...será que é pedir muito? Se for difícil, Papai Noel pode me ceder um dos seus ajudantes natalinos, deve ter algum bonitinho disponível lá na Lapônia.

Mas será que eu seria feliz só com um namorado? As crianças abusam de seus pedidos, acho que ele não iria se importar. Dinheiro. Isso. Preciso de muito dinheiro para comprar um carro, reformar o meu apartamento, fazer uma longa viagem, trocar todo o meu guarda-roupas,pagar minhas contas (muito importante) e sair por aí sem ter que pedir descontos, comprar na promoção, parcelar em 500 mil vezes, ou seja, se me endividar ainda mais.
Namorado e dinheiro é uma ótima combinação. Ah, Papai Noel, ainda não sei se vou ser feliz...o que mais me falta? ... um ótimo emprego, claro. Estou gostando de trabalhar nessa nova agência,mas não seria nada mal se eu pudesse abir a minha e ter ótimos clientes, contas grandes, clientes grandes e ótimos funcionários.


Acho que é só: namorado, dinheiro e trabalho. Seria muito feliz assim, não seria? Não, não seria... Acho que tenho mais pedidos, mas Papai Noel não vai conseguir trazê-los numa única noite...mas me contento se, pelo menos, o meu primeiro pedido...não é pedir muito é?

O resto eu deixo pra cartinha do ano que vem...prometo!

quarta-feira, outubro 25, 2006

DONA DO MEU PRÓPRIO NARIZ... E DAS MINHAS DÍVIDAS TAMBÉM


Letícia Vidica

Acho que já comentei que sou uma publicitária ... dedicada, estressada, frustrada por não trabalhar numa grande agência. Uma agência renomada, com grandes contas, grandes prêmios, grandes festas, pessoas com pensamentos grandes, homens grandes...ops, vamos parar de delirar! A única coisa que bateu na minha porta foi uma agência de publicidade pequena, bem pequena não, média podemos dizer assim.

Trabalho na "Matuta Produções e Criações" há cinco anos. CInco anos me dedicando dia e noite a aguentar as reclamações do meu chefe, as encheções de saco do meu chefe, a chatice dos clientes, as reclamações do meu chefe, a chatice dos clientes e assim vai sucessivamente. No começo foi legal. Entrei na Matuta assim que saí da faculdade. Não queria ser mais uma com diploma na mão e sem emprego na outra. Aceitei uma das primeiras propostas que me apareceram. A grana no começo era legal. Também para quem ganhava pouco mais de um salário mínino como atendente de lanchonete, qualquer merréis é lucro.

Um ano, dois anos, três anos... cinco anos já se passaram e eu continuo na Matuta. Não sou mais uma profissional feliz. Não me sinto mais realizada. Todos os dias, quando o despertador toca, a minha vontade é deixar ele tocando e fingir que não estou ouvindo Dormir até meio-dia e fazer tudo aquilo que eu sempre quis fazer, mas a Matuta nunca deixou.

- Pede logo as contas, mulher.
- Ai, Betina, pra você que tem dinheiro, é fácil né? Esqueceu que eu moro sozinha e tenho minhas contas para pagar.


- Eu sei...mas se você está infeliz! E outra você é uma profissional competente e pode arrumar algo melhor.

Profissional competente é o que todos falam, mas até agora não lucrei com toda essa minha competência. O salário continua menor do que as minhas dívidas, trabalho mais do que o necessário, estou esquecendo quase tudo que aprendi poque não apliquei até agora (sou obrigada a seguir os padrões da publicidade de 1950). O mundo tá evoluindo e eu me sinto indo contra toda essa evolução.

**********

"Vai ser hoje. Hoje eu peço as contas. Vou chegar e dizer ´olha, muito obrigada, mas não dá mais não". É o que eu penso todos os dias em dizer, quando estou à caminho da agência. Chego lá sempre desejando que aquele seja meu último dia, mas nunca é. Será que esse dia vai chegar?

Sei que num país de desempregados não posso me dar ao luxo de querer jogar a minha única fonte de sustento para o alto, mas não aguento mais. Um dia, minhas preces serão ouvidas...

*******

- Bom dia, Diana!
- Nossa, Rose, que cara é essa?
- Te prepara, garota. O clima aqui é dos piores hoje.
- Posso saber por quê?
- Simplesmente porque perdemos a conta da SHZ.
- Da SHZ? Mas eles são os únicos clientes decentes e mais ricos que a gente tem...
- Pois é...


O dia seguiu até às seis da tarde com clima de velório e enterro ao mesmo tempo. A porta da chefia ficou fechada o dia todo. Meu querido chefe não saiu nenhuma hora para dizer algo. Como já era esperado, no fim do expediente, Seu Jorge reuniu a trupe:

- Gente, nem sei como começar a dizer isso...

Vou resumir: ele fez aquele discurso típico de que éramos uma ótima equipe, bons profissionais, que ele gostava muito da gente, mas que a empresa ia ter que passar por uma reestruturação e conter gastos. Preciso dizer que o meu salário e o meu emprego foi um dos gastos que ele cortou?!

Saí de lá com o meu sonho realizada: era mais uma desempregada no meio de milhões. Cheguei em casa meio pasma, meio feliz e meio triste. Agora eu era dona do meu próprio nariz. Não precisaria mais acordar cedo, aguentar encheções de saco de patrão e de cliente. Ia poder nadar, ir ao cinema numa tarde ensolarada, fazer tudo e nada numa segunda-feira...

Mas parecia que as contas coladas na geladeira gritavam: "Ô, sua pateta, e a gente? Como vamos ficar?". É, realmente, como eu ia ficar e como eu ia fazer pra pagar todas as contas que gritavam da minha geladeira. Eu até ia tirar uma grana do seguro desemprego e da rescisão,mas um dia a grana ia acabar. E esse dia estava muito próximo.

****

- O que eu faço?
- Ué, você não queria sair da agência.
- Queria...queria sair e não que me tirasse de lá. E agora? Como vou fazer? Vou ter que voltar pra casa dos meus pais. E eu jurei que não voltaria, que podia provar que seria independente, dona do meu próprio nariz...e agora só sou dona do meu prejuízo..
- Calma, Di, tudo vai se ajeitar. Guarda uma grana pra sobreviver esses meses e corre atrás de outro...
- Como se fosse fácil né? Fila, entrevista, processo seletivo...tudo de novo, não! Acho que vou me engajar para conseguir um homem rico...é isso...um homem rico é a solução para os problemas das mulheres solteiras desempregadas do Brasil.
- Ô anjinho, desce daí de cima. O máximo que você vai conseguir frequentar é o boteco da esquina e se contente de o dono do bar te der uma piscada...acorda!
- Ai, credo...


A Betina estava certa. Eu tinha que parar de sonhar e cair na real. Me arrependi por ter desejado um dia sair da Matuta. Agora estava aqui: sem emprego, com pouco dinheiro e cheia de dívidas para pagar e que não paravam de gritar de todos os cantos do meu apartamento.

PAPO DE CALCINHA: QUEM JÁ PASSOU PELO GOSTO TERRÍVEL DO DESEMPREGO? COMO SUPEROU?

UNIVERSO DA MULHER


GALERA, TÔ FICANDO POP!!!!

Daqui há alguns anos, terei meu nome estampado com luzes de neo nos outdoors da cidade...rs

Brincadeirinha, é que estou feliz e não podia deixar de dizer que o PAPO DE CALCINHA está ganhando novos horizontes....

Agora, além de publicar as histórias no blog, também estou postando no site UNIVERSO DA MULHER www.universodamulher.com.br. Por enquanto, tenho um link do blog no final da página. Mas, em breve, terei uma coluna todinha minha e você poderá me ajudar...

Um super beijo e não deixem de acessar lá e cá!

sexta-feira, outubro 06, 2006

"SERÁ QUE ELE É? É SIM E É MEU AMIGO!"


por Letícia Vidica

Moreno sarado, olhos castanhos que no sol viram cor de mel, sorriso encantador, inteligente, trabalhador, dois metros de muita saúde, educado, entende todos os meu problemas, aguenta as minhas crises, me diz umas verdades quando eu preciso, nunca me deixa sair de casa horrorosa ou com uma roupa nada a ver. Quem é ele? O homem perfeito? Um anjo? Será que a Diana desencalhou? Nada disso! Este deus de ébano é o meu melhor amigo, o Fabrício, mais conhecido na noite como Fafá Purpurina. É isso mesmo que vocês está pensando......felizmente ou infelizmente, eu eu o Fafá gostamos da mesma fruta. Ele é homossexual.
Achei que devia falar dele, pois depois das minhas amigas, o Fafá é uma das pessoas que mais me entende (e muitas vezes é a única). E depois de longos anos de amizade, cheguei a uma conclusão: o gay é o melhor amigo de uma mulher. Toda mulher deveria ter um amigo homossexual.
***************
Eu e o Fabrício nos conhecemos há uns dois anos no salão de cabelereiro que eu frequentava. Lembro que, quando cheguei no salão e olhei para aquele morenaço, logo alimentei esperanças...esperanças que morreram assim que ele veio me atender e disse descaradamente:
- Menina, que cabelo horroroso! Vamos dar um jeito nisso agora. - confesso que fiquei meio decepcionada de deixar que aqueles dois metros de altura virasse um concorrente meu. Mas logo me apaixonei por ele e passei uma tarde muito gostosa no salão.
Uma não. Várias. Porque depois desse dia, ele virou o meu cabelereiro e confidente número um. Todo sábado era sagrado ir no salão para ouvir as histórias do Fafá. Muito bem humorado e espalhafatoso também, ele sempre tinha uma boa história para contar e bons ouvidos para ouvir.
Nossa amizade começou a surgir assim, entre uma escova e outra. E logo logo, o Fafá já havia virado meu melhor amigo. De lá pra cá, a gente não se desgrudou mais. O coitado já aguentou muito choro meu e me deu muita bronca também por causa das minhas confusões amorosas e a gente também já passou momentos muito agradáveis juntos.
***************************
- Oi, amigaaaaaaaaaaaa....que horror, Diana. Você está com uma cara péssima. E esse pijama amassado às quatro horas da tarde? Minha filha, acorda pra vida. Sobreviva! - era sábado e mais um daqueles que eu estava na deprê total. Fazia um mês que eu havia acabado o namoro e estava carente.
- Entra, Fafá.
- Posso saber o motivo do velório?
- Tô mal. Hoje faz um mês que o Rodrigo me deixou.
- Linda, vamos mexer o bolo que a fila tá andando. Eu sempre te disse que aquele magricela não te merecia, mas você sempre insiste em errar né, fofa? Agora eu não admito que você perca esse dia lindo por causa de defunto? Sai desse corpo que não te pertence.
- É difícil, Fafá.
- Difícil é ressucitar, minha querida. Por isso, eu te dou meia hora para você tomar um banho, colocar uma roupinha, um batom, arrumar esse cabelinho e cair na gandaia comigo.
- Ah, não tô afim, Fafá...
- Sem choro nem vela...Um, dois, três.
Era sempre assim. Parece até que ele sentia quando eu não estava bem. Batia uma deprê e lá estava ele para me levantar. Já chegamos até a achar que fomos alma gêmeas em outras vidas, que a nossa ligação é cármica, sei lá.
***************************
Sempre que ele queria me animar me levava para a casa dos seus amigos. Eu costumava dar boas risadas por lá. Apesar de que, às vezes, a deprê só piorava, depois de ver tanto homem bonito, educado, malhado junto e saber que nenhum deles jamais ficaria comigo. O Fafá é que é feliz, sempre tem alguém.
Outro dia, ele apareceu com um negrão lindo, no outro, foi um lourão...cada hora era um mais lindo que o outro. Às vezes, entro até em paranóia ao ver tanto homem bonito saindo do mercado...e eu ficando aqui na ponta de estoque e ninguém querendo, ao menos, fazer uma degustação. Por isso, pra me consolar só mesmo o Fafá. Valeu amiguinho!


PAPO DE CALCINHA: VOCÊ TEM ALGUM AMIGO HOMOSSEXUAL? CONCORDA QUE O HOMOSSEXUAL É UM ÓTIMO AMIGO DA MULHER?lericiav@ig.com.br

segunda-feira, setembro 25, 2006

TAMANHO NÃO É DOCUMENTO, MAS A IDADE...

- Nossa, como você está metida, Betina... outro dia, te vi correndo com o seu sobrinho gatinho do lado lá no parque e você nem me olhou, hein? Vai ser tia dedicada assim...
- Não era meu sobrinho, Lili! É o Pedro, o meu novo gatinho...
- O quê?! Aquele menino pingando leite é o seu novo caso? Toma vergonha na cara né?
- Qual o problema?
É, qual o problema?! Esse foi o tema daquela tarde de domingo, regada a pipoca e Faustão (no mudo, confesso) na casa da Betina. Ela havia arrumado um novo casinho. Nada mal para uma pessoa que está solteira há quase um ano. Mas agora ela havia resolvido soltar as frangas. Nada mal senão fosse para cima de um pintinho.
A Betina havia conhecido o Pedro na biblioteca da faculdade dela. Detalhe: ela está fazendo MBA e ele está no primeiro semestre do primeiro ano de Administração. A Betina tem quase 30 anos e o Pedrinho, 18.
- Ai, gente, qual o problema com a idade do Pedrinho?! Eu não ligo. Ele é uma gracinha e bem melhor que esses velhos gagás que eu já arrumei. É bem mais saúde, mais disposto, mais alegre e, sem contar, que eu acho o máximo passear com ele no corredor da faculdade e ver aqueles menininhas babarem por ele...
- Isso é ridículo, Bê. As meninas devem pensar o que uma tiazinha está fazendo com um menininho...dando de mamar?
- Ih, Lili...não to te entendendo, você é bem mais velha que eu e eu sou a tiazinha?
Nem preciso dizer que as duas passaram a tarde toda trocando faíscas sobre o bebezinho da Betina. Eu resolvi nem me meter. Afinal de contas, concordo com ela, pra quem ta solteira, qualquer sorriso é lucro. Se bem que eu não sei se encararia um baby ao meu lado.
*****
Eu sempre procurei um cara mais maduro, responsável, dono do próprio negócio, que fosse dono de si e que me desse total segurança. Mas só arranjei, até hoje, moleques perdidos, vagabundos, irresponsáveis e que me deixaram á beira de um ataque de nervos. Sem contar que os caras mais velhos com quem me envolvi, em sua maioria, já eram envolvidos.
Acho esse lance de idade muito complicado, sabe? Nesta parte, tenho que admitir que os homens são bem menos grilados. Sendo mulher ta valendo.
*****
Eu já estava sem dar uns beijinhos fazia umas semanas, sem dar um amasso há alguns meses e sem ouvir uma palavra carinhosa há quase um ano. Estava começando a me achar a pessoa mais sem graça e mal amada do mundo. E, quando me sinto assim, corro pra uma livraria, compro um desses livros espíritas ou de auto-ajuda (mas é segredo hien?) para buscar respostas para mim mesma. E aquele era mais um dia de livraria.
Andando pelos corredores, dei de cara com um tema que me chamou a atenção ‘ COMO ENTENDER AS MULHERES – UM LIVRO FEITO PARA MULHERES" Comecei a folheá-lo, até que percebi uma sombra atrás de mim e uma voz também:
- Nossa, mas você é tão complicada assim?
Quando me virei, me deparei com um sorriso encantador, um charme irresistível e um perfume dos deuses. Um homem muito bem vestido e uma voz linda estavam me olhando.
- Desculpe a brincadeira... é que eu ia pegar este livro e você se adiantou.
- Ah, você também quer entender as mulheres?! – ironizei
- Preciso. Sou terapeuta. Prazer, Alberto! – ele me estendeu a mão, entregando um cartão para quando eu precisasse de uma terapia. Incrível que, no dia seguinte, eu precisei (rs)?!
Telefonei pra ele e marquei uma consulta. Nem sei bem o que eu disse, mas a terapia fez muito bem pro meu ego. Tão bem que eu me consultei mais umas três vezes, até aceitar um café. Ele era divorciado, pai de dois filhos e era bem mais velho do que eu. Se não fossem seus charmosos cabelos brancos, ninguém diria que ele tinha 50 anos.
O Alberto era uma companhia muito agradável. Relutei um pouco pela idade, no começo. Poxa, o cara poderia ser meu pai! Mas ele era tão cavalheiro (coisa difícil de se encontrar hoje em dia) que eu me derreti toda. Até ir jantar com ele e os filhos eu fui. Pagando de madrasta acredita?!
****
- Você saindo com um tiozinho, Diana?
- Ah, gente, ele não é tão tiozinho assim, só tem uns 23 anos a mais do que eu. O que são 23 anos?
- O tempo suficiente para ele ter uma filha da sua idade...
- E ele tem...é a Adriana, um amor de pessoa sabia, Lili?!
- Num creio!
- viu só? Vocês ficam me criticando por causa do Pedro e agora ela vem com um tiozinho viu só? A idade não tem nada a ver...
- Não tem mesmo...aquele ali se abraçando naquele carro não é o Pedro?
Preciso dizer que o Pedro trocou a Betina por uma dessas garotinhas com jeito de Barbie Girl e com a metade da idade dela?! Talvez, a idade tenha realmente alguma importância. Pelo menos, para alguma das partes. No meu caso, eu acho que pesou mais pra mim. Eu ainda tenho muito a conquistar e a fazer. O Alberto já conquistou tudo, até a aposentadoria, e eu ainda não estou em idade de bingo. Vai entender as mulheres né?
PAPO DE CALCINHA: Amiga, você já se envolveu com alguém mais velho ou mais novo do que você? E aí, o lance deu certo? Conta vai...

terça-feira, setembro 19, 2006

TAMANHO NÃO É DOCUMENTO, MAS A IDADE...

Por Letícia Vidica

- Nossa, como você está metida, Betina... outro dia, te vi correndo com o seu sobrinho gatinho do lado lá no parque e você nem me olhou, hein? Vai ser tia dedicada assim...

- Não era meu sobrinho, Lili! É o Pedro, o meu novo gatinho...

- O quê?! Aquele menino pingando leite é o seu novo caso? Toma vergonha na cara né?

- Qual o problema?

É, qual o problema?! Esse foi o tema daquela tarde de domingo, regada a pipoca e Faustão (no mudo, confesso) na casa da Betina. Ela havia arrumado um novo casinho. Nada mal para uma pessoa que está solteira há quase um ano. Mas agora ela havia resolvido soltar as frangas. Nada mal senão fosse para cima de um pintinho.

A Betina havia conhecido o Pedro na biblioteca da faculdade dela. Detalhe: ela está fazendo MBA e ele está no primeiro semestre do primeiro ano de Administração. A Betina tem quase 30 anos e o Pedrinho, 18.

- Ai, gente, qual o problema com a idade do Pedrinho?! Eu não ligo. Ele é uma gracinha e bem melhor que esses velhos gagás que eu já arrumei. É bem mais saúde, mais disposto, mais alegre e, sem contar, que eu acho o máximo passear com ele no corredor da faculdade e ver aqueles menininhas babarem por ele...

- Isso é ridículo, Bê. As meninas devem pensar o que uma tiazinha está fazendo com um menininho...dando de mamar?

- Ih, Lili...não to te entendendo, você é bem mais velha que eu e eu sou a tiazinha?
Nem preciso dizer que as duas passaram a tarde toda trocando faíscas sobre o bebezinho da Betina. Eu resolvi nem me meter. Afinal de contas, concordo com ela, pra quem ta solteira, qualquer sorriso é lucro. Se bem que eu não sei se encararia um baby ao meu lado.

*****

Eu sempre procurei um cara mais maduro, responsável, dono do próprio negócio, que fosse dono de si e que me desse total segurança. Mas só arranjei, até hoje, moleques perdidos, vagabundos, irresponsáveis e que me deixaram á beira de um ataque de nervos. Sem contar que os caras mais velhos com quem me envolvi, em sua maioria, já eram envolvidos.
Acho esse lance de idade muito complicado, sabe? Nesta parte, tenho que admitir que os homens são bem menos grilados. Sendo mulher ta valendo.

*****

Eu já estava sem dar uns beijinhos fazia umas semanas, sem dar um amasso há alguns meses e sem ouvir uma palavra carinhosa há quase um ano. Estava começando a me achar a pessoa mais sem graça e mal amada do mundo. E, quando me sinto assim, corro pra uma livraria, compro um desses livros espíritas ou de auto-ajuda (mas é segredo hien?) para buscar respostas para mim mesma. E aquele era mais um dia de livraria.

Andando pelos corredores, dei de cara com um tema que me chamou a atenção ‘ COMO ENTENDER AS MULHERES – UM LIVRO FEITO PARA MULHERES" Comecei a folheá-lo, até que percebi uma sombra atrás de mim e uma voz também:

- Nossa, mas você é tão complicada assim?

Quando me virei, me deparei com um sorriso encantador, um charme irresistível e um perfume dos deuses. Um homem muito bem vestido e uma voz linda estavam me olhando.

- Desculpe a brincadeira... é que eu ia pegar este livro e você se adiantou.

- Ah, você também quer entender as mulheres?! – ironizei

- Preciso. Sou terapeuta. Prazer, Alberto! – ele me estendeu a mão, entregando um cartão para quando eu precisasse de uma terapia. Incrível que, no dia seguinte, eu precisei (rs)?!

Telefonei pra ele e marquei uma consulta. Nem sei bem o que eu disse, mas a terapia fez muito bem pro meu ego. Tão bem que eu me consultei mais umas três vezes, até aceitar um café. Ele era divorciado, pai de dois filhos e era bem mais velho do que eu. Se não fossem seus charmosos cabelos brancos, ninguém diria que ele tinha 50 anos.

O Alberto era uma companhia muito agradável. Relutei um pouco pela idade, no começo. Poxa, o cara poderia ser meu pai! Mas ele era tão cavalheiro (coisa difícil de se encontrar hoje em dia) que eu me derreti toda. Até ir jantar com ele e os filhos eu fui. Pagando de madrasta acredita?!

****

- Você saindo com um tiozinho, Diana?

- Ah, gente, ele não é tão tiozinho assim, só tem uns 23 anos a mais do que eu. O que são 23 anos?

- O tempo suficiente para ele ter uma filha da sua idade...

- E ele tem...é a Adriana, um amor de pessoa sabia, Lili?!

- Num creio!

- viu só? Vocês ficam me criticando por causa do Pedro e agora ela vem com um tiozinho viu só? A idade não tem nada a ver...

- Não tem mesmo...aquele ali se abraçando naquele carro não é o Pedro?

Preciso dizer que o Pedro trocou a Betina por uma dessas garotinhas com jeito de Barbie Girl e com a metade da idade dela?! Talvez, a idade tenha realmente alguma importância. Pelo menos, para alguma das partes. No meu caso, eu acho que pesou mais pra mim. Eu ainda tenho muito a conquistar e a fazer. O Alberto já conquistou tudo, até a aposentadoria, e eu ainda não estou em idade de bingo. Vai entender as mulheres né?

PAPO DE CALCINHA: Amiga, você já se envolveu com alguém mais velho ou mais novo do que você? E aí, o lance deu certo? Conta vai...

segunda-feira, setembro 18, 2006


TAMANHO NÃO É DOCUMENTO, MAS A IDADE...

Por Letícia Vidica


- Nossa, como você está metida, Betina... outro dia, te vi correndo com o seu sobrinho gatinho do lado lá no parque e você nem me olhou, hein? Vai ser tia dedicada assim...

- Não era meu sobrinho, Lili! É o Pedro, o meu novo gatinho...

- O quê?! Aquele menino pingando leite é o seu novo caso? Toma vergonha na cara né?
- Qual o problema?

É, qual o problema?! Esse foi o tema daquela tarde de domingo, regada a pipoca e Faustão (no mudo, confesso) na casa da Betina. Ela havia arrumado um novo casinho. Nada mal para uma pessoa que está solteira há quase um ano. Mas agora ela havia resolvido soltar as frangas. Nada mal senão fosse para cima de um pintinho.

A Betina havia conhecido o Pedro na biblioteca da faculdade dela. Detalhe: ela está fazendo MBA e ele está no primeiro semestre do primeiro ano de Administração. A Betina tem quase 30 anos e o Pedrinho, 18.

- Ai, gente, qual o problema com a idade do Pedrinho?! Eu não ligo. Ele é uma gracinha e bem melhor que esses velhos gagás que eu já arrumei. É bem mais saúde, mais disposto, mais alegre e, sem contar, que eu acho o máximo passear com ele no corredor da faculdade e ver aqueles menininhas babarem por ele...

- Isso é ridículo, Bê. As meninas devem pensar o que uma tiazinha está fazendo com um menininho...dando de mamar?

- Ih, Lili...não to te entendendo, você é bem mais velha que eu e eu sou a tiazinha?
Nem preciso dizer que as duas passaram a tarde toda trocando faíscas sobre o bebezinho da Betina. Eu resolvi nem me meter. Afinal de contas, concordo com ela, pra quem ta solteira, qualquer sorriso é lucro. Se bem que eu não sei se encararia um baby ao meu lado.

*****

Eu sempre procurei um cara mais maduro, responsável, dono do próprio negócio, que fosse dono de si e que me desse total segurança. Mas só arranjei, até hoje, moleques perdidos, vagabundos, irresponsáveis e que me deixaram á beira de um ataque de nervos. Sem contar que os caras mais velhos com quem me envolvi, em sua maioria, já eram envolvidos.
Acho esse lance de idade muito complicado, sabe? Nesta parte, tenho que admitir que os homens são bem menos grilados. Sendo mulher ta valendo.

*****

Eu já estava sem dar uns beijinhos fazia umas semanas, sem dar um amasso há alguns meses e sem ouvir uma palavra carinhosa há quase um ano. Estava começando a me achar a pessoa mais sem graça e mal amada do mundo. E, quando me sinto assim, corro pra uma livraria, compro um desses livros espíritas ou de auto-ajuda (mas é segredo hien?) para buscar respostas para mim mesma. E aquele era mais um dia de livraria.

Andando pelos corredores, dei de cara com um tema que me chamou a atenção ‘ COMO ENTENDER AS MULHERES – UM LIVRO FEITO PARA MULHERES" Comecei a folheá-lo, até que percebi uma sombra atrás de mim e uma voz também:

- Nossa, mas você é tão complicada assim?

Quando me virei, me deparei com um sorriso encantador, um charme irresistível e um perfume dos deuses. Um homem muito bem vestido e uma voz linda estavam me olhando.
- Desculpe a brincadeira... é que eu ia pegar este livro e você se adiantou.

- Ah, você também quer entender as mulheres?! – ironizei

- Preciso. Sou terapeuta. Prazer, Alberto! – ele me estendeu a mão, entregando um cartão para quando eu precisasse de uma terapia. Incrível que, no dia seguinte, eu precisei (rs)?!

Telefonei pra ele e marquei uma consulta. Nem sei bem o que eu disse, mas a terapia fez muito bem pro meu ego. Tão bem que eu me consultei mais umas três vezes, até aceitar um café. Ele era divorciado, pai de dois filhos e era bem mais velho do que eu. Se não fossem seus charmosos cabelos brancos, ninguém diria que ele tinha 50 anos.

O Alberto era uma companhia muito agradável. Relutei um pouco pela idade, no começo. Poxa, o cara poderia ser meu pai! Mas ele era tão cavalheiro (coisa difícil de se encontrar hoje em dia) que eu me derreti toda. Até ir jantar com ele e os filhos eu fui. Pagando de madrasta acredita?!

****

- Você saindo com um tiozinho, Diana?

- Ah, gente, ele não é tão tiozinho assim, só tem uns 23 anos a mais do que eu. O que são 23 anos?

- O tempo suficiente para ele ter uma filha da sua idade...

- E ele tem...é a Adriana, um amor de pessoa sabia, Lili?!

- Num creio!

- viu só? Vocês ficam me criticando por causa do Pedro e agora ela vem com um tiozinho viu só? A idade não tem nada a ver...

- Não tem mesmo...aquele ali se abraçando naquele carro não é o Pedro?

Preciso dizer que o Pedro trocou a Betina por uma dessas garotinhas com jeito de Barbie Girl e com a metade da idade dela?! Talvez, a idade tenha realmente alguma importância. Pelo menos, para alguma das partes. No meu caso, eu acho que pesou mais pra mim. Eu ainda tenho muito a conquistar e a fazer. O Alberto já conquistou tudo, até a aposentadoria, e eu ainda não estou em idade de bingo. Vai entender as mulheres né?

PAPO DE CALCINHA: Amiga, você já se envolveu com alguém mais velho ou mais novo do que você? E aí, o lance deu certo? Conta vai...

terça-feira, agosto 29, 2006

A OUTRA DA HISTÓRIA


Por Letícia Vidica

Nós, mulheres, somos um bicho estranho realmente. Dependendo da lua, a gente varia o nosso humor e a nossa opinião também. Quando eu namorava com o Beto, há muito tempo atrás (porque faz muito tempo mesmo que eu namoro), em abominava traição. Morria de ódio, quando ele vinha me contar as histórias dos seus amigos garanhões que traíam as namoradas. Ficava irada mais ainda com as desculpinhas para trair (que são sempre as mesmas tiradas do Manual da Traição): ‘Nosso relacionamento não está legal”, “Ela já não é mais atenciosa”, “Estou confuso”... todas regadas de muito drama e nenhuma vergonha na cara.

Sempre fui do tipo de mulher que acha que, se o namoro não está legal, é mais fácil terminar. Fácil também é dizer, quando não se vive. Cá estava eu, estática na praça de alimentação daquele shopping, com um sorvete na mão e boquiaberta com a declaração da Betina:

- Di, aquele não é o Carlos?! Ao lado daquela mulher maravilhosa e daquele garotinho fofo?!

Rebobinando a história: Eu conheci o Carlos num workshop que a agência em que eu trabalho promoveu. Um cara muito culto, descolado, inteligente, lindo e maravilhoso. Nem preciso falar que me derreti toda né? A gente, obviamente, se envolveu e bastante. Toda semana a gente se via e eu estava realmente ligadona nele. Cheguei até a pensar que ele era o homem da minha vida. Porém, naquele instante, achei que meu homem estava era saindo da minha vida.

Pude constatar com meus próprios olhos naquele shopping de que o príncipe encantado já tinha uma rainha e um principezinho lindinho por sinal.

- Não acredito que esse cachorro é casado!

- Você nunca percebeu nada, Di?

- Como eu ia perceber?! O cara me liga todo dia, vai lá em casa e você quer que eu ache que ele ia ter tempo para uma família?

- Mas, pelo visto, tem...Se eu fosse você, ia lá agora e cumprimentava ele. Quero ver a cara com ele vai ficar. – A Betina era do tipo barraqueira mesmo e já queria ver o circo pegar fogo, mas eu preferia apagar a fogueira.

- Deixa ele com a familiazinha dele!

Fui para casa irada aquele dia. Como eu podia ser enganada? Ele não tinha o direito e nem eu tinha o direito de destruir uma família feliz. Eu podia ser responsável pelo futuro daquele garotinho. Se os seus pais se separassem por minha causa, ele poderia crescer revoltado! Peraí...eu não tinha que me sentir assim, afinal o cachorro da história era o Carlos e não eu! Resolvi que ia sumir da vida dele, mas ele não quis sumir da minha.

Andava me ligando, mas eu nunca atendia. Deixava recados na caixa postal, na secretária eletrônica, mandava emails ... mas eu me mantive firme e não quis saber dele. Insistente como sempre, um dia desses estava saindo da agência, quando vi que alguém me esperava do outro lado da rua – era o Carlos!

- Diana, o que houve? Por que você não me atende mais?

Como era cínico.

- Não quero atrapalhar sua vida.

- Como assim? O nosso lance está tão bacana, como você vai atrapalhar?

- Eu não quero ficar entre você e sua esposa.

Naquele momento, ele se calou e ficou me olhando com cara de espanto.

- Não precisa dizer nada não,Carlos. Eu vi a família feliz andando no shopping. Se você não é homem suficiente para me contar, eu sou mulher suficiente para sair da sua vida. Adeus.

Ele me pegou pelos braços e pediu para se explicar. Eu não deveria escutar nem uma vírgula dele, mas fui até o bar do outro lado da rua, aceitei uma cerveja e pus os meus ouvidos a escutarem suas desculpas. Ele disse que era casado há 9 anos, mas que nos últimos tempos o relacionamento não estava legal, ele não era mais feliz , até que eu apareci na vida dele. Ele disse que sabia que não era certo esconder de mim, mas que ia me contar logo mais. Perguntei porque ele não se separava então. Disse que o Lucas, o filho, tinha alguns probleminhas e ele não poderia deixar o filho na mão. Porém, prometeu que ia tomar uma solução rápida e me pediu para ser paciente e eu...

Fui paciente por mais cinco meses. Eu só podia ser uma idiota mesmo né? Eu que sempre abominei traições, agora era a responsável por uma delas. Estava sendo a outra da história. Suportei a ausência dele aos finais de semana, a presença dele na minha casa duas ou três vezes na semana, me submeti a ser discreta ... tudo acreditando na separação.

Separação esta que só rolou com a gente. Certo dia, ele apareceu lá em casa e eu estava toda produzida e minha casa também: jantazinho , velas na mesa, vinho, uma música no som, lingerie nova... e telefone tocando.

- Carlos? Oi, amor. Estou lhe esperando.

- É, eu sei...mas eu não vou poder ir.

- Como assim não vai poder ir? Eu fiz tudo que você mais gostava, até cozinhar eu cozinhei, abri o meu melhor vinho e você vai me deixar aqui plantada?

- Tente entender,florzinha. O Lucas não passou bem esta noite e eu e a Laura, minha esposa, resolvemos que a melhor solução é levá-lo para se tratar no Exterior. Parto amanhã para o Canadá.

- Como assim?! Você fala como se estivesse indo para o outro lado da esquina? E a separação?

- Desculpe, minha flor. Eu não queria te magoar.

Naquela noite, só mesmo minha amiga de guerra para me consolar. Passei a noite toda chorando no colo da Betina. Não sei se eu chorava mais de raiva dele ou de mim que, mais uma vez, achou que poderia viver um conto de fadas.

Nunca mais falei com o Carlos e nunca mais também quis ser a outra da história. Decidi que se eu não for a história, do outro lado eu também não quero ficar.

PAPO DE CALCINHA: Cara amiga, fala pra mim, você já foi a outra? Conte sua história para gente!