segunda-feira, outubro 05, 2009

CADA UM NO SEU QUADRADO


Por Letícia Vidica


Aquele era um dos meses que minha conta bancária estava sorrindo. Eu havia recebido uma bonificação bem gordinha, por sinal, por um trabalho que fiz na agência. Por isso, resolvi aplicar a grana na reforma do meu apartamento que há muitos anos estava com a mesma cara, o mesmo tapete, a mesma parede e mesmo do mesmo me irrita profundamente. Resolvi radicalizar e reformar. Só tinha um probleminha. Eu teria que sair para que a reforma entrasse e para onde eu iria?

- Ai, amiga, você pode ficar lá em casa se quiser...vou adorar ter uma companhia para conversar - oferecia gentilmente Lili a sua casa.

Apesar do convite ter sido feito de forma tão doce e sutil, eu tive que recusar. Eu não aguentaria passar um mês entre as brigas e vai e vem da Lili e o Otávio. Docemente eu recusei.

- Di, se quiser já sabe né? Meu apê é pequeno, mas parece coração de mãe. - oferecia Betina com aquele seu jeito despojado.

Mesmo sabendo que eu e a Betinha tinhamos muito em comum e que eu escaparia das brigas da Lili e do seu sapo príncipe, sei muito bem o gênio que a Betina tem e seria briga na certa. Somos amigas, mas cada uma no seu quadrado é melhor.

- Diana, que história é essa de que você vai reformar o seu apartamento e não me fala nada?

Nem preciso dizer que era minha mãe me ligando e me cobrando porque eu não avisei que ia reformar minha casa. Apesar de estar fora da casa dos meus pais há anos, minha mãe ainda acha que tem domínio sobre a minha vida e fica desapontadíssima se eu não aviso a ela sobre os meus passos.

- Agora não vai me dizer que não vir para cá né?

Seria uma ofensa dizer não para a minha mãe, mas preferi ofendê-la do que passar um mês em meio a guerra.

- Gata, fica lá em casa. Não tem problema...
- Ah, Pi, mas e a sua mãe?
- Tá tudo certo...já falei com ela. Ela topou e já está te esperando.

Resolvi fazer as malas e me mudar para casa do Pierre. Achei que ia ser uma boa idéia, afinal de contas seria um mês mais próxima do meu gatinho. Não tinha como ser uma cilada, tinha?

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Cheguei de mala e cuia na casa do Pierre. A mãe dele me recebeu super bem como era de praxe. Me instalei no quarto do Pierre e na primeira semana bem que eu estava gostando da experiência. Trocávamos confidências, a mãe dele me tratava com o se eu fosse a filha que ela nunca teve, era Diana para cá, Didi pra lá, mandava a Neide (a cozinheira) todos os dias fazer o cardápio à minha moda. Confesso que até me espantei com tanta hospitalidade...

- Diana, meu amor, desça logo para comer porque eu mandei a Neide preparar um salmãozinho que eu sei que você ama!!!
- Hmmm...que delícia...não precisa tanto...
- Desse jeito eu vou ficar com ciúmes, mãe - lamentava Pierre com ciúmes do tratamento da mãe comigo.

Porém, tudo que é bom dura pouco né e com o passar dos dias aquela cordialidade toda começou a me sufocar...

...certo dia cheguei em casa (ou melhor na casa do Pierre) cansada, estressada depois de um dia estafante de trabalho. Subi para tomar banho e quando entrei no quarto cadê a minha mala? Minhas coisas haviam sumido!!!!

- Neide, você viu as minhas coisas?
- Ah, a patroa pediu que eu arrumasse no armário... e eu coloquei umas roupas para lavar também. Ah e sabe aquela sua jaquetinha rosa que estava na cadeira? A Meg comeu!!

Detalhe: quase todas as minhas roupas estavam lavando. Será que eu sou tão suja assim? Se não bastasse minhas roupas terem virado alimento da cachorrinha e estarem todas na lavanderia, minha querida sogra simplesmente se deu o direito de fazer uma triagem nas minhas roupas e mandou algumas para reforma, outras foram para o bazar beneficente das donas de casa sem nada para fazer , ganhei outras novas, ou seja, invasão total de privacidade. Tentei engolir essa, desceu com gosto amargo, demorei para digerir mas não quis criar conflitos porque eu era apenas uma visita e briga com sogra é coisa que toda nora deve evitar.

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- Ai, meninas, ainda bem que vocês puderam me ver. Eu precisava respirar.
- Nossa, Diana, o que foi?
- Ai, Lili, eu não aguento mais a mãe do Pierre. A veia simplesmente está me sufocando.
- Eu disse para você ficar lá em casa, mas você preferiu ficar na casa do gatinho!!!
- E eu ia adivinhar que ela era louca e sufocadora, Betina?!
- Mas o que aconteceu?
- Aconteceu que eu não tenho mais liberdade. Acreditam que ela reformou todo o meu guarda roupa? Jogou minhas roupas fora porque achou que estavam velhas e bregas. O que aquela perua entende de moda?! Deu aquele meu vestido de bolinhas retrô que eu amo para o bazar beneficente daquelas velhas sem ter o que fazer?!! Ai, meninas, vocês precisam ir no bazar recuperar o meu vestido!!! Sem contar que ela controla a hora que eu chego, que eu levanto, que eu saio, que eu como...fica ouvindo conversas minhas e do Pierre atrás da porta...eu não aguento mais...
- E o Pierre?
- Ah, o Pierre...ele é um palerma...não faz nada...só diz para eu ter calma que a mãe dele só quer me agradar...é mãe né? Ele nunca vai ficar contra ela.
- Então porque você não arranja uma desculpa e fica lá em casa?
- Ai, obrigada, Lili...mas eu não posso sair assim e só faltam duas semanas para reforma acabar... eu vou ter que aguentar esse inferno.

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Resolvi que não me abalaria com a falta de privacidade, mas estava cada dia mais difícil.
Era sábado. O Pierre tinha saído para jogar bola com alguns amigos e eu fiquei dormindo. Estava tão cansada que embalei no sono e nem vi que estava passando dos limites. Mas até aí eu não estava incomodando ninguém. De repente, fui acordada (ou enxotada) pela Neide com sua vassoura e minha sogra gritando atrás:

- Hora de acordar mocinha...está um lindo sol lá fora e você vai lá no bazar comigo.
- Bommm dia... - eu disse com a cara amassada - eu vou onde?
- No bazar comigo...já falei para todas as minhas amigas que você vai nos ajudar...
- Poxa, dona Mary, eu adoraria...mas hoje eu fiquei de fiscalizar a obra lá no meu apartamento...o pedreiro está me esperando...
- Ah, ele ligou aqui e já desmarquei com ele.
- Como assim a senhora desmarcou???!!!
- Desmarquei, meu amor. Você estava aí hibernando e como você vai comigo no bazar.
Como eu não tenho sangue de barata, resolvi atacar a velha.
- Como assim desmarcou e eu vou no bazar? Eu não vou a lugar nenhum!!! A senhora ficou louca? Só pode ser...como pode desmarcar um compromisso meu? Sabe muito bem que eu estou reformando o meu apartamento...
- Eu só quis te ajudar, meu amor...além do mais para que pressa de ir embora??? Acho até que você devia vender esse apartamento e se mudar para cá.
- Isso é uma piada né?

Nesse momento, Pierre chegou e pegou nossa conversa acalorada. Logo se tocou que estávamos trocando palavras nada carinhosas.

- O que está acontecendo aqui?
- A sua mãe - eu comecei a tentar me explicar, mas a minha sogra logo se intrometeu...
- Nada, filho. Besteira da Diana. Olha, Di, tô te esperando lá embaixo...vê se desce logo porque não podemos nos atrasar hein?

....

- Eu não aguento mais, Pierre. Eu vou embora!
- Como assim vai embora?
- A sua mãe...a sua mãe me sufoca. Você nao sabe o que ela fez...ela desmarcou com o pedreiro e está me obrigando a ir nesse bazar com ela...sem contar que ela doou as minhas roupas...se eu ficar aqui mais um minuto eu vou morrer sem ar...
- Você não acha que está exagerando, Diana? A minha mãe só quer te agradar...
- Exagerando eu?! Sua mãe não quer me agradar, ela quer me sufocar...olha eu amo você, mas se eu ficar aqui mais um minuto vai ser a morte do nosso relacionamento e eu não quero me desentender mais com a sua mãe do que eu já me desentendi.
- Dá um tempinho, gata. Eu vou falar com ela.

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O Pierre até falou com ela, mas nada adiantou. Ela começou a se fazer de vítima e tudo que ela fazia para mim se justificava que era para o meu bem, se eu não me incomodaria e dessa forma sobrevivi aos últimos dias.

- Obrigada pela estadia, dona Mary - eu disse aliviada e pronta para voltar para meu apartamento reformado em folha
- Que isso. Espero que tenha gostado. Sempre que quiser voltar será um prazer.
- Claro...- claro que eu jamais voltaria aqueles tinham sido os dias mais difíceis da minha vida.

...

- Oi, Di, o bom filho a casa torna? - dizia Betina ao telefone para saber como tinha sido o retorno para o apê
- Graças a Deus eu tenho casa para retornar né?
- Ué achei que você tinha gostado da vidinha a três (risos)
- Nem por brincadeira, Bê... eu amo o meu namorado, mas aguentar a mãe dele é amor demais para mim...só sei que eu aprendi uma lição...eu amo a minha privacidade e namoro a parte e melhor cada um no seu quadrado...hahahahahahaha

Papo de Calcinha: Você já passou por alguma situação semelhante ou teve sua privacidade diminuída por dividir a casa com alguém?

sábado, setembro 19, 2009

AQUELE PORRE


Por Letícia Vidica

Primeiro porre é como primeira vez. Todo mundo vai ter um dia, nem sempre é tão bom e ninguém nunca mais esquece. Apesar de ser uma experiência vivida por muita gente os efeitos não são os mesmos para todo mundo, mas as desculpas de quem quer tomar um porre são quase sempre as mesmas:

Tem gente que toma um porre para se libertar. Sabe aqueles caras ou aquelas minas que são tímidas, mas aproveitam a bebedeira para se libertar dos paradigmas, dançar o Créu em cima da mesa do bar na maior naturalidade e não sentir a menor culpa por isso? Ou para dar para o primeiro cara que te olha e acordar descabelada no dia seguinte na cama de um desconhecido sem o menor pudor?

Tem gente que toma um porre para afogar as mágoas, o típico porre romântico. Levou um fora do gato e precisa de um consolo. Nada melhor do que um porre para consolar. O porre nesse caso se torna o melhor terapeuta que alguns podem ter. É beber e chorar, chorar e beber na ordem que você quiser.

Tem gente que toma um porre para se socializar. Já parou para pensar que se não fosse aquele porre muita gente por aí não teria amigos?

E tem gente que toma um porre porque simplesmente quer tomar e pronto! "Hoje eu vou tomar um porre não me socorre que eu tô afim..."

Geralmente, eu costumo tomar um porre por essa última opção. Simplesmente porque tô afim.

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- Diana, não acha que está na hora de parar? Já bebeu demais por hoje!
- Ihhhhh, Betinaaaa...pô parar...eu avisei que hoje eu queria sair para beber e eu vou beber até cansar...eu vou tomar um porre não me socorre que eu tô afim...larga a mão de ser chata.
- Vixi, Betina, quando começa a cantar é que o negócio tá feio hein? - dizia Lili já reconhecendo os meus típicos sinais de que eu já havia bebido demais.
- Ok, Diana, não quero cortar o barato de ninguém, mas já são quase 5 horas da manhã e a gente está aqui desde às 22h?!
- Olha, eu fui...vocês são muito chatas, sabia? ...eu vou dançar que eu ganho mais... Uhuuuu

Não sei como e qual foi a ordem dos fatores só sei que amanheci no dia seguinte com a maior dor de cabeça, daquelas que um simples barulho de folhas balançando se assemelham ao tiro de canhão ao pé do ouvido.

- Hora de acordar, mocinha...
- Ai, Betina, fecha essa janela, pelo amor de Deus - eu disse cobrindo o rosto para esconder os raios solares que infiltravam na minha mente - que horas são?
- Hora de acordar, moça. Mas você abusou ontem hein?
- Eu?! Não consigo me lembrar de nada...
- Talvez porque você apagou e tivemos que pedir pro Pedrão te carregar até o carro né? Nunca vi...vai ter pique assim para beber hein?
- Só sei que minha cabeça tá doendo muito...eu não vou levantar da cama hoje...
- Acho difícil que isso aconteça hein? O Pierre já ligou umas dez vezes atrás de você...

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, a minha campainha tocou e o Pierre entrou como um furacão no quarto.

- Caramba, Diana, custa atender a p... do celular?!
- Tchau, gente, tenham um ótimo dia. - disse Betina saindo pela tangente e já sentindo que o clima ia esquentar.
- Ai, que estresse, Pierre. Eu estava dormindo.
- Até essa hora? A farra foi boa ontem hein? E que cara é essa? Aposto que você bebeu até cair. Já falei para você que isso é ridículo e que eu não quero mulher minha bebendo em porta de bar...
- Menos, Pierre, muito menos. Em primeiro lugar, eu não sou sua. Não tô à venda. Somos apenas namorados. Segundo, pimenta nos olhos dos outros é refresco né?

Eu acho engraçado os homens. Nós somos obrigadas a aguentar a ressaca deles depois de várias noites de bebedeira e com a gente isso não pode acontecer?!
Mas eu estava acostumada. Isso sempre acontecia. Toda vez que eu tomava um porre, o Pierre sempre me dava um sermão. Eu fingia que escutava tudo, mas na verdade só conseguia me concentrar na minha dor de cabeça. No fim sempre acaba tudo bem, ele me ajuda a tomar banho, prepara uma comidinha para mim e terminamos o dia de pés coladinhos se é que me entende...

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A Lili é o tipo de bêbada romântica e chata. Quase nunca bebe, mas quando resolve é sempre para afogar as mágoas. Tudo bem se eu e Betina não tivéssemos que ficar aguentando e ouvindo a noite toda, nossa amiga se lamentando pelo canalha do Otávio...

- Ele não podia ter feito isso comigo...eu faço tudo por ele..Di, ele não me ama mais? - dizia Lili segurando sua décima caneca de chopp
- Ele te ama sim, Lili - nessa hora nunca é bom contestar. A situação pode ficar pior e o porre ficar eterno.
- Não, ele não me ama não...como pode fazer isso comigo...você acha que ele me ama mesmo, Betina?
- Lili, já chega...hora de criança ir para cama né?
- Não...eu vou beber até morrer ...ele não me quer mais e eu não tenho porque viver...minha vida é uma desgraça...

O pior momento do porre da doce Lili era quando começava a chorar. O choro seria perdoável se não fosse um berro e as pessoas do bar não ficassem olhando para a nossa cara espantadas. Depois do choro, vinha a ânsia e, na sequência, o vômito. É nessas horas que a gente vê que amigo é mesmo para qualquer parada.

Sempre terminávamos a noite carregando a Lili pelos ombros e ouvindo o caminho todo as lamentações dela sobre o amor questionável do Otávio por ela. No fim, ela caía num sono profundo e acordava na manhã seguinte envergonhadíssima pelo que fez a gente passar. Desculpas mil, mas nós sabíamos que no primeiro fora começaria tudo de novo.

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Soltar as feras era o motivo para que a durona da Betina caísse na bebedeira geral. Minha amiga é a mais centrada de todas, durona, nunca quer dar o braço a torcer e vive recriminando nossas atitudes , mas quando ela ficava de porre...aprontava mais do que nós duas juntas.

- Hoje, eu vou deixar a vida me levar hein? - dizia Betina com um copo de whisky na mão e sambando no meio da balada.
A imagem pode suar um pouco forte para vocês, minhas amigas, mas essa era a Betina depois de cinco copos de whisky com altas doses de energético.

Confesso que, em alguns momentos, prefiro mais a Betina bêbada do que sóbria se não fosse as consequências que ela arrumava para gente.

- Diana, eu não tô acreditando...olha lá onde está a Betina...
Simplesmente, nossa amiga estava em cima de uma mesa (quase caindo) dançando "Creu"

- Minha nossa, esse porre é dos bons hein...

- Betina, desce daí, pelo amor de Deus...você vai cair...
- Uhu...subam meninas...créu-créuuuu

A gente não subiu, mas a homarada de plantão resolveu fazer companhia a ela que, em poucos segundos, desapareceu. Ficamos até o final da balada esperando o retorno da Betina, o que foi em vão. Era sempre assim. Ela bebia, dançava como uma louca na pista e acabava perdida com alguém na noite.

- Bom dia, cinderela - eu disse ao telefone para a perdida da Betina que já tinha encontrado seu local de origem
- Ai, Diana, eu estava dormindo...
- E posso saber com quem?
- Como assim com quem?
- Não se faça de louca, Betina...você sumiu depois da dança do Creu...
- Dança do creu?!
- E com direito a dançarinos e tudo...você arrasou dançando funk em cima da mesa...
- Créu?! Funk?! Em cima da mesa?! Minha nossa senhora, eu preciso parar de beber....
- Hahahahahahaha


PAPO DE CALCINHA: Qual foi o seu pior (ou melhor) porre?

sexta-feira, setembro 11, 2009

MAMÃE EU QUERO...SER?


Por Letícia Vidica

- Nossa, Lili, espero que seja algo muito importante que você tenha a dizer por que não foi nada fácil conseguir desdobrar o meu chefe... – eu disse toda esbaforida, suada e curiosa pelo que Lili tinha de tão importante a dizer que não pode esperar e nos escalou para um encontro de plantão no meio do expediente.
- Acho bom mesmo...não é porque eu sou autônoma que não tenho nada a fazer hein? – resmungou Betina
- Calma, gente...vocês não vão se arrepender.
- Então fala logo – gritamos eu e a Betina
- Eu acho que estou grávida!!! – disse Lili como uma criança que estava prestes a ganhar a tão esperada boneca da Xuxa de Natal. – Não é ótimo?

Fiquei tão surpresa que não consegui espantar reação. Deixei que o veneno da Betina falasse por mim...

- Como assim grávida? E o que você vê de ótimo nisso, Lili?!
- Vai ser o máximo...vocês vão ser titias – disse Lili batendo infantilmente palminhas e nos dando um abraço apertado
- Peraí, Lili...como assim ‘acha que tá grávida’...ou você está ou não está!
- É, Diana...faz um mês que minha menstruação está atrasada, ando me sentindo meio diferente, sabe...
- Mas você já fez o teste?
- Por isso mesmo que eu chamei vocês aqui.
- Agora tenho cara de mãe Diná por acaso? – disse Betina já vermelha de tanta raiva com a felicidade de Lili diante de notícia tão absurda.
- Chamei vocês aqui porque quero que venham comigo até a farmácia comprar um teste, daí a gente vai pro meu apê e fazemos o teste lá. Eu não poderia de deixar de dividir esse momento com vocês...eu sempre sonhei em ser mãe...e no Sim da maternidade, vocês tem que estar comigo...
- Amiga, eu adoraria estar com você...apesar de eu ainda estar tonta com tudo isso...fico muito feliz por você, mas se eu não chegar daqui a 30 minutos no meu trabalho, eu estou na rua! Bê...
- Já sei, já sei...lá vai a mãe Betina...vamos fazer assim, eu vou com você, Lili... a gente compra o tal teste e de noite a Diana passa lá na sua casa e fazemos o teste juntas ok?

Confesso que voltei para o trabalho e passei o resto do dia ainda um pouco tonta com a notícia da Lili ser mãe. Não sei se eu me espantava mais pelo fato dela ser mãe ou de eu me tornar titia...tão nova e sem casamento?! Seria esse o meu fim?


À noite, corri para a casa da Lili e ela estava ansiosíssima me esperando. A Betina já tinha fumado uns dois maços de cigarro de tanto nervoso com a falação da Lili e seus planos futuros com o bebê.

- Ainda bem que você chegou...eu não agüentava mais esse papo de fralda, mamadeira...
- Desculpa, gente, eu tentei saí o mais rápido possível. E aí fizeram o teste?
- Eu prometi que ia esperar vocês duas aqui. Vamos lá ao banheiro?
- ‘Peraí, Lili. E o pai da criança? Cadê? Quem é?
- Diana, deixa de ser ingênua...é claro que o pai do pivete é o cachorro do Luis Otávio.
- Lili do céu...ficar com o Otávio já era a maior merda da sua vida, agora engravidar dele é um cagaço total...como isso pode acontecer? Você não tava tomando pílula?
- Ai, gente, eu não sei...eu tô me prevenindo...mas sei lá vai ver a pílula é de farinha né? Mas não importa...vamos fazer o teste logo.

Trinta longos e intermináveis minutos depois, Lili saiu do banheiro cabisbaixa e silenciosa...

- E aí? Deu positivo?
...
- Fala logo, Lili
...
- Dá essa porra aqui logo...hmmmm...faixinha rosa, faixinha azul...hmmmm – Betina arrancou o teste da mãe da Lili
- Deu negativo... - disse
- Ufa, você não está grávida... – respirei aliviada
- Não estou para a porcaria desse teste, mas eu não vou desistir!!!!
- Como assim não vai desistir?!
- Amanhã mesmo vou ao laboratório fazer um teste ... sempre me disseram que esses testes nunca erram para o positivo, mas para o negativo...é de duvidar.


Não adiantou retrucar muito menos fazer com que minha amiga desencanasse da idéia de ser mãe. E parecia que o espírito materno tinha tomado conta do ar...
...era domingo, almoço de família na casa do Pierre. Os homens estavam na sala assistindo o tradicional jogo das quatro da tarde e as mulheres fofocavam no seu habitát natural, a cozinha...

- Nossa, mas que maravilha, Patrícia...um filho é sempre uma benção... – dizia Luzia, a tia do Pierre para a prima dele que estava grávida de dois meses e revelara naquele almoço para a família.
- E você, Diana, não pensa em ter um também? – essa era a pergunta que eu sabia que viria, mas que tinha a esperança de que não viesse
- Ainda não, tia Luzia. Tenho muitos planos ainda...
- Vai esperar até quando. minha filha?! Já tá quase com 30 anos nas costas. Se esperar mais vai virar mãe avó!!! – naquele momento saía uma resposta afiadíssima para aquela gorda da tia Luzia, mas minha querida sogra fez o favor de me interromper...
- Ah, eu adoraria ter um neto mesmo...e acho uma ótima idéia você e o Petico providenciarem isso... já passou da hora...todas as minhas amigas tem neto, menos eu...

Resolvi não encarar essa briga pela maternidade, mas saí de lá me sentindo um ser extraterrestre por querer ser normal e não compartilhar do mesmo espírito materno.

- Amor, sua mãe e sua tia me pressionaram hoje para que eu tivesse um filho!!! – disse ao Pierre enquanto assistiamos a um filme no sofá do meu apê.
- Jura?! Até que não seria má idéia? Eu sempre quis ter um pivete... – disse o Pierre como um garoto de 10 anos que abre seu presente de Natal – e se você quiser podemos fazer agora mesmo...
- Para, para Pierre, eu tô falando sério!!!
- Mas eu também ou você acha que eu tô brincando? Acho que poderíamos mesmo pensar em ter um filho....
- Você tá ficando louco né?
- Não entendo qual é o problema, Diana...a gente tá junto há um ano, somos adultos, crescidos, praticamente moramos juntos...
- Falou e disse praticamente, mas não somos casados. Mal consigo me sustentar...
- Já te falei que isso não é problema, mas pensa no assunto e depois a gente volta a falar disso.

E eu realmente pensei. Era o que eu mais pensava naqueles dias. “Eu deveria ser mãe agora?” Não estaria cometendo uma loucura? E para me deixar mais doida, a mãe do Pierre não parava de falar e sonhar com a idéia de ser avó e o Pierre, para ajudar, também viajou na idéia. Resolvi ligar para a pessoa que tem a maior sanidade do planeta...

- Bê...eu não sei mais o que eu faço...não aguento mais ouvir..’Você tem que engravidar’, ‘Eu quero um filho’, ‘Eu quero um neto’...tô ficando louca!!! Outro dia até esqueci de tomar meu anticoncepcional acredita?
- Relaxa, Diana... isso é normal...sua sogra tá empolgada com o sobrinho, mas daqui a pouco ela vê que não é bem assim...
- Espero. Teve notícias da Lili?
- Ai, nem me fala dela...tem me ligado todos os dias para falar da ansiedade do resultado...inclusive pediu que eu te ligasse porque quer todas juntas lá no laboratório...
- Minha nossa senhora, como a Lili é dramática.Já transformou a gravidez dela em reality show!


E o tão esperado dia do resultado chegou. Fomos as três para o tal do laboratório. Lili chegou tão nervosa que nem conseguiu buscar o envelope. Fui retirar no nome dela.
Como uma cena final de filme de suspense, Lili abriu o envelope. Respirou, suou frio, pensou e abriu...

- Eu NÃO acreditooooo!!!! – berrou
- Tá grávida?
- Não, Diana, eu não estou grávida!!! Como assim?
Enquanto a Lili se desconsolava, eu e a Betina comemorávamos.
- E vocês comemoram?
- Ai, Lili, relaxa...continua treinando, mas vê se com a pessoa certa. – eu disse
- Só vocês mesmas para verem graça nessa situação...eu queria tanto ser mãe...já tinha até comprado uma roupinha de bebê, pesquisei berços...jurava que eu estava grávida...
- Mas não está! E vamos bebemorar que a vida é bela. Vai ver foi um sinal de que o Otávio não te merece e muito menos merece ser o pai do seu filho. – disse Betina toda animada e aliviada por não ter mais que ouvir as ladainhas de mãe da Lili

Eu confesso que fiquei triste pelo fato da Lili não realizar o sonho de ser mãe, mas também me senti aliviada por tirar das minhas costas a sensação de que eu teria que ser a próxima, ou pior ainda, que eu teria que ser titia...


Papo de calcinha:
E você pensa em ser mãe um dia ou já foi pressionada em ser?

sábado, setembro 05, 2009

MULHERES QUE AMAM DEMAIS


Por Letícia Vidica

- Nossa, Lili, como você está magra!!! Tudo bem que precisava perder um quilinhos, mas não precisava virar um esqueleto... - comentava ao encontrar minha amiga com a pior cara do mundo, enfurnada em seu apê.
- Aposto que isso tem coisa de um tal de Luis Otávio...
- Não me fala o nome desse canalha, Betina! - dizia a amante enfurecida
- Calma, mas meu Deus, o que ele fez dessa vez?
- O Luis Otávio terminou comigo ... ontem...
- E qual a novidade nisso?
- Pega leve, Betina, não está vendo que a coisa não tá boa?
- Pega leve o c...!!! Isso não é mais novidade para ninguém aqui. Eu já perdi as contas das vezes que você e esse canalha do Otávio terminaram.
- Nisso, eu tenho que concordar, Lili. A Betina está certa. Vocês terminam praticamente quatro vezes por mês. Você nem tinha que se assustar mais com isso...
- Para vocês duas que são corações gelados é fácil falar né? Parece até que não me conhecem...

Realmente, parece que naquele momento por um instante eu e a Betina havíamos esquecido quem era a Lili. A Lili é uma mulher romântica por natureza que acredita e que faz de toda história de amor um conto de fadas, acredita em príncipes encantados montados em um lindo cavalo branco. O problema é que os príncipes não aparecem para ela, ou melhor, ela insiste em escolher os dragões e acha que são príncipes, entende? Daí, quando o dragão solta seu fogaréu e abandona a princesa, Lili entra numa depressão e num sofrimento profundo. Ela é a típica Mulher Que Ama Demais. Se não bastasse amar demais, minha querida amiga sofre demais também e por quem nunca merece o seu sofrimento.

Naquele dia, Lili estava enfurnada em seu apartamento porque levara um fora do seu dragão encantado, o Otávio. Um sedutor pirata e um canalha de primeira. Porém, foi por ele que Lili se apaixonou e é capaz de morrer se for preciso.

- Tá, Lili, não adiante te convencer que o Otávio não presta. Mas peraí, vai ficar nessa cama até quando? - dizia Betina já sem paciência com mais uma das crises de amor da Lili.
- Me deixem em paz, eu vou ficar aqui até ele voltar. Eu não tenho forças para levantar.
- E se ele não voltar? Vai morrer aí?
- Quem sabe assim, Diana, ele se dá conta de que eu o amo de verdade.

Estava difícil convencer Lili a levantar daquela cama. Já que ela não sairia da cama, nos também não sairíamos do apê dela. Para passar o tempo, resolvemos fazer uma faxina no chiqueiro. Quando Lili entra nas crises depressivas de amor, se tranca no quarto, não toma banho, esquece de comer e também esquece de manter o mínimo de higiene e limpeza da sua casa. Parece loucura, pode até ser, um transtorno psicológico, sei lá, mas é a pura verdade.Dolorosa verdade.

- Amiga, já que você não quer sair da cama. Nós também não vamos te abandonar. Não arredamos o pé daqui!! - dissemos eu e Betina nos juntando a nossa amiga depressiva com um balde de pipocas na mão.

- Lili, você já tentou procurar ajuda? Outro dia você comentou que estava fazendo terapia...
- Parei. Terapia para quê? Aquela mulher só sabia dizer que eu tinha que largar do Otávio, que ele não fazia bem para mim, que eu estava me autodestruindo...
- Ah (risos) Talvez ela estivesse certa né, Lili? - questionou Betina
- Você tem que insistir. Uma boa terapia é o único remédio para te ajudar a lidar com esses sentimentos. Não adianta ficar fugindo da verdade né? Ela é dura, mas necessária.
- O que vai ser da minha vida sem ele? Eu não posso ficar sozinha, eu não sei ficar sozinha...me sinto sem chão...tô com uma dor no peito que parece que vou enfartar...tenho falta de ar durante o dia, não tenho fome, não tenho sono...perdi a única coisa que dava sentido a minha vida.
- Não seja exagerada, Lili. O Otávio podia te dar tudo, menos sentido à sua vida. O Otávio suga as suas energias. Olhe para você. Olha o estado que ele te deixou?

Por mais que a gente tentasse argumentar, não entrava na cabeça dela que sofrer daquele jeito não adiantaria nada. O problema é que aquilo não era um sofrimento normal. Era uma doença. E eu ali naquele quarto vendo minha amiga se definhar por causa de um canalha que não vale meio centavo de dólar, me sentia impotente.

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Eu sou do tipo de mulher que também sofre por amor, mas é um sofrimento na medida. Pelo menos, eu acho. Toda vez que eu brigo com o Pierre me sinto muito mal. Não tenho fome e também fico triste por dias e dias. Mas nada que se compare ao sofrimento que Lili sente.

Me lembro apenas de um único episódio que me levou a um sofrimento extremo. Eu devia ter uns vinte anos. Jovem, cheia de sonhos, esperanças, bonita. Uma presa fácil para qualquer sem-vergonha. Acabei me apaixonando por um garoto do último ano de medicina que também morava no mesmo campus que eu. Nos conhecemos numa dessas festas de faculdade, ficamos e ficamos e ficamos. O rolo já estava bem sério. Ele me apresentava para todos os amigos como sua namorada, fui visitar os pais dele em Ribeirão. Era 'love is in the air' total.

Porém, teve um final de semana que eu vim para São Paulo para visitar minha família e disse a ele que voltaria em dois, três dias. Insisti para que ele me acompanhasse, mas ele disse que teria que estudar para um exame complicadíssimo de anatomia humana que ele teria nos próximos dias.

Por conta de alguns imprevistos, acabei voltando um dia antes do previsto. Resolvi então fazer uma surpresinha para o meu amado. Fui correndo para o quarto dele no campus e sem hesitar abri a porta do quarto cheia de saudades e presenciei a aula de anatomia humana que ele estava praticando literalmente com a minha melhor amiga e colega de quarto do campus. Não teve tempo para explicações e nem discursos.

Tive a sensação que o chão tinha saído debaixo dos meus pés. Voltei para a casa dos meus pais e passei uns quinze dias de cama. Não queria comer, nem dormir, nem tomar banho. Só chorava. O tempo inteiro. E sentia uma dor imensa no peito que doía e me dava pontadas. Meus pais obviamente achavam que tudo aquilo era loucura, mas com o passar dos dias começaram a ficar preocupados com o meu estado de depressão profunda. Achei literalmente que eu morreria. Só consegui me recuperar por ajuda divina. Até hoje não sei como, mas consegui me levantar literalmente da cama e prometi a mim mesma que nunca mais ficaria assim por ninguém.

*********************************************************

Passamos aquela noite toda no apartamento da Lili. Com muito custo, conselho e broncas, ela conseguiu pegar no sono. E eu e a Betina ficamos a noite toda pescando os olhos, pois de preocupação a gente não conseguia dormir. Para não atrapalhar a primeira noite de sono depois de muitas mal dormidas da Lili, fomos fofocar e fumar na varanda.

- Sabe, eu não consigo entender porque a Lili fica desse jeito.
- Ela ama demais, Betina.
- Tudo bem querer amar, mas sofrer a esse extremo é loucura!!!! Qualquer dia ela se mata por isso.
- Vira essa boca para lá, Bê.
- É verdade...isso tá ficando cada vez mais sério... pensei até em ligar para a mãe dela, mas...
- De nada adiantaria. Aquela dondoca da mãe dela só quer saber de tomar pílulas antienvelhecimento e traçar garotinhos. Nunca vi família mais desequilibrada.
- Vai ver é por isso que a Lili fica assim né?

...

- Meninas? - disse Lili com a cara amassada na porta da varanda
- Lili?! Desculpe, te acordamos?
- Vocês passaram a noite toda acordadas?! Nem sei como agradecer pelo carinho, mas vocês não podem anular a vida de vocês pela minha...
- Você é que não pode anular a sua, amiga.
- Podem ir embora. Eu vou ficar bem.
- Vai mesmo?
- Vou sim, Diana - disse Lili me dando um abraço e um beijo
- Promete que vai dar notícias?
- Prometo, Betina!

Fomos embora de coração partido, apesar de sabermos o fim daquela história que sempre era a mesma. Em poucos dias, o Otávio apareceria. Ia se declarar fajutamente para ela, ela acreditaria, iam viver mais um conto de fadas pirata até o próximo pé na bunda, no qual Lili ia sofer demais. Demais por amar demais.

PAPO DE CALCINHA: Você é uma mulher que ama demais? Ou conhece alguma?

segunda-feira, agosto 17, 2009

MULHER JOGO DURO


Por Letícia Vidica


- Olha lá, Betina...tá que tá hein? Olha só aquele gato dando mole para vc?
- Ai, Lili, pára de graça...você está viajando...olha só quanta mulher tem aqui e ele vai olhar justo para mim?
- Nossa, Betina...para de fazer jogo duro...
- ... acho bom você fazer jogo bem mole porque ele está vindo para cá...

Era sempre assim. Mulher jogo duro. Essa era a fantasia que a Betina vestia. Acho que ela é a única mulher no mundo que não sente falta de homem. Ela é minha amiga, mas vamos combinar hein? Adora dar pitaco na vida amorosa da Lili e da minha, mas quando o foco é ele, haja paciência. Nem me lembro direito do último relacionamento da Betina. Só sei, pelo que ela conta, que namorou muitos anos um cara que só pisou nela. Depois do fim, acho que ela resolveu se vingar de todos os os homens do mundo.

- Será que agora a Betina desencalha?
- Ai, Lili, eu infelizmente já perdi as esperanças com ela.
- Poxa, mas ela bem que podia ceder né? Olha lá que pedaço de mau caminho...se fosse eu...
- Se fosse você, Lili, já estaria atracada no colo dele há muito tempo.

Ao contrário da nossa amiga durona, eu e a Lili fazíamos o tipo mais fácil. Eu não tão fácil assim, mas a Lili F-A-C-Í-L-I-M-A. Basta ser homem que ela cai dentro. Cheia de ilusões e vivendo no mundo encantado de Bob, a Pequena Sereia acha que todo peixe é príncipe, até mesmo se ele foi sapo. Já eu faço o tipo 'sou durona, mas se você falar mais um pouquinho, caio dentro'. Afinal de contas, a concorrência tá pesada hoje em dia, se vacilar tem um milhão na fila.

******

- Bom diaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!
- Ai, Diana...você sabe que horas são? Nem clareou ainda...
- Pelo visto, a noite foi longa né? Já são meio-dia,amiga. Quero saber de todos os detalhes - dizia eu empolgadíssima e louca para saber o que tinha acontecido na noite passada com a Betina e o garanhã.
- Não aconteceu nada demais.
- Como assim? NADA???
- Nada, Diana. Eu não sou assim como vocês...
- Olha a ofensa!!! Mas e aí...
- Aí que fui até o apartamento dele, bebemos um vinho e só.
- Só???
- Só...e ele nem é tudo isso. Vocês inflam os homens demais.
- Mas não rolou nada? Betina há quanto tempo que você está na seca e surge a oportunidade e você cai fora?
- Não é porque eu estou sem sexo há um tempo que tenho que dar pro primeiro pedinte que aparecer né???

Não adiantava insistir com a Betina. Tudo no tempo dela. Ô geniozinho!!! Mas eu já tinha me acostumado né?

**************************

Certa vez, resolvi agitar um primo meu para a Betina. Mais velho, culto, inteligente...achei que era o tipo certo. Pior besteira da minha vida. Resolvi fazer uma noite da pizza lá em casa para apresentar os pombinhos. O primeiro erro foi que a Betina apareceu como se tivesse acabado de acordar...

- Que roupa é essa, Bê?
- A melhor que eu tenho...
- Betina, você vai conhecer o homem da sua vida e me aparece com a roupa da sua vó? Vamos agora mudar esse look.

Totalmente contra a vontade dela, emprestei um vestido meu, maquiei e ela ficou lindona. Tudo corria bem até o meu primo chegar. Coitado, tentou ser gentil e trouxe um vaso de margaridas para ela. Detalhe: a flor que a Betina mais odiava no mundo, mas o coitado não era obrigado a saber né? E a minha amiga bem que podia facilitar e dizer que tinha gostado, mas nem agradeceu e muito menos disfarçou o seu desprezo.

Achei que deixando os dois pombinhos sozinhos seria melhor, mas ledo engano...os dois quebraram o maior pau e depois tive que passar o resto da noite tentando manter o clima de paz,mas não deu...

- Poxa, Betina, você precisava tratar o meu primo assim??? Ele só queria ser gentil.
- Diana, desde o começo eu te disse que isso não ia dar certo.
- Não deu porque VOCÊ NUNCA quer facilitar as coisas.
- Eu?!
- É, você, Betina... ainda está para nascer o homem que vai servir para você!!!
Ficamos as duas nos olhando com cão raivoso e permanecemos por uns dez minutos em silêncio. Até que depois de dois cigarros, Betina quebrou o gelo...

- Desculpe, Diana...eu sei que estraguei tudo, mas é o meu jeito. Sei que você só queria ajudar...mas eu já falei que estou feliz sozinha...mas você e a Lili com essa mania de cupido.
- Betina....eu não consigo entender como uma mulher bonita e inteligente como você pode viver sozinha.
- Eu me acostumei a viver assim... eu estou super bem...
- Mas vai viver solitária para sempre?
- Eu acho que me cansei dos homens. Na verdade, me cansei de sofrer sabe? E homens e sofrimento são duas coisas que caminham juntas. Então é melhor cortar o mal pela raiz.
- Mas como você é radical. Tudo por causa do...
- Nem me fale o nome dele. Não merece nem ser pronunciado.
- Você nunca comenta disso. Dói demais ainda?
- Muito mais que isso. A dor foi tão profunda que eu já nem sinto mais se você quer saber.
- E vai ficar velando esse cafajeste e essa dor até quando? Não tá na hora de se libertar?

Assim como final de capítulo de novela, Betina permaneceu pensativa. Mas algo me dizia que aquela pergunta tinha causado algum efeito naquele coração gelado. Bastava saber qual seria o jogo agora.

Papo de Calcinha: Vocêm também faz jogo duro?

sexta-feira, julho 24, 2009

SE ATÉ AS BALEIAS DESENCALHAM (PARTE II): A DONA DA PENSÃO


Por Letícia Vidica

- Minha mãe quer conhecer você!

Essa era a pergunta que eu mais temia nos três meses felizes de namoro entre eu e o Pierre. Apesar de estarmos juntos há quase um ano, família era um assunto que ele sempre abominou entre nossas conversas. Às vezes, cheguei até a achar que ele era filho de chocadeira. Até que não seria mal?

- E aí você aceita, Di? - perguntou meu gatinho fofo com a cabeça deitada no meu colo com cara de bebê pidão numa tarde fria de sábado no sofá da minha casa.

O que eu poderia ou deveria responder? Apesar da negativa constante em minha mente, o que eu não fazia pelo meu gatinho?! Mulher apaixonada e boba faz de tudo, até ter que enfrentar um almoço numa tarde de domingo na casa da sogra.

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- Ai, gente, a mãe do Pierre quer me conhecer.
- Poxa, que legal, Di - dizia a eterna romântica da Lili
- Legal? Isso é terrível...eu não tenho muito boas experiências com famílias de namorados e vocês sabem muito bem disso e, principalmente, quando o assunto é sogra. Acho até que sou meio pára-raio para essas coisas.
- Mas dessa vez você não tem como fugir né?
- Bem que eu queria, Betina...mas o Pierre é tão fofo comigo...acho que vou ter que encarar essa.
- É só agir com naturalidade, ser você mesmo e nunca, mas nunca retrucar às provocações hein, Dona Diana...
- Tá bom, tá bom...prometo a vocês que dessa vez vou me comportar.

Quem inventou esse ditado cretino de que um raio não cai duas vezes no meu lugar, estava muito, mas muito enganado. Eu sou o pára-raio em pessoa. Sempre me dei super bem com meus (poucos) namorados, mas já com a mãe deles...sempre foi um problema.

A mãe do meu primeiro namorado era uma fofa comigo até ela descobrir que eu era a namorada do filho dela. Estudávamos no mesmo colégio desde a primeira série. Nossas mães eram super próximas. Porém, quando nos apaixonamos, tudo mudou. Rolava um tipo de disputa por ele. Algo absurdamente lunático.

Já a mãe do meu segundo namorado era do tipo sincera. Sincera até demais. Não tinha papas na língua falava o que vinha na telha e incrível que todos os meus defeitos eram as únicas coisas que vinham na telha dela. Meu namoro acabou graças a sinceridade dela em me dizer que eu era uma corna.

A do terceiro era do tipo mãezona, parecia uma pessoa ingênua, do tipo Amélia, não faria mal a uma mosca. Mas , por dentro, era pior do que uma bruxa. Conseguiu tornar o meu namoro um inferno pois a arma dela era a chantagem emocional. E o pior de tudo era que o meu namorado se rendia a essa chantagem toda hora. Infelizmente ou felizmente, o meu saco não era tão grande quanto o chantagismo dela. Vazei.
E agora o que me esperava?

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Meu dilema começou às 07 horas da manhã do domingo. Quem diria que euzinha acordaria cedo numa manhã de domingo? Mas para falar a real, eu mal tinha conseguido pregar o olho a noite toda. Tive pesadelos horríveis com as minhas ex-sogras e com a atual.

Apesar do Pierre ter combinado de vir me buscar apenas na hora do almoço, eu já estava ligadona, ansiosa, sem um pingo de fome e com medo do relógio. Resolvi então pensar com que roupa eu iria para esse almoço. Desmontei todo o meu guarda-roupa. Uma hora de provas e nada me agradava. Não hesite. Chamei a minha personal stylist.

- Não acredito que você me tirou da cama a essa hora, Diana?! O que eu não faço para ajudar uma amiga hein? E você sabe muito bem que eu não entendo um pingo de moda...deveria ter chamado a Lili.
- Não reclama Betina...prefiro você porque é sincera..não corro risco de ir vestida como uma boneca. E vamos logo que só temos três horas.

Comecei então meu momento Gisele Bundchen...

- Que tal?
- Se você for com essa roupa, a mãe dele vai achar que ele te encontrou num convento...
- Talvez essa?
- Diana, é um almoço e não um casamento...pelo amor de Deus, você não vai para um puteiro...nananinanão...infantil demais...cafona demais...

Depois de um monte de NÃOS, resolvemos o meu modelito e faltava apenas meia -hora para o Pierre chegar. Betina me fez mil e uma recomendações e foi embora me deixando na espera mortal pelo momento crucial da minha vida. Nunca pensei que seria tão difícil encarar esse momento.

Como todo bom homem e cavalheiro, o Pierre chegou 45 minutos atrasado.

- Desculpe o atraso, amor. Tive que ir ao mercado com a minha mãe hoje cedo comprar umas coisas...nossa, ela tá mega nervosa e ansiosa para te conhecer...
- Jura? - Mal sabia ele que meu coração já estava no cérebro.
- Ah, só queria te dar um toque. Não liga para os comentários da minha mãe não tá?

Eu podia ter ficado sem essa.

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Havia chegado ao temeroso castelo do meu príncipe. Sem que tocássemos a campainha, uma poodle de lacinho rosa saiu latindo em minha direção como quem dizia "quem é essa piranha?" e logo atrás achei que a mãe da poodle vinha, mas pisquei fortemente e percebi que aquela jovem senhora de cabelos louros encaracolados com roupas que caberiam na minha prima de 13 anos de idade, era minha sogra.

- Pitico, que menina linda!!! Entrem, entrem...prazer, gracinha...fique à vontade...Meg, quieta...olha como é linda a namorada do Pitico.

Fiquei meio em choque com toda aquela cena bizarra e mais bizarro ainda foi descobrir que o meu gatinho, o meu homem, o meu macho era chamado de Pitico?! Entrei na casa, sentei-me no sofá, tentando ficar confortável, apesar da Meg ficar rosnando para mim toda hora. Logo um senhor (bem aprumado por sinal. Já sei de quem o Pierre puxou a beleza) desceu as escadas e me cumprimentou.

- Nossa, eu não via a hora de te conhecer. Tava quase achando que você não existia!!! Mas, seu eu não conhecesse bem o meu Pitico, mal acreditaria...mas e então fale de você.

Por que será que conhecer a família do namorado era tão ou mais pior do que passar por uma entrevista de emprego. "O que você faz da vida? E a sua família? Mora sozinha? etc" Depois de contar um pouco da minha vida emocionante, a mãe do Pierre foi me apresentar o apartamento deles que mais parecia uma casa. Acho que dava uns três do meu.

- Olha, tô muito feliz que o Pitico está namorando...você sabe né?...ele ficou super mal depois que acabou o noivado com aquela lá...nem gosto de me lembrar disso...mas eu sei que você não vai fazer isso como o meu Pitico né? ... nossa, eu sou super legal, mas se mexem com o meu filhinho, viro uma fera.

Senti aquilo como uma indireta sutilmente direta. Mas sorri como se eu não tivesse entendido a intenção.

Na hora do almoço, ao sentar-me na mesa, quase me perdi com o número de copos, garfos e pratos que estavam à mesa. Ainda bem que eu leio revistas de gente chique e aprendo tudo rapidamente. Comi pouco para não parecer gulosa, apesar da comida estar deliciosa. Durante o almoço, minha querida sogra ficou contando os planos da sua próxima viagem para a Europa e já queria me incluir no pacote (mal ela sabe que meu salário mal paga um bate e volta para Praia Grande).

Fim de tarde e o meu tormento estava chegando ao fim. Até que, para primeiro encontro, não tinha sido tão mal. Acho que me comportei muito bem. Apesar de que o problema nunca eram os primeiros encontros e sim o que estaria por vir...

- E aí, acho que minha mãe curtiu a norinha hein? - disse o Pierre me apertando como um ursinho de pelúcia na porta da minha casa.
- Tomara né? Ela também me pareceu super gente boa...
- A bichinha é meio ciumenta, meio perua né? Mas tem bom coração...

Apesar de eu concordar com a parte do ciúmes (tive a sorte de namorar um filho único), dela ser perua (tentar ter a metade da metade da minha idade) e das ameaças educadas que ela me fez.. eu não queria magoar o meu príncipe, afinal de contas ela era a dona da pensão né?

Papo de Calcinha: E você se dá bem com a sua sogra? Já teve algum problema com sogras?

sábado, junho 20, 2009

PAPO NO TWITTER

Meus caros blogueiros de plantão,
Como boa mulher que sou (antenada e curiosa, acima de tudo), resolvi entrar na onda do Twitter. Agora, você também poderá ficar sabendo das novidades do Papo de Calcinha no Twitter. Basta acessa: twitter.com/papodecalcinha.
Na página, vou postar mais algumas das minhas idéia sobre o universo feminino, algumas criticazinhas aos homens (coisa de leve) e um resumo das histórias do blog e outras coisitas mais.
Espero você lá também hein?

Beijão,
Letícia Vidica

quarta-feira, junho 17, 2009

SE ATÉ AS BALEIAS DESENCALHAM...


Mais um dia daquele abominável para qualquer solteiro (ressalva, mulher solteira) estava chegando. Só que esse ano, talvez, as coisas podiam ser diferentes para mim. Isso porque eu estava com um rolinho, mas eu não estava botando muita fé de que a solidão não bateria na minha porta no dia 12 de junho porque homem solteiro enrolado odeia passar o dia dos namorados com a mulher que ele está enrolando só para não achar que é namoro né?

- E aí meninas, alguma programação para o Dia dos Namorados? - perguntava Lili toda empolgada
- Nossa, essa empolgação toda é por quem, hein?
- Ai, vocês nem sabem, vou sair com o Otávio.
- Eu não acredito que você não tenha pessoa melhor para passar o dia dos namorados, Lili!
- Credo, Betina, antes ele do que sozinha...então, liguei para ele como quem não quer nada e ele me convidou para passarmos a noite no chalé dele lá em Campos, não é demais?
- Demais seria você tomar vergonha na cara, Lili
Antes que minhas amigas se atracassem pelo cabelo resolvi interromper.
- Eu nem sei.
- Ué, mas e o Pierre? Como assim?
- Ah gente...ele não é meu namorado...quem garante que ele tenha que passar justo esse dia comigo?!
- Pelo menos, alguém mais sensato nesse lugar - dizia Betina

Confesso que disse aquilo com dor no coração e da boca para fora também. No fundo de minh'alma eu desejava muito passar o dia dos namorados com ele. O problema é que ele não parecia desejar o mesmo.

- Acho que vou viajar com os meus amigos no dia 12. Eles me ligaram e me chamaram para ir para praia, o que você acha?
(É claro que eu achava o fim da picada...mas eu não podia cobrar um centavo sequer dele)
- E-e-eu?! Ahhhh...vai sim...vai ser bom para você
(Nessas horas agradeço por nós mulheres termos o dom da falsidade)
-É tô pensando mesmo, vou ver, mas e você vai fazer o que?
-Eu?! Acho que vou viajar também...com a Lili.
(Resposta rápida)

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Eu e o Pierre estávamos juntos há quase 6 meses. Para mim, aquilo já era mais que um namoro. Era um casamento, apesar de não assumido. O Pierre entrou na minha vida assim meio de repente, sabe naqueles momentos que você já tinha perdido a esperança? Daí chega um cara bacana cheio de amor e carinho para dar a uma mulher carente e à procura, o que você acha que eu fiz? Caí na rede né?

A gente se dava muito bem. Gostávamos das mesmas coisas, tinhamos o mesmo pensamento, ideiais, livros, discos e tudo o mais. Nossa intimidade já era tanta que tinha dias que eu não sabia se estava no meu apartamento ou no dele. Era cueca jogada de um lado, duas escovas de dente no banheiro, várias latas de cerveja na minha geladeira. Para uma mulher que ficou tanto tempo sozinha essa invasão de privacidade mexeu um pouco com meus miolos. Mas confesso que não foi tão difícil assim ter uma barba peluda roçando meu rosto quase todas as noites (hehehehe).

O único defeito desse príncipe de Cinderela era que ele não assumia (ou fingia não assumir) que estava tendo um compromisso sério com uma mulher. Acho que era trauma. Ele já tinha namorado e noivado com uma garota por muitos anos, mas não deu certo. Daí, ele entrou na galinhagem e depois me conheceu.

- Poxa, Pi, você bem que podia ficar mais aqui né? - insistia minha mente burra de mulher para que ele resolvesse me assumir
- Ai, gata, tá tão bom do jeito que tá. Você é livre para fazer o que quer, eu também...gosto do nosso lance assim.

Pura ilusão achar que ele ia me assumir. Mas a esperança é a última que morre né?

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12 de junho de um ano qualquer.
Levantei da cama como se aquele fosse um dia comum. Fiz de tudo para esquecer que aquele era o dia cor de rosa. Fui para o trabalho e passei o dia todo me empaturrando de chocolates e fingindo que estava tudo bem, mesmo que o Pierre não tivesse me dado uma mísera ligação. Havia dois dias que ele não falava comigo.

Meio-dia. Horário do almoço. Cocei os dedos para ligar para ele, mas prefeir ir chorar em um ombro amigo.
- Ai, Bê...acho que levei um fora em pleno Dia dos Namorados...pra variar...mais um...será que eu tenho algum problema? Engordei demais? Tô com bafo?
- Pára com essa loucura, Diana. Você se esqueceu que está lidando como bicho homem?!
- Mas justo agora que eu estou apaixonada por ele?
Meu celular tocou. Era o Pierre
- Oi, Diana
Nossa não me chamou de gata?! Algo estava errado...
- Você vai estar em casa à noite? Vou passar lá...a gente precisa conversar.

Depois daquela ligação, não havia mais dúvidas, tinha levado um forasso. Fui para casa super chateada e tentando me preparar para o fora...

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De repente, a campainha tocou. Era ele. Detalhe que eu estava de pantufas e pijamas. Ele entrou quieto, me deu um selinho frio, sentou no sofá. Ofereci uma cerveja, ele aceitou. Fiquei rodando feito barata tontas enquanto ele tentava desengasgar.

- Fala logo, Pierre. O que aconteceu?! Você está me matando
- Porque vocês mulheres são tão ansiosas?! Para que tanto nervo...
- Como assim, ansiosa?! Você some dois dias, me liga hoje me botando terror e que que eu fique calma? Infelizmente eu ainda estou só na primeira aula da ioga.
- Eu estava pensando
- No quê?
- Na gente!!
Silêncio mortal.
- Já sei...você quer terminar né? Eu entendo...já esperava um pé na bunda mesmo..
- Será que você vai me deixar terminar de falar?!
- Olha, eu sei que não sou uma pessoa muito fácil de lidar...quando me envolvi com você não queria nada sério com ninguém...mas foi ficando tão sério e de uma forma tão natural que eu entrei em paranóia...mas pensei bastante e cheguei a conclusão de que...você é a mulher da minha vida. E porque não tentar mais uma vez?
- Isso é um pedido de ...
- Namoro? Isso mesmo. Diana, quero namorar com você. Aceita?

GENTEEEEEEE....Preciso responder?!
Naquela noite, os anjos fizeram um coral no céu ao som de aleluia e os santos se animaram por finalmente receberem as recompensas por minhas promessas.

sexta-feira, maio 15, 2009

VOCÊ VALE O RESTAURANTE QUE TE LEVAM


- Gente, vocês não vão acreditar!!! - dizia Lili toda esbaforida e com aquela cara de quem tinha novidade
- Ai, fala logo, Lili
- Adivinhem onde o Tavinho me levou para jantar ontem?
- Ah, sei lá, fala logo, Lili - perguntei curiosa
- Calma, Calma...fui jantar a luz de velas no Terraço Roma.
- Jura?! Que romântico
- Romântico nada, Diana...tá na cara que esse cara só quer impressionar e te comer de sobremesa no final. - respondia Betina com toda sua delicadeza de nascença
- Minha nossa senhora, onde a delicadeza foi parar, Betina?
- É a pura verdade gente... vocês estão cansadas de saber que isso é um sinal gritante de que o cara só quer impressionar. Me digam um cara que vocês saíram e levaram vocês para um lugar bacana desses sem querer um sobremesa depois? É puro charme.

Assim como a Lili ficou pensativa e tenho certeza que passou o resto do dia em crise existencial, eu parei para pensar numa verdade incontestável à frente dos meus olhos e que eu não queria ver. Nós, mulheres, valemos o restaurante que nos levam. Sério! Isso pode ser chocante no começo, mas se pensarmos pelo lado positivo, meninas, pode ser um sinal para gente analisar logo de cara o que eles querem com a gente...

... e ficar de orelha grande no papo dos garotos lá na agência na hora do almoço me ajudou muito a entender sobre isso...

- Cara, levei aquela gostosa da Paulinha numa pizzaria lá perto de casa ontem... - dizia o boy que exalava hormônios
- E aí?
- Aí foi uma pizza de mussarela, duas cervejinhas...e pimba! Levei para casa e crau! E o melhor tudo por conta do meu VR.

- Ah eu não saí com a Ana ontem e levei ela para jantar num restaurante bem bacana, música ao vivo, luz de velas...tudo no maior love... - dizia o gerente trintão que, por sinal, era uma gracinha e muito galinha também, mas não sei porque vivia cheio de mulher - o negócio é impressionar cara ... criar um clima , a mulher fica literalmente de quatro depois.
- E você, Maurão?

- Ah eu pedi umas pizzas lá em casa mesmo e fiquei mais eu e minha coroa assistindo uma TVzinha né? Jogo do Timão - falava cheio de orgulho o auxiliar administrativo casado há uns séculos

Aquela escutadinha atrás da porta depois do almoço me fez refletir bastante e chegar à algumas conclusões. Como não posso ser egoísta tenho que dividir com vocês, mulherada porque afinal de contas temos que ser mais espertas.

Lição número 1: barzinho xumbrega = "Só quero te comer hoje e nada mais"
Lição número 2 : restaurante chique = "Você é muito boa , vou gastar uma graninha com você, te impressionar e te levar para cama hoje, amanhã, depois e toda a vez que eu quiser. Você tá no papo"
Lição número 3 : fast food a delivery = "Romantismo para quê, você já é minha mesmo"

É meninas, muito cuidado com quem andam saindo e, principalmente, para onde estão indo. Se o seu objetivo não foi o mesmo que o dele...proteja-se!

domingo, maio 03, 2009

EX, a questão


Letícia Vidica

Outro dia ouvi de alguém (não me recordo quem agora, mas devia ser alguém muito sábio) a frase mais sábia de toda minha vida: “cachorro grande e ex mulher são duas coisas que a gente tem que respeitar”. Filosofando cá com os meus botões, cheguei à conclusão de que é verdade. Não é uma questão de respeitar por gostar, mas respeitar porque o bicho é perigoso. Tão mais o segundo do que o primeiro.

...

Gente, não sei mais o que eu faço! - dizia Lili furiosa na mesa do bar naquele sábado ensolarado.
Nossa, o que aconteceu, amiga?
O que vai acontecer né? Um assassinato, Betina...
Você não mata nem moscas, vai matar quem?
A ex namorada do Otávio. Vocês acreditam que a danada teve a pachorra de deixar uma declaração para ele no Orkut, dizendo que ainda o amava e blablablá e agora não para de ligar para ele?!
Caso complicado esse não? Ex é o pior defeito que um namorado pode ter – filosofava Betina
Mas e o Otávio nessa história toda?
Ah, Diana, sei lá...ele diz que não quer mais nada com ela, que ela é uma louca varrida, mas eu não tenho mais idade para esse tipo de disputa inútil.
Mas que disputa? Afinal a única que tá perdendo aí é ela...
Eu sei , gente, mas poxa...eles namoraram tantos anos sabe...às vezes eu me sinto meio insegura.
Amiga, se ele tivesse que estar com ela, ele estaria. Confia no seu taco hein.

...

Aquela conversa lá no bar me fez lembrar um desses loucos episódios da minha vida. Uma vez eu me envolvi, ou melhor, namorei um cara que tinha uma filha. O Paulo. A gente se conheceu num congresso de publicidade, trocamos telefones, começamos a sair e quando a coisa começou a esquentar, veio a revelação...

Eu tenho uma filha!
Confesso que dei uma engasgadinha na cerveja que eu estava tomando, mas retomei a consciência e tentei agir com a maior naturalidade.
Jura? Nossa, que legal! E quantos anos ela tem?
A Bia tem 3 anos. Olha só a foto dela.
A menina realmente era linda. Devia ter puxado ao pai – que por sinal, era um gato! Mas falando de coisa séria fui logo perguntando sobre o paradeiro da mãe.
Mas e você e a mãe dela?
O que tem? Ah...nada a ver mais...ficamos juntos até um pouco mais do nascimento da Bia, mas não rolou mais. Terminamos numa boa.

Apesar de já ter ouvido mil e umas histórias sobre se envolver com caras que tem filho, essa parecia ser bem tranquila e tinha tudo para ter um final feliz. Resolvi investir, mesmo sob ameaças...

Você é louca? Se envolver com um cara que tem filho? - recriminava a Betina com toda sua delicadeza
Nossa, gente, o que tem? O Paulo é tão bacana!
Ai, Diana, será que você não pode começar a se envolver com pessoas menos complicadas? - questionava Lili
Ai, credo, parece até que o cara é um ET. Além do mais todo mundo hoje tem filhos. Conta-se nos dedos quem não tem. E ele me falou que os dois terminaram super numa boa...

...Engano meu. Boa até ela descobrir a minha existência. Depois de um mês de namoro, comecei a tomar forma na vida dela e ela na minha. Primeiro, a Bia começou a ficar doente toda semana, incrivelmente aos sábados à noite (mais especificamente naquele horário que os casais fogem para o motel). Uma tosse, um espirro a mais, uma febre, uma pneumonia, uma tuberculose... Já estava começando a achar que criança era uma mutante para sobreviver a tantas doenças.

Di, acho que vou me atrasar um pouco.
Aconteceu alguma coisa, amor?
A Bia...tá com catapora. A Amanda acabou de me ligar pedindo para eu passar lá para levá-la ao pronto socorro.
Ué...mas ela não teve sarampo no sábado passado?!
É, mas sabe como é né?
Sei que a Amanda tem carro e pode muito bem levar a filha ao médico. Você não precisa ir até lá.
Como não, amor? A menina está ardendo em febre
Mas e os ingressos para o teatro?
Desculpe, veja se as meninas não querem ir com você. Prometo que amanhã a gente faz algo bem legal.

...

Acho que depois de ver que as doenças não conseguiram nos afastar, mesmo eu tenho ficado sozinha por algumas noites. A ex resolveu partir para o plano B.

Di, tá tudo bem? - perguntava Lili no telefone
Sim...porque o espanto?
Você e o Paulo ainda estão juntos?
Sim. Porque, Lili? Fala logo
É ... é que eu entrei no orkut dele e resolvi fuçar a página da ex dele...fiquei curiosa para ver a cara dela e ... e...
Fala, minha nossa senhora!!!
Ela colocou várias fotos dela com o Paulo e a Bia e escreveu que ele era marido dela.
Ai, Di...desculpe por te contar, mas será que ele não está te enganando?
NÃO! Mas temos aí um grave caso de saúde pública!

Desliguei o telefone furiosa. Minha vontade era de fuzilar a cara dela. Mas resolvi respirar, refletir e pensar. Poxa, e se fosse eu? Com uma filha para criar sozinha? Pera'í, poxa nada...é o meu namorado!!! Perdeu playboy. Amelhor coisa que eu tinha a fazer naquele momento era cobrar uma postura firme do Paulo. Afinal de contas, ele era o culpado daquela insanidade e tinha que resolver o BO. Fez sozinho, agora resolve sozinho.

Conversei com a Amanda e ela pediu mil desculpas. Disse que não vai fazer mais isso..não sabe o que deu na cabeça dela.
Olha, Paulo, ela pode até ser louca, mas eu não. E sei muito bem que ela quer dar uma de boa moça para cima de você para te comover...mas te prepara que aí vem chumbo grosso.

Quando eu digo que mulher é bicho ruim, os homens não acreditam. E o chumbo grosso chegou e com carga pesada. O estopim foi que a louca da ex dele descobriu o meu email e resolveu me escrever para tentar me convencer de que eu estava sendo enganada. O cúmulo da invasão de privacidade. Mas, como esperteza pouca é bobagem, a esperta começou a relatar no email coisas que teriam acontecido entre ela e o Paulo, mas inutilmente um dos dias citados era justamente quando eu e o Paulo tínhamos viajado.

Depois dessa resolvi relaxar e assistir ao espetáculo de camarote. Não mais me abalei com os ataques e, se quer saber, as encheções de saco eram motivos de piadas internas no nosso relacionamento e ajudou a fortalecer a nossa relação.

Fiquei com o Paulo por 7 meses. Acabamos nosso relacionamento não pela louca da ex, mas porque ele se mudou para Portugal e seria difícil namorar à distância. Quando ele vem ao Brasil, sempre me procura e a gente acaba saindo, fazendo um remember ou, até mesmo, (que a Amanda não me leia) fazendo um passeio a três – eu, o Paulo e a Bia. Coisas da vida...

Papo de calcinha: Já passou por algo parecido?

terça-feira, abril 14, 2009

NAMORE UM BARRIGUDINHO


Meninas,
Outro dia, recebi esse texto por email e achei muito sensato e verdadeiro. Então, porque não compartilhar com vocês? Talvez esse explique muito porque muitos gordinhos são a preferência nacional e porque alguns musculosos não pegam ninguém!!! Sei que sou suspeita para falar - já que tenho uma queda pelos mais fofinhos (rs)...

"NAMORE UM BARRIGUDINHO!..."
(palavras de uma psicóloga experiente)...

Tenho um conselho valioso para dar aqui: se você acabou de
conhecer um rapaz ficou com ele algumas vezes e já está começando a
imaginar o dia do seu casamento e o nome dos seus filhos, pare agora e me
escute!

Na próxima vez que encontrá-lo, tente disfarçadamente descobrir como é
Sua barriga. Se for musculosa, torneada, estilo `tanquinho´, fuja! Comece a
correr agora e só pare quando estiver a uma distância segura. É fria, vai
por mim. Homem bom de verdade precisa, obrigatoriamente, ostentar uma
barriguinha de chopp. Se não, não presta.

Estou me referindo àqueles que, por não colocarem a beleza física acima
de tudo (como fazem os malditos metrossexuais), acabaram cultivando
uma pancinha adorável. Esses, sim, são pra manter por perto.

E eu digo por quê.

Você nunca verá um homem barrigudinho tirando a camisa dentro de uma
boate e dançando como um idiota, em cima do balcão. Se fizer isso, é pra
fazer graça pra turma e provavelmente será engraçado, mesmo.
Já os `tanquinhos´ farão isso esperando que todas as mulheres do recinto
caiam de amores - e eu tenho dó das que caem.

Quando sentam em um boteco, numa tarde de calor, adivinha o que os
Pançudos pedem pra beber? Cerveja! Ou coca-cola, tudo bem também.
Mas você nunca os verá pedindo suco. Ou, pior ainda, um copo com gelo,
pra beber a mistura patética de vodka com `clight´ que trouxe de casa.
E você não será informada sobre quantas calorias tem no seu copo de
cerveja, porque eles não sabem e nem se importam com essa informação.
E no quesito comida, os homens com barriguinha também não deixam a
desejar. Você nunca irá ouvir um ah, amor, `Quarteirão´ é gostoso, mas
você podia provar uma `McSalad´com água de coco.

Nunca! Esses homens entendem que, se eles não estão em forma perfeita o
tempo todo, você também não precisa estar. Mais uma vez, repito: não é pra
chegar ao exagero total e mamar leite condensado na lata todo dia! Mas uma
gordurinha aqui e ali não matará um relacionamento. Se ele souber cozinhar,
então, bingo! Encontrou a sorte grande, amiga. Ele vai fazer pra você todas
as delícias que sabe, e nunca torcerá o nariz quando você repetir o prato.
Pelo contrário, ficará feliz.

Outra coisa fundamental: homens barrigudinhos são confortáveis!
Experimente pegar a tábua de passar roupas e deitar em cima dela.
Pois essa é a sensação de se deitar no peito de um musculoso besta.
Terrível! Gostoso mesmo é se encaixar no ombro de um fofinho, isso que é
conforto. E na hora de dormir de conchinha, então?
Parece que a barriga se encaixa perfeitamente na nossa lombar, e fica
sensacional. Homens com barriga não são metidos, nem prepotentes, nem donos
do mundo. Eles sabem conquistar as mulheres por maneiras que excedem a
Barreira do físico. E eles aprenderam a conversar, a ser bem humorados, a usar o
Olhar e o sorriso pra conquistar.

É por isso que eu digo que homens com barriguinha sabem fazer uma mulher
feliz.

CARLA MOURA
PSICÓLOGA, ESPECIALISTA EM SEXOLOGIA E TERAPIA DE CASAIS"

sábado, fevereiro 28, 2009

O DILEMA DO CONVITE


Por Letícia Vidica

Há mais de dois meses, eu estava afim de um cara lá do meu serviço. O Jonatan, uma gracinha. Ele era novo na agência e também era publicitário. A gente conversava formalmente sobre assuntos do trabalho, às vezes, saia para almoçar, nada além disso. O problema é que no meu íntimo de mulher, eu sentia que o meu afeto por ele era correspondido. Só que ninguém dava o primeiro passo.

Eu sempre fui daquele tipo de mulher que acha que o primeiro passo tem que ser dado por eles. Seria mais gentil e deveria ter continuado assim desde os tempos de Adão e Eva. Só que no meio do Jardim do Éden, os papéis se inverteram. Parece que são os homens que hoje esperam uma iniciativa nossa.

Ótimo se eu fosse boa em dar iniciativas. Eu sempre fui péssima nisso. Confesso que já tentei algumas vezes. Umas deram certo, tantas outras eu quebrei a cara e agora estava com medo de arriscar.

- Acho que você e o Jonatan fazem um casal tão bonito – perguntava Carol, minha amiga do trabalho.
- Mas por que você acha isso?
- Ah, Di, tá na cara. O jeito que ele te trata, o jeito que ele te olha, o jeito que ele fala com você... só você que não percebe.
- Você esta vendo coisas demais, Carol. Não tem nada a ver. Ele é apenas educado comigo, como é com todas...
- Sei, sei...mas uma coisa você não pode negar. Está caidinha por ele. E olha que não sou só eu quem acha isso não... daqui a pouco vai rolar até um bolão para saber se vocês vão ficar ou não.
- Credo! Esse povo não tem o que fazer não?
- É a rádio peão. Você sabe...

Terminamos de almoçar, o dia também passou rápido e eu fui para casa engasgada com a conversa que eu tive no almoço com a Carol. Será que o Jonatan está mesmo afim de mim? Acho que não. Ele deve ser do tipo educado com todas e com jeitinho meigo de conquistador. Mas se eu estiver errada?

- Por que você não convida ele para sair?
- Ai , Betina, não é tão simples assim.
- Como não? Chama ele para tomar um chopp, tipo um happy hour, sei lá...
- Mas e se ele me achar muito atirada?
- Diana, não vem dar uma de puritana agora. Desde quando tomar um chopp é sinal de alguma coisa. Você não está chamando ele para ir pro motel.
- Não sei, Be. Ainda acho que é cedo, eu posso me precipitar demais e acabar quebrando a cara.
- Se você não tentar, nunca vai saber.
- Mas eu acho que e ele quem deveria me chamar para sair e não eu.
- Como ele vai te convidar para sair se você ainda não deu nenhum sinal para ele?
- Tá bom...você me convenceu... eu vou chamar ele para tomar um chopp.


Prometi, mas não cumpri. Quase um mês já tinha se passado e eu não criava coragem para convidá-lo para sair. Toda vez que eu tentava ou alguém chegava ou eu desistia. O medo de quebrar a cara era maior do que tudo.

Certo dia, fui almoçar sozinha. Sentei na mesa do restaurante, de repente uma sombra me perguntou:

- Posso sentar aqui? – era ele.
- Claro, fique à vontade.

Eu não sabia o que dizer. Gelei. Foi uma cena ridícula. Ele começou a puxar papo comigo sobre o trabalho, sobre o tempo, coisas idiotas do tipo. Ótimas para quem não tem assunto. O almoço acabou, ele foi embora pois tinha uma reunião com um cliente e eu fiquei chupando o dedo.

- Não acredito que o Jonatan almoçou com você e você não deu uma indireta?
- Pode acreditar, Carol. Eu travei. Foi ridículo! Eu desisto.
- Desistir? Jamais. Semana que vem eu vou comemorar o meu níver naquela balada que eu te falei. A galera disse que vai, inclusive, o seu gatinho. É a sua oportunidade.


A Carol armou tudo quase tão perfeito e inventou uma história tão maluca que eu acabei indo de carona com o Jonatan para a balada. No caminho, fomos conversando sobre nossos gostos. Descobri que ele adorava surf music, que surfava aos finais de semana em Ilha Bela e que estava solteiríssimo (um ponto positivo para mim. Faltava saber qual era o tipo de mulher que ele curtia).

A balada foi ótima, com apenas um detalhe: nós não ficamos. O Jonatan ficou o tempo todo conversando com a Susi, a secretária da agência. Fiquei super deprê, era melhor tirar meu time de campo. O pior é que eu ainda tive que voltar de carona com ele com a oferecida da Susi, que não parou de falar um minuto o caminho todo. O Jonatan deixou a Susi primeiro e depois me levou para casa.

- Ufa, ainda bem que ela foi embora. Não estava mais agüentando ouvir a voz dessa garota.
- Nossa, achei que você estava gostando.
- Tá louca? Que mulher chata!
Vocês não sabem o quanto eu fiquei aliviada de ouvir isso. Até criei coragem...
- É...foi uma pena que a gente nem pode conversar direito.
- Mas não vai faltar oportunidade...afinal de contas, segunda já tá aí.
O que foi isso? Um xaveco do tipo ‘Hello, se liga mina que eu quero você” ou um modo educado de dizer “Se quiser falar comigo, dirija-se a minha sala?” Odeio homens enigmáticos.

Ele me deu um beijo na bocheca (como eu queria virar o rosto naquela hora) e a gente se despediu.


- Você tá ficando mole demais, Diana... o cara te deu o maior mole e você não fez nada?
- Que mole que eu não estou vendo?
- Ele deu a deixa para você convidar ele e nada? Desisto, perdi o bolão e eu fiz a minha parte.

A Carol estava certa. O quê estava acontecendo comigo? Parece tão simples porque eu não consigo convidá-lo para sair?

....

No final do dia, eu tive uma reunião com ele. Acabamos saindo tarde e estressados da agência. O Jonatan me ofereceu uma carona e como o meu carro, graça a Deus, estava no mecânico eu aceitei.

- Nossa, mas o Sr. Otávio é difícil demais...estava tão claro que a campanha era perfeita - desabafava ele
- Ele é assim mesmo. Gosta de nos instigar, deixar a gente à flor da pele... (convido ou não convido?)... falando nisso acho que a gente merece um chopp depois de um dia desses né?
- Ótima idéia! Isso é um convite?
- Encare como quiser.

Foi mais fácil do que eu imaginava. Não doeu e ele não teve nem tempo de negar o meu convite. Agora restava saber qual era a dele. Fomos ao bar do Pedrão, pedimos umas cervejas e ficamos conversando até o último cliente, bem, acho que nós fomos os últimos clientes. Depois de sermos expulsos do bar, ele me levou para casa...

- Nossa, Diana, você não sabe o bem que esse happy hour me fez. Já vou dormir melhor...
- Que bom que você gostou da cerveja.
- Não só disso, como principalmente da companhia.
Fiquei muda. Aquela frase não podia estar sendo dita. Não sabia o que responder... continuei calada, mas ele desatou a falar.
- A gente conversa pouco na agência, mas sempre te achei uma pessoa super simpática. Ouvi ótimos comentários sobre você e hoje pude confimar com os meus próprios olhos que não era mentira...só tem uma coisa que ninguém soube me confirmar...
- O que? – perguntei ingenuinamente.

Jonatan se aproximou de mim, nos olhamos e ele me beijou. Acho até que vi estrelas nessa hora e que a trilha sonora do Titanic tocou para nós. Era bom demais para ser verdade.

- Posso te confessar uma coisa ? ... Há muito tempo eu esperava por esse momento, mas não sabia como falar com você, como te chamar para sair...achei que você ia me dar um fora ... tá rindo do quê? Estou sendo ridícula né?

- Nada disso... é que eu também pensava a mesma coisa. Desde a primeira semana, comecei a te observar, mas você não notava, não dava sinal nenhum e eu não sabia como chegar em você.

Nos olhamos e começamos a rir como dois bobos. Ficamos juntos mais algum tempo e depois ele foi embora. Continuamos ficando por mais alguns meses, até ele ser transferido para outra agência no Rio de Janeiro. O mais interessante da nossa relação é que na agência ninguém nunca soube o que rolou entre a gente,nem que eu tinha tomado coragem. Estão até hoje fazendo bolão e no suspense. Hahahaha

Mas uma coisa eu aprendi com ele: quem não arrisca não petisca.

Papo de Calcinha: Já passou por esse dilema?

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

NAMIGORADO


Por Letícia Vidica


- Diana?! Em casa a uma hora dessas em pleno sábado a noite?! – perguntava Betina admirada

- E posso saber qual é o problema e o motivo de tanto espanto para isso? – retruquei lambuzando meu dedo de brigadeiro, de pijamas, esparramada no sofá assistindo um programa qualquer.

- Ué, e o Fabrício? Não vai sair com ele hoje?

- Ele teve um compromisso de família, mas ‘peraí e por que eu teria a obrigação de sair com ele hoje? Não posso me dar o direito de não sair, Betina?

- Calma! Só achei estranho porque ele não é seu namorado?


- Quem falou?!

- Ai, Diana, para de se fazer de tonta. Você fala com o cara todo dia, toda hora, só fala dele, só pensa nele, só sai com ele e vai me dizer que isso tem outro nome?!



Odeio como a Betina tem o poder de me fazer refletir nos momentos mais inoportunos! Depois daquela indagação, fiquei sem ar, sem resposta, mas não tive como ficar sem refletir. Afinal de contas, o que o Fabrício era meu? Ele era um amigo? Um namorado? Um amigo namorado? Um namorado amigo? Que nome eu daria para o nosso lance? Seria um rolo? Um rolo sério? Um amigo colorido? Aiiiiiii!!!! Odeio você Betina!!!



Bem, você não deve estar entendendo nada, mas vou rebobinar a história.

Eu conheci o Fabrício, num daqueles momentos da minha vida que eu estava querendo exterminar todos os homens da face da terra e que não me faria falta (ou faria?). Nos conhecemos numa festa na casa da Lili. Ela havia resolvido reunir alguns amigos para jogar conversa fora e um deles era o Fabrício. Lembro que naquele dia cheguei super tarde na casa dela, estressadíssima com as buchas do meu trabalho e super a fim de tomar uma breja, quieta e esquecida no canto do sofá...mas o Fabrício não deixou que isso acontecesse.
Fomos apresentados pela Lili e, desde então, passamos a noite toda jogando conversa fora. Até aí, nada mexeu comigo. Achei apenas que ele era um cara legal e que queria conversar, mesmo sendo 5 anos mais velho (idade perfeita), ter um emprego bacana, gostar das mesmas coisas do que eu e ter um papo interessante! Trocamos telefone, MSN, email, Orkut e acho até que tipo sanguíneo, mas eu não apostava a mínima que ele me ligaria. Porém, como sempre quebro a cara com minhas apostas, ele me ligou três dias depois me convidando para um jantar.


Saímos para jantar e, desde então, não paramos mais de sair, de nos falarmos todos os dias, toda hora...



O incrível é que as coisas foram fluindo tão naturalmente que eu nem me dei conta de que já fazia 3 meses que o nosso rolo tinha começado.



- Nossa, Di...parece que foi ontem que a gente se conheceu né?


- Realmente, incrível como passa tão rápido.


- Tudo que é bom a gente não vê passar. E tá tão bom ficar com você sabia? A gente se combina tanto.


- Olha, Fa, tenho que confessar que eu já estava desiludida quando te conheci e achei que você seria só mais um...


- Eu sou o ‘um’ que vai fazer a diferença...



....



- Olha só os pombinhos!!! – chegava gritando Betina e Lili no bar do Betão


- Vocês demoraram!


- E você já viu a Lili ser rápida para se arrumar?


- Ai, gente, eu não posso sair de qualquer jeito né? Afinal de contas, eu não estou igual você, amiga, eu tô na pista para negócio!!!


- Falando nisso, e aí quando sai o casório?


- Não exagera, Betina!


- Eu já pedi, ela que não quer, tá me enrolando...


- Não faz muita hora não, minha filha, porque a fila lá fora tá grande! – ironizava Betina


- Mas é sério, gente, vocês formam um casal tão lindo! Deviam namorar logo, ou melhor, assumir logo porque namoro, isso já é né? – alfinetou Lili.



Mais um ponto para minhas amigas, na arte de me deixar sem graça elas são mestres...



...e mestre também foi a Betina com àquela pergunta...




- Ai, Diana, para de se fazer de tonta. Você fala com o cara todo dia, toda hora, só fala dele, só pensa nele, só sai com ele e vai me dizer que isso tem outro nome?!...


...Diana, hello! To falando com você!



- Ai, Be, desse jeito você me deixa confusa!



- Confusa por quê? Você não está gostando do cara?



- To.



- Você tem vontade de sair e ficar com outra pessoa?



- No momento, não.



- Então, tá fugindo do que?



- Eu não estou fugindo, apenas estamos nos conhecendo.



-Amiga, e no namoro a gente também não conhece as pessoas? Olha, Di, não sei bem o que você quer e qual é o seu plano...mas vejo que o Fabrício é um cara bacana, tá te fazendo mega feliz, fez reviver aquela Diana alegre, você tá parecendo uma adolescente boba e apaixonada, tá esperando o que? O cara te dar um pé?



- Não é isso, Be, eu realmente to apaixonadinha pelo Fá...fazia tempo que eu não sentia esse friozinho na barriga sabe, esse calor por dentro, essa saudade...ele é um cara bacana, combina muito comigo, é carinhoso, atencioso, companheiro...bem diferente dos outros que eu conheci...mas eu não sei...às vezes me sinto insegura, tenho medo de sofrer de novo...



- Só tem medo quem é covarde, amiga e isso eu sei que você não é...faça o seu tempo, mas vá se acostumando com a idéia de que isso é muito mais que um rolo e ele é muito mais que um simples amigo...isso tá mais para namigorado!!!


- Namigorado?!



Nos olhamos e começamos a gargalhar no sofá. A Betina era super criativa para inventar palavras estranhas para situações certas... Fabrício era meu namigorado – uma mescla de namorado com amigo com amigo namorado – ai que confusão – mas deixa o tempo dizer né?



Papo de calcinha: E, você, já teve um namigorado?Como definiu a situação?

sábado, outubro 25, 2008

SAINDO DA FOSSA

Letícia Vidica

´Trim, trim´
- Oi, Di, tudo bem?
- Oi, Betina! Nossa, estava pensando em vocês agorinha mesmo...olhei no meu calendário e lembrei que a gente não marca uma boteco encontro há muito tempo né?
- Nem me fale...liguei também para saber se você tem notícias da Lili? Faz mais de um mês que ela não dá um sinal de vida.
- Isso está me cheirando uma coisa...

Toda vez que a Lili tomava um chá de sumiço era por causa de alguma desilusão amorosa. Nossa amiga tem a mania de se trancar em casa e achar que mundo acabou. Só porque ela não tem um homem ou porque terminou um relacionamento. E o script é sempre o mesmo: ela some, a gente sente falta e a gente a procura.

Foi o que fizemos naquela tarde de sábado ensolarada. Eu e Betina seguimos para casa dela na missa "Resgate Lili".

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´Toc, toc, toc´
- Abre a porta, Lili. A gente sabe que você está aí. Não adianta se esconder.

Depois de várias e insistentes batidas, ela abriu. Estava de pijama amarelo (não soube distinguir se era a cor natural dele ou se era por falta de banho mesmo). A casa dela estava um horror. Caixas de chocolate e pizza espalhadas pelo chão, louças e mais louças empilhadas na pia. Sem contar a aparência de dragão dela...

- Por um acaso o mundo acabou aqui e eu não estou sabendo?
- Ai, Betina, se vocês vieram aqui para me crucificar, podem saindo...
- E deixr você morrer trancada nesse apartamento fedido e bagunçado? Pode ir parando, Lili...vamos tomar um banho, arrumar essa zona e você vai contar pra gente o que aconteceu.

Empurrando Lili, eu consegui convencê-la a tomar um banho. Enquanto isso, a nêga Dita baixou em nós e deixamos o apartamento limpo e perfumado de novo. Perfumada também ficou a Lili depois do banho.

- Pode ir desembuchando - disse Betina - por quê é que você desapareceu.
- O Otávio.
- O que foi que aquele pilantra aprontou dessa vez?
- A gente terminou...
- Novidade né? - ironizou Betina - e quando é que vocês voltam?
- Agora é sério, Bê. A gente não volta mais. E quem terminou fui eu.
- O quê?!

Eu e a Betina desacreditamos do ato de coragem da Lili. Ela namorava o Otávio há mais de 3 anos. Um namoro bem conturbado, mas um namoro. Toda semana, eles brigavam, terminavam e voltavam. Mesmo sabendo de todas as mentiras e traições dele, ela sempre perdoava em nome do amor que dizia sentir por ele.

- Não dá mais. Eu caí na real que o Otávio não é homem para mim. Pra variar, eu o peguei com outra. Todo mundo sabia que ele tinha outra mulher e eu fazendo papel de trouxa?! Chega! Cansei de ser a idiota, a pacata, a boazinha, a que sempre perdoa tudo...eu não preciso disso. Eu não quero isso...mas dói e tá sendo difícil...

- Amiga! Tô boquiaberta com sua reação. Nunca acreditei que você seria capaz de dar um pé na bunda daquele cara.

- É, Di, como eu disso, fácil não foi. Mas chega uma hora que a gente tem que se amar em primeiro lugar.

- Eu tenho que confessar que nunca morri de amores pelo Otávio, mas voce dizia que o amava né? A gente respeita. Afinal somos amigas.

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Ouvindo a história da Lili me lembrei do quanto é difícil tomar uma decisão radical na vida, ainda mais quando envolve o coração.
Namorei um cara por muito tempo, um dos meus primeiros namorados. Morria de amores por ele e achava que o mundo ia acabar se não ficássemos juntos.

Um belo dia, me enchi das suas mentiras, do seu ciúme doentio, da sua falta de atenção comigo e dei um BASTA. Foi duro no começo, me senti perdida, sozinha, frustrada em muitos momentos. Mas vi que o mundo não acabou e que eu estava me fortalecendo a cada dia, a cada novo encontro comigo mesmo. Comecei a perceber que eu tinha esquecido de mim esses anos todos. Não sabia nada sobre mim. A separação me ajudou a conhecer uma pessoa maravilhosa: EU MESMA.

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- E agora, Lili, o que você vai fazer?
- Não sei ainda, Betina. É tudo muito novo para mim. Até uns dias minha vida girava em torno do mundo do Otávio.
- Nós sabemos muito bem o que você vai fazer... - eu disse
- Você vai viver. A vida é bela, o mundo é imenso e tem um mar de gente bacana que merece conhecer a pessoa maravilhosa que você é...É só se mostrar e brilhar...
- Ai, amigas, o que seria de mim sem vocês hein?

Nos abraçamos e saímos para apresentar o mundo a Lili. Afinal, ela tinha que sair daquela fossa.