sábado, setembro 19, 2009

AQUELE PORRE


Por Letícia Vidica

Primeiro porre é como primeira vez. Todo mundo vai ter um dia, nem sempre é tão bom e ninguém nunca mais esquece. Apesar de ser uma experiência vivida por muita gente os efeitos não são os mesmos para todo mundo, mas as desculpas de quem quer tomar um porre são quase sempre as mesmas:

Tem gente que toma um porre para se libertar. Sabe aqueles caras ou aquelas minas que são tímidas, mas aproveitam a bebedeira para se libertar dos paradigmas, dançar o Créu em cima da mesa do bar na maior naturalidade e não sentir a menor culpa por isso? Ou para dar para o primeiro cara que te olha e acordar descabelada no dia seguinte na cama de um desconhecido sem o menor pudor?

Tem gente que toma um porre para afogar as mágoas, o típico porre romântico. Levou um fora do gato e precisa de um consolo. Nada melhor do que um porre para consolar. O porre nesse caso se torna o melhor terapeuta que alguns podem ter. É beber e chorar, chorar e beber na ordem que você quiser.

Tem gente que toma um porre para se socializar. Já parou para pensar que se não fosse aquele porre muita gente por aí não teria amigos?

E tem gente que toma um porre porque simplesmente quer tomar e pronto! "Hoje eu vou tomar um porre não me socorre que eu tô afim..."

Geralmente, eu costumo tomar um porre por essa última opção. Simplesmente porque tô afim.

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- Diana, não acha que está na hora de parar? Já bebeu demais por hoje!
- Ihhhhh, Betinaaaa...pô parar...eu avisei que hoje eu queria sair para beber e eu vou beber até cansar...eu vou tomar um porre não me socorre que eu tô afim...larga a mão de ser chata.
- Vixi, Betina, quando começa a cantar é que o negócio tá feio hein? - dizia Lili já reconhecendo os meus típicos sinais de que eu já havia bebido demais.
- Ok, Diana, não quero cortar o barato de ninguém, mas já são quase 5 horas da manhã e a gente está aqui desde às 22h?!
- Olha, eu fui...vocês são muito chatas, sabia? ...eu vou dançar que eu ganho mais... Uhuuuu

Não sei como e qual foi a ordem dos fatores só sei que amanheci no dia seguinte com a maior dor de cabeça, daquelas que um simples barulho de folhas balançando se assemelham ao tiro de canhão ao pé do ouvido.

- Hora de acordar, mocinha...
- Ai, Betina, fecha essa janela, pelo amor de Deus - eu disse cobrindo o rosto para esconder os raios solares que infiltravam na minha mente - que horas são?
- Hora de acordar, moça. Mas você abusou ontem hein?
- Eu?! Não consigo me lembrar de nada...
- Talvez porque você apagou e tivemos que pedir pro Pedrão te carregar até o carro né? Nunca vi...vai ter pique assim para beber hein?
- Só sei que minha cabeça tá doendo muito...eu não vou levantar da cama hoje...
- Acho difícil que isso aconteça hein? O Pierre já ligou umas dez vezes atrás de você...

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, a minha campainha tocou e o Pierre entrou como um furacão no quarto.

- Caramba, Diana, custa atender a p... do celular?!
- Tchau, gente, tenham um ótimo dia. - disse Betina saindo pela tangente e já sentindo que o clima ia esquentar.
- Ai, que estresse, Pierre. Eu estava dormindo.
- Até essa hora? A farra foi boa ontem hein? E que cara é essa? Aposto que você bebeu até cair. Já falei para você que isso é ridículo e que eu não quero mulher minha bebendo em porta de bar...
- Menos, Pierre, muito menos. Em primeiro lugar, eu não sou sua. Não tô à venda. Somos apenas namorados. Segundo, pimenta nos olhos dos outros é refresco né?

Eu acho engraçado os homens. Nós somos obrigadas a aguentar a ressaca deles depois de várias noites de bebedeira e com a gente isso não pode acontecer?!
Mas eu estava acostumada. Isso sempre acontecia. Toda vez que eu tomava um porre, o Pierre sempre me dava um sermão. Eu fingia que escutava tudo, mas na verdade só conseguia me concentrar na minha dor de cabeça. No fim sempre acaba tudo bem, ele me ajuda a tomar banho, prepara uma comidinha para mim e terminamos o dia de pés coladinhos se é que me entende...

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A Lili é o tipo de bêbada romântica e chata. Quase nunca bebe, mas quando resolve é sempre para afogar as mágoas. Tudo bem se eu e Betina não tivéssemos que ficar aguentando e ouvindo a noite toda, nossa amiga se lamentando pelo canalha do Otávio...

- Ele não podia ter feito isso comigo...eu faço tudo por ele..Di, ele não me ama mais? - dizia Lili segurando sua décima caneca de chopp
- Ele te ama sim, Lili - nessa hora nunca é bom contestar. A situação pode ficar pior e o porre ficar eterno.
- Não, ele não me ama não...como pode fazer isso comigo...você acha que ele me ama mesmo, Betina?
- Lili, já chega...hora de criança ir para cama né?
- Não...eu vou beber até morrer ...ele não me quer mais e eu não tenho porque viver...minha vida é uma desgraça...

O pior momento do porre da doce Lili era quando começava a chorar. O choro seria perdoável se não fosse um berro e as pessoas do bar não ficassem olhando para a nossa cara espantadas. Depois do choro, vinha a ânsia e, na sequência, o vômito. É nessas horas que a gente vê que amigo é mesmo para qualquer parada.

Sempre terminávamos a noite carregando a Lili pelos ombros e ouvindo o caminho todo as lamentações dela sobre o amor questionável do Otávio por ela. No fim, ela caía num sono profundo e acordava na manhã seguinte envergonhadíssima pelo que fez a gente passar. Desculpas mil, mas nós sabíamos que no primeiro fora começaria tudo de novo.

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Soltar as feras era o motivo para que a durona da Betina caísse na bebedeira geral. Minha amiga é a mais centrada de todas, durona, nunca quer dar o braço a torcer e vive recriminando nossas atitudes , mas quando ela ficava de porre...aprontava mais do que nós duas juntas.

- Hoje, eu vou deixar a vida me levar hein? - dizia Betina com um copo de whisky na mão e sambando no meio da balada.
A imagem pode suar um pouco forte para vocês, minhas amigas, mas essa era a Betina depois de cinco copos de whisky com altas doses de energético.

Confesso que, em alguns momentos, prefiro mais a Betina bêbada do que sóbria se não fosse as consequências que ela arrumava para gente.

- Diana, eu não tô acreditando...olha lá onde está a Betina...
Simplesmente, nossa amiga estava em cima de uma mesa (quase caindo) dançando "Creu"

- Minha nossa, esse porre é dos bons hein...

- Betina, desce daí, pelo amor de Deus...você vai cair...
- Uhu...subam meninas...créu-créuuuu

A gente não subiu, mas a homarada de plantão resolveu fazer companhia a ela que, em poucos segundos, desapareceu. Ficamos até o final da balada esperando o retorno da Betina, o que foi em vão. Era sempre assim. Ela bebia, dançava como uma louca na pista e acabava perdida com alguém na noite.

- Bom dia, cinderela - eu disse ao telefone para a perdida da Betina que já tinha encontrado seu local de origem
- Ai, Diana, eu estava dormindo...
- E posso saber com quem?
- Como assim com quem?
- Não se faça de louca, Betina...você sumiu depois da dança do Creu...
- Dança do creu?!
- E com direito a dançarinos e tudo...você arrasou dançando funk em cima da mesa...
- Créu?! Funk?! Em cima da mesa?! Minha nossa senhora, eu preciso parar de beber....
- Hahahahahahaha


PAPO DE CALCINHA: Qual foi o seu pior (ou melhor) porre?

2 comentários:

Anônimo disse...

Adorooooooooooo a Betina !!!! Kkkkk

Putz eu já tive um porre......... fui parar na enfermaria e tudo ... Bom pelo menos o vinho era do bom, sem dor de cabeça no dia seguinte. Nunca mais na vida !!!! cara vomitei até a alma aquele dia Kkkkkk ....... Bom já o meu marido queria abrir um buraco no chão e se enterrar :) .... Bom o motivo do porre .... Hummm deixa pra lá.. é off !!!! :)

Vivi Lolis

GiGi disse...

Não sei, não me lembro! Ahahahahahah

Nada, brincadeira. Não sou de beber, o gosto é muito ruim, não desce! Nunca tive um porre ^_^