quarta-feira, junho 17, 2009

SE ATÉ AS BALEIAS DESENCALHAM...


Mais um dia daquele abominável para qualquer solteiro (ressalva, mulher solteira) estava chegando. Só que esse ano, talvez, as coisas podiam ser diferentes para mim. Isso porque eu estava com um rolinho, mas eu não estava botando muita fé de que a solidão não bateria na minha porta no dia 12 de junho porque homem solteiro enrolado odeia passar o dia dos namorados com a mulher que ele está enrolando só para não achar que é namoro né?

- E aí meninas, alguma programação para o Dia dos Namorados? - perguntava Lili toda empolgada
- Nossa, essa empolgação toda é por quem, hein?
- Ai, vocês nem sabem, vou sair com o Otávio.
- Eu não acredito que você não tenha pessoa melhor para passar o dia dos namorados, Lili!
- Credo, Betina, antes ele do que sozinha...então, liguei para ele como quem não quer nada e ele me convidou para passarmos a noite no chalé dele lá em Campos, não é demais?
- Demais seria você tomar vergonha na cara, Lili
Antes que minhas amigas se atracassem pelo cabelo resolvi interromper.
- Eu nem sei.
- Ué, mas e o Pierre? Como assim?
- Ah gente...ele não é meu namorado...quem garante que ele tenha que passar justo esse dia comigo?!
- Pelo menos, alguém mais sensato nesse lugar - dizia Betina

Confesso que disse aquilo com dor no coração e da boca para fora também. No fundo de minh'alma eu desejava muito passar o dia dos namorados com ele. O problema é que ele não parecia desejar o mesmo.

- Acho que vou viajar com os meus amigos no dia 12. Eles me ligaram e me chamaram para ir para praia, o que você acha?
(É claro que eu achava o fim da picada...mas eu não podia cobrar um centavo sequer dele)
- E-e-eu?! Ahhhh...vai sim...vai ser bom para você
(Nessas horas agradeço por nós mulheres termos o dom da falsidade)
-É tô pensando mesmo, vou ver, mas e você vai fazer o que?
-Eu?! Acho que vou viajar também...com a Lili.
(Resposta rápida)

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Eu e o Pierre estávamos juntos há quase 6 meses. Para mim, aquilo já era mais que um namoro. Era um casamento, apesar de não assumido. O Pierre entrou na minha vida assim meio de repente, sabe naqueles momentos que você já tinha perdido a esperança? Daí chega um cara bacana cheio de amor e carinho para dar a uma mulher carente e à procura, o que você acha que eu fiz? Caí na rede né?

A gente se dava muito bem. Gostávamos das mesmas coisas, tinhamos o mesmo pensamento, ideiais, livros, discos e tudo o mais. Nossa intimidade já era tanta que tinha dias que eu não sabia se estava no meu apartamento ou no dele. Era cueca jogada de um lado, duas escovas de dente no banheiro, várias latas de cerveja na minha geladeira. Para uma mulher que ficou tanto tempo sozinha essa invasão de privacidade mexeu um pouco com meus miolos. Mas confesso que não foi tão difícil assim ter uma barba peluda roçando meu rosto quase todas as noites (hehehehe).

O único defeito desse príncipe de Cinderela era que ele não assumia (ou fingia não assumir) que estava tendo um compromisso sério com uma mulher. Acho que era trauma. Ele já tinha namorado e noivado com uma garota por muitos anos, mas não deu certo. Daí, ele entrou na galinhagem e depois me conheceu.

- Poxa, Pi, você bem que podia ficar mais aqui né? - insistia minha mente burra de mulher para que ele resolvesse me assumir
- Ai, gata, tá tão bom do jeito que tá. Você é livre para fazer o que quer, eu também...gosto do nosso lance assim.

Pura ilusão achar que ele ia me assumir. Mas a esperança é a última que morre né?

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12 de junho de um ano qualquer.
Levantei da cama como se aquele fosse um dia comum. Fiz de tudo para esquecer que aquele era o dia cor de rosa. Fui para o trabalho e passei o dia todo me empaturrando de chocolates e fingindo que estava tudo bem, mesmo que o Pierre não tivesse me dado uma mísera ligação. Havia dois dias que ele não falava comigo.

Meio-dia. Horário do almoço. Cocei os dedos para ligar para ele, mas prefeir ir chorar em um ombro amigo.
- Ai, Bê...acho que levei um fora em pleno Dia dos Namorados...pra variar...mais um...será que eu tenho algum problema? Engordei demais? Tô com bafo?
- Pára com essa loucura, Diana. Você se esqueceu que está lidando como bicho homem?!
- Mas justo agora que eu estou apaixonada por ele?
Meu celular tocou. Era o Pierre
- Oi, Diana
Nossa não me chamou de gata?! Algo estava errado...
- Você vai estar em casa à noite? Vou passar lá...a gente precisa conversar.

Depois daquela ligação, não havia mais dúvidas, tinha levado um forasso. Fui para casa super chateada e tentando me preparar para o fora...

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De repente, a campainha tocou. Era ele. Detalhe que eu estava de pantufas e pijamas. Ele entrou quieto, me deu um selinho frio, sentou no sofá. Ofereci uma cerveja, ele aceitou. Fiquei rodando feito barata tontas enquanto ele tentava desengasgar.

- Fala logo, Pierre. O que aconteceu?! Você está me matando
- Porque vocês mulheres são tão ansiosas?! Para que tanto nervo...
- Como assim, ansiosa?! Você some dois dias, me liga hoje me botando terror e que que eu fique calma? Infelizmente eu ainda estou só na primeira aula da ioga.
- Eu estava pensando
- No quê?
- Na gente!!
Silêncio mortal.
- Já sei...você quer terminar né? Eu entendo...já esperava um pé na bunda mesmo..
- Será que você vai me deixar terminar de falar?!
- Olha, eu sei que não sou uma pessoa muito fácil de lidar...quando me envolvi com você não queria nada sério com ninguém...mas foi ficando tão sério e de uma forma tão natural que eu entrei em paranóia...mas pensei bastante e cheguei a conclusão de que...você é a mulher da minha vida. E porque não tentar mais uma vez?
- Isso é um pedido de ...
- Namoro? Isso mesmo. Diana, quero namorar com você. Aceita?

GENTEEEEEEE....Preciso responder?!
Naquela noite, os anjos fizeram um coral no céu ao som de aleluia e os santos se animaram por finalmente receberem as recompensas por minhas promessas.

Um comentário:

Nara Murta disse...

Que feliiiiz! Adorei!