domingo, abril 03, 2011

QUER NAMORAR COMIGO?


Por Letícia Vidica

'Quer namorar comigo?'

O que eu responderia? Posso pensar? Como assim?! Passei tanto tempo me recuperando da ausência do Pierre, depois tanto tempo me preparando para conhecer um cara novo e depois mais um bocado de tempo para achá-lo e... quando acho um cara bacana, bonito, que me entende e corajoso ao ponto de me pedir em namoro (mesmo sabendo o poço de confusão que mora dentro de mim), eu não sei o que responder? E preciso de tempo para pensar? Para o mundo que eu preciso descer!
Pois é, eu precisava descer. Eu realmente não sabia o que responder e precisava de um tempo.

- Pera lá, Diana...como assim você não sabe se aceita namorar aquele Deus? Até eu iria contra os meus princípios para namorá-lo!! - era Betina me recriminando e se rendendo aos encantos do peixão.

- Depois fica aí reclamando que tá sozinha. Se fosse eu... - dizia Lili.

- Tá, tá. Eu sei que eu sou confusa, mas o que eu posso fazer?! Eu não sei se estou preparada para um namoro agora. - eu dizia tentando enfiar cinco pedaços de frango a passarinho na minha boca. (Confesso que a gula é um dos meus maiores pecados)

- Diana, calma. Isso é super normal...você tá com medo de passar tudo o que passou com o Pierre. É normal. Minha terapeuta chama isso de 'síndrome do próximo'.

Ai, meu Deus, será que eu estava vivendo essa tal Síndrome? Seja lá qual for o nome dela e o mal que eu sofro, eu realmente estava confusa.

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Recapitulando:

O motivo da minha confusão chamava Jean. Conheci o Jean no lugar mais improvável da face da terra: no meu salão de cabeleireiro. Ele é filho de uma das clientes do Beto, meu cabeleireiro. Ou seja, conheci a sogra antes do pretendente. E nas minhas constantes conversar com o Beto, entre uma escova e outra, a tal mulher pode perceber que eu estava solteira e à procura. E comentou sobre o tal filho - que à primeira vista era perfeito demais pelas descrições suspeitas da mãe.

Coincidências ou não, o príncipe começou a buscar a mãe gentilmente no cabeleireiro. Fomos apresentados, trocamos telefones, marcamos um encontro...foi maravilhoso...e nosso rolo engatou. E a mãe dele não estava exagerando. O Jean é realmente perfeito!! Até demais...

A gente se entende. Melhor, ele me entende. É carinhoso, inteligente, bem humorado, bem sucedido, uma ótima companhia...não chega a ser um príncipe William, mas é bem bonito. Acho até que comecei a gostar dele. Pelo menos, era o que eu concluía por conta da saudade que eu sentia quando ele não estava comigo. E eu nem pensava no Pierre na maior parte do tempo.

- Nossa, Di, já faz seis meses que a gente tá junto. O tempo corre né? - dizia ele enquanto acariciava os meus cabelos.

- Pois é...parece que foi ontem que sua mãe começou a te xavecar para mim...

- Eu te ganhei e não minha mãe, lindona. - dizia ele apertando minha bocheca e me dando um selinho demorado.

Ele odiava a idéia de admitir que a mãe dele agiu como cupido na nossa relação. E jurava de pés juntos que era pura coincidência o fato de ele passar a buscar a mãe dele todo sábado no cabeleireiro. Mas não importava. Importava o quanto a gente estava feliz, o quanto ele me fazia feliz, o quanto a companhia dele se tornara boa e necessária para mim.

E, sendo assim, eu me sentia no controle total da situação e dos meus sentimentos. Estaria apenas espairecendo e curtindo uma companhia legal. Namoro? Era uma palavra que não fazia parte do meu vocabulário e aquela relação não ia acabar em namoro. Era apenas um lance.

Porém, fui surpreendida novamente no meio daquele jantar surpresa maravilhoso que ele preparou para mim em seu apartamento. Em meio a um gole de vinho, engasguei com a pergunta.

- Di, você quer namorar comigo?

Confesso que faltou pouco para cuspir o vinho na cara dele , tamanha era a minha surpresa.

- Di, você me ouviu? Quer namorar comigo?

- Eu?! - Meu Deus, eu queria?

Simplesmente, fiquei muda e não sabia o que responder. Era como aquelas cenas de filme em que a mocinha fica com cara de boba e rola uma cena de remember. Foi o que aconteceu. Um remember rolou com meus miolos. Me vi amando o Pierre, sendo abandonada por ele, chorando-sofrendo-engordando por causa dele, depois me recuperando dele, me livrando dele, encontrando o Jean...e agora sendo pedida em namoro pelo Jean.

- Pela sua demora em responder e sua cara de espanto, acho que não perguntei em boa hora né? - dizia Jean com os olhos tristonhos.

- Não, não é isso...eu quero...mas eu não sei se quero agora...você me entende?

- Não, eu não te entendo.

- Realmente, acho que você não me entende...acho que nem eu me entendo...olha, vamos fazer assim...não ache que eu sou uma adolescente...mas acho que preciso pensar.

- Se não quer, tudo bem. Eu vou tentar entender e se fiz algo errado também me fala.

- Você não fez nada. O negócio é comigo mesma. Me concede esse tempo?

Um pouco contrariado e desconfiado, ele concedeu e eu resolvi abusar da sorte mais uma vez.

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Como assim eu não queria namorar agora? Era o que eu tentava explicar para a Betina.

- Be, eu adoro demais o Jean. Ele é um cara fantástico, mas eu não estou preparada para um namoro agora. Não estou preparada para as burocracias, as rotinas, a monotonia, as brigas, as obrigações de um namoro entende?

- Diana, você nem tentou e está dizendo que será terrível assim?

- Mesmo que não seja terrível, eu vou ter que passar por isso. Poxa, me libertei agora! Tem tanto para voar ainda. Não quero podar a minha liberdade...não quero ter que dar satisfações a ninguém...não quero ter que transar , beijar e ficar com um cara só...não quero ser fiel agora...entende? Você deveria me entender...afinal eu é quem estou te estranhando, senhorita liberdade!

Até mesmo a Betina que tem respostas para tudo não sabia o que me dizer e o que me aconselhar depois daquele meu discurso a lá Sex and the City. Mas não importava. Importava que eu tinha que admitir para mim mesma, sem o menor pudor que eu não queria namorar agora. E por que o medo?

Era simples. Eu diria 'não' e tudo seguiria bem. A gente continuaria ficando numa boa e eu não teria que dar satisfação a ninguém, não teria que ligar e nem esperar pela ligação de ninguém na calada da noite, dormiria sozinha e esparramada na cama e, quando tivesse afim, teria uma companhia fixa. Simples? Até demais. Mas será que ele aceitaria?

Era aquela resposta que eu fui almejar ao convidá-lo a vir jantar em casa.

- Jean, pensei na sua proposta. Quero que você me entenda do fundo do meu coração...não é nada contra você, mas eu não estou preparada para namorar agora.

- Ou seja, isso é um não?

- Não queria ser tão direta assim...mas é um não com possibilidade de sim futuramente...veja por esse lado. – eu disse sorrindo para quebrar o clima tenso.

Ele me olhava com cara de ET e não dizia nada. Resolvi continuar falando para amenizar a situação.

- Olha, eu adoro estar com você. Você é um cara incrível. Mas eu também estou vivendo uma fase incrível e não queria me amarrar a ninguém agora. Quero muito poder continuar com você mas sem o peso do compromisso. Porque a gente não deixa como está?

Ele levantou, acendeu um cigarro e saiu para fumar na varanda. Traduzindo: ao invés de gritar comigo, me chamar de louca, me dar um soco ou sair batendo a porta, ele preferiu ir conversar com o cigarro. Nessas horas, o melhor conselheiro dos fumantes. Respeitei os dez minutos de silêncio e nicotina entre nós.

- Diana, eu nunca , mas nunca vou entender as mulheres. E nem vou arriscar entender. Eu adoraria chamá-la de minha namorada...mas se o peso dessa palavra vai estragar tudo...prefiro te chamar de amiga, rolo, amante, caso...ou qualquer outro termo que não a assuste.

Essa foi a melhor declaração de amor e respeito que eu tinha recebido. Era como se ele dissesse: 'olha, eu só quero te fazer feliz...é isso que te faz feliz? Então vamos ser felizes'.

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- Diana, esse cara não existe. É lindo, perfeito...você foi apresentada a ele pela mãe...o cara te pede em namoro, você não aceita e para ele tudo bem? Será que tem outro desses na família? - perguntava Betina abismada pela situação e mais abismada ainda porque suas teses sobre como todos os homens são canalhas iam por água abaixo.

- Nem eu acreditei, amiga. O Jean é demais. Sei que corro o risco dele enjoar de mim, dele zoar comigo depois disso...mas eu não me importo...fui sincera comigo mesma. Não quero namorar por protocolo ou só para dizer ao mundo que tenho um namorado ou para fazer meus pais felizes.

- Você está certíssima. Nada como ser sincera com a gente mesma. Mas tenho que admitir que você me surpreendeu dessa vez.

- Pois é, dona Betina...não me subestime hein?

Rimos e brindamos a minha solteirice com um copo de chope e vários frangos a passarinho naquela noite quente de sexta em que eu bebia com minha amiga e voltaria para casa sem ter que dar satisfação a ninguém sobre o que fiz, com quem e quando cheguei. Apenas dormiria e, se quisesse, no dia seguinte ligaria para ele e teria um dia acompanhada e com direito a romance.

Ah...viva a independência das mulheres e viva as mulheres que tem coragem de assumir a sua independência...mesmo que para isso seja preciso dizer 'não' a um pedido de namoro, casamento ou coisas afins.

PAPO DE CALCINHA: E você, já recusou alguma proposta de namoro, casamento ou coisas afins? Conte seus motivos e suas histórias para gente.

6 comentários:

Jullyana disse...

Nunca tive uma proposta dessa. Na verdade nunca amei de verdade. Então não tenho história pra contar; mas realmente nada como sermos sinceras pra nós mesmas. E outro detalhe, quando sentimos que algo deve passar, deixe passar, pois oportunidades melhores virão!
Adoro o blog de vcs, acompanho sempre!
=*

Rafael disse...

gostei do blog parabens...

jaz perguntei varias vezes:

"eu acho voce super interessante, e quero te dar exclusividade na minha vida. quer ser minha namorada ?"

resposta: a maioria das vezes um nao seguido de desculpes esfarrapadas rsrsrs.

e a vida, quem esta na chuva e pra se molhar :P

Beijo

Bya disse...

ja passei por uma situação parecida. Tenho duas amigas tambem, que quando leio suas histórias , cada uma se identifica com uma. parece eu escrevendo, parece minhas histórias. tudo igual.

Eu tambem recusei um namoro. mesmo motivo tambem, não queria ser fiel.

Anônimo disse...

se alguém me perguntasse se eu queria namorar comigo,se for bonito é"sim"e se for feio é "não"...

Anônimo disse...

Letícia, é meio parecida minha história. Bom, no inicio eu gostava dele e ele me ignorava, agora ele me pediu em namoro mas eu nao quero namorar. Fiquei mais de um ano para esquecer meu ex nao queria me "prender" assim novamente. Só que ele disse
- Tudo ou nada, se nao quer namorar nao vamos nem ficar.
Eu gosto dele. Enfim, o que faço??? Me ajuda

Anônimo disse...

O cara que eu estou ficando há 6 meses me pediu em namoro, eu ja tinha ficado com ele há uns 3 anos atras, e voltamos a fica de novo e agr depois de 6 meses ele me pediu em namoro, mas eu n sei o que dizer gosto mt dele, mt mesmo, mas eu n sei se agr é o melhor momento, minha familia n esta em uma das suas melhores fases, então agr n sei o q fazer me ajudem por favor.
Desde já agradeçoo