segunda-feira, abril 18, 2011

PRIMEIRA VEZ



Por Letícia Vidica


- E aí, Di? Pronta para uma baladinha hoje? – perguntava Lili ao telefone.

- Ai, amiga, hoje não vai dar. Vou sair com o Eduardo, aquele cara que eu bati no carro dele, lembra?

- De novo? O negócio tá sério hein? Desse jeito vou ficar com ciúmes!!!

- Não fique. É por uma boa causa... tô sentindo que hoje vai rolar.

- Como assim? Vocês ainda não transaram?

- Não...e, por isso, mesmo estou pressentindo que será hoje. Intuição feminina.

Intuição feminina traduza-se ‘hoje eu vou liberar geral’. Afinal de contas, se a gaiola não abrir o passarinho não voa, não é mesmo?

Eu e o Eduardo havíamos saído mais algumas vezes, mas sempre para encontros inocentes. Um jantar, um cinema, um passeio no parque...nada mais picante ou parecido com isso. Mas, eu sentia que o clima entre a gente estava esquentando e eu andava ansiosa para provar daquela fruta.

E, naquela tarde, novamente abriguei a colônia de borboletas no meu estômago e meu coração voltou a tocar no ritmo da bateria. Incrível que não importa o quanto de caras que você já tenha transado, a primeira vez é sempre a primeira vez.

Isso me fez até lembrar a minha primeira vez de fato. Não foi nada de especial. Não vi fogos de artifícios, não tocaram um soneto para mim, mas foi a primeira vez. Foi com um namoradinho de colégio. Meus pais não estavam em casa e resolvi levá-lo para casa para estudar, mas o clima esquentou e deixamos a matemática de lado para estudar a anatomia. Entre suores, tremores e cinco camisinhas desperdiçadas (só tentando descobrir como usar), perdi minha virgindade. Foi dolorido, suado, mas especial. E da mesma maneira que me senti naquele dia, eu me sentia agora. Era como se eu tivesse voltado aos meus dezessete anos.

Como eu pressentia que daquela noite não passaria, fui logo preparar o território. Marquei depilação, comprei lingerie nova e, dessa vez, não tive pudor ao escolher uma roupa que valorizasse o meu corpo e me deixasse sexy e irresistível. (Depois os homens ainda acham que são eles que nos levam para a cama? Ledo engano, baby, somos nós que deixamos vocês acreditarem nisso só para não perder o encanto. Mas o poder está em nossas mãos e peitos e bundas e decotes).

Na hora combinada e pontual como sempre, Eduardo chegou. Ele tentou disfarçar, mas pude perceber que ficou sem palavras quando me viu naquele visual ‘femme fatale’.

- E então qual vai ser o roteiro de hoje? – insinuei após abraçá-lo e beijar carinhosamente a sua nuca. Pude sentir que ele ficou arrepiado.

- Bem...eu pensei em sairmos para jantar...mas desse jeito...não sei não...- dizia ele me puxando para dar um beijo demorado e um abraço apertado – Você está um espetáculo!!!! Mas você decide, baby, a noite é uma criança.

É claro que, à essa altura, tanto eu quanto ele já tínhamos percebido as nossas intenções. Porém, ainda preferíamos falar em códigos. É o que chamo de começo das preliminares.

No carro a caminho do restaurante, Eduardo me beijava ferozmente entre um farol fechado e outro e pegava mais nas minhas pernas do que na marcha do carro. Nessa hora, agradeço por ser mulher e conseguir ter autocontrole sobre minha excitação. De boca fechada e sem evidências aparentes, a gente poderia até passar por freira num momento desses.

***

Eu tinha gostado tanto do restaurante preferido dele do nosso primeiro encontro que Edu me levou lá novamente. E dessa vez não teve embates gastronômicos, foi à moda da casa na lata, com direito a uma boa taça de vinho tinto. Uma bebida quente para uma noite que também promete ser quente.

Não sei se ele olhava mais para o meu decote ou para os meus olhos. A disputa estava acirrada. Confesso que estava amando ser desejada e adorava ainda mais tentar imaginar o que ele estava pensando naquele momento, mas preferi quebrar o silêncio.

- E então? O que me conta de novo?

- Ahn, eu? Desculpe...você está tão linda hoje que estou meio atordoado...

- Só hoje? – lá vai um docinho básico para ganhar um elogio.

- Hoje e sempre. Você é linda. Nem sei por que deu mole para um mané como eu.

- Adoro fazer uma caridade. – eu dizia em tom de segundas intenções, emendando um gole de vinho tinto, lutando contra uma gota que insiste em escorregar pelo canto da minha boca, transformando aquele momento excitante em patético. E enquanto me ajeito para limpar a gota e impedir que ela caía no meu seio, Eduardo se diverte e vai à lua com aquela cena. Posso ver nos seus olhos de peixe morto. Tarde demais. A gota venceu. Cai no meu seio e no meu vestido novinho. – Ai, desculpe, sou meio desastrada às vezes.

- Não...continua...

Continuar o quê? Me senti como se estivesse fazendo um striptease seguido de pole dance em cima da mesa. Porém, o garçom (o mesmo que nos apresentou ‘a moda da casa’ aquele dia) tinha chegado com o nosso prato, esfriando um pouco do clima. Comemos em silêncio, mas trocando insistentes olhares fatais e sorrisos maliciosos.

- Sobremesa, minha princesa?

Hoje eu vou aceitar. Isso também faz parte do plano. E não vou ter pudor! Quero logo uma banana split para dois, a qual dividimos com direito a colherzinha na boca e uma sessão lambança. Sorvete que cai novamente no meu seio (NÃO É POSSÍVEL!!! Acho que eles tem um imã ou o triângulo das bermudas fica lá). Mas, dessa vez, Eduardo se atreve ao tentar limpar. Calda que cai no queixo dele e eu (carinhosamente) limpo com minha língua. Pois é, amigas, quem disse que a comida não ajuda a esquentar a relação?

A conta chega e, mais uma vez, ele insiste em pagar e nega meus sinais de pagamento. Não me atrevo a perguntar pela segunda vez, até porque vou pagar muito bem mais tarde viu?

****
Não sei se dessa vez ele deu uma caixinha gorda para o manobrista, mas conseguimos nos beijar ardentemente na porta do restaurante e, abraçadinhos, pude perceber que no ‘hemisfério sul’ alguém já tinha despertado.

- E então vamos para onde agora? – perguntava ele ao entrarmos no carro.

É óbvio que nós sabíamos aonde queríamos ir. Porém, o charme é tudo.

- Ah, não sei, tem alguma opção? – respondi – Só não queria ir para casa. Ainda está cedo e a noite está tão linda né? – completo dando a deixa.

- Realmente, quero te curtir mais um pouco – diz ele me beijando novamente e apertando minha coxa. Como quem diz ‘Te quiero, muchacha’. – De repente, a gente podia ir para algum lugar mais reservado...só você e eu...

Incrível como nesses momentos, todo mundo sabe que a intenção é ir para o motel, mas ninguém tem coragem de pronunciar a palavra. Ela soa quase como um pecado. Então ao invés de sermos diretos, preferimos os sinônimos: ‘Ir para um lugar mais reservado’, ‘esticar a noite’, ‘um lugar mais tranquilo’ e assim vai. Aposto que lembrou de mais algum sinônimo agora, não é safadinha?

- Acho uma ótima idéia. – concordo sem rodeios.

- Tem alguma sugestão?

Nessa hora acontece a amnésia moteleira, todas as indicações das minhas amigas de motéis bacanas ou todos aqueles que sempre tive vontade de ir somem da minha mente. Não me lembro de um bendito lugar para falar e, geralmente, quando essa decisão é tomada estou em alguma parte da cidade onde o motel mais próximo fica há umas duas horas.

E lá vamos nós para a nossa saga moteleira em busca do tal lugar mais reservado. Depois de enfrentar o congestionamento das baladas até encontrar o motel mais próximo, começamos a nossa peneira. Primeiro, olho se tem uma cara bonitinha e logo visualizo o que posso encontrar lá dentro. Alguns, nem preciso visualizar é não na certa. O único problema é que geralmente os mais legais, mais descolados estão sempre cheios. Parece até que todo o congestionamento da Marginal Tietê se muda para a porta do motel e toda a lotação do metrô em horário de pico vai parar na sala de espera deles.

Depois de quase duas horas rodando atrás de um sagrado local reservado que não tenha fila na porta e nem esteja em rush na recepção, o clima caliente começa a esfriar e, quase sempre, fico irritada.

- Acho melhor deixarmos para outro dia. – sugiro desanimada.

- Nunca. Relaxa que a gente vai achar. – responde prontamente ele como quem diz ‘Não vou deixar você escapar. Vai ser hoje e pronto’.

E é nessa hora que a gente encontra um motelzinho bacana escondido numa rua que você nem sabia que existia e que parece que ainda não foi explorado e descoberto pelos casais excitados do sábado à noite. Porém, como nada é perfeito, vamos ter que esperar uns 20 minutinhos até a arrumação do quarto. O que corta todo o clima em pensar que outros usaram aquele ambiente antes de você.

Enquanto isso, aguardamos na recepção do motel assistindo a um filme preto e branco suuuuper animador (por que eles não colocam algo mais animadinho?) ao lado de outros casais com cara de quem estão indo a missa se confessar de um pecado. Ninguém fala. Ninguém se olha. Ninguém quase que respira. E saem todos aliviados quando o número do quarto escolhido ou o nome do casal é anunciado para que possam entrar.


***

Quarto liberado. Vamos ter que recomeçar do zero. Afinal de contas, a demora para encontrar o lugar reservado, o filme preto e branco da recepção e os casais com cara de santos quebraram todo o clima né? Mas antes de reacender, preciso fazer um check-up no quarto. Manias de mulheres. Cada uma tem a sua e a minha é checar o banheiro. Banheiro limpo e arrumado = motel beleza.

Depois disso, chega a pior hora. O que fazer? Corro e agarro ele? Ou espero que ele faça isso? A gente nunca sabe como agir à beira de transar com um cara pela primeira vez. Será que ele prefere que eu tire a roupa ou ele é do tipo de gosta de se despir? São tantas e tantas e mais tantas perguntas difíceis de se responder.

Porém, nessa hora, sempre digo que surge um anjinho ou capetinha, sei lá, que nos toca com um espetinho ou uma varinha de condão e tudo acontece naturalmente.
Eduardo começa a me beijar, me pressiona contra a parede e, quando vejo, já estou rolando e trocando carícias na cama. Nem me lembro mais quem se despiu primeiro. Até mesmo a vergonha com relação ao meu corpo, passa. Da maneira que ele parece me desejar me sinto a mulher mais gostosa da face da terra.

Antes do fato consumado, claro, apelo para a camisinha. O que também costumo chamar de estraga prazer dos espermatozóides. ‘Pois é, meus amigos, hoje não vai ter festa no gueto’. Nessa hora é que a gente também testa o grau de responsabilidade dos caras. Há os que não se opõe e num passe de mágica estão com ela, há os que tentam te enrolar e sem dizer nada querem ultrapassar a barreira, há os que dizem que não se dão bem com ela, há os que nem sabem como usá-la e assim vai...mas comigo, sem ela não rola!!! Caso resolvido e é só cair para o abraço.

E, como todas as outras, a primeira vez soa natural. As peças vão se encaixando no ritmo de cada um. Uma hora testa um jazz,mas o outro prefere um samba...e assim vai indo...aos poucos nossos corpos vão se entendendo, vão se conhecendo e tudo corre muito bem. Bem até demais. O Eduardo me surpreendeu!!!

No fim, a gente sempre acaba suada, esbaforida, com a escova desmanchada, ofegante, mas feliz (em alguns casos, nem tanto ou fingindo). Mas, nesse, eu estava feliz.

- Gostou? – pergunta ele enquanto acaricia meu cabelo.

Por que, cargas d’água, os homens sempre fazem essa pergunta?! Acho que funciona como uma espécie de auto aprovação do desempenho masculino. Será que eles acham mesmo que vamos responder ‘Olha, você foi uma bosta. Eu esperava mais, poderia ter sido melhor...’. O Eduardo recebeu uma resposta sincera, mas já tive alguns que mereciam a resposta anterior.

Hora do banho e do check-up também. O calor do início fez com que eu esquecesse dos meus defeitinhos, mas agora relaxada...ele não pode ver as minhas gordurinhas!! E se ele me achar barriguda? E as minhas estrias?

- Pode ir na frente, eu já vou.

- Nada disso, quero tomar banho com você.

Então, toco o foda-se. Banho tomado, começamos a nos trocar e começa a findar ali a nossa primeira vez. Na saída, quem paga a conta? Dessa vez, me ofereço a dividir também, mas ele diz que vai pagar com gosto e com prazer. Melhor assim.

- Mais uma vez, adorei a nossa noite. Foi incrível. Eu vou querer repetir hein. – diz ele me apertando contra o carro na porta do meu prédio e me demonstrando mais uma vez que o hemisfério sul está acordado...ainda.

- Eu também adorei. – respondo beijando-o.

- Vou ser muito chato se te ligar novamente?

- Nem precisa pedir,deve!!!

E deve mesmo porque eu sei que vou esperar pela ligação no dia seguinte para comentar como foi incrível a noite de ontem. E se ele não ligar vou encarar como se tudo tivesse sido uma bosta.

Nos despedimos com mais um beijo demorado, um abraço apertado, no qual ele insiste em não me largar. Sempre que ameaço sair ele me puxa pelas mãos para mais um beijo e mais outro e mais outro...e entre um beijo e outro o dia vai amanhecendo e finalizo mais uma primeira vez.

Ao entrar no meu apartamento, me jogo na cama podre, quebrada, mas feliz. Arrastada, me jogo num banho quente e depois embalo um sono profundo, mas dos deuses. A gente sempre dorme bem e relaxada depois de uma boa noite de sexo né? Mas também acorda morrendo de fome capaz de comer um leão.

E foi comendo o leão que fui flagrada pelas minhas amigas que foram dar plantão logo cedo lá em casa para saber de todos os detalhes da noite anterior.

- Hmmm...pele boa, sorrisão, comendo feito uma porca...deu a noite inteira, né, sua safada? – dizia Lili depois de fazer uma análise minuciosa da minha pessoa. Ela podia até não entender muito de homens, mas de sexo...

- Foi ma-ra-vi-lho-so!!! – respondi.

- Nossa, pelo jeito, o cara deu no couro mesmo hein? – dizia Betina surpresa.

- Foi tudo perfeito. E sem contar que ele manda muito, mas muitíssimo bem.

Homens não se assustem. Nós, mulheres, não contamos detalhes, mas sempre fazemos uma análise sobre vocês.

- Se valeu a pena é o que interessa! Só quero saber de uma coisa, superou? Superou o Pierre? – perguntava Lili.

Fiquei muda pensando por um instante. Ah, meninos, é normal também compararmos um com outro. Comparações fazem parte do show.

- Olha, sem dúvidas, ele vai para o ranking dos meus preferidos sim!!! E acho mesmo que vou pedir para o Pierre tomar umas aulinhas com ele ...

E assim segue...entre uma risada e outra...um comentário e outro. É sempre assim. Assim como os primeiros encontros, as primeiras vezes são únicas e o script também é sempre o mesmo.

PAPO DE CALCINHA: E como são as suas primeiras vezes? o script também é sempre o mesmo? Alguma em especial?

4 comentários:

Letícia disse...

Esse Blog é perfeito, não tem como não se identificar nele, continue atualizando sempre...

Rafael disse...

Quanta preocupacao e stress um encontro e capaz de gerar.. ri muito lendo o post rsrsrs

Anônimo disse...

adorei o PAPO CALCINHA. e realmente tudo tem sempre esse segmento. Ah! E a ligacao do dia seguint é sagrada pois é qando vcs homens vao saber s realmente arrasarao na transa e as cmparacoes e os resumos cmas amigas é a alma do papo calcinha. Sem eles meus amados masculos vcs nao teriam mulheres poderosas na kma.

Anônimo disse...

NA VERDADE SEM O PAPO CALCINHA VCS HOMENS NAO TERIAM MULHERES PODEROSAS ANTES, DURANATE E NEM DEPOIS DA KMA.
PQ REALMENTE SOMOS NOS Q VELAMOS VC AO DELIRIO. OOOOOOO.