terça-feira, abril 14, 2009

NAMORE UM BARRIGUDINHO


Meninas,
Outro dia, recebi esse texto por email e achei muito sensato e verdadeiro. Então, porque não compartilhar com vocês? Talvez esse explique muito porque muitos gordinhos são a preferência nacional e porque alguns musculosos não pegam ninguém!!! Sei que sou suspeita para falar - já que tenho uma queda pelos mais fofinhos (rs)...

"NAMORE UM BARRIGUDINHO!..."
(palavras de uma psicóloga experiente)...

Tenho um conselho valioso para dar aqui: se você acabou de
conhecer um rapaz ficou com ele algumas vezes e já está começando a
imaginar o dia do seu casamento e o nome dos seus filhos, pare agora e me
escute!

Na próxima vez que encontrá-lo, tente disfarçadamente descobrir como é
Sua barriga. Se for musculosa, torneada, estilo `tanquinho´, fuja! Comece a
correr agora e só pare quando estiver a uma distância segura. É fria, vai
por mim. Homem bom de verdade precisa, obrigatoriamente, ostentar uma
barriguinha de chopp. Se não, não presta.

Estou me referindo àqueles que, por não colocarem a beleza física acima
de tudo (como fazem os malditos metrossexuais), acabaram cultivando
uma pancinha adorável. Esses, sim, são pra manter por perto.

E eu digo por quê.

Você nunca verá um homem barrigudinho tirando a camisa dentro de uma
boate e dançando como um idiota, em cima do balcão. Se fizer isso, é pra
fazer graça pra turma e provavelmente será engraçado, mesmo.
Já os `tanquinhos´ farão isso esperando que todas as mulheres do recinto
caiam de amores - e eu tenho dó das que caem.

Quando sentam em um boteco, numa tarde de calor, adivinha o que os
Pançudos pedem pra beber? Cerveja! Ou coca-cola, tudo bem também.
Mas você nunca os verá pedindo suco. Ou, pior ainda, um copo com gelo,
pra beber a mistura patética de vodka com `clight´ que trouxe de casa.
E você não será informada sobre quantas calorias tem no seu copo de
cerveja, porque eles não sabem e nem se importam com essa informação.
E no quesito comida, os homens com barriguinha também não deixam a
desejar. Você nunca irá ouvir um ah, amor, `Quarteirão´ é gostoso, mas
você podia provar uma `McSalad´com água de coco.

Nunca! Esses homens entendem que, se eles não estão em forma perfeita o
tempo todo, você também não precisa estar. Mais uma vez, repito: não é pra
chegar ao exagero total e mamar leite condensado na lata todo dia! Mas uma
gordurinha aqui e ali não matará um relacionamento. Se ele souber cozinhar,
então, bingo! Encontrou a sorte grande, amiga. Ele vai fazer pra você todas
as delícias que sabe, e nunca torcerá o nariz quando você repetir o prato.
Pelo contrário, ficará feliz.

Outra coisa fundamental: homens barrigudinhos são confortáveis!
Experimente pegar a tábua de passar roupas e deitar em cima dela.
Pois essa é a sensação de se deitar no peito de um musculoso besta.
Terrível! Gostoso mesmo é se encaixar no ombro de um fofinho, isso que é
conforto. E na hora de dormir de conchinha, então?
Parece que a barriga se encaixa perfeitamente na nossa lombar, e fica
sensacional. Homens com barriga não são metidos, nem prepotentes, nem donos
do mundo. Eles sabem conquistar as mulheres por maneiras que excedem a
Barreira do físico. E eles aprenderam a conversar, a ser bem humorados, a usar o
Olhar e o sorriso pra conquistar.

É por isso que eu digo que homens com barriguinha sabem fazer uma mulher
feliz.

CARLA MOURA
PSICÓLOGA, ESPECIALISTA EM SEXOLOGIA E TERAPIA DE CASAIS"

sábado, fevereiro 28, 2009

O DILEMA DO CONVITE


Por Letícia Vidica

Há mais de dois meses, eu estava afim de um cara lá do meu serviço. O Jonatan, uma gracinha. Ele era novo na agência e também era publicitário. A gente conversava formalmente sobre assuntos do trabalho, às vezes, saia para almoçar, nada além disso. O problema é que no meu íntimo de mulher, eu sentia que o meu afeto por ele era correspondido. Só que ninguém dava o primeiro passo.

Eu sempre fui daquele tipo de mulher que acha que o primeiro passo tem que ser dado por eles. Seria mais gentil e deveria ter continuado assim desde os tempos de Adão e Eva. Só que no meio do Jardim do Éden, os papéis se inverteram. Parece que são os homens que hoje esperam uma iniciativa nossa.

Ótimo se eu fosse boa em dar iniciativas. Eu sempre fui péssima nisso. Confesso que já tentei algumas vezes. Umas deram certo, tantas outras eu quebrei a cara e agora estava com medo de arriscar.

- Acho que você e o Jonatan fazem um casal tão bonito – perguntava Carol, minha amiga do trabalho.
- Mas por que você acha isso?
- Ah, Di, tá na cara. O jeito que ele te trata, o jeito que ele te olha, o jeito que ele fala com você... só você que não percebe.
- Você esta vendo coisas demais, Carol. Não tem nada a ver. Ele é apenas educado comigo, como é com todas...
- Sei, sei...mas uma coisa você não pode negar. Está caidinha por ele. E olha que não sou só eu quem acha isso não... daqui a pouco vai rolar até um bolão para saber se vocês vão ficar ou não.
- Credo! Esse povo não tem o que fazer não?
- É a rádio peão. Você sabe...

Terminamos de almoçar, o dia também passou rápido e eu fui para casa engasgada com a conversa que eu tive no almoço com a Carol. Será que o Jonatan está mesmo afim de mim? Acho que não. Ele deve ser do tipo educado com todas e com jeitinho meigo de conquistador. Mas se eu estiver errada?

- Por que você não convida ele para sair?
- Ai , Betina, não é tão simples assim.
- Como não? Chama ele para tomar um chopp, tipo um happy hour, sei lá...
- Mas e se ele me achar muito atirada?
- Diana, não vem dar uma de puritana agora. Desde quando tomar um chopp é sinal de alguma coisa. Você não está chamando ele para ir pro motel.
- Não sei, Be. Ainda acho que é cedo, eu posso me precipitar demais e acabar quebrando a cara.
- Se você não tentar, nunca vai saber.
- Mas eu acho que e ele quem deveria me chamar para sair e não eu.
- Como ele vai te convidar para sair se você ainda não deu nenhum sinal para ele?
- Tá bom...você me convenceu... eu vou chamar ele para tomar um chopp.


Prometi, mas não cumpri. Quase um mês já tinha se passado e eu não criava coragem para convidá-lo para sair. Toda vez que eu tentava ou alguém chegava ou eu desistia. O medo de quebrar a cara era maior do que tudo.

Certo dia, fui almoçar sozinha. Sentei na mesa do restaurante, de repente uma sombra me perguntou:

- Posso sentar aqui? – era ele.
- Claro, fique à vontade.

Eu não sabia o que dizer. Gelei. Foi uma cena ridícula. Ele começou a puxar papo comigo sobre o trabalho, sobre o tempo, coisas idiotas do tipo. Ótimas para quem não tem assunto. O almoço acabou, ele foi embora pois tinha uma reunião com um cliente e eu fiquei chupando o dedo.

- Não acredito que o Jonatan almoçou com você e você não deu uma indireta?
- Pode acreditar, Carol. Eu travei. Foi ridículo! Eu desisto.
- Desistir? Jamais. Semana que vem eu vou comemorar o meu níver naquela balada que eu te falei. A galera disse que vai, inclusive, o seu gatinho. É a sua oportunidade.


A Carol armou tudo quase tão perfeito e inventou uma história tão maluca que eu acabei indo de carona com o Jonatan para a balada. No caminho, fomos conversando sobre nossos gostos. Descobri que ele adorava surf music, que surfava aos finais de semana em Ilha Bela e que estava solteiríssimo (um ponto positivo para mim. Faltava saber qual era o tipo de mulher que ele curtia).

A balada foi ótima, com apenas um detalhe: nós não ficamos. O Jonatan ficou o tempo todo conversando com a Susi, a secretária da agência. Fiquei super deprê, era melhor tirar meu time de campo. O pior é que eu ainda tive que voltar de carona com ele com a oferecida da Susi, que não parou de falar um minuto o caminho todo. O Jonatan deixou a Susi primeiro e depois me levou para casa.

- Ufa, ainda bem que ela foi embora. Não estava mais agüentando ouvir a voz dessa garota.
- Nossa, achei que você estava gostando.
- Tá louca? Que mulher chata!
Vocês não sabem o quanto eu fiquei aliviada de ouvir isso. Até criei coragem...
- É...foi uma pena que a gente nem pode conversar direito.
- Mas não vai faltar oportunidade...afinal de contas, segunda já tá aí.
O que foi isso? Um xaveco do tipo ‘Hello, se liga mina que eu quero você” ou um modo educado de dizer “Se quiser falar comigo, dirija-se a minha sala?” Odeio homens enigmáticos.

Ele me deu um beijo na bocheca (como eu queria virar o rosto naquela hora) e a gente se despediu.


- Você tá ficando mole demais, Diana... o cara te deu o maior mole e você não fez nada?
- Que mole que eu não estou vendo?
- Ele deu a deixa para você convidar ele e nada? Desisto, perdi o bolão e eu fiz a minha parte.

A Carol estava certa. O quê estava acontecendo comigo? Parece tão simples porque eu não consigo convidá-lo para sair?

....

No final do dia, eu tive uma reunião com ele. Acabamos saindo tarde e estressados da agência. O Jonatan me ofereceu uma carona e como o meu carro, graça a Deus, estava no mecânico eu aceitei.

- Nossa, mas o Sr. Otávio é difícil demais...estava tão claro que a campanha era perfeita - desabafava ele
- Ele é assim mesmo. Gosta de nos instigar, deixar a gente à flor da pele... (convido ou não convido?)... falando nisso acho que a gente merece um chopp depois de um dia desses né?
- Ótima idéia! Isso é um convite?
- Encare como quiser.

Foi mais fácil do que eu imaginava. Não doeu e ele não teve nem tempo de negar o meu convite. Agora restava saber qual era a dele. Fomos ao bar do Pedrão, pedimos umas cervejas e ficamos conversando até o último cliente, bem, acho que nós fomos os últimos clientes. Depois de sermos expulsos do bar, ele me levou para casa...

- Nossa, Diana, você não sabe o bem que esse happy hour me fez. Já vou dormir melhor...
- Que bom que você gostou da cerveja.
- Não só disso, como principalmente da companhia.
Fiquei muda. Aquela frase não podia estar sendo dita. Não sabia o que responder... continuei calada, mas ele desatou a falar.
- A gente conversa pouco na agência, mas sempre te achei uma pessoa super simpática. Ouvi ótimos comentários sobre você e hoje pude confimar com os meus próprios olhos que não era mentira...só tem uma coisa que ninguém soube me confirmar...
- O que? – perguntei ingenuinamente.

Jonatan se aproximou de mim, nos olhamos e ele me beijou. Acho até que vi estrelas nessa hora e que a trilha sonora do Titanic tocou para nós. Era bom demais para ser verdade.

- Posso te confessar uma coisa ? ... Há muito tempo eu esperava por esse momento, mas não sabia como falar com você, como te chamar para sair...achei que você ia me dar um fora ... tá rindo do quê? Estou sendo ridícula né?

- Nada disso... é que eu também pensava a mesma coisa. Desde a primeira semana, comecei a te observar, mas você não notava, não dava sinal nenhum e eu não sabia como chegar em você.

Nos olhamos e começamos a rir como dois bobos. Ficamos juntos mais algum tempo e depois ele foi embora. Continuamos ficando por mais alguns meses, até ele ser transferido para outra agência no Rio de Janeiro. O mais interessante da nossa relação é que na agência ninguém nunca soube o que rolou entre a gente,nem que eu tinha tomado coragem. Estão até hoje fazendo bolão e no suspense. Hahahaha

Mas uma coisa eu aprendi com ele: quem não arrisca não petisca.

Papo de Calcinha: Já passou por esse dilema?

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

NAMIGORADO


Por Letícia Vidica


- Diana?! Em casa a uma hora dessas em pleno sábado a noite?! – perguntava Betina admirada

- E posso saber qual é o problema e o motivo de tanto espanto para isso? – retruquei lambuzando meu dedo de brigadeiro, de pijamas, esparramada no sofá assistindo um programa qualquer.

- Ué, e o Fabrício? Não vai sair com ele hoje?

- Ele teve um compromisso de família, mas ‘peraí e por que eu teria a obrigação de sair com ele hoje? Não posso me dar o direito de não sair, Betina?

- Calma! Só achei estranho porque ele não é seu namorado?


- Quem falou?!

- Ai, Diana, para de se fazer de tonta. Você fala com o cara todo dia, toda hora, só fala dele, só pensa nele, só sai com ele e vai me dizer que isso tem outro nome?!



Odeio como a Betina tem o poder de me fazer refletir nos momentos mais inoportunos! Depois daquela indagação, fiquei sem ar, sem resposta, mas não tive como ficar sem refletir. Afinal de contas, o que o Fabrício era meu? Ele era um amigo? Um namorado? Um amigo namorado? Um namorado amigo? Que nome eu daria para o nosso lance? Seria um rolo? Um rolo sério? Um amigo colorido? Aiiiiiii!!!! Odeio você Betina!!!



Bem, você não deve estar entendendo nada, mas vou rebobinar a história.

Eu conheci o Fabrício, num daqueles momentos da minha vida que eu estava querendo exterminar todos os homens da face da terra e que não me faria falta (ou faria?). Nos conhecemos numa festa na casa da Lili. Ela havia resolvido reunir alguns amigos para jogar conversa fora e um deles era o Fabrício. Lembro que naquele dia cheguei super tarde na casa dela, estressadíssima com as buchas do meu trabalho e super a fim de tomar uma breja, quieta e esquecida no canto do sofá...mas o Fabrício não deixou que isso acontecesse.
Fomos apresentados pela Lili e, desde então, passamos a noite toda jogando conversa fora. Até aí, nada mexeu comigo. Achei apenas que ele era um cara legal e que queria conversar, mesmo sendo 5 anos mais velho (idade perfeita), ter um emprego bacana, gostar das mesmas coisas do que eu e ter um papo interessante! Trocamos telefone, MSN, email, Orkut e acho até que tipo sanguíneo, mas eu não apostava a mínima que ele me ligaria. Porém, como sempre quebro a cara com minhas apostas, ele me ligou três dias depois me convidando para um jantar.


Saímos para jantar e, desde então, não paramos mais de sair, de nos falarmos todos os dias, toda hora...



O incrível é que as coisas foram fluindo tão naturalmente que eu nem me dei conta de que já fazia 3 meses que o nosso rolo tinha começado.



- Nossa, Di...parece que foi ontem que a gente se conheceu né?


- Realmente, incrível como passa tão rápido.


- Tudo que é bom a gente não vê passar. E tá tão bom ficar com você sabia? A gente se combina tanto.


- Olha, Fa, tenho que confessar que eu já estava desiludida quando te conheci e achei que você seria só mais um...


- Eu sou o ‘um’ que vai fazer a diferença...



....



- Olha só os pombinhos!!! – chegava gritando Betina e Lili no bar do Betão


- Vocês demoraram!


- E você já viu a Lili ser rápida para se arrumar?


- Ai, gente, eu não posso sair de qualquer jeito né? Afinal de contas, eu não estou igual você, amiga, eu tô na pista para negócio!!!


- Falando nisso, e aí quando sai o casório?


- Não exagera, Betina!


- Eu já pedi, ela que não quer, tá me enrolando...


- Não faz muita hora não, minha filha, porque a fila lá fora tá grande! – ironizava Betina


- Mas é sério, gente, vocês formam um casal tão lindo! Deviam namorar logo, ou melhor, assumir logo porque namoro, isso já é né? – alfinetou Lili.



Mais um ponto para minhas amigas, na arte de me deixar sem graça elas são mestres...



...e mestre também foi a Betina com àquela pergunta...




- Ai, Diana, para de se fazer de tonta. Você fala com o cara todo dia, toda hora, só fala dele, só pensa nele, só sai com ele e vai me dizer que isso tem outro nome?!...


...Diana, hello! To falando com você!



- Ai, Be, desse jeito você me deixa confusa!



- Confusa por quê? Você não está gostando do cara?



- To.



- Você tem vontade de sair e ficar com outra pessoa?



- No momento, não.



- Então, tá fugindo do que?



- Eu não estou fugindo, apenas estamos nos conhecendo.



-Amiga, e no namoro a gente também não conhece as pessoas? Olha, Di, não sei bem o que você quer e qual é o seu plano...mas vejo que o Fabrício é um cara bacana, tá te fazendo mega feliz, fez reviver aquela Diana alegre, você tá parecendo uma adolescente boba e apaixonada, tá esperando o que? O cara te dar um pé?



- Não é isso, Be, eu realmente to apaixonadinha pelo Fá...fazia tempo que eu não sentia esse friozinho na barriga sabe, esse calor por dentro, essa saudade...ele é um cara bacana, combina muito comigo, é carinhoso, atencioso, companheiro...bem diferente dos outros que eu conheci...mas eu não sei...às vezes me sinto insegura, tenho medo de sofrer de novo...



- Só tem medo quem é covarde, amiga e isso eu sei que você não é...faça o seu tempo, mas vá se acostumando com a idéia de que isso é muito mais que um rolo e ele é muito mais que um simples amigo...isso tá mais para namigorado!!!


- Namigorado?!



Nos olhamos e começamos a gargalhar no sofá. A Betina era super criativa para inventar palavras estranhas para situações certas... Fabrício era meu namigorado – uma mescla de namorado com amigo com amigo namorado – ai que confusão – mas deixa o tempo dizer né?



Papo de calcinha: E, você, já teve um namigorado?Como definiu a situação?

sábado, outubro 25, 2008

SAINDO DA FOSSA

Letícia Vidica

´Trim, trim´
- Oi, Di, tudo bem?
- Oi, Betina! Nossa, estava pensando em vocês agorinha mesmo...olhei no meu calendário e lembrei que a gente não marca uma boteco encontro há muito tempo né?
- Nem me fale...liguei também para saber se você tem notícias da Lili? Faz mais de um mês que ela não dá um sinal de vida.
- Isso está me cheirando uma coisa...

Toda vez que a Lili tomava um chá de sumiço era por causa de alguma desilusão amorosa. Nossa amiga tem a mania de se trancar em casa e achar que mundo acabou. Só porque ela não tem um homem ou porque terminou um relacionamento. E o script é sempre o mesmo: ela some, a gente sente falta e a gente a procura.

Foi o que fizemos naquela tarde de sábado ensolarada. Eu e Betina seguimos para casa dela na missa "Resgate Lili".

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´Toc, toc, toc´
- Abre a porta, Lili. A gente sabe que você está aí. Não adianta se esconder.

Depois de várias e insistentes batidas, ela abriu. Estava de pijama amarelo (não soube distinguir se era a cor natural dele ou se era por falta de banho mesmo). A casa dela estava um horror. Caixas de chocolate e pizza espalhadas pelo chão, louças e mais louças empilhadas na pia. Sem contar a aparência de dragão dela...

- Por um acaso o mundo acabou aqui e eu não estou sabendo?
- Ai, Betina, se vocês vieram aqui para me crucificar, podem saindo...
- E deixr você morrer trancada nesse apartamento fedido e bagunçado? Pode ir parando, Lili...vamos tomar um banho, arrumar essa zona e você vai contar pra gente o que aconteceu.

Empurrando Lili, eu consegui convencê-la a tomar um banho. Enquanto isso, a nêga Dita baixou em nós e deixamos o apartamento limpo e perfumado de novo. Perfumada também ficou a Lili depois do banho.

- Pode ir desembuchando - disse Betina - por quê é que você desapareceu.
- O Otávio.
- O que foi que aquele pilantra aprontou dessa vez?
- A gente terminou...
- Novidade né? - ironizou Betina - e quando é que vocês voltam?
- Agora é sério, Bê. A gente não volta mais. E quem terminou fui eu.
- O quê?!

Eu e a Betina desacreditamos do ato de coragem da Lili. Ela namorava o Otávio há mais de 3 anos. Um namoro bem conturbado, mas um namoro. Toda semana, eles brigavam, terminavam e voltavam. Mesmo sabendo de todas as mentiras e traições dele, ela sempre perdoava em nome do amor que dizia sentir por ele.

- Não dá mais. Eu caí na real que o Otávio não é homem para mim. Pra variar, eu o peguei com outra. Todo mundo sabia que ele tinha outra mulher e eu fazendo papel de trouxa?! Chega! Cansei de ser a idiota, a pacata, a boazinha, a que sempre perdoa tudo...eu não preciso disso. Eu não quero isso...mas dói e tá sendo difícil...

- Amiga! Tô boquiaberta com sua reação. Nunca acreditei que você seria capaz de dar um pé na bunda daquele cara.

- É, Di, como eu disso, fácil não foi. Mas chega uma hora que a gente tem que se amar em primeiro lugar.

- Eu tenho que confessar que nunca morri de amores pelo Otávio, mas voce dizia que o amava né? A gente respeita. Afinal somos amigas.

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Ouvindo a história da Lili me lembrei do quanto é difícil tomar uma decisão radical na vida, ainda mais quando envolve o coração.
Namorei um cara por muito tempo, um dos meus primeiros namorados. Morria de amores por ele e achava que o mundo ia acabar se não ficássemos juntos.

Um belo dia, me enchi das suas mentiras, do seu ciúme doentio, da sua falta de atenção comigo e dei um BASTA. Foi duro no começo, me senti perdida, sozinha, frustrada em muitos momentos. Mas vi que o mundo não acabou e que eu estava me fortalecendo a cada dia, a cada novo encontro comigo mesmo. Comecei a perceber que eu tinha esquecido de mim esses anos todos. Não sabia nada sobre mim. A separação me ajudou a conhecer uma pessoa maravilhosa: EU MESMA.

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- E agora, Lili, o que você vai fazer?
- Não sei ainda, Betina. É tudo muito novo para mim. Até uns dias minha vida girava em torno do mundo do Otávio.
- Nós sabemos muito bem o que você vai fazer... - eu disse
- Você vai viver. A vida é bela, o mundo é imenso e tem um mar de gente bacana que merece conhecer a pessoa maravilhosa que você é...É só se mostrar e brilhar...
- Ai, amigas, o que seria de mim sem vocês hein?

Nos abraçamos e saímos para apresentar o mundo a Lili. Afinal, ela tinha que sair daquela fossa.

quarta-feira, agosto 20, 2008

AMIGO COLORIDO


por Letícia Vidica


- E ai, Di!
- Oi!
- Nossa, que ânimo! Tá fazendo o quê de interessante...
- Se para você lamber uma panela de brigadeiro assistindo a novela das oito for interessante, é isso que eu estou fazendo, Betina.
- Já vi que ta precisando de um ombro amigo...
- Se esse fosse o meu problema ainda ia...tô precisando de muito mais do que isso... preciso desesperadamente de um corpo amigo...
- Ih, já vi tudo. Mas não sei o que você está esperando...liga para o Edu.
- Ah, Bê...eu prometi para mim mesma que eu não ia mais apelar para o Edu...eu quero um homem que me ame de verdade e não um boneco inflável...
- Mas, amiga, pelo seu desespero e a essa altura da noite, o único gato malhado que vai atender o seu pedido imediatamente é o Edu. Bem, se desistir da idéia, me liga que a gente pode sair para comer alguma coisa.
- Tá bom...beijos amiga.

Desliguei o telefone pior do que eu atendi. Era difícil para mim assumir mais uma vez que eu ia ter que apelar para o Edu. O quê? Quem é o Edu? Ah, tá, eu explico. O Edu é o meu amigo colorido, pau pra toda obra, cama, mesa e banho. A gente se conheceu através de uma amiga minha do trabalho. Ficamos algumas vezes, mas nunca tivemos nada sério. O problema é que, apesar do meu coração não pulsar por ele, o meu corpo se acende todo quando vê o corpo dele. É um negócio de pele, entende?

E toda vez que eu estava subindo paredes e matando canil a gritos, o Edu foi o meu salvador da pátria. Assim como eu sei que sou a dele, mas prefiro acreditar que ele me liga porque sentiu saudades (coisas de mulher!).


Sábado à noite. Nada para fazer. Nenhuma ligação, nenhuma mensagem na caixa postal, nenhum SMS,nenhum scrap e minha agenda de homens completamente desatualizada.

Eu não queria apelar para o Edu, me controlei o máximo que pude. Mas o calor era demais. Talvez se eu fosse dar uma volta na rua, passaria. Resolvi então ir até a padaria para comprar um sorvete, talvez um Kibon ia me refrescar....
...Dez Kibons depois e tudo continuava como antes ou até pior. O telefone parecia gritar para mim “Liga pro Edu! Liga pro Edu!”. A pressão era tanta que eu inconscientemente peguei o telefone e disquei os oito números. Tum, Tum, Tum, Tum... sua mensagem está sendo encaminhada para caixa postal...

Que bosta! Demorei demais, a essa hora Edu já devia ter arrumado companhia. Tola eu pensar que ele estaria a minha disposição. Poxa, sem o Edu, o que me resta?! Dormir? Gritar? Me jogar da janela? Ligar para a Betina?... Trim...

- Alô, Diana? ... Oi, gata! A que devo a honra da sua ligação?
- Edu? Oi! – Só podia ser um sonho, Deus ouviu minhas preces
- Nossa mal acreditei quando vi a sua ligação perdida. Então, pensei, não posso deixar a gatinha na mão – O Edu era um tremendo xavequeiro, mas tinha uma pegada inexplicável.
- Liguei para saber o que você estava fazendo, mas tenho certeza que você já tem compromisso para essa noite...
- Tenho sim... com você... a que horas posso passar para te pegar?

Meia-hora depois eu estava pronta, cheirosa, vestida para matar, de lingerie nova e com uma ansiedade de pré-adolescente prestes a perder a virgindade.


O Edu me pegou pontualmente e nós fomos a um bar que ele quis que eu conhecesse. Por mim, nós iríamos direto pro motel, mas eu não podia deixar transparecer a minha ansiedade.

- Nossa você arrasou hoje, hein? Desse jeito, não há quem agüente.
- Que isso, Edu... eu estou tão simples... – Ninguém poderia estar simples com um vestido colado e um decote ‘olhe para os meus peitos, pelo amor de Deus’. Confesso que a minha roupa não negava a minha intenção.
- O que houve que você sumiu... nunca mais me ligou...
- Estava trabalhando demais...
- E sem tempo para os amigos? Ou será que alguém laçou o seu coração?
- Antes fosse... estou livre, leve e solta...
- Mas deve ter uma fila de pretendentes né?

Ficamos no bar ate o meio da madrugada, jogando conversa fora e bebendo muito.

- Você sabe que eu adoro sair com você né? As noites são sempre tão divertidas e acabam melhor ainda.

Edu me agarrou no estacionamento, o clima esquentou e eu acabei suada e jogada numa cama redonda. Foi uma noite maravilhosa, como todas com o Edu.

Cheguei em casa com o sol queimando minha cabeça. E o melhor de tudo, era que não rolava cobrança, nem marcações de próximos encontros, nada disso... Eu sabia muito bem qual seria o motivo da próxima ligação dele e ele da minha. Mas a gente era assim, amigos eternamente coloridos.


Três horas da tarde de domingo....

- Dormindo a essa hora?
- Ai, gente, entra...
- Pode me contando tudinho, essa cara não nega, viu? – perguntava Lili
- Isso não é cara de quem passou a noite sozinha não...
- Já que vocês me acordaram né? Eu sai com o Edu ontem.
- O boneco inflável?
- Não fala assim, Lili....
- Nada mais do que a verdade ou o Edu é o quê para você?
- Eu confesso que não queria mais ligar para ele, mas era caso de vida ou morte. Mas eu juro que eu não ligo mais...
- Ih, essa história eu conheço viu, Dona Diana?

O pior é que minhas amigas estavam certas. Se até a próxima crise da loba, eu não arranjasse um namorado, o Edu seria a minha única salvação. Ai, cupido, tenha piedade de mim, tá?


Papo de Calcinha: Você tem algum(a) amigo(a) colorido(a)?

sábado, julho 26, 2008

CRISE DE IDENTIDADE


Por Letícia Vidica

- Tem gente que vai ficar mais velha amanhã...

- E isso é bom? – perguntava Betina com a amargura rotineira do dia anterior ao seu aniversário.

- Claro que é, Betina!

- Só se for para você que ainda desfruta da casa dos vinte porque para mim, a um dia dos 30 anos, isso é um peso!

Betina estava vivendo mais uma daquelas fases críticas do universo feminino. Ela estava passando pela crise dos 30. Há uma semana, minha amiga resolveu se enfurnar no seu apartamento e não sair mais. E lá estávamos eu e a Lili tentando convencê-la a pelo menos apagar as velinhas no dia seguinte.

- Ai, Betina, que deprê! Também não é pra tanto.

- Não adianta, Lili, vocês não me entendem! Ninguém me entende. Amanhã eu completo três, três décadas de vida e o que eu fiz da minha vida? Sou uma super executiva? Não. Casei com um homem rico? Não. Tenho um homem? Não. O que eu consegui da minha vida?!

Betina desandou a chorar. E nós tentamos todas as cartadas para animá-la até que desistimos, ou melhor, compreendemos que ela tinha o direito a passar por essas crises e por esse momento.

*****

- E aí tá melhor, Bê?

Com muito custo, conseguimos levar a Betina para bebemorar no bar do Pedrão a sua saúde.

- O que seria de mim se não fossem vocês?

- Ih...já vi tudo. Três copos de cerveja e começa a sessão melancolia. – dizia Lili já acostumada com a deprê de bêbado da Betina, ainda mais no dia do seu aniversário.

- É sério gente. Se eu não tivesse vocês, o que eu estaria fazendo hoje? Ninguém me ligou...nenhum flor, nenhuma telemensagem. A única carta que eu recebi foi uma conta atrasada!!!

Mais uma vez, Betina desandou a chorar e a dizer o quanto nos amava e o quanto a vida dela estava uma bosta. Resultado: 5 horas da manhã eu tinha como espetáculo a Betina vomitando no banheiro do meu apê.

***

Apesar de ter sido um porre aturar a minha amiga choramingando no dia do seu aniversário, aquilo tudo me fez refletir sobre a minha vida e sobre os meus objetivos.

Eu estava há 3 anos à beira dos trinta anos e também não havia cumprindo nem um quarto de tudo que eu planejei aos 15 anos. Será que eu ia conseguir cumprir em três anos? Eu tinha poucos dias para me tornar uma publicitária bem sucedida, ter um homem com H do meu lado, ficar sem dívidas, dar a volta ao mundo, falar 3 línguas, me casar e ser feliz para sempre... Será que o tempo seria suficiente para cumprir tudo isso? Será que eu serei a eterna solteirona, mal amada e sem filhos?

Nesses momentos de deprê, só uma pessoa podia me ajudar: minha mãe. Recorri ao seu colinho maternal para chorar minhas pitangas.

- O seu mal minha filha é que você sonha demais. Viva, dê tempo ao tempo. Deixe o tempo fazer as mudanças na sua vida e não queira você mudar o tempo.

- Mas são só três anos para isso, mãe? E se eu não conseguir?

- Será que você vai ser menos feliz por isso? Será que ter tudo isso de uma vez vai te deixar feliz?

As conversas com a minha mãe sempre terminavam com uma interrogação que ficava martelando a minha consciência por um longo tempo. E aquela foi mais dessas interrogações. E que eu ainda não consegui responder.

****

Não só eu e a Betina passávamos por algumas crises, como a Lili também. E a dela foi financeira. Lili era secretária de uma multinacional. Achava que seu emprego era vitalício, só porque já tinha dado umas voltinhas com o chefe. Mas tudo que é bom dura pouco...

- Ai, Diiiii – foi o que Lili conseguiu dizer aos prantos na porta do meu apartamento. Pedi que ela entrasse, se acalmasse e me contasse o que estava acontecendo.

- Eu, e-eeu f-fui mandada embora. Aquele canalha me escurraçou de lá e agora?

- Calma! Agora é olhar pra frente e seguir, minha amiga. Você tem potencial para coisa melhor.

- O pior é que eu to com o aluguel atrasado há 3 meses e vou ser despejada na semana que vem. O que eu faço?

- Se não se importar, posso dividir a minha cama com você.

- Ai, amiga, você me aceitaria?! ... Poxa, o que vale se matar por uma empresa, vestir a tal da camisa e levar um pontapé na manhã seguinte?! Eu estudei, me formei, fiz pós, fiz curso de línguas, me especializei para ser trocada por uma ‘estagiária’ e humilhada? De que adiantou tanto estudo?!

Estávamos na maior crise de identidade! Cada uma com a sua, mas unidas por uma crise que como todas as outras são passageiras. Elas vêm de uma forma que você não pode controlar, você se afoga nela, acha que não tem solução e quando menos espera até esqueceu que ela passou. Esse é o nosso mundo, o nosso universo.

O que seria de nós , mulheres, sem as crises? São elas que nos ajudam a achar a resposta certa nem que seja no momento errado: A Betina saiu da sua deprê quando descobriu como a maturidade dos 30 anos poderia ajudá-la a conquistar o que queria. Eu resolvi parar de me questionar e deixar tempo conspirar ao meu favor e a Lili aprendeu a ir a luta, coisa que ela não estava muito acostumada.

Agora eu aguardo o próximo Tsunami que vai chegar já, já. Só espero que eu não seja a vítima principal!

PAPO DE CALCINHA: Qual foi a sua pior crise de identidade?

quinta-feira, junho 19, 2008

AS MENTIRAS QUE OS HOMENS CONTAM


Por Letícia Vidica

A gente bem que tenta, mas eles sempre inventam uma desculpinha nova. Quando a gente acha que já está vacinada a todos os tipos de desculpas típicas dos homens, eles fazem um novo MBA e mandam uma nova, que você só percebe que é mentira muuuuito tempo depois.

Eu já caí em muitas desculpas típicas, do tipo: ´Você é a mulher da minha vida´, ´Juro que vou te ligar amanhã´, ´Ninguém nunca me deixou assim´, ´Eu não tenho namorada ou eu não sou casado´, dentre tantas outras que eu passaria séculos aqui contando.

Cansei de ficar com cara de besta, fula da vida, me empanturrando de doces e engordando só porque um filho da mãe inventou mais uma desculpa para mim. Por isso, resolvi dividir a minha angústia com você, cara leitora, e contar algumas das desculpinhas que eu (estúpida!) já caí.

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O Murilo era o rei das mentiras e o pior é que eu caía em todas. Por mais alertada e esperta - que eu achava que era - ele sempre conseguia inventar uma nova. Pior ainda é quando eu descobria a mentira e ele inventava outra para justificá-la e eu caía também.

A gente se conheceu através de um amigo em comum e logo de cara ele já me mandou uma típica. Implorou o meu telefone,o meu email, o meu MSN, meu celular, meu perfil no Orkut e jurou por todos os santos que me ligaria assim que o sol raiasse. E eu? Nem dormi a noite toda e o resto dos 3 meses seguintes esperando ele ligar.

Quando eu já estava desistindo de esperar, ele me ligou. Como se nada tivesse acontecido e como se aqueles 3 meses de longa espera não existissem. Quando ouvi a sua voz no telefone a minha vontade era de entrar pelo fio e trucidá-lo, mas mais uma vez ele me enganou e eu aceitei o convite para jantar.

Ele sempre ficava de marcar os encontros e cada hora era um compromisso diferente. Quando eu convidava, também nunca rolava. Até que eu cansei disso e resolvi acabar o que nem existia. Ele jurou de pés juntos que me adorava, que não queria me perder e que queria continuar. Dei mais uma chance, mas... me dei mal. Descobri que o cara tinha duas namoradas (fixas!) e fazia o maior jogo de cintura para administrar as duas e queria me enfiar no meio desse triângulo amoroso... caí fora - já machucada, iludida e mais uma vez enganada.

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Depois dele, muitos outros passaram pela minha vida e jogaram os mesmos xavecos. Uns menos habilidosos na arte de mentir, eu conseguia perceber e cair fora. Quando não estava muito interessada, fingia que caía. Mas sempre tem um que se dá melhor na arte de mentir e aparece na sua vida.

O melhor lugar para dividir a minha fúria e contar sobre as mentiras que eu caí era às sextas-feiras no bar do Pedrão. Junto com as minhas amigas - que também caíam na rede da mentira - eu me consolava.

- E o Juca, Betina?
- Nem me fale daquele desgraçado, Diana.
- Ué, mas o cara não era o máximo e blablablá?
- Era, mas acredita que ele tem um filho e não me falou nada?
- Jura?! Mas qual o problema de ter um filho.
- Nenhum se ele ainda não morasse com a ex mulher. O cara queria era um teto para morar. Descobri que ele tá se separando da ex e como não tinha onde cair morto, resolveu me seduzir e acampar na minha casa.
- Homem é tudo igual né? Acredita que o Luís Otávio me ligou ontem à noite cancelando o nosso encontro porque estava com dor de cabeça. Eu, idiota, acreditei e não é que ele foi pra balada?
- E como vocês descobriu, Li?
- Ah, eu não queria ficar em casa, Bê, e resolvi ir dar uma volta. Flagrei o desgraçado saindo do prédio dele todo perfumadinho. Ainda teve a cara de pau de dizer que estava indo na farmácia? De camisa engomada e perfume novo?!
- Ai, amigas, não tem jeito, por mais que a gente tente e ache que estamos vacinada contra essas mentiras sempre vem mais uma.
- O nosso mal, Di, é se deixar levar. A gente é muito boba. Se apaixona de cara e depois sempre quebra a cara.

Passamos a noite toda a contar as mentiras que nós já tínhamos caído. Era bom porque todo o ódio que a gente sentia daqueles mentirosos de plantão ia embora naquele instante.

O problema é que a gente podia cair em mais uma a qualquer instante.

Papo de Calcinha: E, você, em quais e quantas mentiras já caiu?

sexta-feira, junho 06, 2008

O DIA DOS DESENCANTADOS


Por Letícia Vidica

Eu odeio o Dia dos Namorados! Odeio mais ainda quando estou solteira. Parece que os outdoors, as propagandas, as flores tudo berra aos quatro cantos ininterruptamente “Você está solteira!!! Hahahahaha”. Me sinto totalmente depressiva quando essa data se aproxima.

Às vezes, até que tento esquecer e agir normalmente, mas é pior. E mais uma dessas datas estava se aproximando.

No meu trabalho, as meninas não paravam de pedir sugestões umas as outras do tipo de presente que poderiam dar, qual o melhor restaurante para jantar, que lingerie é mais sexy... é tudo tão irritante que eu logo fico de mau-humor. E elas, como quase sempre sabem que eu sou do clube das solteiras, fazem questão de me excluir da conversa. Porém, por mais que eu queira, a internet e o meu e-mail me bombardeam de notícias, promoções e dicas de presentes para o tal dia dos apaixonados.

18h. Fim do expediente. 12 de junho de um ano qualquer.

- Ué, Di... não vai embora? - perguntava Sabrina, uma das minhas colegas de trabalho.

-Ah...eu tenho que terminar um relatório...já vou!!! E você?

- Ai, estou atrasadíssima... O Du ficou de passar lá em casa para me levar para jantar e depois...ah você sabe né?

E como eu sabia. O Du e a Sabrina teriam uma longa noite de amor feliz, que nem as horas que eles passariam no congestionamento na porta do motel seria capaz de desanimar.

- Feliz Dia dos Namorados! - eu disse morrendo de inveja da felicidade e da companhia que a Sabrina teria naquela noite.

E eu?! Sozinha naquele escritório. Na verdade, eu não tinha relatório nenhum para entregar. Eu só queria um momento de paz e não ter que encarar todos os casais apaixonados que eu encontraria pela minha frente. Talvez fosse melhor acampar no escritório, dormir por aqui e fingir que hoje era apenas mais um dia normal...

... impossível! O pensamento de que eu poderia ser uma dessas apaixonadas nessa noite me cortava o coração. Por quê Deus era tão cruel comigo? Pelo menos alguém pudesse me ligar... E me ligou, mas era somente a Betina.

- Oi, Be.

- Nossa, que ânimo é esse?

- E tem algum motivo para festejar hoje?

- Ih, já sei... mais uma deprê de dia dos namorados, acertei?

- Na mosca!

- Te liguei para gente sair e tomar um cerveja. Espairecer um pouco. Te encontro lá no Pedrão,ok?

Se pior estava sozinha na agência, jogar uma conversa fora não seria tão ruim.


Mas o meu drama estava apenas começando. Levei uma hora e meia para chegar no bar do Pedrão. Havia esquecido que hoje era o dia do congestionamento dos apaixonados. Ninguém fazia hora extra naquela noite e todos saíam com os hormônios à flor da pele para o trânsito. Tudo bem, senão fosse ao mesmo tempo.

Tentei ouvir uma música para relaxar e me desestressar do trânsito. Erro número dois: todas as rádios só tocavam músicas de corno apaixonado e os locutores não paravam de dizer que hoje era o dia dos namorados e as ouvintes não paravam de ligar desejando músicas lindas aos seus namorados. Poxa, que injustiça com os solteiros. Ou será que eu era a única naquela noite?!


Ao chegar no bar do Pedrão, o estacionamento estava lotado. Tive que parar na rua. A Betina já me esperava na porta do bar.


- Tá lotado, Di. Uma hora e meia de espera.

- É castigo demais.

- E aí esperamos ou vamos para outro bar?

Resolvemos andar pela rua para achar algum bar mais próximo e que estivesse vazio. Mas foi em vão. Estavam todos lotados de casais apaixonados que pareciam ter grudado a bunda da cadeira e esquecido da vida. Três voltas no quarteirão depois e muitos esbarrões em casais cegos e apaixonados, estávamos de volta ao bar do Pedrão.

Ficamos mais uma hora na espera e nenhuma alma caridosa levantava da mesa. Parecia que ninguém tinha mais nada da vida para fazer e olha que era apenas uma quarta-feira.

Se não bastasse a minha impaciência, ouvi uma voz masculina me chamando. Logo achei que Deus havia me enviado um príncipe para curar minha tristeza, mas era ...

- Pedro?!

- Oi, Diana, tudo bem?

O Pedro era um dos meus rolinhos antigos e um promissor candidato a namorado, se ele não estivesse acompanhado.

- Essa aqui é a Adriana, minha namorada.

Morena, linda e acompanhada da minha promessa de namorado. Nos despedimos e eles foram embora encarar o congestionamento dos motéis.

- Chega, vamos embora!

- Mas agora que esvaziou uma mesa, Di

- Eu não fico aqui nem mais um minuto, Betina. Já olhou à sua volta? Esse bar tá infestado de casais. Se a gente sentar aí, é capaz de acharem que somos um casal de lésbicas. Além do mais, ver o gato do Pedro acompanhado acabou com o meu astral.

Ainda bem que a Betina era minha amiga e não se encanava com essas coisas. Saímos do bar, pegamos mais algum tempo de congestionamento...

- To me sentindo uma extraterrestre hoje. Parece que eu sou a única pessoa da face da terra incapaz de arrumar um namorado. Eu tenho algum problema, Betina? Até a Lili arranjou companhia para hoje...

- Pára de se estressar com isso. Eu to muito bem sozinha.

- Claro... ter um namorado nunca foi o seu plano de vida.

- E não deveria ser o seu também...

- Porra, olha para onde anda seu cego - mais um apaixonado beijava a apaixonada enquanto virava o carro e quase batia no meu. Tudo para encarar o tráfego da porta do motel.

- Que tal um vinho?

- E tem outra saída.

Acabamos parando o carro num posto de gasolina, compramos uma garrafa de vinho barato e ficamos conversando encostadas no capô. Depois de umas goladas, já estava quase me esquecendo que dia era aquele. Eu e a Betina começamos a falar um monte de bobagens, a lembrar das nossas loucuras e a brindarmos o quanto éramos felizes sozinhas...

- Viva a solteirice!! Eeeee - gritou a Betina no posto

- Eeeeee

Logo, os solteiros de plantão que se embriagavam para esquecer a solteirice se juntaram a nós. Terminamos a noite ali, bêbadas e rodeada de solteiros. Final feliz para uma noite estressante, mas eu tinha apenas 365 dias para arrumar um namorado e garantir que o meu stress do dia 12 não se repetisse.

Papo de Calcinha: Qual foi o pior ou o melhor dia dos namorados da sua vida?

quinta-feira, maio 29, 2008

A TERCEIRA PARTE DO NOSSO RELACIONAMENTO


Por Letícia Vidica

- Oi, amor. Onde você está?

- Tô indo pegar a Vivi no shopping. O carro dela quebrou e ela me pediu um help.

- Mas a gente não combinou de ir ao cinema hoje? Tô prontinha te esperando.

- Juro que não vou demorar.

Ele não só demorou como nós perdemos a sessão do filme que eu estava esperando há dois meses para assisti, como saímos para jantar à três. Você não deve estar entendendo nada né? Mas eu explico. Quando eu namorei o Rui eu nunca pude ter um momento de privacidade com ele porque sempre tinha alguém entre nós. Entre um beijo e outro sempre tinha um amigo ou uma amiga. E a amiga da vez era a Vivi.

A Vivi era a melhor amiga de infância do Rui.Ela até que era simpática, o problema é que ela não dava um peido sem o Rui. E ele achava a coisa mais normal do mundo. Eu tinha limitações, mas a Vivi podia pedir para ele lamber o chão que ele lambia. Nunca tive nada contra amigos e nunca fui do tipo ´ou os amigos ou eu´. Sempre soube conciliar um relacionamento e os amigos. Acho até que é saudável ter um momento de privacidade com os seus amigos, até porque eu não largaria a Lili e a Betina por nada a não ser quando estava com o Rui. Mas já o Rui...

- Desculpe, Di... a gente se atrasou e acho que vamos ter que deixar o nosso cineminha para outro dia...

- Mas que tal se a gente fosse comer naquele restaurante japonês que você adora? - dizia Vivi - por ser mulher acho que ela sentia quando eu ficava com raiva do Rui.

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- E aí, Di, foi no cinema ontem?

- Não.

- Mas por quê? - perguntava Betina

- Adivinha? O Rui teve que ir buscar a Vivi no shopping.

- O quê?! Esse mundo tá ficando louco. Você ficou plantada esperando o seu namorado enquanto ele carregava sacolas para a amiguinha dele? - dizia Lili inconformada - Ah se fosse comigo...

- Esse é o problema, Lili... A Diana é boa demais, aguenta demais e por isso sofre demais. Dá um basta nisso. Daqui a pouco, ela vai até pro motel com vocês!!!

Minhas amigas tinham razão. Eu tinha que impor limites à presença da Vivi no nosso relacionamento. E eu estava decidida que naquela noite eu falaria sobre isso.

- Oi, gata...você vai ficar muito brava se eu não puder ir aí hoje?

- O que houve dessa vez?

- A mãe da Vivi está passando mal e ela me ligou pedindo para que eu as levasse para o hospital...

- Mas a Vivi não tem carro?

- Ainda não voltou do mecânico. Se não demorar muito eu passo aí mais tarde. Beijão.

Só Deus sabe o ódio que eu fiquei naquele momento. Sábado à noite com a maior lua, eu toda cheia de amor para dar e agora só me restava assistir ao Corujão?! E o pior é que eu fiquei com o Corujão.

No dia seguinte, quase meio-dia o Rui ainda não tinha me ligado. ´Poxa, custava ter me ligado quando voltou do hospital?´. Resolvi ligar no celular dele e adivinha quem atendeu?

- Vivi?!

- Oi, Di...poxa, desculpa mais uma vez por ter te roubado o Rui. A pressão da minha mãe subiu e eu não tinha a quem recorrer. Fala com ele, ele tá aqui.

...

- Oi, amor.

- Oi, Rui. O que você tá fazendo aí?

- A gente chegou tarde do hospital e a dona Sônia não quis que eu fosse embora altas horas da noite. Mas já tô indo pra´í.

- Não, não vem não. Tenho um compromisso com as meninas hoje, esqueceu?

A gente se fala depois.

O meu compromisso era ir chorar as pitangas na casa da Lili. Eu precisava ouvir minhas amigas antes de qualquer passo importante.

- Eu já falei você precisa impor limites.

- Melhor que isso, Betina... faz o jogo do contrário. Comece a desmarcar compromissos com ele por nossa causa e faça os mesmos pedidos que a Vivi faz a ele para ver se ele atende. Se o cara não sair correndo para te ajudar ou não te entender, desista amiga. Ele é mais um que morre pelos amigos, mas não por você.

Elas estavam certas e foi isso que fiz nas semanas seguintes. A primeira investida foi desistir de ir ao aniversário do chefe dele com a desculpa de que a Lili estava depressiva por ter levado um pé na bunda e precisava de mim. ´Poxa, Diana, mas a gente já tinha marcado isso há mais de um mês? Sua amiga leva foras toda semana!´ Compreensão zero.

A segunda investida foi me atrasar ao almoço na casa da mãe dele com a desculpa de levar a Betina até o shopping. ´Mas ela não pode andar de ônibus?!´ Pimenta nos olhos dos outros é refresco.

A terceira e a derradeira do nosso relacionamento foi quando pedi alguns favorzinhos semelhantes ao da Vivi e ele negou todos. Apesar de estar apaixonada por ele, o meu orgulho fala mais alto e eu preciso de alguém que goste de mim e que não ache um sacrifício ter que me buscar num shopping. Quero um homem que saiba a diferença entre amigos e namoradas.

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- Nossa, o que aconteceu? Sua voz estava diferente no telefone.

- Aconteceu Rui que a partir de hoje você está livre.

- Como assim? O que eu te fiz?

- Tudo para mim tem limite. E o meu acabou. Não aguento mais ter que ficar em segundo lugar na sua vida e ter que ficar com você no tempo livre da Vivi.

- Ah é isso? Você tá com ciúmes da Vivi? Pára com isso, que besteira. Ela te adora.

- Não é ciúmes e não me interessa se ela me ama ou não. Acontece que você não percebe, mas faz tudo o que ela quer e esquece que tem namorada. Se eu te peço um favor, você sempre recusa. Mas se a Vivi liga você esquece que eu existo e sai correndo para salvá-la. Se eu tenho que atender a uma amiga, você reclama e faz bico. Nunca me compreende. Chega!

- Isso não é motivo para gente terminar, Diana. Eu posso rever isso.

- Você nunca vai rever isso, Rui. E sabe por quê? Porque os seus amigos sempre estarão em primeiro lugar para você. E não é isso que eu quero do homem que esteja ao meu lado. Eu quero que ele saiba o momento certo e o lugar certo de cada um.

- Se você prefere assim...

Com os olhos cheio de lágrimas, o Rui foi embora da minha casa e da minha vida. Eu também cai em prantos, mas nem tanto porque ele foi embora e sim porque estava cada dia mais difícil encontrar o homem perfeito e os que eu achava ser sempre iam embora.

Papo de calcinha: O seu namorado (a) se dedica tanto aos amigos? Qual o peso deles no relacionamento de vocês?

quinta-feira, maio 22, 2008

POEMA DA MULHER

(autor desconhecido)

Que mulher nunca teve Um sutiã meio furado, Um primo meio tarado, Ou um amigo meio viado?

Que mulher nunca tomou Um fora de querer sumir, Um porre de cair Ou um lexotan para dormir?

Que mulher nunca sonhou Com a sogra morta, estendida, Em ser muito feliz na vida Ou com uma lipo na barriga?

Que mulher nunca pensou Em dar fim numa panela, Jogar os filhos pela janela Ou que a culpa era toda dela?

Que mulher nunca penou Para ter a perna depilada, Para aturar uma empregada Ou para trabalhar menstruada?

Que mulher nunca comeu Uma caixa de Bis, por ansiedade, Uma alface, no almoço, por vaidade Ou, um canalha por saudade?

Que mulher nunca apertou O pé no sapato para caber, a barriga para emagrecer Ou um ursinho para não enlouquecer?

Que mulher nunca jurou Que não estava ao telefone, Que não pensa em silicone Ou que ´dele´ não lembra nem o nome?

Só as mulheres para entenderem o significado deste poema! Segundo elas, estamos em uma época em que:

´Homem dando sopa, é apenas um homem distribuindo alimento aos pobres´

´Pior do que nunca achar o homem certo é viver pra sempre com o homem errado´

´Mais vale um cara feio com você do que dois lindos se beijando´

´Se todo homem é igual, porque a gente escolhe tanto???´

Mande para mulheres que precisam rir, ou para homens que possam lidar com essa realidade!