sábado, outubro 30, 2010

AMADO AMIGO


Por Letícia Vidica

- Diana?!

- Pedro?! – eu respondi assustada com aquele homem que apareceu de repente, acho até que engasguei com o gole de cerveja que eu estava tomando – Acho bom você ter uma boa desculpa para me dar por não ter me avisado que você viria a São Paulo!

- E onde fica a surpresa? – ele respondeu.

Nos abraçamos, num abraço intenso que acho que durou segundos que pareceram minutos que pareceram horas. Acho que foi assim. As meninas, Betina e Lili, me olhavam sem entender nada. Resolvi contextualizá-las da situação, antes que alguma delas fizesse um comentário irônico.

- Meninas, esse é o Pedro. Aquele meu amigo que mora no Rio. Lembram dele? O Pedro é o meu melhor amigo...homem...antes que vocês fiquem com ciúmes.

Convidei-o para se juntar a nossa mesa, mas ele estava com alguns amigos em outra. Ele prometeu me ligar no dia seguinte para fazermos algo e matarmos a saudade.

- Nossa, não imaginava que esse Pedro era tão bonitão. – comentou Lili sem perder a oportunidade.

- Ih, Lili, não é para o seu bico. O Pedro não tem o perfil de canalha. Você não ia gostar dele. – comentei.

- E será que ele seria para o seu bico? – perguntou Betina começando a colocar fogo na fogueira.

- Para de bobagens, Bê. Eu e o Pedro somos apenas bons amigos.

- Será? Não foi o que pareceu depois desse reencontro e do abraço caloroso.

Para variar, a Betina começava a enxergar maldade onde não tinha. Ou será que haveria?

Eu e o Pedro nos conhecemos ainda na barriga de nossas mães, que engravidaram praticamente no mesmo dia. Com ressalva de que eu, apressada como sempre como ele costumava dizer, nasci duas semanas antes do Pedro. Fomos vizinhos até a adolescência, por isso, crescemos juntos. Como eu sempre fui um pouco moleca, eu sempre brincava com o Pedro e os amigos dele e ele me defendia como uma irmã. Apesar de não termos o mesmo sangue, sempre nos consideramos meio irmãos. O Pedro sabe tudo da minha vida e eu da dele. Até hoje, a gente troca confidências.

Quando chegou a época de faculdade, ele prestou vestibular numa faculdade no interior e passou. Teve então de se mudar e depois de formado conseguiu um emprego no Rio de Janeiro onde mora até hoje. Mesmo com a distância, sempre mantemos contato. Trocamos emails, torpedos, ligações quase toda semana para saber como um ou outro está. Realmente, ele não é de se jogar fora, mas a nossa amizade é forte demais para ser estragada e o afeto que sinto por ele não passa de carinho de amigo.

***


No dia seguinte, logo pela manhã, o Pedro apareceu lá em casa e me levou para tomar café da manhã na padaria da esquina de casa.

- Que bom te ver, Pedro. Veio fazer o que em São Paulo?

- Eu tenho um curso aqui essa semana. Daí, resolvi vir no fim de semana para visitar minha família e, claro, rever os amigos especiais.

- Ai, que tudo! Quer dizer que terei uma semana para abusar do meu amiguinho?

- Sou todo seu. Faça de mim o que quiser. – ele disse rindo – Mas como vai a vida? Ainda sozinha?

- Para variar né? Com um aqui outro lá, mas nada fixo. A coisa tá feia, Pedro.

- Eu não me conformo como uma mulher bacana como você não tem ninguém! Esses caras de Sampa andam mole mesmo.

- Olha, quem fala, até parece que não é daqui...

- Sou, mas não estou. Se eu estivesse, você que não se cuidasse não?

Nos olhamos um pouco sem graça por alguns instantes, mas resolvi quebrar o gelo.
- E você? Galinhando muito no Rio?

- Ah, que nada. Eu estava com um rolo com uma gata aí...mas nada sério...e o Pierre?

- Nem me fale dele. Sumiu.

- É outro Zé Mané, né? Mas, deixa eu ficar quieto.

Terminamos de tomar nosso café e, como o Pedro estava com saudades da minha família, telefonei e minha mãe prontamente nos convidou para almoçar lá. Era sempre assim. Quando ele vinha para São Paulo, era uma ofensa não passar na casa dos meus pais.

Ao chegar, minha mãe foi logo dando um abraço apertado nele e o enchendo de perguntas. Dizendo que estava com saudades, que tinha feito o pudim que ele tanto adorava, etc e etc. Era tanto mimo que eu até chegava a ficar com ciúmes. E, quando o Pedro vinha, parecia festa. Minha irmã trazia a sobrinhada que adorava rolar no tapete da sala com ele – uma das qualidades do Pedro é o seu carinho por crianças, acho até que ele seria um ótimo pai. Até mesmo o baladeiro do meu irmão ficava em casa para ouvir as histórias e aventuras cariocas do Pedro.

- Que menino bom, né? Nossa, seria um sonho se você casasse com ele. – delirava minha mãe enquanto lavávamos a louça.

- Tá ficando louca, mãe? Eu e o Pedro somos apenas bons amigos.

- Eu também acho que vocês fariam um belo casal. Você tá é perdendo tempo! – até a songa monga da minha irmã palpitava.

No fim do dia, passamos na casa do Pedro e aproveitei para visitar os pais dele. O bom era que o mimo que ele tinha na minha casa, eu recebia na dele. E até os comentários sobre como seríamos felizes juntos também pintavam por lá.

- Já cansei de dizer pro Pedro para ele vir morar em São Paulo de vez. Seria ótimo não seria, Di? – perguntava a mãe dele, Dona Neusa.

- Ah, eu ia adorar mesmo, Dona Neusa.

- E eu ia adorar ainda mais se vocês dois ficassem juntos...

- Ih, mãe, desiste. Essa daí é jogo duro. – dizia Pedro rindo da minha cara.
Fiquei sem entender o que ele queria dizer com aquele comentário. Mas fiquei com ele martelando na minha cabeça por muitos e muitos dias.

****

- Nossa, Bê, não sei se fico triste ou feliz pelo Pedro ter vindo a São Paulo. – eu desabafava com a Betina enquanto terminávamos de cozinhar para o jantar que eu ia oferecer para o Pedro e alguns amigos dele no meu apartamento. – Desde que ele chegou aqui, todo mundo não para de dizer que somos um casal perfeito. Mas a gente é só amigo!

- Será que isso tudo é só amizade, Diana?

- Lá vem você. Só porque um homem e uma mulher são amigos significa que eles tem que ficar juntos? Que coisa mais careta!

- Esse não é o xis da questão. Seria normal se você não ficasse toda diferente quando está com ele.

- Como assim?!

- Está nos seus olhos, Di. Eles brilham, você fica parecendo uma adolescente boba ao lado dele...parece uma barata tonta...sem contar no olhar de admiração que ele joga sobre você.

- Meninas, cheguei...tô entrando – dizia Pedro que tinha chegado com a sua patota invadindo o meu apê e interrompendo o meu assunto com a Betina.

O jantar correu muito bem, se não fosse a conversa que tive com a Betina engasgada na minha garganta quase me causando indigestão. A Lili estava adorando, tinha até se entendido com um amigo do Pedro. Até mesmo a Betina conversava empolgadíssima com outro amigo dele. Somente eu, parecia um peixe fora d’água tentando digerir aquela história.

Será que eu gostava do Pedro? Será que eu estava enganando a mim mesma ou seria maluquice da cabeça de todo mundo? Ai, meu Deus, não brinca assim comigo não.

- Diana, tá tudo bem? – perguntava Pedro que me flagrou divagando em meus pensamentos na varanda.

- Tá tudo bem sim. – eu dizia tentando disfarçar.

- Não é o que parece.

É incrível como ele me conhecia. Eu nunca conseguia enganá-lo. Ele me conhecia demais.

- Nada não...só estou com dor de cabeça...

- Pode deixar que eu já vou expulsar todo mundo daqui...está ficando tarde mesmo...hora de nenê ir para cama.

- Não, que isso...não estou expulsando ninguém...pelo contrário, fica aqui comigo essa noite.

- Tá me chamando para dormir com você? Que proposta indecente!
Só ele para me fazer rir.

- Só queria conversar mais com você. A gente se vê tão pouco e amanhã mesmo você já volta para o Rio né?

Voltamos para sala e a galera já começava a se despedir. A Lili ia esticar a noite com o amigo do Pedro e a Betina ia pegar uma carona com outro. E o Pedro ia ficar comigo. Arrumamos a bagunça e ficamos jogando conversa fora enquanto lavávamos a louca. Depois de tudo arrumado, tomamos um banho e nos jogamos um em cada sofá degustando uma taça de vinho e colocando o papo em dia.

Era incrível que, quando estávamos juntos, a hora passava e eu nem percebia. Também a gente tinha muito assunto! Mesmo quando éramos vizinhos, assunto nunca foi problema para gente. Já clareava e a nós nem tínhamos dormido ainda. Só nos demos conta de que havíamos passado a noite acordados quando um raio de sol entrou pela janela e veio parar bem no meu olho.

- Que horas são, Pedro? Meu Deus, seis horas!

- Como você fala, hein, Diana? – ele me zuava.

- Eu né? Ai, Pedro, sinto tanto sua falta.

- Vem comigo pro Rio. – ele me disse implorando de joelhos na frente do sofá em que eu estava deitada.

- Para de graça, Pedro! – eu disse sem graça o empurrando para o chão.

- Mas eu não estou brincando...- ele disse me puxando pelo braço e fazendo com que eu caísse sobre ele – adoraria ter você mais pertinho de mim assim.

Nos olhamos por alguns segundos. Nossas bocas a poucos milímetros de distância. Era a primeira vez que ficávamos naquela situação, com ressalva de quando brincávamos de guerra de lama no quintal lá de casa. E era a primeira vez que eu havia ficado com uma vontade louca de agarrá-lo, beijá-lo e ir correndo para o Rio com ele, casar e ter um casal de filhos. Mas, acordei e recuei.

O Pedro resolveu ficar para almoçar e quis dar um de mestre cuca. Cozinhou uma macarronada à moda Pedro Carioca, como ele diz. Depois do almoço, fui obrigada a assistir o jogo do Flamengo, time que ele agora diz ser do coração (mas sabe que nem me importei com isso?), depois assistimos a um desses filmes que cansam de reprisar na tevê a cabo comendo brigadeiro de panelas (detalhe: dividido na mesma colher).
No fim da tarde, daquela tarde maravilhosa, o Pedro insistiu para que eu o levasse até o aeroporto. Segundo ele, não poderia perder mais nenhum segundo ao meu lado. Detalhe: curiosamente ou coincidentemente, eu fui a única a acompanhá-lo no aeroporto, sob insistência suspeita da mãe dele.

- Adorei passar esses dias com você. Tinha me esquecido o quanto são bons os momentos ao seu lado. – ele dizia me abraçando no aeroporto.

- Eu também adorei sua companhia. Você sabe que sinto saudades de você né?

- Se cuida, mocinha. Tô no Rio, mas tô de olho. Ah, e se mudar de idéia...estou te esperando lá no Rio.

Ele me deu um beijo prolongado na testa, mais um abraço forte e partiu. Fiquei igual estátua parada no meio do aeroporto. Naquele momento, minha vontade era embarcar juntinho com ele. Mas, pera’í, Diana, o que estava acontecendo com você?

- Você está apaixonada por ele, amiga. Sempre esteve. – respondia Betina ao meu indagamento, enquanto eu choramingava a partida do Pedro no apartamento dela.

- Será? Realmente, é sempre mágico quando estamos juntos. Mas a nossa amizade é tão verdadeira...eu não quero estragar isso

- Então, deixa rolar...mas se mudar de idéia...já sabe para onde correr né?
Eu bem sabia, mas até agora não arrisquei. Preferi continuar em São Paulo, por enquanto.

PAPO DE CALCINHA: E aí já teve alguma amizade assim? A amizade virou amor ou não?

quinta-feira, outubro 21, 2010

AMOR VIRTUAL


Por Letícia Vidica

- Diana, é impressão minha ou aquela mulher parecendo um espantalho do Mágico de Oz parada no meio do shopping é a Betina?

Nem foi preciso responder a pergunta da Lili. Ao nos aproximarmos do tal espantalho, pudemos confirmar que se tratava da nossa querida amiga.

- Betina? – eu perguntei assustada com a cena.

- Tá fazendo o quê vestida ridícula desse jeito? – engatou Lili.

- O-oi, meninas, tudo bem? Eu posso explicar. – respondeu Betina com cara de criança que é pega no flagra pela mãe fazendo arte – é que eu tenho, ou melhor, tinha um encontro às escuras.

- Encontro o quê? – perguntei.

Acho que esqueci de me dizer que a Betina tinha como uma de suas características manter alguns mistérios e segredos e aquele era mais um deles. Descobri que a Betina adorava conhecer pessoas pela internet e que estava teclando há alguns meses com um carinha, o qual acabara de dar um bolo virtual nela.

- A coisa tá feia mesmo. Nem mesmo pela internet estamos livres de levar um bolo – desabafava Betina tristonha enquanto comíamos um lanche na praça de alimentação.

- Mas você queria o que, Bê? Vestida desse jeito parecendo um espantalho, é claro que o cara não ia se aproximar né?

- Opa, Lili. Menos hein? Não precisa avacalhar. – respondia Betina irritada.

- Mas como era o príncipe cibernético?

- Ah, Di, ele disse que era...

- ... alto, moreno, sarado, solteiro e que adorava praia! – completou Lili

- Como você sabe?! – perguntamos.

- Ai, gente, eu sou macaca velha nesse lance de romance virtual. Eu nunca contei para vocês, mas eu também adoro conhecer pessoas pela internet. Já conheci muita gente. E você acaba de cair no golpe do moreno sarado. Acorda né, Betina, você acha mesmo que caras deuses como esse precisam MESMO da internet para conhecer alguém?

Apesar do diálogo parecer incomum, era real. A Lili acabara de dar uma lição de realidade para a Betina, a senhora da verdade. Aquela declaração também me revelou um segredo da Lili. Minha amiga adorava ter encontros mais picantes na internet. Se é que me entendem! Naquela conversa percebi que o único peixe fora d’água, ou melhor, fora de conexão era eu.

Eu nunca fui muito ligada nesse negócio de conhecer gente na internet. Prefiro a realidade do que o cibernético. Nada melhor do que olho no olho, pele com pele. Além disso, confesso que sempre tive um pouco de medo de quem poderia estar do outro lado da tela.

Até que, em uma noite chuvosa e fria de sexta-feira, eu estava de bobeira em casa e não tinha nenhum programa com as meninas, resolvi entrar na internet. Ninguém interessante no MSN para conversar, nenhum scrap novo no Orkut, nenhum álbum interessante no Facebook para xeretar. Foi aí que meu dilema começou. Fiquei por alguns instantes brigando com minha consciência e com o mouse, até que não resisti e entrei numa sala de bate papo.

Escolhi a que me parecia mais ‘normal’. Daí, então gatinhamanhosa atacou. Em menos de dez minutos online, alguém puxou papo comigo.

Gatinhomanhoso: De onde tc?

Gatinhamanhosa: SP.

Gatinhomanhoso: O q faz aki nessa noite fria?

O assunto que começou meio frio e insonso, logo ficou interessante e quando me dei conta passei quase a noite toda teclando com o tal gatinhomanhoso. Trinta e cinco anos, advogado, alto, moreno, esportista. Foi assim que ele se definiu para mim. Combinamos de nos encontrar no dia seguinte na mesma sala e no mesmo horário. É claro que eu disse que estaria on, mas era só para ser simpática.

Porém, não só no dia seguinte como em todos os outros que se seguiram, eu estava online sempre na mesma sala e por muitas noites a gente teclava. Sem perceber, comecei a me envolver com aquele homem que eu nada sabia.

- Meninas, acho que estou ficando louca. – confessei para minhas amigas.

– Não consigo parar de imaginar como o gatinho manhoso é. Esse negócio tá ficando viciante. Não durmo mais em paz se eu não falo com ele. Se ele não está on, fico triste e sinto saudades. Isso é normal?

- Ih..bem-vinda ao mundo dos amores virtuais. – dizia Betina brindando com um copo.

- E você acha graça? O que eu faço?

- Relaxa, Diana. Marca um encontro com o gato.

- Ai, Lili, eu acho que não tenho coragem.

E por mais alguns dias fiquei brigando com a minha coragem e curiosidade para convidá-lo para um encontro. Mas ele acabou sendo mais rápido e me convidou primeiro. O que eu faria? Aceitava ou não?

- Pára de ser boba, Diana. É claro que você tem que aceitar, mas precisa tomar alguns cuidados – me orientava Betina – Marca com ele em algum local público, em caso dele ser um louco tarado, você grita e todos vão te ouvir. Diz que você vai com uma roupa, mas vai com outra completamente diferente.

- Mas você vai comigo?

Depois de muita insistência, Betina aceitou me acompanhar no encontro e eu aceitei conhecê-lo. Marcamos num shopping do centro da cidade. Ele disse que estaria de jeans e camisa azul e eu de vestido amarelo. Fui de rosa, claro. A Betina ficou sorrateiramente me espionando sentada no banco do shopping. Na hora e local marcado, cheguei. E logo avistei um homem com a roupa que ele me disse no local combinado.

Meu coração acelerou. E agora? Minha vontade era de sair correndo do shopping, mas eu não podia fazer aquilo. Fui me aproximando vagarosamente.

- Alexandre? Gatinho manhoso?

- Diana!!! – ele disse me medindo dos pés a cabeça e me dando um beijo e um abraço.
Ele não era de se jogar fora, mas era completamente diferente do que eu imaginei.

- Poxa, você é bonita mesmo hein?

- Ah, obrigada. – preferi não dizer o mesmo.

Fomos tomar um suco na praça de alimentação, enquanto a Betina nos seguia sorrateiramente. Começamos a conversar sobre nossas vidas, perguntávamos sobre coisas que já tínhamos conversado na internet. A conversa até que fluiu legal, mas a minha ansiedade continuava.

- Achou que eu era um monstro?

- Ai, que isso.

- Pode confessar. Conheço bem esse lance de encontros às escuras.Logo imaginei que você não viria com a roupa que me disse e que também estaria acompanhada.

- Acompanhada? Eu?

- Ou você acha que eu não percebi a sua amiga nos espionando?

Fiquei super sem graça com a declaração. O cara era realmente um expert em encontros virtuais. Isso não me cheirava bem porque para quem tem tantos encontros, alguma coisa errada tem. Acabei desmascarando a Betina que se juntou a nós.

Ao final do encontro, prometemos continuar se falando pela internet e a manter nossos encontros virtuais. E ele se despediu com um beijo na minha boca.

- Nossa, amiga, um gatinho...

- É todo seu.

- Como assim , Di?

- Desanimei.

- Eu não te entendo. Estava aí toda ansiosa para sair com o gatinho manhoso e agora amarela?

- Ah, eu acho que perdeu a graça. Preferia ele no mundo virtual. Me dava mais emoção.

E foi assim que minha iniciação no mundo dos amores virtuais terminou. Percebi que não nasci para isso. Deixo para a Betina que supre sua carência com esse tipo de relacionamento e com a Lili que, às vezes, alivia a tensão pela internet. Eu ainda prefiro os romances reais.

PAPO DE CALCINHA: E você já teve algum amor virtual? Gosta dos romances cibernéticos ou prefere os reais? Conte-nos sua história.

sexta-feira, outubro 08, 2010

MULHER DETETIVE


Por Letícia Vidica

- Diana, você vai ter que me ajudar. – dizia Lili com cara de desesperada entrando como uma loba enfurecida no meu apartamento.

- O que houve dessa vez? – perguntei sabendo que dali viria uma bomba.

- O Luis Otávio está me traindo.

- Grande novidade, né, Lili? – respondi sem espanto por conhecer bem o currículo do Don Juan.

- Dessa vez, é sério. E você vai ter que me ajudar a descobrir quem é a sirigaita.

- Pode me tirando fora dessa, Dona Liliana. Você tá cansada de saber que o Luis Otávio não presta e ainda quer confirmar? Que prova mais você precisa?

Eu bem que tentei, mas quando a Lili encucava com alguma coisa não tinha santo que a fizesse desistir. Ainda mais quando o problema se chamava Luis Otávio. Daí, lá vinha ela com uma idéia mirabolante de Sherlock Holmes. E aquela era mais uma. Como Sherlock não trabalha sozinho, eu quase sempre me metia de sua assistente.

- E o que você quer que eu faça?

- Vamos seguir o Luis Otávio. Ficar de tocaia para pegá-lo com a boca na botija.

- Tem certeza de que quer ver isso?

****

Ao contrário da Lili, eu nunca fui muito encucada. Dificilmente desconfiava de algo e, se desconfiava, não ia muito a fundo na história. Não sou muito a mulher detetive e me nego a ficar seguindo ou investigando a vida de um homem. Acho que se a desconfiança bate é porque o relacionamento não vale mais a pena.

Porém, teorias à parte, eu sou mulher. E nem sempre consigo bancar a durona. Foi o que aconteceu uma vez quando eu namorava o Pierre.

- Meninas, tô com a pulga atrás da orelha. Acho que o Pierre tá me traindo. – confessei às minhas amigas numa sexta ensolarada no bar do Pedrão.

- De onde você tirou essa idéia maluca? O Pierre devia ser canonizado. – dizia Betina.

- Não se esqueça que ele é homem, Betina. – emendava nossa Sherlock Holmes – Pode contar comigo pro que precisar. Acho mesmo que você tem que tirar essa história a limpo.

- Lá vem você botando pilha, Lili. Mas Diana, porque desconfiar dele agora? A essa altura do campeonato?

Era o que eu estava me perguntando há muito tempo. Qual seria o motivo da minha desconfiança. O Pierre sempre foi um namorado presente, nunca me deu motivos para que eu desconfiasse dele, mas de uns tempos para cá eu estava achando algumas atitudes dele muito suspeitas.

A primeira delas é que, outro dia, enquanto ele tomava banho o celular dele tocou. A gente nunca escondeu nada um do outro, mas sempre respeitamos a privacidade alheia. Ou seja, ele nunca fuçou no meu celular e nem eu no dele. Até aquela chamada. A curiosidade foi maior e fui olhar no visor e vi que uma tal de Lia era quem ligava.
Lia? O Pierre nunca me falou de nenhuma Lia? Seria uma amiga? Mas que amiga ligaria tão tarde da noite de um sábado? Preferi não atender, mas não ia ficar assim.

- Seu celular estava berrando aí. – disse sutilmente enquanto ele se enxugava. – Era uma tal de Lia. Quem é essa Lia? Eu conheço?

- Você atendeu meu celular? – perguntou nervoso.

- Calma! Para quê a raiva? Você sabe muito bem que eu não atendo o seu celular, mas não estou proibida a olhar o visor. E não foge do assunto. Quem é Lia, Pierre?

- É uma amiga do trabalho.

- E, por um acaso, vocês tem alguma reunião a essa hora da noite de um sábado?!

- Para de besteira, Diana. Eu lá sei o que ela quer comigo? Segunda-feira eu resolvo isso. Agora deita aqui e vamos relaxar um pouco.

Percebi que aquela tinha sido uma estratégia para mudar de assunto, mas a tal de Lia não tinha descido muito bem.

O segundo motivo foi que o Pierre começou a sair tarde do serviço quase todas as sextas-feiras, anulando ou atrasando nossos encontros. Incrível como toda sexta, tinha reunião.

- Di, não vai ficar brava? Não vou poder dormir na sua casa hoje. A gente tá enrolado num projeto aqui e não sei que horas vou sair.

- De novo?! Que projeto interminável é esse? A tal da Lia também vai te ajudar? – perguntei bufando.

- Diana, sem comentários. Nos vemos amanhã.

Quanto mais ele fugia do assunto, mais eu desconfiava dele. Aquilo estava me martirizando. Eu tinha que tirar aquela história a limpo. E foi o que eu fiz. Numa dessas sextas-feiras de reunião do Pierre, resolvi saber que tipo de reunião ele andava tendo. Levei minhas amigas a tiracolo e ficamos de tocaia na frente do trabalho dele.

- Diana, isso é loucura. Vamos embora. – Betina tentava me convencer.

- Eu não saio daqui enquanto não tirar essa história a limpo.

- Você está certíssima, amiga. Tem que dar o bote. – Lili me apoiava e estava louca para ver o circo pegar fogo.

Meia-hora depois, Pierre apareceu na porta do prédio acompanhado de uma loira que eu nunca vi mais oxigenada. Sem pensar e impulsivamente, abri a porta do carro e fui correndo na direção dos dois.

- Diana?! O que você está fazendo aqui?

- Ah agora está assustado? Pode ir me explicando tudo. Então é com essa mocréia que você tá se reunindo?

- Diana, vamos embora daqui. Não é nada do que você está pensando. Sem barracos, por favor.

- Ah porquê? Tá com medo é?

- Diana, a Lia...

- Ah então essa daí é a tal da Lia?

Antes que a loira se explicasse, um carro estacionou na nossa frente e alguém a chamou.

- Bem, Pierre, eu vou indo. Meu marido já chegou. Me desculpe pelo mal entendido.
Marido? Como assim, a loira era casada? Mas podia ser amante do meu namorado! Não acredito que paguei um mico desses!

- Satisfeita agora com o papelão? Não esperava isso de você.

- Pierre....Pierre...volta aqui.

Ele entrou no carro dele e me deixou sozinha feito uma palhaça, como eu me sentia, chorando no meio da rua. Rapidamente, as meninas vieram me socorrer e me levaram para casa. No caminho, expliquei toda a história para elas que tentaram me animar. Mas eu tinha certeza que depois daquele mico, tinha perdido não só a vergonha como o Pierre também.

***

Como eu estava dizendo, não tinha adiantado brecar a Lili nem mesmo depois de fazê-la relembrar da minha história. Lá fomos nós ficar de tocaia na porta da casa do Otávio.

- Lili, vamos embora. Ele não vai chegar. Olha que horas são!

- Aposto que ele tá no motel com alguma sirigaita, Diana. Eu conheço o meu eleitorado.

- Se conhece, nem deveria vir comprovar. Você já sabe da resposta.
De repente, fomos surpreendidas por uma sirene de polícia. Os policiais nos questionaram o que estávamos fazendo rondando a casa e que um vizinho tinha notado nossa presença suspeita e telefonado para eles. Final da história: fomos parar na delegacia. Passamos a noite no xadrez. Tudo culpa da loucura da Lili de querer bancar a detetive.

- Viu o que você fez? E agora quem vai nos tirar daqui? – eu bufava com a Lili que só chorava.

- Calma, meninas. Não foi por acaso que vocês conheceram uma amiga advogada. – dizia Betina que chegara para nos tirar do sufoco.

- Nunca mais me meta nessas suas maluquices, Lili!

- Desculpa, Di. Eu não imaginava que isso aconteceria.

- Ah não? Pois da próxima vez você vai bancar a detetive sozinha. Presa por causa do Luis Otávio, é só o que me faltava.

Fiquei brava com a Lili por uns dias, mas depois a perdoei. Afinal, amigo é para essas coisas, mas prometi a mim mesma que jamais bancaria a Sherlock novamente.

***

No fim da história, a Lili nunca soube se o Luis Otávio a traía e eu ...

...tentava me reconciliar com o Pierre. Fui novamente na porta do trabalho dele com a bandeira branca da paz.

- Podemos conversar? – perguntei gentilmente.

Ele me olhou com cara de poucos amigos. Despediu-se da Lia que mais uma vez descera com ele. Até eu a cumprimentei e pedi desculpas pelo mal entendido.

- Diana, o que deu em você? Mal te reconheci.

- Me desculpe, Pierre. Eu não sei o que deu em mim. Mas eu fiquei possessa de desconfiança e com medo de te perder.

- E eu te dei algum motivo para isso?

- Você não, mas eu criei motivos na minha cabeça.

- Desconfiar de mim. Que bobagem! E ainda mais com a Lia. Se quer saber, ela é bem bonita e atraente sim. Mas eu não a trocaria por ela. Prefiro você. Sem contar que a Dona Lia é muito bem casada viu?

Eu fiquei com cara de tacho, ele riu de mim e no fim nos beijamos. Respirei aliviada por não perdê-lo. Pelo menos, não foi por aquilo que ele saiu da minha vida.

PAPO DE CALCINHA: E VOCÊ JÁ BANCOU A MULHER DETETIVE? SE DEU BEM OU MAL EM SUA INVESTIGAÇÃO?

quinta-feira, setembro 30, 2010

SOLTEIRO SEM DINHEIRO


Por Letícia Vidica

Ficar solteira tem seu lado bom, mas vamos combinar que também tem algumas desvantagens. Não só emocionais como financeiras. Ficar solteira é sinônimo de prejuízo – pelo menos para nós mulheres (aos homens se aplica a regra inversa).

- Vamos para onde hoje, meninas? – perguntava Lili empolgadíssima e pronta para balada.

- Eu só estou indo do quarto para sala – eu respondia ao checar minha conta bancária no internet banking.

- Ah, gente, vamos ficar em casa?!

- Eu, pelo menos, vou, Lili. Tô lisa. Mal tenho dinheiro para comprar o pão de amanhã.

- E o cartão de crédito?

- Tá estourado.

- E o limite do banco?

- Já estou no limite do limite. Nessas horas até sinto saudades do Pierre...

- Lá vem você metendo homem na conversa – resmungava Betina que ouvia nossa conversa enquanto fumava na varanda.

- É, sério, gente. Quando eu estava com o Pierre, eu mal abria a minha carteira. Ele ficava furiosíssimo se eu quisesse pagar a conta... e o pior é que a besta aqui insistia em dividir...direitos iguais. Que besteira! Devia era ter feito uma poupança para quando ele me desse um pé na bunda.

- Não, exagera, Diana. Eu pago para você. Depois você me acerta. – dizia Lili, a endinheirada da turma. Eu até me esquecia que para ela dinheiro não era problema.

Uma das coisas boas é ter amigas. Elas sempre te ajudam quando você está na pindaíba. E, o melhor de tudo, não te cobram nunca. É uma dívida eterna. Uma mão lavando a outra.

Apesar de eu ter amigas para me socorrer nos desesperos financeiros, nem sempre me sinto à vontade de recorrer a esse meio. Ás vezes, prefiro inventar outra desculpa a sempre ter que pedir emprestado. “Ah, hoje eu não estou afim”, “Estou com dor de cabeças”, “Já tinha outro compromisso” e assim vai.

Ficar solteira e na caça de um príncipe é investimento e prejuízo dobrado. A gente gasta para arrumar o cabelo e fazer as unhas no salão para ficar bonita para conseguir um peixe. A gente gasta para comprar aquele vestido que você namorou a semana inteira e vai combinar perfeitamente com a balada. A gente gasta para abastecer o carro, para pagar o estacionamento, para pagar a entrada da balada, para pagar as bebidas, os aperitivos...e em alguns casos até o motel do fim de noite. Não há conta bancária que agüente.

- Definitivamente, vou dar um tempo nas baladas. Olha só esse rombo na minha conta e no cartão de crédito?! – eu choramingava ao abrir o meu extrato bancário e a fatura do cartão– Como eu pude gastar tanto assim?

- Realmente, acho que a gente tem saído demais. Eu também vou ter que dar uma maneirada ainda mais agora que estou querendo ir para Europa nas férias. – planejava Betina.

- E eu? Vou sair sozinha? Ah, não. Eu protesto.

- Protesta o quê, Lili? E você vai pagar as nossas contas, por um acaso? – gritava Betina inconformada.

- Ai, que saudades do Pierre...que tempo bom que não volta nunca mais.

- Pelo menos, você tem um tempo bom para se lembrar. Pior sou eu que só pego pé rapado e sempre divido a conta. Se bem, que eu me nego a ser bancada. – dizia Betina

- Por isso, fica aí choramingando que não tem dinheiro para viajar para Europa. Acho que vou ligar pro Pierre...

- Falando nisso, o Otávio foi lá em casa ontem...me pedir uma grana emprestada...

- Até quando você vai ficar bancando aquele pé rapado, Lili? Você, uma donzela, rica de berço... ao invés de arrumar um herdeiro vai ficar bancando assalariado?!

Esse tipo de discussão entre amor e dinheiro quase sempre era longa. Mesmo sendo amigas, nossa situação financeira é bem diferente. A Lili não tem noção do que é dinheiro. Ela nunca precisou correr atrás dele, ela tem ele! A Betina é dona do próprio negócio, ótima administradora, mas às vezes passa por uma maré brava. E eu, assalariada, dependo do meu mísero salário no fim do mês que nunca dá para pagar todas as contas que despencam na minha cabeça. Por isso, essa minha insistência em não ficar sozinha e ter alguém RICO, RICO, tá me ouvindo Deus?

***

- Que tal um filminho e uma pipoquinha hoje, meninas? – dizia Betina com uma voz angelical nada típica.

- Eu acho ótimo. – concordei prontamente sem ter que assumir que não tinha dinheiro para mais uma balada.

- Ah, tá bom. – incrivelmente até Lili concordou com o programinha caseiro.

Quando isso acontecia, uma coisa era certa. Estávamos duras. Ninguém admitia muito, mas todas nós sabíamos que estávamos na mesma lama. E era bem legal porque a gente curtia juntas e nos divertíamos da mesma forma.

Essa é mais uma vantagem. Ter amigas que também ficam na pindaíba como você e até nisso são unidas.

- Nossa, eu ia adorar uma pizza e uma cervejinha agora hein? – dizia Lili com água na boca.

- Ai, meninas, a pipoca tá uma delícia...- disfarçava Betina.

- Eu também acho. – concordava.

- Já sei...estamos lisas né? – questionava Lili.

Imediatamente nos olhávamos e ríamos admitindo a nossa dureza. Daí, a gente juntava nossas moedinhas, víamos quem tinha mais limite no cartão e no banco. E com a grana da vaquinha a gente comprava uns aperitivos para comer e ficarmos numa boa.

Mesmo curtindo esses momentos, admito que minha conta continua no vermelho e, se você souber de alguém para me deixar no azul, pede para passar lá em casa...antes que eu tenha que ligar para o Pierre.

PAPO DE CALCINHA: VOCÊ TAMBÉM ACHA QUE FICAR SOLTEIRO (A) É SINAL DE PREJUÍZO? COMO FAZ PARA DRIBLAR A 'GASTANÇA'?

segunda-feira, setembro 06, 2010

TÔ CARENTE


Por Letícia Vidica

- Ih, Diana, que cara é essa? – perguntava Lili ao me ver vestida de moleton, meia, chinelo e deitada no meu sofá numa noite quente de sábado.

- Tô carente! – eu confessava.

Eu estava passando por mais uma daquelas fases de carência afetiva incuráveis. Daquelas bem bravas que nem um brigadeiro de panela e o filme Titanic estavam curando.

- Ninguém me ama, ninguém me quer.

- Mas achei que você ainda estava com aquele gatinho...

- Que nada! Sumiu. Como todos os outros. Já olhei na minha agenda do celular e vi que estou super desatualizada, nenhum número novo para chamar de meu...

- Amiga, alto astral. Pode tomar um banho, colocar um roupinha e vamos para balada. Não existe lugar melhor para curar essa carência.

Para a Lili era na balada que tudo se resolvia. Ela costuma dizer que a noite é a cura de todos os males. E, naquela noite, ela acreditava que seria a cura do meu mal. E eu também.

Em menos de duas horas, estávamos na fila da balada mais badalada da cidade vestidas para matar.

- Diana, dá para mudar essa cara de bosta? Como você quer arrumar alguém com essa cara de velório?

- Ai, Lili, eu não tô legal. Acho que eu vou embora.

- Nada disso! – dizia Lili me puxando pelo braço – olha só quantos gatinhos! Relaxa e confia em mim.

Resolvi confiar. Entramos e logo nos encostamos no bar para beber algo. Lili foi logo pedindo a sua tradicional vodka e eu ainda olhava indecisa o que eu pediria.

- Um duplo para mim e um daqueles coquetéis especiais para gatinha aqui. – dizia o homem ao meu lado. – Se importa?

- É claro que ela não se importa – respondia Lili por mim.

- Prazer, Luis Gustavo. E qual o nome dessa princesa?

- Ela se chama Diana. – mais uma vez ela respondia para mim. Eu estava tão desanimada e desatenta que mal conseguia ver o gato que começava a me paquerar.

Ele estendeu a mão e eu continuei estática até a Lili me dar um beliscão e eu sair daquela transe.

- Ops, desculpe, é que eu não estou muito bem hoje.

- E posso saber por que uma gata linda dessas está triste?

Minha vontade era de responder que era porque ninguém me queria, que eu seria eternamente uma encalhada e que eu estava carente. Mas acho que de nada adiantaria me abrir para ele.

- Uns probleminhas, mas nada demais. Não quero estragar a sua noite.

- Estragar? Te conhecer só melhorou a minha noite.

Diante da minha carência exacerbada, resolvi ficar com o cara a noite toda e escutando aqueles xavecos baratos de balada. Eu estava precisando de uma massagem no ego né? Ficamos, demos uns beijinhos e amassos. Ele até sugeriu que eu fosse para o apartamento dele, mas não era o que eu queria.

- Como assim? Um Deus de ébano te oferece uma noite de amor e você recusa? – perguntava Lili abismada com a minha negativa enquanto voltávamos para casa.

- Vai devagar com o andor, Lili! Não é porque eu dei uns beijinhos no cara que sou obrigada a dar para ele!!!

- Depois reclama que está carente...

- E estou mesmo. E não vai ser na noite que eu vou me curar. Poxa, Lili. Estou cansada de sair, pegar um monte de caras, ouvir xavecos furados e não dar em nada. É tudo muito vazio. Me sinto uma boneca inflável! Não é isso que eu quero. Quero mais. – desabafei.

E eu realmente estava querendo mais. A noitada só tinha piorado a minha carência. Eu queria ter alguém para me envolver, alguém para dividir e somar comigo e não apenas um macho para me tirar do cio. Aquela balada só me fez perceber o quanto estava difícil encontrar um cara legal. E será que eu encontraria?

Passei o domingo bem down, assistindo filmes românticos melosos e a relembrar os bons momentos que vivi com o Pierre. Nesses momentos de carência, a gente quase sempre acaba lembrando de relacionamentos passados e a saudade começa a bater. E
sempre faço uma bobagem quando isso acontece. Foi o que eu fiz. Liguei pro Pierre.

- Oi, Diana, tudo bem? Quanto tempo!

- Pois é...liguei só para...só para...saber se você está bem. – mentira! Eu tinha ligado para implorar para ele voltar para mim ou para, pelo menos, me tirar daquela depressão afetiva profunda.

- Eu estou ótimo. E você? Fazendo o que de bom?

Adiantaria se eu dissesse que estava desesperada, carente e chororô?

- Ah, estou em casa de bobeira. Tá afim de bater um papo?

Combinamos de nos encontrar em uma hora e fomos ao bar do Pedrão beber umas cervejas. Eu apostava que aquele encontro me tiraria da carência profunda.

- Bom te ver, Di. Quais são as novidades?

- Novidades? – o que eu diria? – trabalhando bastante, saindo...

- Aposto que tá namorando também.

- Eu? Namorando? Que isso! Tô sem cabeça para isso agora. – mais uma daquelas mentiras femininas que sempre colam. Eu estava louca para namorar e ele podia ser o meu namorado né? – E você?

- Eu estou conhecendo uma pessoa aí...

Como assim? O Pierre estava com outra?

- Poxa, que legal. Espero que seja uma mulher bacana. Você merece!

Aquela revelação tinha me afundado ainda mais na minha carência. Percebi que o Pierre só me queria como amiga e que eu não mais fazia parte dos planos dele. Além disso, percebi a besteira que eu tinha feito ao sair com ele. O Pierre tinha conhecido uma garota e parecia bem empolgado com ela.

- Bê, eu não sei mais o que eu faço...até o Pierre já se arranjou. Já fui para balada, saí com o ex...estou quase me matando e essa carência não passa.

- Diana, você tem que ter paciência.

- Até quando, amiga? Será que eu nunca vou encontrar alguém que me mereça?
Adoraria que a Betina tivesse me respondido, mas era mais uma daquelas perguntas que só Deus saberia me dizer, mas até agora ele não disse. Enquanto isso, eu aguardo um sinal. Será que vai demorar demais?

PAPO DE CALCINHA: Qual é a sua receita para os momentos de carência?

quinta-feira, agosto 19, 2010

OU ELA OU EU


Por Letícia Vidica

Nunca faça essa pergunta a um homem comprometido. Ainda mais se você estiver com ele, mas não for o compromisso dele. Apesar de saber disso, ter lido milhões de livros de auto-ajuda feminina, eu me esqueci de tudo naquele momento e foi o que perguntei ao Alan naquela noite fria de quinta-feira no sofá do meu apartamento.

- Ou ela ou eu. Não agüento mais essa situação. Você tem que decidir.

Antes que eu diga o que ele me respondeu, vou explicar a vocês quem é o Alan.

Por mais que eu saiba o fim da história, eu insisto em cometer algumas burrices mais de uma vez e uma delas é se me envolver com homens comprometidos. É problema na certa, mas parece que eles exalam um cheiro mais gostoso sabe?

O Alan trabalha comigo. Ele é do departamento financeiro. Eu nunca tinha achado a menor graça nele. Para mim, era apenas mais um homem comprometido da minha empresa. Compromisso que o brilho da sua aliança não deixava que eu esquecesse.

Num desses happy hours lá da agência, depois de muito beber, comer frango a passarinho e falar mal do chefe, lembrei que estava tarde e que meu carro estava na mecânica. Educadamente, aceitei uma carona do Alan. Não vi nenhum problema nisso já que ele morava a duas quadras da minha casa.

- Nossa, a hora passou e eu nem vi. Duas da manhã já. Sua namorada não reclama não? – eu perguntava enquanto ele me levava para casa.

- Ela não liga muito não. Acho que já se acostumou.

- Aposto que ela já deve ter te ligado mil vezes...

- Ela não é de pegar muito no pé não. Sou um bom homem. – ele disse com sorriso irônico e lançando um olhar 43 para mim.

Fiquei um pouco nervosa e preferi encerrar o assunto, mas ele insistiu.

- Você não acha que eu sou um bom moço?

- Ah, não sei. Eu mal te conheço, Alan. – desbaratinei.

- Não conhece porque não quer. – mais uma vez, ele me olhou ao estilo 43.

Por sorte ou azar, o carro parou na frente do prédio.

- Obrigada pela carona.

- Vai descer assim? Não mereço nada pelo sacrifício?

- Alan, vai para casa que teu problema é cachaça. Sua mulher deve estar te esperando... para de bobagem!

- Quem disse que é bobagem? Eu não sou homem de brincadeira.

Ele me puxou pelo braço e me roubou um beijo. A minha primeira vontade era de ter virado um tapa na cara dele, mas logo mudei de idéia ao sentir melhor o sabor daquele beijo e provar da pegada que ele tinha. Quem diria hein, Alan?


***

- Você não aprende não, Diana? Outro cara comprometido? –preciso dizer que a Betina estava me recriminando?

- Bê, foi ele quem me beijou. Eu ia fazer o quê?

- Eu só espero que você pare por aí porque a senhorita bem sabe o fim da história né?

- Pois é.Vamos sair hoje.

- O QUÊ???? – berrou Betina indignada com a minha aceitação.

Depois daquele beijo, não conseguia mais olhar para o Alan na empresa. E quando eu olhava, era um olhar diferente. Parecia que da noite pro dia ele tinha ficado mais interessante.

Eu tentava evitá-lo ao máximo para que ninguém percebesse, mas ele me procurava insistentemente. Me mandava milhões de emails pedindo para sair comigo, pedindo meu telefone, ficava me paquerando na hora do almoço...gente, eu sou de carne e osso né? Uma hora eu ia ter que ceder. E cedi.

E lá estava eu bebendo uma cerveja num bar qualquer com o Alan, o homem compromisso. Mas era apenas uma saída de amigos ou, pelo menos, era o que tinha que ter sido.

- Eu não sei o que eu estou fazendo aqui com você, Alan! – eu disse tentando dar uma de durona. – Quero deixar bem claro que eu só saí com você por que... por que...

- Porque você está tão afim de mim quanto eu de você. – dizia o Alan se gabando do seu poder sedutor – Pára de bancar a durona, Diana. Vamos curtir o momento.

- Não é uma questão de ser durona. E o que eu faço com essa aliança no seu dedo? Você namora!!!

Descobri que ele não só namorava há quatro anos, como tinha planos de se casar com ela. Eu não podia amarrar o meu burro ali, mas, infelizmente, eu amarrei.

Aquela foi apenas a primeira de muitas outras saídas que tivemos. De um rolo casual, eu me transformei literalmente na outra. Ele passava mais tempo no meu apartamento do que na casa da namorada. Isso fazia até com que eu pensasse que ela era amante e eu a namorada. Mas sempre caía na real quando falávamos sobre nossa relação.

- Você vai me enrolar até quando hein, Alan? – perguntava enquanto acariciava seus sedosos cabelos deitados no meu colo.

- Como assim enrolar? Eu não estou aqui todinho para você, minha flor?– disse me roubando um beijo que sempre me derretia.

- Você sempre diz isso, Alan. Eu falo sério. Estou cansada de ouvir suas promessas de que vai largar sua namorada, de que o relacionamento não está legal, mas você nunca cumpre...

- Eu não te prometi que vou terminar? Confia em mim, gata.

O pior é que eu sempre confiava e assim ele ia me enrolando. Já eram quase seis meses de enrolação. E a cada dia eu estava mais e mais apaixonada por ele. A única coisa que me crucificava era o fato dele não ser só meu. Era pensar que ele beijava a boca dela, que ele dizia que a amava, que ele estava com ela quando não estava comigo...

- Aposto que o Alan está na casa daquela piranha – eu dizia andando de um lado ao outro da minha sala aguardando ansiosa por uma ligação dele – Ele disse que ia aparecer!

- Diana, calma. Você está careca de saber como é. Se você se sujeitou a ser a outra então agüenta... – falava Betina tentando me trazer à realidade.

- Ai, Be, estou cansada de tudo isso. Estou cansada das promessas do Alan. Já faz seis meses que estamos juntos e até agora ele só fala e nunca termina com ela.

- Diana, pára de ser adolescente. Parece até que você não sabe que um homem dificilmente vai trocar um relacionamento de anos por uma aventura de seis meses.

- Mas ele prometeu, Be!

- E você vai acreditar?

Aquela era a resposta que eu não tinha com muita certeza. Eu não acreditava nas promessas do Alan sobre sua separação, mas eu me enganava fingindo acreditar só para não perdê-lo. Isso me condenava. O tormento era tanto que eu acabei resolvendo dar um xeque mate.


Numa quinta-feira quando o Alan foi para a minha casa depois do trabalho...

- O que houve, gata...está tão fria...vem aqui para um chamego.

- Hoje não tem chamego, Alan. Hoje tem DR. Ou ela ou eu. Não agüento mais essa situação. Você tem que decidir.

- Como assim? – perguntou com cara de assustado.

- Como assim, digo eu. Faz seis meses que estamos juntos e é sempre a mesma história. Vai terminar, terminar e nada. Vai me enrolar até quando? Chega! Ou ela ou eu.

- Diana, eu não posso tomar uma decisão assim. Eu já te disse que eu vou acabar.

- Disse e não fez. Então, por favor, até você se decidir não me procure mais.

E foi assim que o Alan saiu por aquela porta e saiu da minha vida. Eu confesso que tinha esperanças de que ele retornasse, de que ele terminasse o relacionamento com a namorada, mas não foi o que aconteceu. Ele não era homem suficiente para arriscar. Sofri muito, mas resolvi seguir em frente.

Depois do nosso fim, a nossa relação ficou um pouco abalada. Quase nem nos olhávamos no trabalho. Acho que a gente se evitava não por ódio, mas por medo da chama se acender novamente.

Até que um dia, cheguei na agência e o pessoal estava fazendo uma comemoração.

- Nossa o que houve? Ganhamos um novo cliente? – perguntei sem saber de nada.

- Não, Di. O Alan vai ser papai! – dizia a secretária.

Fiquei tonta, engoli o choro e tentei disfarçar o máximo que pude. Estendi minhas mãos para as dele e dei os parabéns. Ali encerrava a nossa história. Se eu tinha alguma esperança em que ele mudasse de idéia e optasse por mim, ela tinha morrido ali mesmo.

- Desculpe não ter te falado nada... sei que é chato você saber assim de repente – dizia Alan cabisbaixo no fumódromo da agência.

- Você não tem que se desculpar. Você fez uma escolha.

- Foi você quem escolheu Diana. Eu não queria terminar com você.

- E também não queria terminar com ela. Assuma que você nunca teria coragem de jogar tudo pro alto e ficar comigo né? É muito mais fácil ir levando no banho maria.

- Eu estava confuso.

- Todo homem quando não sabe o que quer fala que está confuso. Mas eu estava bem decidida. Se você não me quer, tem quem queira. Seja feliz com a sua namorada e com o seu filho ok?

- Diana, Diana... volta aqui!

Dei as costas para não ter que ouvir o mesmo repertório e para não cair na mesma ladainha. Eu ainda estava bem envolvida com ele, mas não dava mais para fazê-lo optar. Aquela gravidez era a opção maior. Prometi a mim mesma que não mais me envolveria com homens comprometidos ou, pelo menos, não ousaria mais perguntar “Ou ela ou eu”.

PAPO DE CALCINHA: VOCÊ JÁ DEU UM XEQUE-MATE EM ALGUM HOMEM COMPROMETIDO E SE DEU MAL? SE VOCÊ FOI A ESCOLHIDA, CONTE A FÓRMULA DE SUCESSO PARA GENTE.

terça-feira, agosto 10, 2010

GAROTO CHICLETE


Por Letícia Vidica

- Oi, coração! Bom dia! Te liguei só para saber se minha bonequinha dormiu bem.

É, isso mesmo que você está pensando. A "coração" e a "bonequinha" do outro lado da linha era eu.

- Oi, Gustavo, tudo bem? Eu estou ótima sim. Nas últimas duas horas que você me deixou sozinha, nada aconteceu. Pode ficar bem tranqüilo.

Fazia menos de duas horas que o Gustavo tinha deixado o meu apartamento. A cama mal esfriara e ele já estava me ligando para dizer que estava morrendo de saudades. Nem me assustei porque isso fazia parte de um ritual que eu estava tentando me acostumar.

Eu conheci o Gustavo numa festa de aniversário de uma amiga de trabalho. Conversamos um pouco, dividimos algumas latas de cerveja e tragadas de cigarro, ele me ofereceu uma carona, eu aceitei, trocamos telefones, saímos uma vez, ficamos e ele não larga mais do meu pé.

Não que ele seja um cara desinteressante, mas o problema é que o Gustavo é do tipo meloso. O típico Garoto Chiclete. Um grude na minha vida. Me liga de manhã para dizer "bom dia", de tarde "para dizer boa tarde" e de noite "para dizer boa noite". Se não bastasse isso, ainda aparece de surpresa quase todos os dias lá em casa e tem uma preocupação excessiva comigo. Sem contar que fica me chamando de nomes no diminutivo de forma babaca e idiota. É coraçãozinho para cá, lindinha para lá e assim vai.

- E porque você não dá um pé na bunda dele, Diana?

- Ai, Be, eu não sei. Ainda tenho esperança de que ele vai mudar. Ele é um cara legal, beija bem, faz amor gostoso, o que me irrita é essa pegação no meu pé.

- Falando no chicletinho, olha ele vindo aí...

Ao olhar para trás, me deparei com Gustavo entrando pela porta principal do bar do Pedrão. Eu confesso que tinha odiado a surpresa. Eu havia dito para ele que eu ia sair com as meninas.

- Oi, gatinha. Gostou da surpresa? - dizia Gustavo me dando um beijo na mão, outro na minha testa e sentando já agarrado ao meu lado - Desculpa atrapalhar, Betina, mas eu não consigo ficar mais de um minuto longe do meu coraçãozinho.

- Que isso, fica à vontade! - dizia Betina tomando um gole de chope para conter o riso.

Ficamos por cerca de uma hora jogando conversa fora, mas eu já estava me sentindo sufocada com aquele cuidado todo, aquelas babações para cima de mim e resolvi fingir que estava cansada e que queria ir para casa.

- Ah, docinho, tá cansadinha tá? Eu te levo para casa - dizia Gustavo alisando a mão em meu rosto e praticamente me pegando no colo.

Tentei convencê-lo de que a Betina poderia me levar para casa, que eu não queria tirá-lo do caminho, mas não adiantou. Ele insistiu em me levar para casa.

Chegando à porta do meu prédio, dei um beijo nele e fui saindo do carro, mas ele me puxou pelo braço e me beijou novamente.

- Não consigo ficar um minuto sem beijar essa boquinha linda, sabia?

Mal ele sabia que estava odiando aquela beijação toda.

- Não vai me deixar subir, gatinha? Adoraria fazer uma massagenzinha nos seus pezinhos.

- Me desculpe, Gu, estou morrendo de dor de cabeça.

- Ai, meu neném tá dodói tá? – dizia me apertando a bochecha da maneira que eu mais odiava – mas tudo bem! Vou deixar meu coraçãozinho nanar e amanhã cedinho estou aqui.

- Gu, não precisa vir cedo não. Eu vou ao shopping amanhã. Preciso fazer umas comprinhas. – eu disse com a esperança de que ele desistisse.

Inútil tentativa a minha. No dia seguinte, praticamente antes do sol raiar, Gustavo já estava de prontidão na minha casa.

- Não acredito que o Gustavo vai fazer compras com a gente! – questionava Lili enquanto eu pegava a minha bolsa.

- Eu tentei de tudo, amiga. Mas ele não se tocou. O negócio é encarar agora.

E lá fomos nós três fazer compras no shopping. Eu nunca imaginei o quão era horrível ir às compras acompanhada e pior ainda era ir acompanhada de alguém que te tratava como um poodle e opinava em tudo que você queria comprar. Se não bastasse escolher até o seu absorvente.

- Adorei essa calcinha, amore. Acho que você devia comprar. – dizia Gustavo enquanto escolhia calcinhas e soutiens para mim.

Na tentativa de tentar acabar logo com aquele martírio, reduzi as minhas habituais quatro horas de compras no shopping a uma hora e meia.

- Gu, se você quiser, pode ir para casa agora. Amei a sua companhia, mas eu e a Lili temos hora marcada no salão do Beto.

- Faço questão de acompanhar as damas, amorzinho.

- Não precisa se incomodar, Gustavo – dizia Lili com olhos suplicantes para mim como quem pede socorro.

E não adiantou de nada suplicar. Ele nos levou até o salão de cabeleireiro e ficou sentadinho esperando a gente fazer unhas, depilação, escova, hidratação. Detalhe: tirando o Beto, que é meio homem, ele era o único naquele ambiente.

- Meninas, quem é aquele bonitão ali? – perguntava o meu cabeleireiro enquanto fazia uma chapinha no meu cabelo.

- Ih, Beto, pode tirar o olho que aquele ali é o novo peguete da Diana – respondia ironicamente Lili enquanto esperava secar as unhas.

- Chiclete, você quer dizer né, Lili?

- Ih, pelo jeito, a coisa tá feia hein? Achei o máximo o bonitão ficar te esperando. Que romântico!

- Não vejo nada de romântico nisso, Beto. Desde que a gente começou a sair, eu não consigo mais respirar. Não tenho um minuto de paz. Se eu espirro, ele diz saúde! – desabafava.

Passamos o restante do dia a falar sobre a melação do Gustavo e mesmo com a demora rotineira de um salão de belezas, o Gu não arredou o pé.

- Nossa, como o meu coração está uma gata! – elogiava o resultado da espera.

- Te fiz esperar demais né? Você deve estar cansado. Não quer ir para casa tomar um banho?

- Na sua ou na minha?

Mais uma tentativa em vão na esperança de eliminar o Gustavo do meu dia. Ele não só tomou banho na minha casa, como preparou um jantarzinho para nós dois, fez massagens nos meus pés e me fez ninar. Tudo perfeito se eu não estivesse de saco cheio de tanta perfeição.

- Eu não agüento mais, Betina! – desabafava no telefone com a minha amiga num valioso minuto de paz.

- Dá um pé na bunda dele.

- Se fosse tão fácil, eu já teria dado. O Gustavo não me deixa pensar, não me deixa respirar...agora mesmo...aproveitei que ele foi na padaria e liguei para você.

- Acho que isso já passou dos limites né? Ele já é bem crescidinho para entender que a coraçãozinho dele não tá mais afim.

- E você ainda consegue ironizar?

Minha amiga estava certa. Eu ia ter que driblar todo aquele mel e dizer com minha amargura de que não dava mais. Foi o que tentei durante todo aquele dia, mas os carinhos e as lambeções do Gustavo não me deixavam falar. No fim do dia, quando finalmente ele resolveu ir para casa dele, eu disse.

- Não precisa mais voltar, Gu. – pronto, falei.

- Como assim, coraçãozinho? – perguntava com olhos tristonhos.

- Pelo amor de Deus, não me chama de coraçãozinho. Eu não sou o seu coraçãozinho.

- O problema é esse? Tudo bem, gatinha, eu não te chamo mais assim.

- O problema não É só esse! Você me sufoca, Gustavo. Eu adoro ser mimada sim, mas toda hora tá difícil. Você não me deixa respirar. Desde que você entrou na minha vida, eu não sei o que é ter um minuto de privacidade.

- Me desculpa, co...digo, Diana. Eu só queria te fazer feliz.

- Eu agradeço, mas eu jamais serei feliz assim.

Gustavo me olhou com olhos de cão tristonho – confesso que fiquei com dó dele e me senti uma bruxa – mas era necessário. Se eu não fosse dura, jamais ele iria entender.

E ele realmente demorou a entender. Resolveu mandar flores, bombons e ursos de pelúcia para reconciliar. Mais uma prova de que se eu perdoasse, a melação continuaria. Resolvi ignorar os presentes e as ligações insistentes. E resolvi também que não quero mais saber de chiclete na minha vida. Se for Bubballoo então, estou saindo fora.

PAPO DE CALCINHA: VOCÊ JÁ SE RELACIONOU COM ALGUM HOMEM GRUDENTO? COMO FEZ PARA QUE ELE SAÍSSE DO SEU PÉ?

domingo, agosto 01, 2010

PACTO DE BUBALOO


Por Letícia Vidica


Depois da minha família, as minhas amigas são a coisa mais importante da minha vida. Eu nunca fui de ter muitas amigas, mas as poucas amizades que conquistei sempre foram muito profundas.

Amigo para mim tem que ser alguém que me dê lealdade, que ofereça o ombro para chorar, que puxe a orelha nos momentos que eu estiver errada, que ria comigo, chore comigo, lute comigo e que eu possa sempre contar. Graças a Deus, encontrei isso nas minhas amigonas do peito Lili e Betina.

Quem olha a primeira vista pode até achar que somos como água e óleo. Não se misturam e jamais daria certo. Porém, uma completa a outra. O que uma não tem, a outra oferece.

***********

A Betina é a mais realista do trio. Talvez por ser mais velha do que eu e a Lili, é aquela amiga meio mãe. Sempre tem uma palavra dura e uma bronca para nos dar, mas por incrível que pareça a gente sempre reflete depois.

No começo foi um pouco difícil me acostumar a esse jeito general dela, mas a Betina em muitos momentos é quem me coloca nos eixos e me traz à realidade.

Ela é dona do próprio nariz e do próprio negócio. Minha amiga é advogada e tem seu próprio escritório de advocacia. É super bem resolvida com a vida e consigo mesma. Ao contrário de mim e da Lili, homem não faz parte de seus planos. Cansada de sofrer por eles, Betina simplesmente resolveu (praticamente) abolí-los da sua vida. Com exceção àqueles momentos em que o corpo fala mais alto e o vibrador não resolve.

Conheci a Betina num happy hour da minha agência. Ela era advogada de um dos clientes de lá e acabou fazendo amizade com a galera e nos apresentando o bar do Pedrão. À primeira vista,nosso santo não bateu.

- Que cara é essa, Diana? - perguntava Paula, uma colega de trabalho, enquanto todos riam na mesa do bar.

- Tô meio para baixo mesmo.

- Aposto que tem homem no meio. Mulher quando fica assim. Ou levou um pé na bunda ou ... - palpitava a intrometida da Betina, já dando sinais de sua realidade ríspida.

Naquele momento, fiquei muito puta com ela. Quem ela pensava que era para ir me julgando daquela maneira?

- Agradeço o seu palpite, Belina. Ops, Betina, né? Esse é o seu nome né? Mas não tem nada a ver com homens ok? - disse com faísca nos olhos.

O clima ficou meio chato depois disso e eu resolvi ficar quieta o resto da noite para não pular no pescoço daquela intrometida. Fiquei com mais raiva ainda porque ela me parecia uma mulher segura de si, totalmenre ao contrário do meu poço de insegurança. Todos ouviam atentamente suas histórias, seus conselhos e ela sempre parecia ter uma resposta afiada na ponta da língua.

No fim do happy hour, me toquei que estava sem carona para ir para casa e, quando me dirigia para pegar um táxi, Betina apareceu buzinando.

- Quer uma carona?

Eu olhei com desconfiança e, antes que eu dissesse não, ela me interrompeu.

- Pode ficar tranquila, Diana. Não vou perguntar mais nada sobre a sua vida. Inclusive, como forma de desculpas, entra'í que eu te dou uma carona.

Daquele momento em diante, a Betina não só me deu uma carona, como me deu a honra de sua amizade. Descobri que por trás daquela armadura de ferro, existe uma grande mulher. Uma mulher segura que em muitos momentos eu almejo ser. E quando não sou é para ela que eu corro atrás de colo. E lá está minha amiga, mãe, irmã pronta para me dar um conselho, quase sempre acompanhado de uma bronquinha leve ou pesada, mas amigo é para essas coisas né?

****************************

A Lili é a emoção da relação. É a mais insegura de todas. Não consegue viver sem um homem ao lado e é capaz de tudo e de dar tudo (literalmente) para ter um macho do lado. O problema da minha amiga é que ela sempre se envolve com os caras errados. Só beija os sapos. Quase nunca os príncipes. E está sempre acreditando que vai viver um lindo romance como nos filmes de Hollywood.

Ao contrário de mim e da Betina, dinheiro não é problema para ela. Lili, ou melhor, Liliana Bittencourt nasceu em berço de ouro. Filha de um grande empresário gaúcho, ela poderia ser considerada a nova Paris Hilton se não tivesse nos conhecido antes de cair nesse poço de futilidades. Mas, mesmo tendo grana, ela é uma das pessoas mais humildes e solidárias que eu já conheci.

Lili é a mais engraçada e divertida de todas nós. Quase sempre tem uma declaração descomprometida para dar e é quem me apoia quando o assunto é homem. Baladeira nata, é ela quem não deixa o nosso espírito jovial morrer.

Pode parecer engraçado, mas conhecemos a Lili num banheiro de balada chorando aos prantos lá pelas tantas da madrugada de um sábado qualquer.

- Minha nossa, o que aconteceu, mulher? - eu perguntei ao vê-la naquele estado.

- Quer uma água? - perguntou Betina

- Eu quero sair daqui. Me tira daqui, por favor.

Mesmo sem saber nada daquela mulher desesperada, atendemos ao pedido dela e a tiramos da balada. Resolvemos levá-la ao meu apartamento e depois de muito chorar, começou a nos contar o que tinha acontecido.

- Ai, me desculpem, por esse papelão. Vocês duas só podem ser anjos. Prazer, me chamo Liliana, mas podem me chamar de Lili.

- Prazer, Lili. Mas será que agora você pode nos contar o que aconteceu? - perguntava Betina já sem paciência para tanta choradeira.

- É que eu tinha marcado um encontro com o meu namorado e ele não apareceu. Daí, resolvi sair para espairecer e o encontrei com outra mulher lá na boate.

- Sabia que tinha homem no meio. Você tinha que agradecer por ter presenciado isso. Sinal de que esse cara não presta e não serve para você.

- Betina!

- O que é, Diana? Só estou sendo realista.

- Vocês estão certas. O Luís Otávio não me merece.

Daquele dia em diante, não só passamos a conhecer e conviver com a Lili, como também com o canalha do Luís Otávio que aprontaria muitas daquelas ao longo da nossa amizade.

*******************************************

E assim se vão longos anos de amizade, os quais quero preservar por muitos e muitos anos. Fazemos promessas de sermos madrinhas de casamento uma das outras (com exceção da Betina que não pensa em casar), madrinhas dos filhos uma das outras (com exceção da Betina que não quer ter filhos), entrarmos juntas para o grupo da terceira idade (com exceção da Lili, que já disse que fará quantas plásticas for preciso para rejuvenescer e se recusar a assumir que está na terceira idade).

Quase nunca ficamos mais de dois dias sem nos falar. Sempre ligamos umas às outras e mantemos a tradição da cerveja com frango à passarinho no bar do Pedrão. E, mesmo quando alguma de nós começa a namorar, longo enturmamos o companheiro ao grupo e não admitimos que ele venha podar a nossa amizade.

Brigas? Às vezes acontecem algumas, mas sempre tem alguém de prontidão a pacificar. E, geralmente, esse alguém sou eu porque a Lili e a Betina frequentemente tem arranca-rabos.

- Eu não aguento mais a Lili, Diana! Bendita hora em que fomos ser solidárias e socorrer ela naquele banheiro da balada. - dizia Betina entrando bufando no meu apartamento.

- O que aconteceu dessa vez? - eu perguntava já careca e cansada das brigas infantis das duas.

- Acredita que ela me apareceu de novo lá em casa no meio da madrugada pedindo abrigo porque brigou com o Luís Otávio? Eu não aguento mais!

- E o que ele aprontou dessa vez?

- O que você acha? O mesmo de sempre, Diana. Traição e sacanagem. Daí, eu estava tão de saco cheio que falei umas poucas e boas para ela.

Eu logo podia imaginar o que a Betina tinha dito e como a fragilidade da Lili não tinha sido capaz de aguentar.

Enquanto eu tentava acalmar a Betina, minha campainha tocou. Era a Lili.

- Oi, Diana, posso entrar?

- Claro, Lili. Se a presença da Betina não for um problema para você?

- Ah ela está aí? Eu volto outra hora. Me recuso a ficar no mesmo ambiente dessa insensível.

- Tá me chamando de quê hein, dondoca? - gritou Betina lá do sofá, irritada com a provocação.

- Meninas, por favor, barraco no meu prédio não hein? - eu dizia - acho que vocês duas são bem crescidinhas para ficarem de mal né?

- Eu não estou de mal de ninguém. Se ela não aguenta ouvir verdades, não posso fazer nada.

- O seu problema, Betina, é que você não sabe dizer verdades. Você só sabe ofender. Sempre cheia de razão, se acha no direito de humilhar as pessoas.

- Eu não preciso te humilhar, Lili. Você mesma já faz isso ao rastejar pelo Luís Otávio.

Antes que as duas se atracassem no tapete da minha sala, resolvi levantar bandeira branca.

- Chega! Meninas, hello! Vocês tem noção de que estamos brigando por causa de um homem? Betina, você que nunca deu valor a eles, agora vai perder uma amizade por um que nem vale meio centavo? E você, Lili, me desculpe, mas está mais do que na hora de acordar e perceber o mal que esse canalha te faz né?

As duas ficaram cabisbaixas feito dois pintinhos abandonados. Depois, se olharam e a Lili, como sempre, era a primeira a dar o braço a torcer.

- Desculpa, Betina. É que eu sempre me cego quando o Luís Otávio apronta comigo, mas eu sei que você só quer o meu bem. Me dá um abraço?

- Tudo bem, Lili. Eu te desculpe. Me desculpe também. Se eu falo essas coisas é para o seu bem, é porque eu gosto de você.

- Pazes feitas? Selamos o pacto de bubballo novamente?

Pazes e pactos refeitos seguíamos sempre em frente a espera da próxima briga e curtindo os bons momentos que a nossa amizade sempre nos reservava.

PAPO DE CALCINHA: E você tem amigas (os) com quem contar? Conte como se conheceram e experiências que já viveram.

terça-feira, julho 20, 2010

PAIXONITE AGUDA


Por Letícia Vidica

Quem foi que disse que o vírus da dengue ou da gripe suína são os piores do mundo? Eu discordo em número, gênero e grau. O da paixonite aguda é pior ainda. E toda mulher em sã ou sem consciência será picada por ele um dia e vai sofrer desse mal. Eu, quase sempre, sofro dele.

Ele vem da noite por dia e quando eu menos percebo, lá estou eu apaixonada mais uma vez. E, na maioria das vezes, por alguém que não faz a mínima idéia de quem sou eu. E aquela era mais uma época de contágio.

- Gente, estou apaixonada! – eu revelava às minhas amigas enquanto dividíamos um balde de pipocas assistindo a um filme romântico.

- Por quem dessa vez, Diana? Porque semana passada você me disse a mesma coisa. – retrucava Betina sem prestar muita atenção a minha declaração nem um pouco inédita.

- É sério, Betina. Eu estou apaixonada de verdade!

Eu realmente achava que estava apaixonada. E a vítima da vez era um homem que eu apenas encontrava na hora do almoço no restaurante a quilo que eu comia. Detalhe: eu não fazia idéia do nome dele, onde ele trabalhava, o que ele fazia, mas só sei que meu coração acelerava toda vez que eu o via.

Bastava ele entrar pela porta do restaurante – sempre de terno -, mexer nos cabelos e se dirigir ao bufê que as minhas pernas já tremiam, meu coração acelerava e eu parecia uma adolescente boba da época do ginásio.

- Mas você ao mesmo sabe o nome dele, Diana? – perguntava Betina depois da minha revelação.

- Não, eu não sei, Bê. Mas eu vou descobrir. Ah e o quê importa?
Uma das coisas que dá mais graça a paixonite aguda é o mistério. Tanta emoção por algo misterioso. Acho que essa era a graça de se apaixonar por um desconhecido. O mistério.

Apesar disso, eu bem que tentava descobrir alguma coisa sobre a vida dele. Além de apaixonada, agia como uma detetive. Eu fazia o máximo de esforço para ir almoçar às 13 horas pontualmente e chegar no restaurante às 13h12. Hora que ele costumava chegar.

Como sempre andava de terno, eu logo imaginava que ele deveria ser um advogado. Outro dia, o vi com um livro do Código Civil nas mãos. Não tinha aliança. Logo deveria ser solteiro ou separado porque o grisalho dos seus cabelos indicava que ele já passava dos 35 anos de idade. Ele sempre ia almoçar com dois amigos. Acho que ele é uma pessoa que não confia muito nas pessoas. Discreto porque seus ternos alternavam entre o azul marinho e o preto. Quase nunca faltava ao nosso encontro às escondidas (inclusive escondido dele) na hora do almoço. Homem trabalhador e comprometido com o trabalho.

- Diana, não sei por que você perdeu tempo com a publicidade. Você daria uma ótima psicóloga. – dizia Betina abismada com a minha observação.

- Ai, ele é tão lindo!! Ai, ai. Ontem à noite, sonhei com ele acredita? Mas eu não conseguia ouvir a voz dele.

- Acho que tá mais do que na hora de você dar uma investida nesse cara né? Chega de bancar a adolescente, Diana.

- Não. Eu não quero. Melhor assim. Prefiro que ele me note.

E quase sempre era difícil ele me notar. Por mais que eu o observava diariamente, ele parecia não me enxergar. Era como se eu fosse um fantasma. Aquilo ao mesmo tempo me doía o coração, mas também me aliviava. Eu gostava de ficar no anonimato.

Certo dia, eu estava no ponto de ônibus esperando a condução para ir embora do trabalho porque meu carro tinha quebrado, ele se aproximou de mim e ficou ali lado a lado esperando o ônibus.

Meu coração quase saiu pela boca. O que dizer? Será que ele se lembrava de mim lá do restaurante? Será que eu ainda estou cheirando perfume? Foram tantas perguntas que ele acabou subindo num ônibus rumo à zona oeste e eu perdi a oportunidade.

- Não creio que você ficou igual uma pamonha e não disse nada?!

- Bê, eu não consegui. Sei lá o que me deu. Até parece que você não sabe como são essas coisas?

- Graças a Deus, eu não sei mesmo.

Aquela paixonite aguda já durava mais de três meses. Estava achando até que eu ia para o livro dos recordes. E eu continuava na mesma. Sem saber nada sobre ele. Até aquele dia lá na agência...

- Pessoal, gostaria que todos conhecessem o nosso novo funcionário, Ronilson!

Parecia coisa de filme de Hollywood, o tal do Ronilson era ele. Ronilson? Como assim? Que nome mais feio para um cara tão gato. Demorei para me recompor e acreditar que ele seria o meu colega de trabalho. Ronilson tinha sido contratado para trabalhar na área jurídica da agência. Pelo menos, a profissão eu acertei. E o que eu faria agora?

- Vai esperar mais o quê para falar com ele? O cara agora está na sala ao lado. – Betina tentava me encorajar.

Eu bem que tentei, mas perdi o tesão. Depois que eu descobri que ele era o Ronilson e que ele passou a ficar ao meu lado todos os dias, a paixão esfriou, perdeu a graça.
- Como assim, perdeu o tesão? Até outro dia você não estava aí toda boba por ele? Não te entendo.

- Não sei, Betina, cansei. A paixão acabou. Sei lá, passou.

- E quem é a próxima vítima?

- Tem um carinha lindo que eu vejo todo dia lá no estacionamento...acho que estou apaixonada.

Nem preciso dizer que a Betina riu e se preparou para ouvir a mesma ladainha. Era sempre assim. Na mesma velocidade que as paixonites vinham, elas iam. Às vezes, é um pouco difícil lidar com isso, mas enquanto a vacina não chega, vou lidando.

PAPO DE CALCINHA: Você costuma se apaixonar com frequência e repentinamente? Acredita em paixonite?

sábado, junho 26, 2010

O QUE DIZEM OS ASTROS?



Por Letícia Vidica

- Tá decidido! Agora eu só vou me apaixonar por caras de Câncer com ascendente em Touro. Não vou mais perguntar se ele é gay ou se é casado. Vou perguntar se ele é de Câncer.

- Que papo maluco é esse, Lili? - eu perguntava sobre a declaração filosófica da minha amiga.

- Fui numa taróloga essa semana e ela me disse que o homem da minha vida é de Câncer.

- E você acreditou?

- É claro que eu acreditei. A mulher é muito boa, falou tudo sobre mim...disse até que o Luís Otávio não serve para mim.

- E você precisou ir até uma taróloga para confirmar que o Luis Otávio é um cafajeste? - retrucava Betina já impaciente com a nova maluquice da Lili - Eu que não perco tempo com essas coisas.

- Pois vocês deviam ir...aposto que as cartas iam te dizer o motivo da sua amargura, Betina.

E será que as cartas falariam? Foi o que fiquei me perguntando depois daquela conversa. Eu nunca fui muito ligada nesse lance de horóscopo, numerologia, tarô, búzios e tudo o mais que os astros poderiam dizer sobre mim. Sou mais do tipo que acredita desacreditando.

Apesar de não ligar muito para essas coisas, confesso (mas que isso fique bem entre nós) que sempre dou uma olhadinha na página do horóscopo do jornal. Mesmo que na maioria das vezes eu não consiga decifrar aquele bando de palavras difíceis que não fazem sentido, sempre fico matutando sobre o que ele quis me dizer.

Lembro-me que, quando era adolescente, adorava ler aqueles revistinhas de astrologia que diziam tudo o que aconteceria comigo a cada dia do mês, faziam combinações do amor, davam dicas sobre as cores do meu signo e etc...Eu, como era uma jovem boba, acreditava em tudo.

Depois do passar dos anos e de me relacionar com quase todos os homens do Zodíaco, desencanei um pouco. Acho que me desiludi ao ver que nenhum deles servia para mim. Talvez porque o signo dele ainda não tenha sido criado pelos astros.

******

Sou virginiana com ascendente em Sagitário (pelo menos foi o que disse aquele astrólogo famoso que eu ouço no rádio todos os dias antes de chegar ao trabalho). Perfeccionista, pé no chão, mas que se deixa levar para as nuvens e se enganar toda vez que encontra um novo amor.

Aquela conversa com a Lili tinha me deixado um pouco balançada. Há tempos que eu estava querendo me entender um pouco mais e tirar algumas dúvidas que talvez só as cartas me dariam as respostas. Mas será que valia a pena pagar por isso?

- Gente, fui numa cartomante MA-RA-VI-LHO-SA!!! - confessava Patrícia, minha colega de trabalho durante a hora do almoço - a mulher é porreta. Acertou tudo sem eu ao menos perguntar. Acredita que ela me disse que o pilantra do meu ex me traía?

- Nossa, é boa mesmo né?

- Se quiser eu te levo lá, Diana.

- Acho que no meu caso nem os astros resolvem... - eu disse com vergonha de assumir a minha curiosidade pelas cartas

- Bobagem. É sempre bom ter uma orientação. Se você quiser, eu te levo lá.

- Vou pensar, mas muito obrigada.

Foi o que eu fiz. Pensei e pensei e pensei. Será que ir a uma cartomante seria bom? Que mal teria passar por uma consulta? O máximo seria eu desacreditar de tudo que as cartas me diriam e fingir que nada daquilo era verdade, mas será que eu conseguiria?

Tenho que confessar que eu sempre tive medo do que o futuro possa me revelar. E se me dissessem que eu seria uma eterna encalhada? Ou pior! Que nenhum homem se apaixonaria por mim? Ou então que eu morreria amanhã?

- Quanta bobagem, Diana. Você está é perdendo tempo. As cartas apenas vão te orientar. - Lili tentava me convencer.

- Será, amiga?

- Você nunca saberá se não tirar a dúvida, mas você tem que acreditar.

- Esse é o problema. Não sei se acredito o suficiente.

- Que tal irmos tirar a prova dos nove?

- Como assim? Agora, Lili?

- Agorinha.

Na calada da noite, como alguém que estava prestes a cometer algo muito errado, saí com a Lili rumo a tal cartomante. Eu estava tão apreensiva que mal conseguia prestar atenção no que ela dizia porque, para variar, a Lili não calava a boca.

Chegamos no tal lugar. Ao contrário do que eu pensava, era uma casinha muito bonitinha, porém modesta. Uma mulher de cabelos ruivos e um sorriso receptivo nos esperava no portão.

- Liliana, que bom que você veio - dizia a tal mulher dando beijinhos amigáveis em Lili

- Desculpe vir a essa hora. É que o assunto é urgente.

- Sabe que por você eu abro qualquer exceção né?

Entramos na casa e Lili foi logo explicando que eu era o motivo da urgência e acho que fofocou algo nos ouvidos dela como quem diz que eu estava amedrontada e discrente. Enquanto Lili aguardava na sala, fomos até os fundos da casa e entrei num quartinho todo decorado com estrelas, pedras e um cheio de incenso perfumava o ar. Me sentei em uma mesinha onde estavam as cartas. Minhas mãos suavam de nervoso e acho que minha expressão não negava o que eu sentia.

- Quer uma água, Diana? - oferecia a cartomante percebendo o meu nervosismo

- Não, obrigada!

- Olha, vejo que você está nervosa, mas acalme-se. Quero que saiba que nem eu nem minhas cartas somos adivinhas do futuro e muito menos estou aqui para lhe falar sobre coisas ruins. Nós apenas vamos lhe apresentar caminhos e quem escolhe se vai seguir é você. Mas para que tudo dê certo, é imprescindível que você acredite. E, se não estiver certa disso, lhe devolvo o seu dinheiro agora e você pode ir embora.

O sermão sincero da cartomante começou a me acalmar e me senti mais preparada para seguir em frente. Por quase duas horas, ela jogou as cartas e também fez a minha numerologia. Foi tudo tão incrível!!! Não podia imaginar que o meu nome, a minha data de nascimento e as cartas poderiam falar tanto sobre mim.

Ela disse que eu era uma pessoa muito esforçada, gananciosa, mas que me doava demais aos outros e que muitas vezes esquecia de mim. E, como nem todo mundo se doa tanto, costumava me decepcionar com facilidade quando não era recompensada. As cartas me disseram que em breve mudanças positivas aconteceriam na minha carreira e que um homem estava em meu caminho, dependendo da forma que eu conduzisse o relacionamento, ele poderia ser a pessoa para me fazer feliz.

- Ai, Lili, quem será esse homem? - eu perguntava eufórica no caminho de volta para casa.

- Pelo visto, vi que você gostou e acreditou hein?

- Ai, amiga, não sei como te agradecer. Foi maravilhoso! Eu precisava de uma orientação sabe? Precisava entender porque algumas coisas são tão enroladas na minha vida. Pena que tudo não possa mudar do dia para noite.

- Pois é. Não mudam, mas agora você já sabe como agir e o que esperar né?

- Só espero que o príncipe encantado das cartas me mande um sinal quando aparecer...

E foi em gargalhadas que seguimos para casa. Mas volta e meia me lembro das coisas que o tarô me revelou e anseio para que elas aconteçam o mais rápido possível.

PAPO DE CALCINHA: Você acredita em nos astros? Já recorreu a alguma ajudinha deles?

terça-feira, junho 08, 2010

QUEM FICA COM O BUQUÊ?


Por Letícia Vidica

Pior do que ficar solteira,é perceber que todas as suas amigas, primas, vizinhas e todos os outros seres da sua idade estão se casando e você ficando para trás. O problema não é ser sozinha, eu até que gosto da minha liberdade e solidão, se não fosse o casamento das outras. A cada convite que recebo para o casamento de uma conhecida é como se os anos pesassem nas minhas costas e gritassem para mim “Encalhada!”.

Aquele era mais um sábado que poderia ter sido como qualquer outro se eu não tivesse ido checar a minha caixa de correspondências.

- Dona Diana, bom dia! Tem uma correspondência para a senhora. Deixaram aqui ontem à noite...acho que era uma tal de Roberta – dizia Seu Zé o meu porteiro ao me entregar o tal envelope.

Antes mesmo que eu pudesse dizer obrigada, quase caí dura para trás ao me deparar com o convite de casamento da minha prima Roberta. Como assim? Até a Roberta vai casar?

Subi às escadas até o meu apartamento lendo o convite umas vinte mil vezes para acreditar que a minha priminha ia casar. Não que eu estivesse com inveja. Não era isso, mas a Roberta sempre foi tão beata, nem bonita ela era, quase não saía de casa (as poucas vezes eu é quem era obrigada a sair com ela). Como ela tinha conseguido agarrar um peixe?

Foi o tempo de abrir a porta do meu apartamento e o meu telefone tocou. Atendi ainda atordoada com as informações.

- Diana? Oi, é a Roberta!

- O-oi...prima, tudo bem?

- Espero que não esteja te atrapalhando. Queria saber se você recebeu o meu convite de casamento.

- Convite?! Ah recebi sim. Poxa que legal...você vai casar! – eu tentei dizer com o maior esforço de felicidade que pude

- Nem acredito, prima! - nem eu acreditava

- Será que eu e o Jorge podemos passar na sua casa hoje à noite? A gente queria conversar com você.

- Cla-claro.

O que mais a prima Roberta queria me dizer? Ela quase já tinha me enfartado com aquele convite! Passei a tarde inteira processando a informação e relembrando da nossa infância.

Roberta é filha da irmã mais velha do meu pai. Quando criança éramos bem próximas, mas a adolescência foi chegando e eu me rebelei e a Roberta sempre no seu caramujo. Saíamos algumas vezes, trocávamos algumas confidências, mas ela – ao contrário de mim – sempre foi mais cheia de pudores. Na certa, a vida nos levou para caminhos diferentes e passamos a nos encontrar só em almoços de família, velórios e casamentos em comum. E eu não me recordava da última vez que tinha visto ela acompanhada até aquele momento...

- Prima! – disse Roberta me abraçando euforicamente assim que abri a porta – Que saudades!

Fiquei estática quando a vi. Eu mal podia reconhecê-la. Ela tinha emagrecido uns dez quilos, cortara os cabelos e estava mais jovial, mais bonita. O que o amor não faz com as pessoas né?

- Esse é o Jorge.

Só podia ser piada divina. O cara era um gato. Onde a Roberta escondeu esse tesouro por tanto tempo? Me recompus e pedi que os dois entrassem. Ofereci alguns petiscos e cerveja, mas o casal puritano não bebia. Ficamos só no suco de laranja mesmo.
Roberta me contou que tinha conhecido Jorge em uma viagem à Argentina, ficaram muito amigos e em menos de um ano tinham noivado. Ela tinha certeza absoluta de que ele era sua alma gêmea. Depois de mais de uma hora falando sobre a vida do casal, Roberta veio com a bomba.

- Di, na verdade, eu vim aqui para te fazer um convite. Eu e o Jorge queremos que você seja nossa madrinha. Você aceita?

O quê? Madrinha? Não tinha cargo pior para assumir que eu tinha ficado encalhada. Ser madrinha do casamento da minha prima e, além do mais, ao lado de um amigo solteirão qualquer do noivo. Uma velha tática de tentar me desencalhar. Mas como a vida nos prega peças, não tive como fugir. Aceitei o convite.

Roberta ficou radiante e prometeu me ligar para me passar todos os detalhes da cerimônia que aconteceria em dois meses.

- Gente, acho que não tem saída para mim. O meu fim é ficar para titia.

- Vixi, que conversa é essa, Diana? – perguntava Lili

- A minha prima Roberta vai casar. Até ela conseguiu alguém. Será que eu tenho algum problema?

- Para com essa conversa boba. Sua hora ainda não chegou. Só isso.

- Caramba, mas esse relógio tá sempre atrasado?! E o pior. Me chamou para ser madrinha. Que coisa mais deprimente. Ainda vou ter que ficar no altar ao lado de um cara solteirão que eu nem conheço e sendo chacota para toda a minha família perguntando o tempo inteiro se eu não vou casar. Além do mais tenho certeza que farão de tudo para o buquê cair nas minhas mãos.

- Tente ver por outro lado...

- Que lado, Lili?! Não consigo ver romantismo nisso. E amanhã é o chá de cozinha com as madrinhas. Você vem comigo né?

Sem muita dificuldade porque Lili adorava uma boquinha livre – ainda mais quando é em nome do amor – fomos ao tal chá de cozinha. Como não estávamos acostumadas com essas coisas, fomos as últimas a chegar. E adoraria ter sido a primeira a sair quando me deparei com aquela Liga das Senhoras Católicas.

- Olha só quem chegou! A próxima noiva...você não muda mesmo né, meu amor? Sempre atrasadinha – dizia tia Chica, a mãe de Roberta, me apertando a bochecha e me dando um abraço.

Antes que eu pudesse corrigi-la dizendo que eu não via nenhuma outra noiva, foi me arrastando pelo local para me apresentar às suas amigas e me levar até Roberta.
- Prima, achei que tinha desistido do convite!

Bem que eu queria, pensei.

- Deixa eu te apresentar uma pessoa. Aposto que você vai amar.

O pior estava por vir.

- Dona Célia, essa é a Diana, minha prima. Aquela que eu te falei... ah, Di, essa é a mãe do Rafa, aquele amigo solteiro do Jorge. Ele vai ser seu padrinho.

Pára o mundo que eu quero descer! Ser madrinha já estava sendo demais, agora me apresentar para a mãe do padrinho? Era o fim da picada!

A tal da dona Célia passou o tempo inteiro do meu lado, me fazendo mil perguntas a fim de testar se eu seria uma boa ‘nora’ para o seu filho. Também ficou exaltando todas as qualidades do tal Rafinha. Confesso que até fiquei curiosa. E a Lili, ao invés de me ajudar, ficou se empanturrando de lanchinhos, salgadinhos, coquetéis. Bela amiga!

Finalmente, o chá tinha acabado e nos demos conta que éramos as últimas.

- Estava tudo ótimo, Roberta – eu disse morrendo de vontade de sair correndo daquele ambiente

- Ai, Di, fico tão feliz que você tenha aceitado ser minha madrinha. Sinto tanto sua falta, das nossas conversas, dos velhos tempos...quem diria né? Você sempre tão pra frente, bonitona...nunca imaginei que iria me casar antes! Mas , relaxa, que sua hora vai chegar viu? Aposto que você e o Rafa vão se dar bem.

- Lili, pelo amor de Deus, me arruma uma desculpa para não ir a esse casamento – eu suplicava desesperadamente à minha amiga enquanto voltávamos para casa
- Amiga, até eu que sou a mais romântica das mulheres, só tenho uma coisa a dizer. Você está ferrada. Não tem como fugir.

- Você viu só o que elas fizeram comigo? Até a mãe do padrinho eu tive que aturar. Nem sei quantas vezes aquela velha chata me falou do tal Rafinha. E a Roberta precisava ter dito aquilo? ‘Nem imaginava que me casaria primeiro’. Aposto que ela amarrou o nome do Jorge na boca do sapo.

- Ai que viagem, Diana. Relaxa. Agora é só subir no altar e curtir a festa. E eu vou com você hein?

Tinha até me esquecido que eu recebi dois convites. Acho que na esperança de que eu fosse com o meu namorado. Mas só me restava carregar a Lili e agüentar ela choramingando na cerimônia.

Para minha sorte ou azar, o dia do casamento tinha chegado. Passei a tarde inteira no cabeleireiro junto com Roberta. Ela tinha fechado um pacote de dia da noiva e fez questão de levar as madrinhas. Ver a Bela, a Feia se transformando em noiva foi o pior castigo da minha vida.

Quando chegamos à igreja, Jorge logo me chamou para me apresentar o tal Rafinha. Se eu pudesse tinha saído correndo. O cara era a cópia do Bill Gates. Estava na cara que ele era virgem, morava com a mãe, jogava Playstation e devia ter uma coleção de Playboy embaixo da cama. Foi logo me comendo com os olhos e pegando no braço e só foi soltar quando o casório acabou.

Roberta estava linda. Enquanto ela caminhava pelo corredor central da igreja, um filme foi passando na minha cabeça. Quando será que chegaria a minha vez? Não prestei atenção em nada que o padre disse. Só me dei conta de que tinha terminado quando o Rafa Gates me puxou pelo braço e saímos da igreja.

A festa seria numa mansão. Digna de casamento de Lady Di. Foi uma festa pomposa. Passei a noite toda tentando fugir dos olhares do padrinho e dos comentários maldosos das minhas tias.

- Vocês não vão dançar meninas? – perguntava minha mãe

- Tô cansada, mãe

- Depois reclama que está sozinha. Olha só, a festa tá cheia de partidão e você aí sentada.

- Vai começar com a língua felina, mãe? – era sempre assim quando alguém casava – vamos tomar um ar, Lili

Enquanto fumávamos no jardim da festa...

- Diana, você tem que relaxar.

- Relaxar como? Desde que essa história de casamento começou todo mundo só sabe me relembrar o quanto eu estou sozinha.

- Faz parte do jogo, amiga. E se você ficar dando atenção vai ser pior. Falando em atenção lá vem o seu padrinho.

- Olá, senhoritas – dizia o filho do Bill Gates – será que poderia me conceder a honra da dança?

- Eu adoraria, Rafael, mas o meu salto tá acabando com o meu pé. Porque você não dança com a Lili?

Antes mesmo que ela me pensasse, empurrei-a para os braços dele e os dois se perderam na festa. Dançaram a noite inteira. Para Lili, bastou ser homem, cair na rede e gol.

Fiquei um tempo observando o ambiente, vendo quase todos os meus primos com suas esposas e esposos, correndo atrás de seus filhos e eu ali parada e sozinha. Será que é essa vida que eu quero para mim?

Antes que eu pudesse responder, uma das madrinhas me chamou para a hora do buquê. Eu tinha esquecido que ainda faltava mais esse castigo e que não tinha como relutar.

Mulheres histéricas aglomeraram-se atrás de Roberta, tentei me esconder o quanto pude, mas no 1,2,3 e o buquê tinha caído no meu pé. Tudo que eu menos queria. Dali até o final da festa, virei o centro das atenções. E todos só perguntavam onde estava o noivo. Eu é que gostaria de saber se ele existe e se mora nesse planeta.

Fui embora para casa assim que cortou o bolo. Lili quis ficar mais um pouco e disse que iria embora com o Rafael. Os dois tinham se entendido bem. Até a Lili tinha conseguido se arranjar. Não era bem um príncipe, mas era um homem.

Enquanto eu esperava o manobrista trazer o meu carro, uma voz me chamou..

- Diana?

Olhei e mal pude acreditar. Seria mesmo o Jonas?

- Sim, sou eu. Jonas?

O Jonas era um dos melhores amigos de um dos meus primos. Foi uma paixonite aguda que tive na adolescência. A gente ficava sempre que se via, mas depois nunca mais nos vimos. Os anos tinham passado, mas a beleza continuava a mesma.

- Já tá indo embora? – perguntava ele

- Pois é. Estou meio cansada. Sabe como é...acho que não tenho mais idade para madrugadas.

Ele riu. O seu sorriso continuava encantador.

- É uma pena. Adoraria conversar com você mais um pouco. Eu fiquei te olhando a festa toda, mas não estava te reconhecendo. Você tá tão bonita, ou melhor, mais bonita né? Anota meu telefone, me liga para gente marcar de se ver.

Aquilo só podia ser pegadinha do cupido né? Só sei que resolvi não duvidar e anotei o telefone. Será que o buquê estava fazendo efeito? Por via das dúvidas, eu é que não queria ficar com ele para sempre hahahhahaha

PAPO DE CALCINHA: E você ainda está com o buquê?