quinta-feira, agosto 19, 2010

OU ELA OU EU


Por Letícia Vidica

Nunca faça essa pergunta a um homem comprometido. Ainda mais se você estiver com ele, mas não for o compromisso dele. Apesar de saber disso, ter lido milhões de livros de auto-ajuda feminina, eu me esqueci de tudo naquele momento e foi o que perguntei ao Alan naquela noite fria de quinta-feira no sofá do meu apartamento.

- Ou ela ou eu. Não agüento mais essa situação. Você tem que decidir.

Antes que eu diga o que ele me respondeu, vou explicar a vocês quem é o Alan.

Por mais que eu saiba o fim da história, eu insisto em cometer algumas burrices mais de uma vez e uma delas é se me envolver com homens comprometidos. É problema na certa, mas parece que eles exalam um cheiro mais gostoso sabe?

O Alan trabalha comigo. Ele é do departamento financeiro. Eu nunca tinha achado a menor graça nele. Para mim, era apenas mais um homem comprometido da minha empresa. Compromisso que o brilho da sua aliança não deixava que eu esquecesse.

Num desses happy hours lá da agência, depois de muito beber, comer frango a passarinho e falar mal do chefe, lembrei que estava tarde e que meu carro estava na mecânica. Educadamente, aceitei uma carona do Alan. Não vi nenhum problema nisso já que ele morava a duas quadras da minha casa.

- Nossa, a hora passou e eu nem vi. Duas da manhã já. Sua namorada não reclama não? – eu perguntava enquanto ele me levava para casa.

- Ela não liga muito não. Acho que já se acostumou.

- Aposto que ela já deve ter te ligado mil vezes...

- Ela não é de pegar muito no pé não. Sou um bom homem. – ele disse com sorriso irônico e lançando um olhar 43 para mim.

Fiquei um pouco nervosa e preferi encerrar o assunto, mas ele insistiu.

- Você não acha que eu sou um bom moço?

- Ah, não sei. Eu mal te conheço, Alan. – desbaratinei.

- Não conhece porque não quer. – mais uma vez, ele me olhou ao estilo 43.

Por sorte ou azar, o carro parou na frente do prédio.

- Obrigada pela carona.

- Vai descer assim? Não mereço nada pelo sacrifício?

- Alan, vai para casa que teu problema é cachaça. Sua mulher deve estar te esperando... para de bobagem!

- Quem disse que é bobagem? Eu não sou homem de brincadeira.

Ele me puxou pelo braço e me roubou um beijo. A minha primeira vontade era de ter virado um tapa na cara dele, mas logo mudei de idéia ao sentir melhor o sabor daquele beijo e provar da pegada que ele tinha. Quem diria hein, Alan?


***

- Você não aprende não, Diana? Outro cara comprometido? –preciso dizer que a Betina estava me recriminando?

- Bê, foi ele quem me beijou. Eu ia fazer o quê?

- Eu só espero que você pare por aí porque a senhorita bem sabe o fim da história né?

- Pois é.Vamos sair hoje.

- O QUÊ???? – berrou Betina indignada com a minha aceitação.

Depois daquele beijo, não conseguia mais olhar para o Alan na empresa. E quando eu olhava, era um olhar diferente. Parecia que da noite pro dia ele tinha ficado mais interessante.

Eu tentava evitá-lo ao máximo para que ninguém percebesse, mas ele me procurava insistentemente. Me mandava milhões de emails pedindo para sair comigo, pedindo meu telefone, ficava me paquerando na hora do almoço...gente, eu sou de carne e osso né? Uma hora eu ia ter que ceder. E cedi.

E lá estava eu bebendo uma cerveja num bar qualquer com o Alan, o homem compromisso. Mas era apenas uma saída de amigos ou, pelo menos, era o que tinha que ter sido.

- Eu não sei o que eu estou fazendo aqui com você, Alan! – eu disse tentando dar uma de durona. – Quero deixar bem claro que eu só saí com você por que... por que...

- Porque você está tão afim de mim quanto eu de você. – dizia o Alan se gabando do seu poder sedutor – Pára de bancar a durona, Diana. Vamos curtir o momento.

- Não é uma questão de ser durona. E o que eu faço com essa aliança no seu dedo? Você namora!!!

Descobri que ele não só namorava há quatro anos, como tinha planos de se casar com ela. Eu não podia amarrar o meu burro ali, mas, infelizmente, eu amarrei.

Aquela foi apenas a primeira de muitas outras saídas que tivemos. De um rolo casual, eu me transformei literalmente na outra. Ele passava mais tempo no meu apartamento do que na casa da namorada. Isso fazia até com que eu pensasse que ela era amante e eu a namorada. Mas sempre caía na real quando falávamos sobre nossa relação.

- Você vai me enrolar até quando hein, Alan? – perguntava enquanto acariciava seus sedosos cabelos deitados no meu colo.

- Como assim enrolar? Eu não estou aqui todinho para você, minha flor?– disse me roubando um beijo que sempre me derretia.

- Você sempre diz isso, Alan. Eu falo sério. Estou cansada de ouvir suas promessas de que vai largar sua namorada, de que o relacionamento não está legal, mas você nunca cumpre...

- Eu não te prometi que vou terminar? Confia em mim, gata.

O pior é que eu sempre confiava e assim ele ia me enrolando. Já eram quase seis meses de enrolação. E a cada dia eu estava mais e mais apaixonada por ele. A única coisa que me crucificava era o fato dele não ser só meu. Era pensar que ele beijava a boca dela, que ele dizia que a amava, que ele estava com ela quando não estava comigo...

- Aposto que o Alan está na casa daquela piranha – eu dizia andando de um lado ao outro da minha sala aguardando ansiosa por uma ligação dele – Ele disse que ia aparecer!

- Diana, calma. Você está careca de saber como é. Se você se sujeitou a ser a outra então agüenta... – falava Betina tentando me trazer à realidade.

- Ai, Be, estou cansada de tudo isso. Estou cansada das promessas do Alan. Já faz seis meses que estamos juntos e até agora ele só fala e nunca termina com ela.

- Diana, pára de ser adolescente. Parece até que você não sabe que um homem dificilmente vai trocar um relacionamento de anos por uma aventura de seis meses.

- Mas ele prometeu, Be!

- E você vai acreditar?

Aquela era a resposta que eu não tinha com muita certeza. Eu não acreditava nas promessas do Alan sobre sua separação, mas eu me enganava fingindo acreditar só para não perdê-lo. Isso me condenava. O tormento era tanto que eu acabei resolvendo dar um xeque mate.


Numa quinta-feira quando o Alan foi para a minha casa depois do trabalho...

- O que houve, gata...está tão fria...vem aqui para um chamego.

- Hoje não tem chamego, Alan. Hoje tem DR. Ou ela ou eu. Não agüento mais essa situação. Você tem que decidir.

- Como assim? – perguntou com cara de assustado.

- Como assim, digo eu. Faz seis meses que estamos juntos e é sempre a mesma história. Vai terminar, terminar e nada. Vai me enrolar até quando? Chega! Ou ela ou eu.

- Diana, eu não posso tomar uma decisão assim. Eu já te disse que eu vou acabar.

- Disse e não fez. Então, por favor, até você se decidir não me procure mais.

E foi assim que o Alan saiu por aquela porta e saiu da minha vida. Eu confesso que tinha esperanças de que ele retornasse, de que ele terminasse o relacionamento com a namorada, mas não foi o que aconteceu. Ele não era homem suficiente para arriscar. Sofri muito, mas resolvi seguir em frente.

Depois do nosso fim, a nossa relação ficou um pouco abalada. Quase nem nos olhávamos no trabalho. Acho que a gente se evitava não por ódio, mas por medo da chama se acender novamente.

Até que um dia, cheguei na agência e o pessoal estava fazendo uma comemoração.

- Nossa o que houve? Ganhamos um novo cliente? – perguntei sem saber de nada.

- Não, Di. O Alan vai ser papai! – dizia a secretária.

Fiquei tonta, engoli o choro e tentei disfarçar o máximo que pude. Estendi minhas mãos para as dele e dei os parabéns. Ali encerrava a nossa história. Se eu tinha alguma esperança em que ele mudasse de idéia e optasse por mim, ela tinha morrido ali mesmo.

- Desculpe não ter te falado nada... sei que é chato você saber assim de repente – dizia Alan cabisbaixo no fumódromo da agência.

- Você não tem que se desculpar. Você fez uma escolha.

- Foi você quem escolheu Diana. Eu não queria terminar com você.

- E também não queria terminar com ela. Assuma que você nunca teria coragem de jogar tudo pro alto e ficar comigo né? É muito mais fácil ir levando no banho maria.

- Eu estava confuso.

- Todo homem quando não sabe o que quer fala que está confuso. Mas eu estava bem decidida. Se você não me quer, tem quem queira. Seja feliz com a sua namorada e com o seu filho ok?

- Diana, Diana... volta aqui!

Dei as costas para não ter que ouvir o mesmo repertório e para não cair na mesma ladainha. Eu ainda estava bem envolvida com ele, mas não dava mais para fazê-lo optar. Aquela gravidez era a opção maior. Prometi a mim mesma que não mais me envolveria com homens comprometidos ou, pelo menos, não ousaria mais perguntar “Ou ela ou eu”.

PAPO DE CALCINHA: VOCÊ JÁ DEU UM XEQUE-MATE EM ALGUM HOMEM COMPROMETIDO E SE DEU MAL? SE VOCÊ FOI A ESCOLHIDA, CONTE A FÓRMULA DE SUCESSO PARA GENTE.

6 comentários:

Anônimo disse...

Olá!

Tenho uma proposta para seu blog que acredito ser relevante para você.

Caso haja interesse, entre em contato!


Atenciosamente,
Cristiano
contato@webreside.net

aninhatheodoro disse...

adorei. todo mundo ja disse ou ela ou eu. pena q nem sempre a resposta eh a q a gnt quer ouir ne. rs

Anônimo disse...

É complicado mesmo essa história !
É A RESPOSTA QUE NÓS QUEREMOS TANTO OUVIR NÉ ..
Mas tem gente tmb que não faz a pergunta por medo da falta que a pessoa pode vir a fazer devido a resposta !

Anônimo disse...

oláa famila,adorei o que li,
mas enfim, sou amante ja faz um bom tempo,claro que ja passaou pela minha cabeça em pergunta-lo:ou ela ou eu ... mas ,ele esta com a namorada ja faz uns 11 anos, ele ja me provou que esta com ela por lado financeiro e comigo por amor,onde viemos lutando para levar uma vida a dois..ja estamos comprando nosso apto etals..
agora eu pergunto: sera que se perguntassse para ele, ou ela oou eu..estariamos juntos hj ?? com planos e mais planos?
NEM SEMPRE VALE A PENA PRECIONAR...

Anônimo disse...

Olá meninas! adorei a história!
Comigo aconteceu diferente. Perguntei "ou ela ou eu" e fui a escolhida.
Me identifiquei muito com a parte em que ela diz que ele ficava mais tempo com ela do que com a namorada. rsrs
Ele também namorava com ela a 4 anos e ficava comigo a 10 meses,mas nunca me prometeu terminar com ela. Quando fizemos 10 meses fiquei louca com a possibilidade que se levantou deles irem morar juntos, liguei pra ela e contei tudo. Depois de muitas confusoes, (ela até me ameaçou de morte) ele me escolheu e hoje estamos a um anos e tres meses juntos e muito felizes! :D

Anônimo disse...

Penso que a maioria das mulheres já passaram por isso e muitas tiveram um não. Eu também passei por isso e juro que quase entrei em depressão, mas não pelo amor que eu sentia por ele mas sim pelo ódio que vinha junto ao amor, não é nada fácil você ser a outra, não é fácil nem é legal; muitas vezes a gente sente um vazio, uma angustia, querendo ou não somos valorizadas, somos deixadas de lado em datas especiais,e claro que muito difícil formar uma família com o cara. Bom não vale a pena, mas a gente não escolhe quem entra em nossa vida, eu sou a favor da pergunta 'eu ou ela' mesmo que a resposta seja ela, é bom pois a gente é obrigada a esquecer e a gente esquece *-*