sábado, junho 26, 2010

O QUE DIZEM OS ASTROS?



Por Letícia Vidica

- Tá decidido! Agora eu só vou me apaixonar por caras de Câncer com ascendente em Touro. Não vou mais perguntar se ele é gay ou se é casado. Vou perguntar se ele é de Câncer.

- Que papo maluco é esse, Lili? - eu perguntava sobre a declaração filosófica da minha amiga.

- Fui numa taróloga essa semana e ela me disse que o homem da minha vida é de Câncer.

- E você acreditou?

- É claro que eu acreditei. A mulher é muito boa, falou tudo sobre mim...disse até que o Luís Otávio não serve para mim.

- E você precisou ir até uma taróloga para confirmar que o Luis Otávio é um cafajeste? - retrucava Betina já impaciente com a nova maluquice da Lili - Eu que não perco tempo com essas coisas.

- Pois vocês deviam ir...aposto que as cartas iam te dizer o motivo da sua amargura, Betina.

E será que as cartas falariam? Foi o que fiquei me perguntando depois daquela conversa. Eu nunca fui muito ligada nesse lance de horóscopo, numerologia, tarô, búzios e tudo o mais que os astros poderiam dizer sobre mim. Sou mais do tipo que acredita desacreditando.

Apesar de não ligar muito para essas coisas, confesso (mas que isso fique bem entre nós) que sempre dou uma olhadinha na página do horóscopo do jornal. Mesmo que na maioria das vezes eu não consiga decifrar aquele bando de palavras difíceis que não fazem sentido, sempre fico matutando sobre o que ele quis me dizer.

Lembro-me que, quando era adolescente, adorava ler aqueles revistinhas de astrologia que diziam tudo o que aconteceria comigo a cada dia do mês, faziam combinações do amor, davam dicas sobre as cores do meu signo e etc...Eu, como era uma jovem boba, acreditava em tudo.

Depois do passar dos anos e de me relacionar com quase todos os homens do Zodíaco, desencanei um pouco. Acho que me desiludi ao ver que nenhum deles servia para mim. Talvez porque o signo dele ainda não tenha sido criado pelos astros.

******

Sou virginiana com ascendente em Sagitário (pelo menos foi o que disse aquele astrólogo famoso que eu ouço no rádio todos os dias antes de chegar ao trabalho). Perfeccionista, pé no chão, mas que se deixa levar para as nuvens e se enganar toda vez que encontra um novo amor.

Aquela conversa com a Lili tinha me deixado um pouco balançada. Há tempos que eu estava querendo me entender um pouco mais e tirar algumas dúvidas que talvez só as cartas me dariam as respostas. Mas será que valia a pena pagar por isso?

- Gente, fui numa cartomante MA-RA-VI-LHO-SA!!! - confessava Patrícia, minha colega de trabalho durante a hora do almoço - a mulher é porreta. Acertou tudo sem eu ao menos perguntar. Acredita que ela me disse que o pilantra do meu ex me traía?

- Nossa, é boa mesmo né?

- Se quiser eu te levo lá, Diana.

- Acho que no meu caso nem os astros resolvem... - eu disse com vergonha de assumir a minha curiosidade pelas cartas

- Bobagem. É sempre bom ter uma orientação. Se você quiser, eu te levo lá.

- Vou pensar, mas muito obrigada.

Foi o que eu fiz. Pensei e pensei e pensei. Será que ir a uma cartomante seria bom? Que mal teria passar por uma consulta? O máximo seria eu desacreditar de tudo que as cartas me diriam e fingir que nada daquilo era verdade, mas será que eu conseguiria?

Tenho que confessar que eu sempre tive medo do que o futuro possa me revelar. E se me dissessem que eu seria uma eterna encalhada? Ou pior! Que nenhum homem se apaixonaria por mim? Ou então que eu morreria amanhã?

- Quanta bobagem, Diana. Você está é perdendo tempo. As cartas apenas vão te orientar. - Lili tentava me convencer.

- Será, amiga?

- Você nunca saberá se não tirar a dúvida, mas você tem que acreditar.

- Esse é o problema. Não sei se acredito o suficiente.

- Que tal irmos tirar a prova dos nove?

- Como assim? Agora, Lili?

- Agorinha.

Na calada da noite, como alguém que estava prestes a cometer algo muito errado, saí com a Lili rumo a tal cartomante. Eu estava tão apreensiva que mal conseguia prestar atenção no que ela dizia porque, para variar, a Lili não calava a boca.

Chegamos no tal lugar. Ao contrário do que eu pensava, era uma casinha muito bonitinha, porém modesta. Uma mulher de cabelos ruivos e um sorriso receptivo nos esperava no portão.

- Liliana, que bom que você veio - dizia a tal mulher dando beijinhos amigáveis em Lili

- Desculpe vir a essa hora. É que o assunto é urgente.

- Sabe que por você eu abro qualquer exceção né?

Entramos na casa e Lili foi logo explicando que eu era o motivo da urgência e acho que fofocou algo nos ouvidos dela como quem diz que eu estava amedrontada e discrente. Enquanto Lili aguardava na sala, fomos até os fundos da casa e entrei num quartinho todo decorado com estrelas, pedras e um cheio de incenso perfumava o ar. Me sentei em uma mesinha onde estavam as cartas. Minhas mãos suavam de nervoso e acho que minha expressão não negava o que eu sentia.

- Quer uma água, Diana? - oferecia a cartomante percebendo o meu nervosismo

- Não, obrigada!

- Olha, vejo que você está nervosa, mas acalme-se. Quero que saiba que nem eu nem minhas cartas somos adivinhas do futuro e muito menos estou aqui para lhe falar sobre coisas ruins. Nós apenas vamos lhe apresentar caminhos e quem escolhe se vai seguir é você. Mas para que tudo dê certo, é imprescindível que você acredite. E, se não estiver certa disso, lhe devolvo o seu dinheiro agora e você pode ir embora.

O sermão sincero da cartomante começou a me acalmar e me senti mais preparada para seguir em frente. Por quase duas horas, ela jogou as cartas e também fez a minha numerologia. Foi tudo tão incrível!!! Não podia imaginar que o meu nome, a minha data de nascimento e as cartas poderiam falar tanto sobre mim.

Ela disse que eu era uma pessoa muito esforçada, gananciosa, mas que me doava demais aos outros e que muitas vezes esquecia de mim. E, como nem todo mundo se doa tanto, costumava me decepcionar com facilidade quando não era recompensada. As cartas me disseram que em breve mudanças positivas aconteceriam na minha carreira e que um homem estava em meu caminho, dependendo da forma que eu conduzisse o relacionamento, ele poderia ser a pessoa para me fazer feliz.

- Ai, Lili, quem será esse homem? - eu perguntava eufórica no caminho de volta para casa.

- Pelo visto, vi que você gostou e acreditou hein?

- Ai, amiga, não sei como te agradecer. Foi maravilhoso! Eu precisava de uma orientação sabe? Precisava entender porque algumas coisas são tão enroladas na minha vida. Pena que tudo não possa mudar do dia para noite.

- Pois é. Não mudam, mas agora você já sabe como agir e o que esperar né?

- Só espero que o príncipe encantado das cartas me mande um sinal quando aparecer...

E foi em gargalhadas que seguimos para casa. Mas volta e meia me lembro das coisas que o tarô me revelou e anseio para que elas aconteçam o mais rápido possível.

PAPO DE CALCINHA: Você acredita em nos astros? Já recorreu a alguma ajudinha deles?

terça-feira, junho 08, 2010

QUEM FICA COM O BUQUÊ?


Por Letícia Vidica

Pior do que ficar solteira,é perceber que todas as suas amigas, primas, vizinhas e todos os outros seres da sua idade estão se casando e você ficando para trás. O problema não é ser sozinha, eu até que gosto da minha liberdade e solidão, se não fosse o casamento das outras. A cada convite que recebo para o casamento de uma conhecida é como se os anos pesassem nas minhas costas e gritassem para mim “Encalhada!”.

Aquele era mais um sábado que poderia ter sido como qualquer outro se eu não tivesse ido checar a minha caixa de correspondências.

- Dona Diana, bom dia! Tem uma correspondência para a senhora. Deixaram aqui ontem à noite...acho que era uma tal de Roberta – dizia Seu Zé o meu porteiro ao me entregar o tal envelope.

Antes mesmo que eu pudesse dizer obrigada, quase caí dura para trás ao me deparar com o convite de casamento da minha prima Roberta. Como assim? Até a Roberta vai casar?

Subi às escadas até o meu apartamento lendo o convite umas vinte mil vezes para acreditar que a minha priminha ia casar. Não que eu estivesse com inveja. Não era isso, mas a Roberta sempre foi tão beata, nem bonita ela era, quase não saía de casa (as poucas vezes eu é quem era obrigada a sair com ela). Como ela tinha conseguido agarrar um peixe?

Foi o tempo de abrir a porta do meu apartamento e o meu telefone tocou. Atendi ainda atordoada com as informações.

- Diana? Oi, é a Roberta!

- O-oi...prima, tudo bem?

- Espero que não esteja te atrapalhando. Queria saber se você recebeu o meu convite de casamento.

- Convite?! Ah recebi sim. Poxa que legal...você vai casar! – eu tentei dizer com o maior esforço de felicidade que pude

- Nem acredito, prima! - nem eu acreditava

- Será que eu e o Jorge podemos passar na sua casa hoje à noite? A gente queria conversar com você.

- Cla-claro.

O que mais a prima Roberta queria me dizer? Ela quase já tinha me enfartado com aquele convite! Passei a tarde inteira processando a informação e relembrando da nossa infância.

Roberta é filha da irmã mais velha do meu pai. Quando criança éramos bem próximas, mas a adolescência foi chegando e eu me rebelei e a Roberta sempre no seu caramujo. Saíamos algumas vezes, trocávamos algumas confidências, mas ela – ao contrário de mim – sempre foi mais cheia de pudores. Na certa, a vida nos levou para caminhos diferentes e passamos a nos encontrar só em almoços de família, velórios e casamentos em comum. E eu não me recordava da última vez que tinha visto ela acompanhada até aquele momento...

- Prima! – disse Roberta me abraçando euforicamente assim que abri a porta – Que saudades!

Fiquei estática quando a vi. Eu mal podia reconhecê-la. Ela tinha emagrecido uns dez quilos, cortara os cabelos e estava mais jovial, mais bonita. O que o amor não faz com as pessoas né?

- Esse é o Jorge.

Só podia ser piada divina. O cara era um gato. Onde a Roberta escondeu esse tesouro por tanto tempo? Me recompus e pedi que os dois entrassem. Ofereci alguns petiscos e cerveja, mas o casal puritano não bebia. Ficamos só no suco de laranja mesmo.
Roberta me contou que tinha conhecido Jorge em uma viagem à Argentina, ficaram muito amigos e em menos de um ano tinham noivado. Ela tinha certeza absoluta de que ele era sua alma gêmea. Depois de mais de uma hora falando sobre a vida do casal, Roberta veio com a bomba.

- Di, na verdade, eu vim aqui para te fazer um convite. Eu e o Jorge queremos que você seja nossa madrinha. Você aceita?

O quê? Madrinha? Não tinha cargo pior para assumir que eu tinha ficado encalhada. Ser madrinha do casamento da minha prima e, além do mais, ao lado de um amigo solteirão qualquer do noivo. Uma velha tática de tentar me desencalhar. Mas como a vida nos prega peças, não tive como fugir. Aceitei o convite.

Roberta ficou radiante e prometeu me ligar para me passar todos os detalhes da cerimônia que aconteceria em dois meses.

- Gente, acho que não tem saída para mim. O meu fim é ficar para titia.

- Vixi, que conversa é essa, Diana? – perguntava Lili

- A minha prima Roberta vai casar. Até ela conseguiu alguém. Será que eu tenho algum problema?

- Para com essa conversa boba. Sua hora ainda não chegou. Só isso.

- Caramba, mas esse relógio tá sempre atrasado?! E o pior. Me chamou para ser madrinha. Que coisa mais deprimente. Ainda vou ter que ficar no altar ao lado de um cara solteirão que eu nem conheço e sendo chacota para toda a minha família perguntando o tempo inteiro se eu não vou casar. Além do mais tenho certeza que farão de tudo para o buquê cair nas minhas mãos.

- Tente ver por outro lado...

- Que lado, Lili?! Não consigo ver romantismo nisso. E amanhã é o chá de cozinha com as madrinhas. Você vem comigo né?

Sem muita dificuldade porque Lili adorava uma boquinha livre – ainda mais quando é em nome do amor – fomos ao tal chá de cozinha. Como não estávamos acostumadas com essas coisas, fomos as últimas a chegar. E adoraria ter sido a primeira a sair quando me deparei com aquela Liga das Senhoras Católicas.

- Olha só quem chegou! A próxima noiva...você não muda mesmo né, meu amor? Sempre atrasadinha – dizia tia Chica, a mãe de Roberta, me apertando a bochecha e me dando um abraço.

Antes que eu pudesse corrigi-la dizendo que eu não via nenhuma outra noiva, foi me arrastando pelo local para me apresentar às suas amigas e me levar até Roberta.
- Prima, achei que tinha desistido do convite!

Bem que eu queria, pensei.

- Deixa eu te apresentar uma pessoa. Aposto que você vai amar.

O pior estava por vir.

- Dona Célia, essa é a Diana, minha prima. Aquela que eu te falei... ah, Di, essa é a mãe do Rafa, aquele amigo solteiro do Jorge. Ele vai ser seu padrinho.

Pára o mundo que eu quero descer! Ser madrinha já estava sendo demais, agora me apresentar para a mãe do padrinho? Era o fim da picada!

A tal da dona Célia passou o tempo inteiro do meu lado, me fazendo mil perguntas a fim de testar se eu seria uma boa ‘nora’ para o seu filho. Também ficou exaltando todas as qualidades do tal Rafinha. Confesso que até fiquei curiosa. E a Lili, ao invés de me ajudar, ficou se empanturrando de lanchinhos, salgadinhos, coquetéis. Bela amiga!

Finalmente, o chá tinha acabado e nos demos conta que éramos as últimas.

- Estava tudo ótimo, Roberta – eu disse morrendo de vontade de sair correndo daquele ambiente

- Ai, Di, fico tão feliz que você tenha aceitado ser minha madrinha. Sinto tanto sua falta, das nossas conversas, dos velhos tempos...quem diria né? Você sempre tão pra frente, bonitona...nunca imaginei que iria me casar antes! Mas , relaxa, que sua hora vai chegar viu? Aposto que você e o Rafa vão se dar bem.

- Lili, pelo amor de Deus, me arruma uma desculpa para não ir a esse casamento – eu suplicava desesperadamente à minha amiga enquanto voltávamos para casa
- Amiga, até eu que sou a mais romântica das mulheres, só tenho uma coisa a dizer. Você está ferrada. Não tem como fugir.

- Você viu só o que elas fizeram comigo? Até a mãe do padrinho eu tive que aturar. Nem sei quantas vezes aquela velha chata me falou do tal Rafinha. E a Roberta precisava ter dito aquilo? ‘Nem imaginava que me casaria primeiro’. Aposto que ela amarrou o nome do Jorge na boca do sapo.

- Ai que viagem, Diana. Relaxa. Agora é só subir no altar e curtir a festa. E eu vou com você hein?

Tinha até me esquecido que eu recebi dois convites. Acho que na esperança de que eu fosse com o meu namorado. Mas só me restava carregar a Lili e agüentar ela choramingando na cerimônia.

Para minha sorte ou azar, o dia do casamento tinha chegado. Passei a tarde inteira no cabeleireiro junto com Roberta. Ela tinha fechado um pacote de dia da noiva e fez questão de levar as madrinhas. Ver a Bela, a Feia se transformando em noiva foi o pior castigo da minha vida.

Quando chegamos à igreja, Jorge logo me chamou para me apresentar o tal Rafinha. Se eu pudesse tinha saído correndo. O cara era a cópia do Bill Gates. Estava na cara que ele era virgem, morava com a mãe, jogava Playstation e devia ter uma coleção de Playboy embaixo da cama. Foi logo me comendo com os olhos e pegando no braço e só foi soltar quando o casório acabou.

Roberta estava linda. Enquanto ela caminhava pelo corredor central da igreja, um filme foi passando na minha cabeça. Quando será que chegaria a minha vez? Não prestei atenção em nada que o padre disse. Só me dei conta de que tinha terminado quando o Rafa Gates me puxou pelo braço e saímos da igreja.

A festa seria numa mansão. Digna de casamento de Lady Di. Foi uma festa pomposa. Passei a noite toda tentando fugir dos olhares do padrinho e dos comentários maldosos das minhas tias.

- Vocês não vão dançar meninas? – perguntava minha mãe

- Tô cansada, mãe

- Depois reclama que está sozinha. Olha só, a festa tá cheia de partidão e você aí sentada.

- Vai começar com a língua felina, mãe? – era sempre assim quando alguém casava – vamos tomar um ar, Lili

Enquanto fumávamos no jardim da festa...

- Diana, você tem que relaxar.

- Relaxar como? Desde que essa história de casamento começou todo mundo só sabe me relembrar o quanto eu estou sozinha.

- Faz parte do jogo, amiga. E se você ficar dando atenção vai ser pior. Falando em atenção lá vem o seu padrinho.

- Olá, senhoritas – dizia o filho do Bill Gates – será que poderia me conceder a honra da dança?

- Eu adoraria, Rafael, mas o meu salto tá acabando com o meu pé. Porque você não dança com a Lili?

Antes mesmo que ela me pensasse, empurrei-a para os braços dele e os dois se perderam na festa. Dançaram a noite inteira. Para Lili, bastou ser homem, cair na rede e gol.

Fiquei um tempo observando o ambiente, vendo quase todos os meus primos com suas esposas e esposos, correndo atrás de seus filhos e eu ali parada e sozinha. Será que é essa vida que eu quero para mim?

Antes que eu pudesse responder, uma das madrinhas me chamou para a hora do buquê. Eu tinha esquecido que ainda faltava mais esse castigo e que não tinha como relutar.

Mulheres histéricas aglomeraram-se atrás de Roberta, tentei me esconder o quanto pude, mas no 1,2,3 e o buquê tinha caído no meu pé. Tudo que eu menos queria. Dali até o final da festa, virei o centro das atenções. E todos só perguntavam onde estava o noivo. Eu é que gostaria de saber se ele existe e se mora nesse planeta.

Fui embora para casa assim que cortou o bolo. Lili quis ficar mais um pouco e disse que iria embora com o Rafael. Os dois tinham se entendido bem. Até a Lili tinha conseguido se arranjar. Não era bem um príncipe, mas era um homem.

Enquanto eu esperava o manobrista trazer o meu carro, uma voz me chamou..

- Diana?

Olhei e mal pude acreditar. Seria mesmo o Jonas?

- Sim, sou eu. Jonas?

O Jonas era um dos melhores amigos de um dos meus primos. Foi uma paixonite aguda que tive na adolescência. A gente ficava sempre que se via, mas depois nunca mais nos vimos. Os anos tinham passado, mas a beleza continuava a mesma.

- Já tá indo embora? – perguntava ele

- Pois é. Estou meio cansada. Sabe como é...acho que não tenho mais idade para madrugadas.

Ele riu. O seu sorriso continuava encantador.

- É uma pena. Adoraria conversar com você mais um pouco. Eu fiquei te olhando a festa toda, mas não estava te reconhecendo. Você tá tão bonita, ou melhor, mais bonita né? Anota meu telefone, me liga para gente marcar de se ver.

Aquilo só podia ser pegadinha do cupido né? Só sei que resolvi não duvidar e anotei o telefone. Será que o buquê estava fazendo efeito? Por via das dúvidas, eu é que não queria ficar com ele para sempre hahahhahaha

PAPO DE CALCINHA: E você ainda está com o buquê?

quarta-feira, maio 26, 2010

NO DIVÃ


Por Letícia Vidica

- Nossa, Diana, tenho te achado tão cabisbaixa e quieta esses dias. Aconteceu algo? – perguntava Cristina, uma das minhas colegas de trabalho enquanto olhávamos a vitrine de algumas lojas na hora do almoço

- Ah, sei lá, Cris. Ando meio desanimada sabe? Estou achando a minha vida meio sem sentido, não sinto mais prazer em fazer quase nada...tô de bode! – eu respondia com total desânimo enquanto olhava um sapato verde na vitrine da loja

- Ah, eu bem sei o que é isso. Já me senti assim como você, mas graças a Jane, a minha vida mudou.

Jane? Quem seria essa tal de Jane? Faltou pouco para eu gritar “Pelo amor de Deus, me apresenta a Jane!”, mas Cristina foi mais rápida na explicação...

- A Jane é a minha terapeuta. Ela é ótima. Estou com ela há um ano e meio e não vivo mais sem ela. Acho que você deveria ir lá, marcar uma hora. Aposto que ela vai te ajudar. Quer que eu te dê o telefone?

Aquela foi uma das perguntas que ficaram me martelando até o final do dia. Terapeuta? Será que o meu caso era tão grave a ponto de uma terapia? Não que eu tenha preconceitos ou talvez eu tenha, mas sempre achei que um desabafo no bar do Pedrão, uma choradinha no ombro da Betina ou uma boa noite de sexo resolveria os meus problemas. Porém, naquele momento tudo isso só piorava o meu estado de espírito.

- Acho que vou começar a fazer terapia. O que vocês acham? – eu questionava à Lili e Betina durante mais um de nossos encontrinho no apê da Betina.

- A maior perda de tempo do mundo – respondia prontamente a dona da pensão – eu já gastei muita grana com isso e não resolveu nada. Só dinheiro jogado fora e horas falando de mim para alguém que mais parecia uma parede

- Ah, eu acho ótimo. Não escuta ela não, Di. Todo mundo precisa de terapia na vida. Eu já fiz, me ajudou muito e estou louca para retomar, pena que já recebi alta.

- Então o seu terapeuta te deu alta porque não agüentava mais te ouvir falar do Otávio e das burrices que você faz né? – retrucava Betina

- Não sei, gente. Ando meio triste, cheia de questionamentos, sem rumo...a minha colega lá da agência me indicou a terapeuta dela e meus dedos estão coçando para eu ligar.

- Você é quem sabe, Diana. Só acho que não vai adiantar...

- Só porque você não quis se ajudar na terapia, dona Maria Betina, não significa que a Diana não vai ser ajudada ok?

Antes que as duas se atracassem no sofá, resolvi mudar o rumo da conversa, mas não o rumo dos meus pensamentos. Passei a semana inteira relutando comigo mesma se eu ligaria ou não para a terapeuta. Sempre fui daquelas de achar que terapia era coisa de louco ou de gente rica que não tem o que fazer ou com o que gastar dinheiro, mas talvez tivesse chegado o momento no qual todas as minhas teorias preconceituosas iam por água abaixo.

Durante aquela semana, tentei de tudo para levantar o meu astral. Comprei roupas novas, fui ao cinema, tentei responder sozinha a todos os meus questionamentos até apelei indo na casa da minha irmã choramingar as pitangas com ela. E me surpreendi ao descobrir que até a quadrada da minha irmã - casada há séculos e obediente àquele marido grosso e gordo - já tinha feito terapia uma vez na vida (e a danada não me contou nada?!)

Resolvi tomar coragem e marquei uma sessão com a tal da Santa Jane. No trajeto até o consultório, fui rezando para que ela fosse uma santa mesmo e me desse uma solução para os meus problemas. Também não contei a ninguém que estava indo lá, nem mesmo para as meninas, afim de evitar qualquer pré conceito e se eu não gostasse seria apenas um segredo íntimo entre a tal da Jane e eu.

Chegando ao consultório, me deparei com uma sala bem aconchegante com um sofá branco e tão fofo que dava vontade de se jogar e dormir na hora. Uma mulher morena, alta e de óculos me atendeu. Era a tal da Jane. Sorridente, me fez entrar, sentar e ficar o mais à vontade possível. Será que alguém é capaz de ficar à vontade com uma pessoa que nunca viu na vida prestes a saber os seus segredos mais íntimos? Mas confesso que eu me esforcei...

- Fico feliz que tenha vindo me procurar, Diana. Espero que eu possa lhe ser útil. Quero que saiba que eu não estou aqui para julgá-la, então não tenha medo de me dizer o que lhe aflige – a voz dela era doce e mansa que me fez lembrar a minha primeira professora do primário e o seu sorriso era brando que conseguiu ir me acalmando.

- Bem, doutora, ou melhor, Jane... eu resolvi apelar para a sua ajuda porque me sinto muito confusa ultimamente...sem ânimo para fazer as coisas e sem saber quem sou eu...me sinto como alguém que está nadando para chegar na praia e nunca chega...minha vida amorosa está uma bosta...só encontro homens que não querem saber de compromisso ou que só entram na minha vida para magoar meu coração...o meu trabalho não me dá mais prazer...trabalho dia e noite como um burro de carga e não vejo recompensa...

Desatei a falar das coisas que me afligiam e nem vi o tempo passar. Era como se eu e a Jane fôssemos velhas amigas. Confessei a ela coisas que nunca tinha dito a ninguém e aos poucos fui me sentindo mais aliviada e retirando um peso no ombro que parecia pairar sobre mim...

- Diana, a culpa das coisas da nossa vida darem certo ou errado é nossa mesmo. A gente é quem conduz a nossa vida. Você é quem sabe a resposta para tudo que quer saber. Basta saber se ouvir e você vai encontrar.

Mas como assim? Eu passo cinqüenta minutos falando sobre mim, querendo uma resposta para essa mulher me dizer que eu tenho a resposta?! Quero o meu dinheiro de volta.
Saí de lá batendo as tamancas, mesmo sob a recomendação de voltar na semana seguinte.

- E aí, Di, fiquei sabendo que foi lá na Jane...gostou? – gritava Cristina no meio da recepção da agência quase esbanjando o meu segredo mais obscuro

- Ah, eu gostei sim – respondi com o maior esforço de falsidade que pude

- Já vi que não gostou. Mas não desanima, não. Ela é ótima. É uma questão de costume.

Seria apenas uma questão de costume? Passei a semana seguinte inteira me questionando se eu voltaria à terapia ou não. Achava até que estava me sentindo melhor, mais aliviada. Não precisava mais de terapia. Pronto, eu não vou.

Eu não iria até ter um pesadelo numa noite dessas. Sonhei que estava dentro de uma piscina me afogando e que várias pessoas me olhavam ao redor e riam de mim sem me ajudar. Acordei assustada e suada no meio da noite e despenquei a chorar.

Incrivelmente, chorei por quase uma hora. Não era um choro de TPM (eu tinha acabado de menstruar) e muito menos de tristeza. Foi um choro chorado de uma forma que eu nunca chorei.

No dia seguinte, aquele sonho me perseguiu. E, antes que eu ficasse louca, dei meia volta no quarteirão e toquei o carro para o consultório da Jane. Eu estava resolvida a dar mais uma chance a ela, mas apenas uma!

- Diana, que bom de te ver de novo – disse a terapeuta me dando um abraço maternal

Sentei e desatei a falar. Disse a ela sobre o meu pesadelo e a minha reação depois dele. Ela tentou me ajudar a interpretá-lo e disse que aquilo era um sinal de algo na minha vida que não ia bem e que as pessoas do sonho não me ajudaram porque apenas eu é quem poderia me autoajudar a sair daquele sufoco. Uma loucura dessas, mas que até fez sentido.

Comecei a falar mais sobre a minha vida desde a decisão de sair da casa dos meus pais para poder ter mais liberdade até o fato de estar sempre tentando encontrar o meu príncipe encantado e cair do cavalo. Enquanto eu revivia alguns momentos da minha vida, desatei a chorar de novo. Jane me cedeu uma caixa de lenços e eu chorei como uma criança que perde a chupeta.

O mais engraçado de tudo é que não tive vergonha de chorar na frente da Jane e, apesar dela mais me ouvir do que falar, comecei a perceber algo muito importante – acho até que isso é a chave da terapia – comecei a me ouvir.

- Diana, você é um passarinho que nasceu para voar. Você tem essa necessidade de ser livre. Sair da casa dos seus pais não foi apenas uma decisão cômoda, mas foi uma forma de dizer a eles que você é livre e de respirar melhor. Essa sua busca incessante pelo príncipe não é à toa. Acho até que você já possa ter encontrado bons pretendentes a príncipes, mas resolveu relutar a eles do que talvez ter que podar a sua liberdade.

Tudo ainda parecia um pouco confuso quando saí do consultório, mas as frases ditas pela Jane não saíram da minha cabeça durante o resto dos dias.

Sem me dar conta, percebi que eu precisava daquela terapia e que eu não estava ficando mais ou menos louca com aquilo. Eu apenas estava sendo apresentada a uma pessoa tão próxima de mim,mas que eu desconhecia: eu mesma. Toda vez que eu ia nas sessões, saía de lá com questionamentos que me faziam refletir ou tinha o prazer de encontrar respostas que estavam diante dos meus olhos mas que eu não conseguia ver.

E assim se passoaram os dois anos de terapia que tive com a Jane. Sem perceber, eu tinha resolvido todos os impasses da minha vida. Podia muito bem me virar sem ela agora e acabara de receber a tal da ‘alta’.

- Tentei te ligar ontem à noite, mas deu caixa postal, o que houve? – perguntava Betina

- Fui na Jane.

- Jane?! Quem é essa? – perguntava minha amiga sem me dar conta de que eu tinha mantido esse segredo das sessões

- Ah era a minha terapeuta.

- Terapeuta? Você estava fazendo terapia e nem nos disse nada?

- Dois longos e ótimos anos. Dizer para quê? Para você me sacrificar na cruz? Quem não te conhece que te compre, dona Betina. E se quer saber? Foi a melhor coisa que fiz da minha vida.

- Bem que eu percebi você um pouco mudada mesmo...mas e aí deu resultado? Ela é boa? – perguntava Betina com ar de curiosidade

- Quer saber para quê? Você não acredita nessas coisas...

- Ah, Di, sabe como é né...vou confessar...acho que agora eu é que estou precisando de terapia. – confessava ela com vergonha de assumir tal coisa

- Ai, Betina...então anota o telefone da Santa Jane.

Não só indiquei a Jane para a Betina como para todos que se aproximavam de mim e falavam de terapia. Mesmo sem precisar continuar as sessões, a minha mão ainda coça com vontade de querer voltar. Acho que sempre vou precisar da Jane hahahahaha

PAPO DE CALCINHA - VOCÊ JÁ FEZ TERAPIA?

sexta-feira, maio 21, 2010

ME DEIXE SÓ



Por Letícia Vidica

Trim, trim...

- Oi, Diiiiii – pela empolgação nem precisava adivinhar que era a Lili no telefone – te dou meia hora para se trocar que eu estou passando aí. Tem baladinha nova no pedaço. Vamos comer uma feijuca e curtir um padodinho hoje, que tal?

- Ah, valeu, Li. Mas eu não vou sair de casa hoje não. Vou ficar de pipoca e DVD. Aluguei uns filmes, comprei uns beliscos...tô sem clima de sair hoje.

- Como assim, Diana?! Vai ficar enfurnada nesse apartamento nesse sábado de sol? Eu não creio. O que houve? Tá de deprê? Não vai me dizer que bateu a depressão por causa do Pierre hein?

- Não é nada disso, Li. Eu só não quero sair. Tô afim de ficar quietinha no meu canto pode ser

Um pouco inconformada com a minha negativa, Lili desligou o telefone. Mas eu tinha direito de querer ficar quieta no meu canto. Eu tenho o direito de ficar só. O problema é que as pessoas nem sempre entendem isso. Por que será que querer ficar um pouquinho mais com você mesma incomoda tanto?
Sou uma pessoa que adora sair, ver gente, estar no meio do agito...mas tem hora que eu preciso recarregar as energias e eu gosto de ficar sozinha. Foi por essas e outras que optei por ter o meu próprio canto.

*************

Eu estava em mais um daqueles finais de semana da preguiça. Quase meio-dia e eu ainda estava de pijamas e de pantufas. Cama desarrumada e sem hora para arrumar. Cabelo despenteado. Nem ao menos me lembrava se tinha escovado os dentes.
Sentada no sofá, comecei a planejar o meu dia. Primeiro, iria me arriscar na cozinha fazendo um bolo de cenouras que peguei a receita num programa de culinária outro dia. Depois, ia me jogar na cama e ler mais uns dois capítulos daquele livro que eu comecei há uns dois meses. Então, vou me jogar debaixo das cobertas e assistir àquela comédia romântica (que eu já sei o final) – um dos dez filmes que eu aluguei para assistir no final de semana -, tirar um cochilo, ouvir uma música – ai que saudades daquela coletânea do Djavan...

Enquanto eu divagava em meus pensamentos por mais de uma hora esparramada no sofá, minha campainha tocou. “Ai, não. Visita não. Vou pedir pro porteiro dizer que nesse final de semana eu morri”. Abri a porta e nem sei por que fiquei surpresa ao ver Betina e Lili.

- Eu tinha que vir até aqui para comprovar se isso era verdade!!! Não to acreditando que você está mesmo de pijamas num sol desses?! – recriminava Betina

- E posso saber qual é o problema de ficar de pijama num sábado desses dentro da minha própria casa?

- Eu disse que não ia adiantar vir até aqui, Betina.

- E não adiantou mesmo, Lili. Nem vem que não tem que esse final de semana eu não arredo o pé de casa.

- Tá ficando louca, Diana?! Pode ir tomando um banho, colocando uma roupitcha que a gente vai piriguetar.

- Betina, eu não vou sair! – tive que ser dura para ela entender que eu não estava afim

- O que houve, Diana? Vai me dizer que tá com depressão melancólica? Só pode ser por causa do Pierre!

- Gente, não tem nada a ver com o Pierre. Como vocês são chatas hein? Eu só quero ficar sozinha no meu canto. Não estou afim de sair. Divirtam-se

Minhas amigas ainda ficaram mais uma hora tentando me convencer a sair de casa, mas eu estava decidida a ficar sozinha no meu canto. Eu tinha esse direito e a minha vontade ia ser cumprida. Depois de tanta insistência e sob várias recrimações contra a minha pessoa, elas foram embora

Resolvi então ir para a cozinha para começar a minha arte culinária. Enquanto isso, liguei o som no volume mais alto que pude e fiquei cozinhando e cantando juntinho com o Djavan

**************

Trim, trim, trim...
“Ai, não! Quem é agora? Se for as meninas, eu vou ter que engrossar...”

- Diana?

- Oi, mãe! – pior que as meninas me enchendo era ligação da minha mãe. Eu ia ter que escutar.

- Não sei para quê vocês compram essa baboseira de celular. Ninguém atende. Estou te ligando desde cedo e nada de você atender essa porqueira

- Tudo bem, mãezinha? O que manda?

- Estamos aqui na chácara da sua tia. Vem para cá. Os seus primos estão todos aqui.
- Ai, mãe, manda um beijão em todos, mas eu não vou sair de casa.

- Como não? Você adora vir para chácara. E está o maior sol!!!

“Caramba, São Pedro. Podia ter chovido esse final de semana NE? Talvez assim as pessoas entenderiam mais a minha vontade de ficar só”

- Eu sei, mãe. Mas eu não estou afim de sair de casa

- Aposto que tem homem no meio. Quem foi que te magoou dessa vez? Se foi o Pierre, eu mato ele.

- Calma, mãe. Não tem homem no meio e muito menos é culpa do Pierre. Eu só quero curtir o meu apê um pouco. Tenho mil coisas para fazer aqui

- Tem certeza que não aconteceu nada? Você tinha que vir. Mas nunca tem tempo para sua família mesmo né?

A minha mãe já não engolia muito bem o fato de eu ter ido morar sozinha. E muito menos entendia quando eu queria ficar sozinha. Sempre jogava sujo para me amolecer, mas hoje ninguém vai me fazer mudar de idéia.

***********

Resolvi voltar à cozinha e para o meu bolo de cenoura que já tinha assado enquanto eu conversava com a minha mãe no telefone. Falando nele resolvi desligar para que ninguém me achasse. Peguei um pedaço de bolo quente (eu adoro bolo quente), me joguei embaixo das cobertas e liguei o DVD.

Finalmente, consegui passar as duas horas do filme em paz e silêncio absoluto. Achava que o meu momento solidão estava começando ali. Depois do filme, adormeci, mas a campainha me acordou.

- Pierre?!

- Oi, Di.

- Tá fazendo o que aqui?

- Resolvi passar aqui para te ver, buscar um abrigo.

“Tudo que eu menos precisava era do Pierre quase às dez da noite na minha casa”

- Como assim buscar um abrigo?!

- Sabe como é né...bateu a saudade – dizia Pierre já me abraçando e com segundas e terceiras intenções

- Sinto muito, Pierre. Mas hoje não dá não. Volta outro dia...

- Vai sair?

- Não. Vou ficar aqui, mas to afim de ficar sozinha.

- Ixi...já vi tudo...tá menstruada...só pode ser TPM.

- Caramba!!! Será que eu não tenho o direito de querer ficar só? Todo mundo hoje deu para pegar no meu pé?

- Tá bom, tá bom...não precisa ser grossa. To indo embora. Falei que era TPM!!

Bati a porta na cara dele e fiquei bufando pela casa. Daí me dei conta que o dia estava acabando e eu não tinha conseguido ficar em paz comigo mesma. Uma coisa tão simples. Quem seria o próximo a me infortunar? Não atendo mais ninguém. Morri para o mundo.

Sentei na varanda com o meu livro e comecei a me deliciar na leitura e varei a madrugada lendo. Por incrível que pareça, consegui terminá-lo e só me dei conta de que o tempo tinha passado quando vi o sol raiar. E, graças a Deus, ninguém mais tinha me procurado.

Resolvi ir para cama para dormir. Eu não tinha pregado o olho a noite toda e precisava descansar. Quando eu me ajeitava para deitar, a campainha tocou. EU NÃO VOU ATENDER! EU NÃO VOU ATENDER!

A insistência foi tanta que resolvi atender. Era o meu síndico me lembrando que hoje tinha reunião do condomínio e que começaria dentro de quinze minutos. Tentei me esquivar, mas ele me lembrou de que eu já tinha faltado em três reuniões. Vesti um agasalho velho e fui pra tal reunião do condomínio.

Mal consigo me lembrar qual foi a pauta da assembléia porque os meus olhos não conseguiam parar abertos. Depois de minutos intermináveis,a reunião acabou e eu percebi – avisada pelo ronco do meu estômago – que eu estava sem comer nada desde o início da noite passada. Apenas tinha me alimentado de leitura.

Contra os meus princípios, fui até a padaria comprar pão. E, no retorno, na volta do meu prédio me deparei com a Betina.

- Resolveu sair de casa caramujo? Nossa que cara é essa? A noite foi boa hein? Sabia que você tinha outro compromisso e não quis me contar.

- Betina, pára de ser boba. Passei a noite em claro lendo um livro. E foi a coisa mais maravilhosa que consegui fazer nos meus poucos momentos de solidão.

- Mas vai abrir uma exceção hoje ou ainda tá de greve?

Eu adoraria ficar só também no resto do meu dia, mas vi que não ia dar certo. Resolvi levantar bandeira branca e voltar ao mundo. Subi para tomar um banho e depois fui almoçar com a Betina.

Cheguei a conclusão que da próxima vez que eu quiser ficar só, eu vou ter que ir para Marte ou me acampar no meio da floresta. Tudo porque é simplesmente impossível ficar só.

PAPO DE CALCINHA: VOCÊ TAMBÉM GOSTA DE FICAR SÓ NO SEU CANTO? TEM MUITA DIFICULDADE EM CONSEGUIR UM MOMENTO DE PAZ?

sábado, maio 01, 2010

EVA VENENOSA


Por Letícia Vidica

- Meninas, queria que vocês conhecessem esta noite uma pessoa muito especial para mim - dizia Betina com brilho nos olhos

E quem mais poderia ser especial para ela a não ser eu e a Lili? Ah claro, obviamente, antes viria sua família, mas o pouco que nós sabíamos da família da dona Maria Betina bastava para saber que eles não eram tão especiais assim para ela.

- Num creio que você desencalhou! - palpitava erroneamente Lili
- Lá vem você colocando homem na conversa. Quem disse que especial combina com a figura masculina?! - respondia Betina já perdendo o rebolado
- Fala logo, Betina
- A Juju. Ou melhor, Juliana. A Juju era minha vizinha na infância, éramos melhores amigas de colégio, trocamos confidências até a adolescência até que a família dela se mudou de cidade e a gente perdeu o contato.
- E o que essa Juju que sumiu e reapareceu tem de tão especial? - perguntei com uma pontinha de ciúme daquela nova melhor amiga da Betina
- Gente, sabem o que é isso? Eu reencontrei minha primeira melhor amiga. E nem venham com ciuminho besta que coração de mãe Betina é bem grande. Sendo assim, hoje, oito horas da noite, jantarzinho especial lá em casa ok?

Nem tivemos como negar o convite. Apenas nos olhamos e concordamos em comparecer no jantar especial. Confesso que estava morrendo de curiosidade para conhecer a tal Juju.

*******************

Na hora marcada e pontualíssimas, eu e a Lili estávamos na casa da Betina que, pela primeira vez, estava de barriga no fogão.

- O que uma melhor amiga não faz né, Di? Olha lá a Betina no fogão. Isso merecia registro pro Youtube - ironizava Lili

- Parem de me encher o saco e me ajudem aqui que eu estou toda enrolada. A Juju já deve estar chegando...

... e chegou. Naquele instante, a campainha tocou e nos deparamos com uma loira de farmácia, com peitos turbinados de silicone, olhos verdes (que até hoje aposto que são lente de contatos). Uma cópia pirata da Paris Hilton. Eu podia imaginar tudo. Menos que a Betina, tão séria e cheia de pudores éticos, tinha como melhor amiga uma perua como a prima distante da Paris Hilton. Me segurei para não rir.

- Baby - disse a Juju gritando - desculpe a demora. Não estou mais acostumada com esse trânsito caótico de São Paulo.

- Que isso. Entre, Ju - disse Betina entre beijinhos - ah queria te apresentar as meninas. Essa é a Diana e essa é a Lili.

- Prazer - dissemos orquestradamente eu e Lili.

Juju se juntou a nós no sofá e começou a tagarelar sobre a vida dela enquanto Betina terminava o jantar. Por mais que ela tentasse ser simpática, algo naquele rosto de Angélica me dizia estar errado.

A noite até que fluiu bem. O rango da Betina foi comestível e a Juju tagarelou a noite toda sobre sua vida. Disse que estava morando em Londres e que estava apenas de passagem no Brasil. Disse que estava hospedada num flat, mas Betina rapidamente ofereceu que ela ficasse no seu apê. Acho que queriam trocar figurinhas do passado de novo. E a boa moça, claro, aceitou. Segundo Juju, ela era secretária de um banqueiro londrino e estava noiva de um bon vivant.

- Ai, Lili, não sei não, mas eu não gostei dessa amiguinha da Betina - eu dizia enquanto voltava para casa de carona com a Lili

- Tá com ciúmes é, Diana?

- Não é ciúmes. Sei lá, meu santo não bateu com o dela e eu não gosto de sentir iso. Isso tem cheiro de Eva Venenosa.

******************************************

Depois do jantar especial, Betina resolveu fazer um happy hour especial e levou a Juju para o bar do Pedrão nos nossos encontros de sexta-feira.

- Nossa, estou tão feliz. Agora posso dizer que somos o Quarteto Fantástico! - dizia Betina cheia de alegria e levantando o copo de chop para um brinde
Aquele cena não seria tão ridícula se não fosse a Betina.

- Ai, gente, estou adorando ficar aqui. O Brasil me faz muita falta sabia?
- Então você não vai mais voltar para Londres? - eu perguntei
- Infelizmente, eu vou...mas adoraria ficar... - disse a Paris com cara de anjo
- E aposto que ficaria de mala e cuia na casa da Betina.
- E qual o problema, Lili? - questionava Betina
- Nenhum. A casa é sua mesmo né?

O clima ficou meio pesado depois disso, mas eu tentei desbaratinar e começamos a jogar conversa pro ar. Para minha surpresa, Pierre apareceu no bar e se juntou a nós. Durante toda a noite, eu percebi Juju jogando olhares e insinuações para ele. Me fingi de morta, mas comecei a sacar que de anjo ela não tinha nada.

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Um mês depois do happy hour, nunca mais eu tinha visto a Betina. Toda vez que a gente ligava ela nunca estava em casa ou, segundo Juju, sua secretária, ela nunca podia falar com a gente.

- Tem visto a Betina?
- Desapareceu, Lili. Acho que está ocupada demais para nós com a amiguinha de infância dela.
- Que tal aparecer lá de surpresa? Quem sabe assim ela nos atende né.

Resolvemos nos desbancar até a casa da Betina e lá estava ela...

- Meninas, que surpresa!!! Porque vocês sumiram?
- Como assim, NÓS sumimos?! - perguntava Lili já ficando puta da vida -
a gente te ligou o mês inteiro, mas parece que você estava muito ocupada para as velhas amizades.

- Eu nunca soube que vocês me ligaram
.
- Acho que a sua amiguinha Juju não quis avisar...

- Ai, gente, vai ver ela esqueceu...

- É bem o que ela quer mesmo né? Fazer com que você se esqueça da gente - dizia Lili

- Não estou entendendo as suas ironias, Liliana - questionava Betina

- Ah não? Eu te explico. Você quer bancar a toda cheia de moral, mas não vê o qual podre e venenosa que essa sua amiguinha é. Ela não passa de uma aproveitadora e encostada que não sairá da sua casa tão cedo e além do mais daqui a pouco nem as amigas você vai ter mais.

- Quem você pensa que é, hein, Lili? Só porque eu tenho outras amigas? Só porque eu não fico só derramando as minhas ladainhas idiotas em cima de uma única pessoa?

Antes que a baixaria descesse ainda mais o nivel, Lili pegou a bolsa e resolveu se retirar com a promessa de que a amizade tinha acabado.

- Acho que você pegou pesado, Betina.

- Pesado? Quem ela pensa que é para vir na minha casa e me dizendo essas maluquices?

- Desculpe, minha amiga, mas a única louca aqui é você. Você está tão cega com essa amizade que não vê que está criando um Eva venenosa dentro da sua casa. Você é macaca velha, Betina. As pessoas mudam. A Juju pode já não ser a mesma boa e inocente adolescente que você conheceu. Pensa nisso.

Peguei minhas coisas e resolvi deixar Betina refletindo sozinha. Na saída do prédio, tive o desprazer de encontrar Juju voltando de sua corrida matinal.

- Oi, Diana, você por aqui?

- Sim e porque do susto?! Já que você resolveu não repassar os nossos recados para a Betina viemos até aqui.

- Eu?!

- Olha, Juju, vamos combinar uma coisa? Comigo não ok? A Betina pode até cair no seu joguinho de boa moça, mas eu estou vacinada contra isso. Conheço muito bem o seu tipinho e olha só acho bom você manter distância do Pierre também ok? Tenha um ótimo dia, QUERIDA.

******************************

Depois do choque de realidade, minha amiga Betina simplesmente desapareceu. Confesso que fiquei super chateada pelo sumiço acreditando até que ela tinha feito sua escolha de amizade. Errada, mas uma escolha.

Numa dessas sextas-feiras típicas, eu e a Lili resolvemos manter a tradição e fomos tomar nosso chopinho com frango a passarinho no Pedrão.

- Ainda não creio que a Betina sumiu.
- Nem me fala daquela falsa.
- Calma, Lili. Ela está cega. Eu tenho fé que ela vai se tocar e eu também dei o meu recado para a Juju naquele dia. Nos encontramos na saída do prédio.

Enquanto eu contava para a Lili o que eu tinha dito, a Betina adentrou no bar. Sozinha. Se aproximou da nossa mesa e perguntou se podia se sentar.

- Agora está sozinha e quer se aproximar.
- Pode me escurraçar, Lili. Eu mereço. Meninas, eu espero que vocês ainda possam me perdoar. Eu fui uma cega.

Diante todo aquele arrependimento de Maria Madalena, fiquei curiosa em saber o que tinha ocorrido. E a minha tese se confirmou.

Betina contou que descobriu que a Juju não passava de uma estelionatária falida. Ela tinha voltado ao Brasil fugida porque tinha aplicado um golpe em Londres e não queria uma amizade e sim um abrigo. Por isso, ela preferia nos afastar para evitar que alguém descobrisse a verdade. Lendo uma agência internacional de notícias, Betina descobriu que ela era procurada e a escurraçou de casa.

- Pois é...isso prova que nem sempre você tem a voz da razão, né Betina? - dizia Lili
- Vou lhe dar mais ouvidos, Lili. Me perdoa?

E com um brinde de choppe selamos nossa reconciliação.

PAPO DE CALCINHA: Você já teve uma Eva Venenosa em sua vida?

quarta-feira, abril 14, 2010

HOMEM TENTAÇÃO


Por Letícia Vidica

Quase todos os dias, eu jurava para mim mesma que evitaria aquele olhar. Que desviaria o caminho “Talvez entrar pela copa seria uma boa idéia. Assim eu não sentiria o seu perfume e muito menos aquela voz de cordeiro me dizendo bom dia”. Porém, eu não sou muito boa em fazer promessas e as descumpria todos os dias ao chegar no trabalho.

A missa era sempre a mesma. Eu chegava, estacionava o meu carro e dava uma fiscalizada para ver se o dele também já estava lá – confesso que ficava bem triste quando não via o possante preto estacionado – daí eu pegava o elevador, subia para o 15º andar e, quando estava me dirigindo à minha sala, inevitavelmente eu tinha que passar frente à dele. Eu tentava controlar os meus olhos, mas eu era abduzida por aquele perfume maravilhoso e pela aquela voz me dizendo “Bom dia, Diana”. Me arrepiava na hora, gaguejava, as pernas ficavam bambas e a minha imaginação ia longe...

- Eu não sei mais o que eu faço, Betina.
- É simples. Cai de boca no cara.
- Nossa como você é prática! – eu retrucava tentando fazer minha amiga entender o quanto era difícil resistir aquele Deus.
- Hello! Posso saber de quem vocês estão falando, por favor? Agora vocês vivem aí de segredinho e eu não sei mais dos babados – dizia Lili morta de ciúmes, mas tenho que admitir que nem todos os segredos eu gostava de dividir com ela. Preferia a sinceridade ríspida da Betina.
- Desculpe Lili, é que tudo aconteceu de repente...

...realmente todo esse feitiço aconteceu de repente na minha vida. O homem tentação ao qual me refiro é o meu colega de trabalho, Paulo. Ele é gerente de marketing da agência onde eu trabalho. Um homem lindo, poliglota, bem formado, bom salário e um charme irresistível. Tudo bem se não fossem os empecilhos: além de estar no auge dos seus 45 anos e fogoso em seus cabelos grisalhos, ele era casado e muito bem casado. Daqueles que tem a foto da família em cima da mesa do escritório. E, o pior, com uma linda mulher. Eu não queria me envolver nessa história maluca outra vez porque eu conheço bem o final desse filme. E não para por aí. Eu e o Pierre estávamos começando a nos entender novamente. Não era um namoro oficial de novo, mas engatávamos uma doce reconciliação.

- E você está esperando o que para dar um mole para ele?
- Muita calma nessa hora, Lili. Nem todo mundo é como você. O cara é casado, a gente trabalha na mesma empresa e ... e... eu estou tentando me acertar com o Pierre de novo.
- Olha se eu fosse você eu não perdia tempo. Tirar uma lasquinha que mal tem? – alfinetava Lili
- Além do mais você já está caidinha nele.


É duro admitir. Mas eu estava com pé e mãos arriados para ele. Eu não sei porquê mas o Paulo exercia um tipo de feitiço sobre mim e eu não conseguia resistir. Minhas pernas bambeavam toda vez que eu o via. Seu perfume me embriagava e eu nunca tive tanto prazer de ir para o trabalho todos os dias. Ele era como um prêmio de consolação que eu queria conquistar. Até sonhos com ele eu andava tendo. Dos mais inocentes aos mais cabeludos. Acho que eu estava pirando.

Numa sexta-feira qualquer, eu resolvi ficar até mais tarde no trabalho para dar conta de uma campanha que eu tinha que entregar na segunda-feira. A galera do escritório tinha ido para o sagrado happy hour e eu preferi aproveitar a solidão do escritório para me concentrar. Mas, de repente uma voz me desconcentrou...

- Ainda por aqui? – disse a voz enfeitiçadora do Paulo depois de me deixar toda arrepiada e de dar um pulo de susto na cadeira.
- Nossa, que susto! – eu disse toda sem graça – pois é...tenho que terminar essa campanha.
- Posso te ajudar em algo? – perguntou ele se aproximando de mim. Fiquei morrendo de medo que ele percebesse que os pêlos dos meus braços estavam arrepiados.
- Que isso, muito obrigada. Não se preocupe. Sua esposa deve estar lhe esperando para o jantar à uma hora dessas – como eu queria ser aquela esposa.
- Ela não está em casa. Eles viajaram para a casa dos pais dela. Eu resolvi voltar ao escritório porque deixei a chave do carro em cima da minha mesa...hmmm...deixe-me ver isto – disse Paulo puxando uma cadeira e sentando-se a um centímetro de distância de mim. Acho que ele podia ouvir como o meu coração pulava no compasso da bateria.

Paulo resolveu me dar umas dicas com a campanha e a hora passou que nem vimos. E eu nem me importei com o tempo porque estar ao lado do Paulo era um sonho – bem tentador – mas um sonho. Infelizmente, acordei do sonho quando o meu celular tocou e vi que era o Pierre. Eu havia esquecido completamente que a gente tinha combinado de se ver hoje. O Paulo me fazia esquecer até o meu nome. Depois de ouvir a voz irritada do Píerre do outro lado da linha pelo meu esquecimento, justifiquei dizendo que tinha que trabalhar até mais tarde e que seria melhor nos vermos amanhã.

- Seu namorado? – perguntou Paulo
- É...não é bem um namorado ...um amigo, digamos assim.
- Desculpe tomar o seu tempo...
- Que isso, eu que agradeço pelas dicas, mas acho que já está na hora de irmos né?
- Posso lhe fazer um convite? – disse Paulo olhando profundamente nos meus olhos. É claro que ele podia fazer o convite que fosse que eu diria sim.
- Que tal um drinque para relaxarmos? Posso te deixar em casa se você quiser depois.

Topei na hora. Deixei meu carro no estacionamento da empresa e fomos a um bar no carro dele. O Paulo me levou a um bar com música ao vivo super aconchegante. Eu não conseguia acreditar que estávamos ali juntinhos naquela noite.

Bebemos algumas doses de vinho e jogamos conversa fora. Primeiro falamos de trabalho e depois de alguns copinhos de álcool filosofávamos sobre a vida. Paulo me contou que era casado há 10 anos e que se casou porque sua mulher engravidou, mas que eles eram muito apaixonados, porém passavam por uma crise conjugal no momento. Ele não sabia mais se ela o fazia feliz e nem se ele a fazia feliz. É óbvio que eu adorei saber que eu tinha chance. Só não gostei quando ele começou a perguntar sobre o meu relacionamento com o cara do celular, o Pierre. Foi difícil explicar, e como toda boa mulher que sou, disse a verdade. Contei que tínhamos namorado por um tempo, nos separado e que agora tentávamos reconciliar.

Lá pelas três da madruga resolvemos ir embora. Ao chegar no estacionamento, Paulo com seu cavalheirismo abriu a porta do carro para mim. Entrei e seguimos conversando...

- Nossa, Diana, você não sabe o quanto eu precisava relaxar. Foi uma glória ter esquecido as chaves no escritório.

- Eu é quem tenho que agradecer. Graças as suas dicas minha campanha está finalizada.

- Só valeu pelas dicas? – confesso que engasguei com aquela pergunta. O que eu responderia? Apenas sorri encabulada e cabisbaixa.

Um silêncio tomou conta do ar. Mas Paulo quebrou...

- Espero que o Pietro, ops, Pierre saiba te dar valor dessa vez. Um homem que perde uma mulher como você só pode ser um imbecil.

Confesso que eu não esperava aquela sinceridade, mas começava a perceber que talvez o feitiço fosse recíproco.

- Sabe que você é uma mulher muito bonita, atraente, inteligente...adoro mulheres assim...tenho que confessar que é um martírio te ver todos os dias com esse perfume irresistivel – disse ele fungando o meu pescoço – fico sempre atento para te ver passar e lhe dar bom dia.

Só podia ser um sonho. Ele tinha o mesmo desejo que eu. Eu era a mulher tentação dele. Naquele momento, ele parou o carro em uma rua escura. Eu não fazia idéia de onde eu estava. Começou a alisar o meu cabelo e a me encher de elogios. Tentei esquivar. Naquele momento, fiquei muito dividida. Eu estava prestes a realizar o meu sonho, mas até que ponto essa tentação valia? Ele era casado. Seria mais um rolo na minha vida. E eu? E o Pierre? Eram tantas dúvidas que eu apenas fiz uma coisa: me deixei levar. Transamos ali mesmo no banco traseiro do carro. Foi incrível...


- Que tudo!!! Diana você não vale nada, mas eu gosto de você !!! – vibrava Betina que logicamente deu plantão logo cedo em casa para saber do babado
- Ai, Betina, estou arrependida. Consciência pesada.
- Arrependida?! Eu não te entendo. Até ontem estava aí toda melindrosa louca para ser possuída pelo Paulo e agora dói a consciência?!
- Mas e o Pierre? Não é justo. Justo agora que a gente está se acertando?! Ele está fazendo um super esforço para gente se acertar.
- E vocês vão se acertar.
- Como assim? Como eu vou olhar para cara dele hoje sabendo que ontem eu estava dando pro meu gerente de marketing?!
- Diana, vira a página. Rolou e acabou. O Paulo foi só um homem tentação. Tipo aquele brigadeiro que você quer comer, come, se satisfaz e pronto!
- Homem tentação?! Você e suas definições hahahahaha Tudo bem. Vou tentar esquecer, só espero não cair em tentação de novo.
- É sempre bom repetir a dose né?

Confesso que foi difícil resistir às investidas do Paulo, mas resolvi ouvir minha consciência e tentar ficar com o certo do que com o duvidoso. Colocamos uma pedra naquele episódio. Ele se acertou com a esposa e eu estou aqui tentando me acertar com alguém.

PAPO DE CALCINHA: VOCÊ JÁ CAIU OU RESISTIU A UMA TENTAÇÃO?

quinta-feira, janeiro 28, 2010

QUEM DÁ O PRIMEIRO PASSO?


Por Letícia Vidica

- Ai, Lili, você já está me dando nos nervos. O que aconteceu? Ficou aí a noite toda olhando para esse celular – brigava Betina já sem impaciência por conta do ‘siricutico’ da Lili olhando o visor do celular a noite toda à espera de uma ligação

- Ih, Betina, parece até que não conhece a dona Liliana – eu dizia já adivinhando do que deveria se tratar – quem foi que não te ligou?

- Ai, gente, desculpa...é que eu estou com a cabeça na lua hoje. O Mateus... sabe aquele carinha novo que eu conheci na academia? Então, trocamos telefones há uma semana e até agora ele não me ligou...- explicava Lili com cara de quem estava prestes a cair do cavalo.

- E você tá esperando o quê para ligar para ele? – Betina perguntou num tom de desafio natural ao terminar de dar um último gole no chope.

- Mas, Bê, foi ele quem pediu o meu telefone...ele é quem tem que me ligar...pelo menos, ele me disse que ligaria... – respondia Lili ainda um pouco surpresa com a naturalidade da pergunta de Betina.

- Depois vocês reclamam que não tem ninguém...ficam aí sofrendo pelos cantos, tendo úlceras porque o telefone não toca...parem de bobagem...que coisa mais antiga...qual é o problema de você ligar para um cara se você está afim? Quem disse que isso é proibido?

Como já era de costume, a pergunta da Betina desenterrou várias minhocas na minha cabeça e tenho certeza absoluta que na da Lili também. Essa era mais uma daquelas perguntas criadas por algum guru dos relacionamentos, mas que até hoje ninguém sabia responder Quem dá o primeiro passo?

Nós, mulheres, fomos criadas e condicionadas a sermos passivas. A esperar por tudo. Esperar pela primeira boneca, esperar pela primeira menstruação, esperar pelo primeiro beijo, pelo primeiro namorado, pela primeira transa, pelo primeiro chifre, pelo primeiro fora, pelo príncipe encantado ... Enfim, a gente passa a vida toda esperando. Que ódio tenho de Eva! Se o problema fosse só esperar, tudo bem. Mas a gente espera e sofre também. Tudo ao mesmo tempo.

Criamos úlcera por passar pela angústia de esperar o telefone tocar e porque apenas não discamos os oito números e ouvimos a voz dele do outro lado da linha? Só para dizer oi, eu senti saudades, quer sair comigo? Não! Preferimos quase nos suicidar de tanta ansiedade aguardando que o telefone toque e ainda temos que fingir que a gente nem estava quase enlouquecendo e que ficamos de plantão 365 dias do ano ao lado do telefone esperando ele ligar.

Poxa, isso tá certo? Não seria mais simples agir por vontade própria. Pá e pum? É isso que eu me pergunto até hoje, mas ninguém conseguiu responder... mas que me faz lembrar alguns dos impasses que eu já cai por conta dessa dúvida.


Numa dessas sextas-feiras sagradas de encontros casuais com as meninas no bar do Pedrão, estávamos jogando papo pro ar, falando mal dos homens, dos chefes, reclamando da vida, regadas de muita cerveja e aperitivos, percebi que alguém me notava. No início, achei que não era comigo porque há muito tempo eu não vinha sendo paquerada (estava naquela fase que nem peão de obra assoviava para mim) e ainda mais no bar do Pedrão e eu não tinha feito a unha, nem o cabelo, estava me achando péssima.

- Ih, Di, acho que acaba de ganhar um fã hein? – cutucava Betina
- Pois é, aquele moreninho não para de olhar para cá.
- Ai, gente, larga de besteira. Pode ser para vocês também.

Naquela hora, o garçom se aproximou com mais uma cerveja na mesa e mais alguns aperitivos. Detalhe: nenhuma de nós havia pedido nada a mais. Mas antes que eu perguntasse sobre o erro, ele foi logo dizendo que o rapaz da mesa 302 tinha mandado para gente. Quando olhei para o lado, o rapaz da mesa 302 era o cara que não parava de me olhar e soltou um sorriso encantador e um tchauzinho. Na hora, fiquei vermelha como um pimentão. As meninas, é claro, começaram a rir e ficaram tirando sarro da minha cara, mas bem que encheram a pança. Agradeci com um sorriso e continuei sentada, mas ele não parava de me olhar.

Quando estávamos saindo do bar para ir embora, ele se aproximou de mim...

- Prazer, Murilo. Espero que tenham gostado do aperitivo – disse ele com as bochechas já encostadas na minha e pude sentir o seu perfume maravilhoso e admirar de perto seus olhos cor de mel

- Ah, claro...muito, muito obrigada pela gentileza...nem precisava – eu disse totalmente sem graça e quando olhei para o lado as meninas já estavam na esquina fazendo sinal de que esperariam no carro e rindo da minha cara de boba.

- Nossa, vem sempre aqui? Desculpe a pergunta banal, mas é que eu sou cliente do Pedrão há uns 15 anos e nunca te vi aqui. – dizia ele

- Acho que foi azar então...quase toda sexta eu e minhas amigas nos reunimos aqui.

- Pois é, tomara que a sorte nos una mais né? Mas se ela não ajudar, a gente força. Se importaria se me desse o seu telefone?

É claro que eu não me importei. Além de lindo, ele era objetivo. O tipo de homem que eu procurava. Trocamos telefones. Ele me acompanhou até o carro, nos despedimos e ele prometeu me ligar na semana seguinte para nos encontrarmos no Pedrão. E nem preciso dizer que as meninas foram o caminho todo perguntando cada detalhe de nossa conversa ne?


Passei a semana inteira pensando no Murilo e aguardando a ligação dele. Mas a sexta-feira se aproximava e toda vez que o telefone tocava não era ele. Quando as pessoas ligavam, eu logo arranjava uma maneira de desligar logo porque achava que ele podia estar ligando e daria ocupado.

Foram mais uns daqueles dias arrastados e ansiosos. Toda noite, eu dormia na esperança de que ele me ligasse, me mandasse um torpedo e eu controlava a coceira dos meus dedos para ligar para ele.

‘ Trimmm. Corri para atender...

- Alô? – atendi ansiosa
- Oi, Diiii
- Oi,Betina – eu disse frustrada com a voz do outro lado da linha – achei que era o Murilo.
- O gatinho do bar do Pedrão?
- É. Ele disse que ia me ligar e até agora nada.
- E você? Não ligou para ele?
- Ah, eu não, né? Ele é quem tem que ligar primeiro.
- Já te falei que isso não tem nada a ver, mas se não quer me ouvir...vamos lá pro Pedrão?

Só aceitei o convite porque podia ser uma oportunidade de vê-lo de novo. Ele poderia ter perdido o número, ter sido assaltado e ficado sem celular e sem forma de me ligar. Eu entenderia. De quebra, levei o meu celular muito bem carregado e fiquei de olho nele, mas quase metade da noite havia passado e nem o Murilo apareceu e muito menos seu nome apareceu no visor do meu celular.

- Diana, desencana disso. Pára de sofrer! Pega esse telefone logo e liga para o cara. Você não está com vontade?

- Eu estou, mas ...

- Mas o que? Ainda com essa história da carochinha de que os homens é quem ligam primeiro? Depois reclamam que o mundo é machista demais...

A Betina estava certa, mas eu não tinha esse grau de coragem que ela tinha. Mal dormi naquela noite. Fiquei a noite inteira brigando comigo mesma. Uma parte de mim dizia que eu devia ligar, qual seria o problema? Para que ficar sofrendo se eu poderia resolver tudo do meu jeito? Mas a outra parte dizia para não fazer isso. Que se o cara não ligou era porque não estava afim ou porque não tinha que ser ou ele era casado ou era gay ou talvez fosse só uma criação minha.

Levantei antes do sol raiar, tomei um café, li o jornal e fiquei olhando para o relógio ate dar uma hora mais adequada para ligar para alguém. Encarei o celular umas 15 vezes, abri e fechei, briguei com a força dos meus dedos indo em direção ao teclado, mas resolvi agir com o coração e não com a cabeça.

Disquei. Um, duas, três chamadas e caixa postal. Devia ser um sinal. Não era para ser e muito menos para eu fazer isso. Porém, como sou teimosa, tentei mais duas vezes e, para minha sorte ou azar, ele atendeu.

Fiquei muda por uns instantes, enquanto ele falava Alô do outro lado da linha.

- Oi, Mu-Murilo...é a Diana, lá do bar do Pedrão, tudo bem? – eu completei a frase com muito esforço

- Oi, minha linda, tudo bem? Que bom ouvir sua voz. Pensei que estivesse esquecido de mim.

Eu ia dizendo o mesmo, mas inventei alguma desculpa.

- Liguei para saber como você estava e saber se desistiu de tomar aquela cerveja comigo lá no Pedrão?

- Eu?! Jamais. Estava esperando só você ligar. Que horas eu te pego?


O Murilo me pegou em casa, fomos para o bar do Pedrão, passamos uma noite agradável...

- Achei que você não ia ligar nunca – ele disse, cheguei até a pensar que ele tinha lido meus pensamentos

- Não, é que...

- Estava esperando eu ligar primeiro? Vocês mulheres não mudam jamais – ele disse dando uma gargalhada gostosa e apertando minha bocheca. Obviamente, me senti ridicula.

- Ah, sei lá, de repente você poderia achar que...

- Gata, eu não acharia nada. Eu adoro mulheres que tomam a atitude. Soam como decididas para mim. Isso me excita, sabe? Além do mais, são vocês quem nos dão o sinal. Se ligam, é porque realmente gostaram né?

Nem preciso dizer que aquilo foi um tapa na cara com luva de pelica né? Bom, foi assim. Mais fácil do que eu imaginava e naquela noite aprendi uma lição: faça o que você tem vontade, esqueça as regras. E, além disso, existem homens – ainda existem – que não ligam para essas regras e não vão te julgar só porque você ligou primeiro. Muito pelo contrário, eles também aguardam ansiosos pela sua ligação.


PAPO DE CALCINHA: Você já deu o primeiro passo?

sábado, janeiro 09, 2010

HOMEM SENTE CHEIRO DE HOMEM


Por Letícia Vidica

- Vocês não vão acreditar quem me ligou ontem?... Luis Otávio!!!
- E o que aquele canalha queria com você, Lili?
- Pois é...justo agora que eu estou me entendendo com o Cristian...ele reaparece na minha vida. Disse que queria saber como eu estava e que estava com saudades.
- E aposto que você marcou de encontrá-lo, né, Dona Liliana?
- Ah, gente, eu apenas disse que ele podia passar lá em casa quando quisesse..mas não tem mais nada a ver entre nós.
-Sei, sei...é o que eu sempre digo. Homem sente cheiro de homem. É incrível!!

E não é que a Betina estava certa? Homem realmente sente cheiro de homem. Eles nos dão um pé na bunda, a gente chora, engorda, gasta horrores na terapia e quando a gente começa a se recuperar e encontra um cara legal, eles retornam como se quisessem marcar território. Como quem diz "Olha, não esquece de mim não hein? Eu ainda estou aqui"

E foi justamente isso que começou a acontecer comigo. Depois da separação entre eu e o Pierre, demorei um tempinho para me recuperar. Afinal de contas não é todo dia que o príncipe encantado aparece e depois te dá um pé na bunda né? Porém, depois de uns quilinhos extras, algumas sessões extras de terapia e algumas lágrimas derramadas, eu estava começando a esquecê-lo nos ombros do Diego, o meu mais novo affair.

O Diego é o que minha terapeuta costuma chamar de "Síndrome de Herói", aquele cara que surge na sua vida quando você está na rua da amargura por conta do ex, que te consola e você se apaixona. Nosso lance estava super legal e ia muito bem. Eu já nem pensava mais no Pierre com a mesma intensidade. Até que um dia...
... estávamos eu e o Diego saindo de uma sessão do cinema quando topamos de frente com o Pierre.

- Diana? Quanto tempo...tudo bem? Você sumiu!!!

É incrível como todo ex tem que fazer essa pergunta clássica. Não sabia que depois da separação a gente tinha que continuar se falando todo dia!!!

- Ah é, pois é...eu ando meio corrida, meio ocupada... - eu disse querendo desbaratinar o assunto
- Ah...eu imagino - disse Pierre em tom irônico medindo Diego dos pés a cabeça
- Ops, me desculpe, Pierre esse é meu ... meu amigo Diego.

Os dois se cumprimentaram com olhares de faíscas. E antes que o fogo se ateasse, retornei ao assunto.

- Vamos né? A gente ainda tem compromissos hoje. A gente se vê, Pierre. Até mais.

*************************

Aquele encontro tinha sido um pouco estranho. Apesar de eu estar super feliz e envolvida com o Diego, a gente sempre fica estranha quando reencontra o ex. Porém, eu achei que aquele remember tinha parado ali. Engano meu...

'Trimmmm, Trimmmm'
- Alô? Diana?
- Quem fala?
- Nossa, nem lembra mais da minha voz.
- Oi, Pierre, tudo bem?
- Te atrapalhei?
- Que isso...eu estava de bobeira...como você está?
- Eu estou ótimo...é que eu estava aqui e me deu vontade de ouvir a sua voz...
Silêncio total
... adorei te ver aquele dia no cinema. Você me pareceu ótima.
- Ah, que bom - respondi sem graça
- Aquele cara é seu novo namorado?
- O Diego?! É um amigo...
- Amigo colorido talvez?
- Pierre, me desculpe, mas eu não gostaria de ficar falando da minha vida pessoal para você ok?
- Claro, claro...você tem toda razão...afinal de contas nós não temos mais nada né?

Aquela pergunta soou como quem diz. "Temos algo ainda sim e você ainda me deve satisfação!". Desviei do assunto , ficamos jogando conversa fora por mais alguns minutos e desligamos. Apesar de eu ter desviado do assunto, aquela ligação não desviava do meu pensamento.

**************************

- Vocês não vão acreditar. O Pierre ressurgiu das cinzas.
- Eu não falo? Homem sente cheiro de homem. Só porque você está bem com o Diego, ele resolveu marcar território - dizia Betina
- Nós nos encontramos na saída do cinema...e o pior é que eu estava com o Diego...que situação chata...
- Chata porque? Eu acho ótimo ele ver que você está bem e saindo com outra pessoa.
- Se isso adiantasse, Betina...ontem ele ligou lá em casa com um papo de que estava com saudades , querendo saber quem era o Diego ...uma conversinha furada sabe...
- Dá um chega para lá, amiga! Que isso agora? Bobeou, dançou ...ele teve a chance dele, não teve?

A Betina estava certa. Eu não podia me deixar abater com o retorno do Pierre. Eu tinha que seguir a minha vida em frente e agora o que me interessava era o Diego. E foi o que eu fiz por algumas semanas até o Pierre resolver aparecer lá em casa.

'Ding,dong'
Onze e meia da noite em plena terça-feira. Quem poderia ser? E o porteiro nem avisou? Será que era algum ladrão? A resposta foi não assim que eu olhei no olho mágico e vi o Pierre.

- Pierre?! Aconteceu alguma coisa? - eu perguntei assustada porque para ir à casa de alguém naquele horário só podia ser algo grave ou importante
- Calma, Di...não é nada demais não...é que eu estava na casa do Pablo, aquele meu amigo, lembra dele? Ele mora há duas quadras daqui e resolvi passar aqui para te dar um oi.
- Ufa! Não esqueça que eu sou cardíaca...entre! Aceita um café, um chá?
...
- O que te traz aqui então?
- Saudades

Fiquei muda e inconformada com aquela cena. Eu não acreditava no que estava ouvindo. E antes que eu pudesse responder, a minha campainha tocou novamente. Quem seria agora? Agora só podia ser um assalto de verdade, mas ao olhar pelo olho mágico levei um baita susto. Era o Diego. Meu Deus, o que eu ia fazer? A primeira reação foi abrir a porta...

- Diego?! Que surpresa...
- Acho que incomodei né? Vejo que você tem visitas - dizia Diego ao ver o Pierre sentado no sofá do meu apartamento.
- Não que isso...o Pierre já estava de saída não é? - eu disse olhando para o Pierre e implorando que ele fosse embora
- Eu? Mas eu mal acabei de chegar...que isso, senta aí, amigão...vamos conversar...- dizia Pierre com tom irônico
- Eu volto amanhã, Diana. Boa noite!

Eu nem tive tempo de pedir para que ele ficasse. Diego virou as costas e desceu as escadas. Naquele instante, um ódio mortal do Pierre esquentou minhas veias.

- Por favor, Pierre, vai embora!
- Mas porque? Só porque o seu amiguinho não quis ficar?
- Não seja irônico, pelo amor de Deus. Já é tarde, eu acordo cedo amanhã..chega de confusões por hoje.
- Tudo bem, gata. Te ligo depois.

****************************

- Eu não acredito que o Pierre fez isso?
- Pode acreditar, Betina. Ele me queimou geral. Eu não entendo o que ele quer sabe? Já não basta ter me dado um fora?
- Ah mas isso não pode ficar assim não, Diana!
- E o Diego?
- Sumiu, Lili...não me ligou mais daquele dia.
- E você não ligou para ele? Tá ficando louca? Assim você está dando motivos para ele pensar que você e o Pierre ainda tem algo.

Minhas amigas estavam certas. Fui correndo para a casa do Diego e dei de cara na porta. Mas eu não podia desistir. Esperei duas horas sentada na porta da casa dele até ele chegar.

- Diana? O que faz aqui?
- Eu preciso muito falar com você. Queria me desculpar por aquele dia lá em casa. Eu e o Pierre não temos mais nada ... eu fiquei com medo de que você pensasse algo errado sobre nós.
- Tudo bem, Diana. Eu só fui embora porque afinal de contas eu não sou o seu namorado e não posso cobrar nada de você. Você recebe quem quiser na sua casa. Eu só não queria ter sido um incômodo.
- Incômodo? Jamais!
- Se é assim então...que tal entrar e tomarmos um chocolate quente para aquecê-la do frio que eu te fiz passar me esperando?

**************

O meu problema com o Diego parecia estar resolvido, mas ainda faltava dar o basta final no Pierre e eu sabia que ele reapareceria. Dito e feito. Certo dia, ele apareceu novamente lá em casa.

- Pierre, que surpresa!!!
- Oi, Diana, tudo bem? Desculpe aparecer de novo é que eu me lembrei que esqueci um livro com você.
- Livro? Eu não me recordo de estar com nenhum livro. Mas entre...
- Ah eu espero que eu não tenha causado nenhum problema aquele dia com o seu amigo...nervoso o rapaz não?
- Ah, o Di! Que isso...ele nem ligou...desencana...ele sabe que entre eu e você não rola mais nada.
- É, pois é...não rola mais nada mesmo né? - respondeu Pierre como quem engolia a seco - Vocês parecem se dar bem né?
- A gente? Nossa, nos damos super bem. Ele é um cara super gente boa.
- Desejo que ele possa te fazer feliz como eu não te fiz né? Bem...acho que eu já vou...se encontrar o livro, me dá um toque.
- Ok.

O Pierre se foi e nunca mais voltou. Pelo menos, até o momento. Eu continuei bem com o Diego e não fiz a mínima questão de procurar o livro. rs.


Papo de Calcinha:
E aí, amiga, já passou por uma situação dessas?

quinta-feira, dezembro 31, 2009

DOU OU NÃO DOU


Por Letícia Vidica

Por mais modernas que nós mulheres tenhamos nos tornado e por mais sutiens que nós tenhamos queimado, há uma dúvida que vem desde os tempos das cavernas até o dos dias de hoje que nos ronda: dar ou não no primeiro encontro? Eu nunca ouvi que há uma regra de que não deva dar para o cara na primeira vez que vocês saem juntos, mas eu também nunca ouvi uma regra que diga que você tem que dar. Isso é muito subjuntivo e da cabeça de cada um...

- E aí, Lili, como foi o encontro ontem?
- Ai, o Cristian é um fofo..Acho que finalmente eu esqueci do Otávio...e gente o apartamento dele é o máximo!!!
- Eu sabia!! Você já foi pro apartamento do cara? E aposto que já deu para ele também.
- Ih, Betina. E o que que tem? - questionava Lili - Lá vem você com esse seu falso moralismo de que eu não devo dar pros caras na primeira vez. Isso não tem nada a ver.
- Ah, Bê...eu também acho...o que tem? Se os dois estiverem afim. - eu dizia
- Por isso que vocês vivem se lamentando depois...que o fulano não ligou mais, fugiu e ficam aí desesperada. Claro!! Vocês vão logo dando o doce na primeira!!! O que os coitados vão querer depois?

Para variar, a Betina jogava um balde de água fria em nós com suas duras declarações realistas. De certa forma, até que fazia sentido... ou não?
A Lili sempre foi uma romântica ao extremo. Cai em qualquer lábia e faz tudo pelo o amor. Até o próprio amor. Não faz jogo duro mesmo. Dá logo na primeira. Ela acha que é uma tática para segurar o príncipe encantado. Mas como sempre ela arruma sapo, ele come a perereca e sai zarpando no dia seguinte.

Já eu ainda estou em cima do muro. Nunca sei se dou ou não na primeira. Depende muito do pretendente. Prefiro analisar o cara, sentir o terreno e, acima de tudo, analisar as minhas pretensões com o tal homem e daí então eu decido se vou pro abate ou não.

Se eu estou há muito tempo na seca e pinta um peixão na rede que vá satisfazer os meus desejos, não faço doce não. É pimba na cachulinha logo na primeira. Produção fatal e amor foraz. Costumo usar essa tática também para aqueles carinhas que conheço na balada.

Mas, de vez em quando, pinta na minha rede aquele príncipe que eu tanto esperei e com esse, é claro, eu faço doce...

******

O Pedro foi um desses caras que eu fiz questão de fazer um docinho. Nós nos conhecemos em um bar. Naqueles típicos dias de depressão feminina quando a gente acha que o mundo está contra nós. Mas daí aparece um cara legal te enchendo de elogio e você até acredita que o cupido existe.

Começamos a sair. Primeiro, uma vez por semana, encontros casuais, cineminha, restaurante. Tudo na maior inocência. Mão dadas e beijinhos apenas. Porém, como todo relacionamento, as coisas começaram a esquentar. Passei a frequentar o apartamento dele para assistir a alguns DVDs com a desculpa de que ele queria algo mais reservado para nós. E daí começaram os amassos no sofá no meio do filme e os beijos mais acalorados até o dia que chega a hora final...

- Calma, Pedro. Vai com calma - eu dizia esbaforida e seminua no chão da sala da casa dele.
- O que foi? - perguntava o coitado com cara de assustado.
- Olha - eu dizia tentando me desvencilhar dos braços dele - o nosso lance tá muito legal, você é uma gracinha, mas acho melhor irmos com calma.
- Você não tá afim?
- Olha, eu tô super afim, mas acho que não é a hora. Me desculpe e espero que você me entenda...

.... - Como assim, Diana? Você deixou o cara de braguilha, literalmente aberta, e se mandou? - questionava Lili
- Certíssima. Finalmente você fez a coisa certa - aplaudia Betina
- Ai, gente, eu não quero que o nosso lance acabe de repente...tá tudo tão legal que eu acho que o sexo agora ia acabar com a magia.
- Pára de besteira, Diana. Isso não tem nada a ver. Aposto que o cara nem vai mais te procurar.
- Nem todos os caras são os sapos que você arruma, Lili. Só porque você dá para todo mundo não quer dizer que a Diana tenha que fazer o mesmo ne? - esbravejava o feminismo de Betina
- Calma, meninas. Não briguem por isso. O que importa é que eu acho que fiz a coisa certa e se ele não me procurar é porque não me merecia não é?
- Viu, Lili? Tem hora que a gente tem que valorizar o produto.

****

Confesso que na primeira semana da ausência do Pedro, a minha autoconfiança caiu geral e estava já assumindo o fora que eu tinha levado só porque não dei a periquita. Mas, milagres acontecem ...

'Trimmm'
- Alô? Pedro?
- Oi, Diana, tudo bem? Me desculpe te ligar só agora ... é que eu fiquei uma semana fora a trabalho e estava incomunicável.
- Não, tudo bem - mal ele sabia que eu já estava super feliz apenas com a sua ligação
- Queria saber se você não está afim de uma pizza lá em casa...o que acha?

Em menos de uma hora, eu estava na casa dele. O Pedro era um cara bem romântico e tudo já estava preparado. Velas na mesa, um bom vinho e ele de pizzaiolo. Enquanto, ele preparava as pizzas ficamos conversando.

- Di, eu queria te pedir desculpas.
- Desculpas? Pelo quê? O que você me fez, Pedro?
- Eu fiquei pensando e acho que fui realmente muito afoito com você. Espero que você não tenha ficado brava comigo.
- Que isso! De jeito nenhum... eu espero que você tenha me entendido.
- Claro. Acho mesmo que é melhor esperarmos o momento e quando você se sentir preparada.

Apesar de ter me sentido uma adolescente virgem boba com medo da primeira vez, fiquei mais e mais admirada por aquele homem. Passamos a noite toda comendo pizza, guloseimas e nos esbaldando no vinho. Como ficou tarde, acabei dormindo na casa dele, mas nada , nadica de nada rolou.

****

- Como assim o cara se desculpou por querer te comer? Ele não existe!
- Não é lindo, Betina?
- É inacreditável isso sim. Até eu que não acredito na integridade dos homens, confesso que tenho que me curvar para esse ser.
- Ai, como você exagera rs. Mas não vou conseguir ficar segurando por muito tempo e nem sei se quero...
- Tava bom demais para ser verdade.
- Betina! Faz três meses que a gente tá junto...está mais do que na hora de ver se vale a pena...e se não for tudo isso? Caio fora logo né?
- Você é quem sabe amiga...usando camisinha, você pode tudo e claro me liga no dia seguinte.

Mais alguns encontros, amassos, vinhos, jantares e o clima esquentando e como não podia deixar de ser tudo rolou bem natural.

Numa noite, o Pedro resolveu reunir alguns amigos na casa dele para comer uma pizza e conversar e, sem dizer oficialmente, fazer com que seus amigos conhecessem quem era a garota com quem ele estava saindo. Quando todo mundo já tinha ido embora, resolvi ficar para ajudá-lo a limpar a casa. Depois da faxina, suados, caímos no sofá e foi incrível. Apenas nos olhamos e o fogo surgiu. Beijos, amassos, roupa pra cá, roupa pra lá e tudo rolou. Ali mesmo no meio da sala. E foi incrível e no momento certo.

****

- Gentem...rolou!!!
- Até que enfim...e aí como foi? - perguntava Lili afoita
- Usou camisinha né?
- Usei, Dona Betina... Foi maravilhoso, intenso, incrível...não sei descrever...só sei que quero mais ... duas semanas e meia de amor sem parar hahahaha
- Ih...já vi que ficou apaixonada, né?
- Sabe como é, Betina, tem amor que quando bate fica...e acho que ficou.
- E o Cristian, Lili?
- Sumiu!
- Num falei? Já comeu o doce e para quê repetir né? - alfinetava Betina

Nem vou terminar nosso diálogo porque esse tipo de discussão não tem fim. O que importa é que com o Pedro fazer um doce foi a melhor saída, mas não sei se farei isso com todos...a não ser que muitos Pedros surjam na minha vida né?

PAPO DE CALCINHA: E você transa ou não no primeiro encontro?

domingo, dezembro 06, 2009

OU FODE OU SAI DE CIMA


Por Letícia Vidica

Uma das coisas que eu mais ODEIO no mundo é homem indeciso. Sabe aquele tipo que nem fode, mas também não sai de cima? Me dá gastura. Mas, como toda mulher que eu sou, já fiquei com uns tipinhos desse e o pior é que eu demorei para largar o osso. Ledo engano meu pensar que eu tinha conseguido fugir da peça...

- E aí, amiga, que cara é essa? - perguntava Betina ao ver os meus olhos vermelhos e inchados
- Aposto que passou a noite toda chorando por causa do Pierre.
- Pois é, Lili, por mais que eu odeie admitir ter chorado por um homem, mas eu chorei...
- Sabe eu não consigo entender..o Pierre parecia o homem perfeito... e do nada assim ficou confuso? - se indignava a princesa encatada da minha amiga Lili
- E desde quando existe homem perfeito, Liliana? - Betina respondia com choque de realidade
- Mas afinal de contas o que houve?

***************************

Vamos então rebobinar a história.
Tudo parecia ir muito bem entre eu e o Pierre. Namoro numa boa, sexo umas tres vezes por semana, éramos cumplices e eu já até começava a amadurecer a idéia de dividir para sempre o resto dos meus dias com ele. Porém, de uma hora para outra. Assim como num passe de mágica, o Pierre perdeu a magia.

O gato começou a se calar, se ausentar...os nossos encontros que era diários passaram a quase que quinzenais, sexo então?! o que era isso? não me ligava mais todos os dias...Nosso namoro de quente foi ficando morno, frio, gelado e congelou. E o que eu como boa mulher fiz? Quando me dei conta que eu estava quase que perdendo o gato dos meus sonhos, comecei a pressioná-lo. Comecei a cobrá-lo por sua ausência e ele como bom homem...entendeu tudo errado. Virei a chata da história.

- Alô? Pierre?
- Quem fala?
- Como assim quem tá falando? A distância é tanta que já nem lembra mais da minha voz né? É a Diana. Sua namorada, se é que ainda posso me denominar assim.
- Oi, Diana. Desculpe a ligação estava ruim.
- Foi a ligação ruim que também te fez esquecer o meu endereço? O meu telefone? Faz mais de uma semana que você não dá um sinal de vida.
- Desculpe é que eu ando com a cabeça cheia de problemas.
- E que tal se você os dividisse comigo? Sempre pensei que seríamos parceiros na alegria e na dor. Sumir não vai resolver os seus problemas.
- Ok, ok. Mas para que esse desespero todo? Foi só uma semana.
- Saiba que uma semana para mim é muita coisa...mas acho que eu não tenho mais importância na sua vida
-Ai, Diana, pára. Sem melodrama. Essa encheção de saco já tá ficando chata.

Pois é, amigas, era daí para pior. E foram duas semanas nessa onda de cobrança e agindo como se eu fosse a errada da história. Os homens são mesmo engraçados. Virei a errada por cobrar a presença e a atenção do meu namorado.

Certo dia, Pierre me ligou e me convidou para sair. Queria conversar. Traduzindo, aí vinha bomba. Porém, resolvi agir completamente diferente do que eu vinha agindo. Até porque pensei muito antes daquela conversa e conclui que se é para ficar nessa loucura insana de cobrar atenção melhor seria ficar comigo mesma. Resolvi mais ouvir do que falar.

- Olha, Diana, não me leve a mal. Eu gosto muito de você. Você é a mulher que eu sempre sonhei, mas não dá. Eu preciso de um tempo para mim. Não estou num bom momento. E eu não acho justo te fazer sofrer mais, empatar a sua vida só por minha causa. Talvez seja melhor a gente parar tudo por aqui. E se eu me acertar um dia e você ainda me quiser né?

- Tudo bem, Pierre. Talvez seja melhor assim mesmo. Acho mesmo que eu mereço mais atenção e mendingá-la é tudo que eu menos quero. Espero que você se encontre. Seja feliz. - levantei, dei um beijo no rosto dele e saí sem me despedir.

É claro que eu queria ter dito várias e várias para ele, mas do que adiantaria? Nada ia mudar. Um cara que quer terminar, mas diz que me ama é algo que eu não consigo entender. Preferi chorar por uma noite calada e seguir sorrindo o resto dos dias.

**************************************************

Voltando ao bar...

- Como assim ele tá confuso?Confuso com o quê, meu Deus!! Essa eu fiquei sem entender...
- Não força o cérebro, Lili. Vai sair fumaça e você não vai chegar a conclusão nenhuma.
- Mas e você, como está?
- Olha, gente, apesar de ter chorado, eu estou bem. Gosto muito do Pierre, eu achava que ele era um cara bacana, mas me decepcionei com a sua indecisão e fragilidade. E homens assim é o que eu não preciso. Já fiqueo tanto tempo sozinha o que custa mais um pouco?

Naquele momento, meu celular tocou. E eu atendi com cara de Gerson. Era o Pierre. Queria saber se eu estava bem e disse que tinha umas coisas para pegar na minha casa e se podia passar lá no dia seguinte.

E, no dia seguinte, Pierre apareceu para pegar os resquícios do nosso relacionamento. Convide-o para entrar e comer a minha nova gororoba. Ficamos conversando e ele simplesmente passou o dia todo em casa. Algo me dizia que ele não queria sair do meu lado. Era preciso, mas não era o que ele queria. Com muito custo ele foi embora, mas me fazendo prometer que eu não iria sumir, que eu ligaria para ele etc...Prometi, mas obviamente era algo que eu não cumpriria. Pelo menos, por um tempo.

O problema é que o Pierre cumpriu ao pé da letra. Quase toda semana, ele me ligava para saber como eu estava, para me perguntar alguma coisa, para inventar conversa, para buscar mais alguma coisa esquecida no meu apartamento. Cada hora era uma desculpa para ouvir a minha voz. Parecia um garoto inseguro que não sabe o que fazer.

********************

- Ai, gente, eu não aguento mais o Pierre!!
- Como assim? Vocês voltaram?
- Melhor seria viu? Nos não voltamos, Betina, mas ele simplesmente não me abandona. Não fode mais não sai de cima sabe? Fica me ligando todo dia toda hora com uma desculpa diferente.
- Típico de homem inseguro. Ele gosta de você, Di. Isso é fato.
- Ok. Mas eu estava aí cheia de amor para dar. Levei um pé na bunda e agora ele não quer desatolar? Assim não dá.
- Você vai ter que tomar uma atitude. Joga a real com ele, amiga. Não vai ter outra saída.

E foi o que eu fiz. Como já era previsto, Pierre inventou que tinha esquecido um par de meias verdes na minha casa e que ele iria precisar muito (como se não tivesse outros pares) e apareceu lá em casa. Era a minha deixa...

- E aí, Diana, como anda a vida?
- Então como eu te disse na semana passada, tá tudo bem. Sabe..eu preciso te dizer uma coisa...mas não me leve a mal...por favor, some da minha vida! Sem querer ser grossa, mas desde que a gente terminou você não me deixou respirar...nao que eu não queira manter uma amizade...mas não há ser humano que consiga se desligar tão rápido assim...eu preciso de um tempo para mim...e quando eu estiver preparada para assumir essa amizade...eu te procuro com certeza...
- Poxa, Diana...eu nem tinha percebido que estava sendo tão pentelho assim...mas é que eu tenho que confessar que eu não consigo ficar sem você...tenho necessidade de te ver, ouvir sua voz...mas prometo que vou desaparecer...

Ele me olhou fundo nos olhos e os seus brilharam com lágrimas a transbordar. Ele me deu um abraço apertado e saiu em silêncio.

Confesso que meu coração palpitou ao vê-lo partir, mas prefiro esperar se ele vai decidir de fode ou se sai de cima.

PAPO DE CALCINHA: Você gosta e/ou já se envolveu com homens confusos?