segunda-feira, novembro 22, 2010

RECAÍDA


POR LETÍCIA VIDICA


'Ding dong'. Quem poderia ser àquela hora em plena quinta-feira?

- Pierre! - eu disse assustada ao vê-lo parado na minha porta e por estar trajada de pijamas de bolinhas e pantufas.

- Estava dormindo? Se quiser, volto outra hora. - ele dizia praticamente dentro do meu apartamento e ao me observar de pijamas.

- Não, que isso. Entre.

Confesso que fiquei um pouco sem jeito de recebê-lo. Parecíamos dois estranhos no ninho. É muito engraçado quando a gente reencontra o ex assim de repente. Ainda mais se o ex é quem resolve te encontrar. A gente não sabia se nos beijávamos na boca ou na bocheca. Então resolvemos nos dar um singelo abraço.

- Nossa, quanto tempo! - eu dizia na expectativa de quebrar o gelo. Afinal, o que eu diria a ele depois de tanto tempo? Fazia quase um ano que a gente tinha terminado o namoro e desde então eu não tinha tido mais noticias dele.

- Pois é...até desculpa vir assim...é que eu estava passando aqui perto e resolvi vir te ver. Saber como você está...você tá bem? - ele perguntava esfregando as mãos e com cara de quem estava suando frio porque queria me dizer algo mais.

- Fico feliz de te ver também. Eu estou bem. Na mesma...trabalhando feito uma louca lá na agência. Mas e você o que está fazendo de bom?

É engraçado como duas pessoas que até tão pouco tempo tinham tanta intimidade se tornam completos estranhos num toque de mágica. Naquele momento, as palavras me faltavam e eu também não me sentia nada a vontade de pijamas na frente dele. Uma completa besteira para quem me conhece dos pés a cabeça né? Percebi que o Pierre também estava um pouco nervoso e eu ainda não tinha entendido ao certo o motivo da visita dele.

Ficamos conversando por umas duas horas sobre o novo negócio que ele estava abrindo com um amigo, sobre suas expectativas, sua família...assuntos superficiais e banais. Até então não tinhamos questionado nada sobre a nossa intimidade.

De repente, enquanto Pierre dava um gole na cerveja que estávamos bebendo, ele ficou mudo e me olhando. Confesso que fiquei sem graça com aquele olhar e resolvi perguntar se tinha algo errado e porque ele me olhava daquela maneira.

- Estava olhando você com esse pijama e senti saudades.

- Do quê? Do pijama?

- De você.

O que eu iria dizer depois daquela declaração? Resolvi apenas escutá-lo.

- Saudades. Foi por esse motivo que eu estou aqui. Me bateu uma saudade e resolvi te procurar. E te olhando assim de pijama, me senti como nos velhos tempos quando a gente conversava até altas horas da noite e depois íamos dormir abraçadinhos.

- Pierre...

Antes que eu concluísse a minha frase, ele se levantou e literalmente me agarrou, roubando um beijo. E eu? Não fiz o menor esforço para resistir. Naquele momento, esqueci de tudo e caí nos braços dele. Confesso que eu também estava com saudades. Resumo da ópera: passamos a noite juntos. Foi maravilhoso e só acordei com o toque da campainha.

- Diana?! Acho que atrapalhei algo né? - dizia Betina com cara de assustada ao me ver nua enrolada num lençol.

Nem pude explicar porque logo atrás o Pierre apareceu de cuecas na sala.
- Ops, Betina. Desculpe.

- Que isso, gente. Eu volto outra hora.

- Não , entra. Eu já vou embora. - disse Pierre.

Ele se trocou, me beijou e prometeu me ligar depois. Enquanto isso, Betina permaneceu muda à espera de uma brecha para me crucificar.

- Pode ir me explicando tudinho, mocinha. - dizia minha curiosa amiga depois daquele flagra.

- Não é nada do que você está pensando, Bê. - eu tentava convencer a mente criativa dela que naquela altura do campeonato já tinha remontado a história na sua cabecinha e tirado suas próprias conclusões.

- Ah não? Eu flagro os dois peladões e você me diz que não é nada?

- O Pierre veio me ver ontem à noite com um papinho de que queria saber como eu estava, depois acabou confessando que estava com saudades e acabamos transando. Mas foi só isso.

- Sei, sei, dona Diana. Eu te conheço muito bem. Não aguentou e teve uma recaída né?

- Pára de besteira, Betina. Foi uma bobagem e já passou.

*********************

Teria sido apenas uma bobagem mesmo? Se fosse bobagem, aquela noite teria saído a minha mente rapidamente, mas passei o resto do dia pensando naqueles momentos. Aquele reaparecimento do Pierre parecia ter acendido algo que para mim já não existia mais. Eu, ao menos, conseguia odiá-lo por ter me dado um pé na bunda e por ter sumido.

Achei que depois daquela noite o Pierre já tinha saciado o seu desejo e não me procuraria. Engano meu. Na noite seguinte, ele me convidou para jantar e eu aceitei. Parecia que era de propósito. Ele me levou ao mesmo restaurante em que tivemos nosso primeiro encontro.

- Espero que goste do lugar. - ele dizia com tom de ironia como se soubesse o quão marcante e importante tinha sido aquele restaurante.

- Acho que você podia ter me surpreendido mais. Não esqueça que continuo exigente hein?

- E linda...e quente. Amei a nossa noite. Você não mudou em nada.

Não sabia se considerava aquilo um elogio como quem diz 'Você é muito boa e não existe ninguém melhor do que você' ou 'Nossa, pensei que você tivesse evoluído'.

Preferi acreditar na primeira opção e curtir o momento. Passamos uma noite maravilhosa com direito a vinho, fondue e mais uma noite longa e maravilhosa de amor.

E foi assim pelas nossas próximas nove semanas e meia de amor. O Pierre começou a me ligar quase todos os dias, saíamos aos finais de semana , ele voltou a dormir em casa...engatávamos um relacionamento no qual eu não sabia classificar. Rolo? Namoro? Amizade? Ou apenas uma recaída?

- E aí, amiga, vai sair? - perguntava Betina ao chegar na minha casa e me ver terminando de fazer uma escova.

- Vou almoçar na casa do Pierre.

- Tá assim já? Vocês voltaram?

- Ah, eu não sei, Betina. Faz três meses que estamos saindo de novo, mas até agora ninguém falou em namoro.

- Vai com calma, Diana. Não se envolve. Isso pode ser apenas uma recaída. Coisa comum de acontecer com qualquer casal que se reencontra depois de tanto tempo juntos.

- Será? O pior é que eu acho que já estou envolvida.

E eu realmente estava. No meu íntimo, alimentava a esperança de que a gente fosse voltar. E, naquele domingo, resolvi voltar a me envolver com a família dele também. Encarei o almoço de domingo com a sogrinha. Ou melhor, ex. Ah, sei lá, com a mãe do Pierre.

- Diana!!! Que bom te ver por aqui. Vocês voltaram? Finalmente. - perguntava a mãe dele com a excentridade de sempre.

Eu não sabia o que dizer com aquela declaração. O Pierre ficou calado e eu permaneci muda. Para mim, quem cala consente. Passamos uma tarde maravilhosa em família. Por um instante, me senti novamente um membro dela.

Quando estávamos voltando para casa, resolvi perguntar ao Pierre o que tanto me amedrontava.

- Pi, sem querer te cobrar, mas ... hoje sua mãe ao me perguntar se estávamos juntos me fez pensar...o que a gente tem afinal?

- Um lance. - dizia Pierre enquanto dirigia e sem olhar para os meus olhos.

- Um lance? E o que isso significa?

- Que temos um lance. - dizia ele me acariciando as mãos.

Aquela definição de lance foi o bastante para que eu começasse a entender que aquela relação não teria futuro. E tudo o que eu menos queria naquele momento era ter um lance com o meu ex-namorado. Acho até que o meu questionamento o assustou porque o Pierre ficou sem me procurar por quase uma semana. Mesmo sofrendo, resolvi respeitar a sua ausência e a tocar a minha vida de novo sem ele.

************

- Posso entrar? - era ele altas horas da noite no meu apartamento. Confesso que meu coração disparou e impulsivamente fui logo dando um beijo nele que retribuiu friamente. Algo estava errado.

- Aconteceu alguma coisa?

- Aconteceu. - ele dizia com cara de assustado - Diana, a gente tem que parar com isso.

- Com isso o quê?

- Com o nosso lance. Está tudo muito bom, mas eu não estou preparado para encarar um relacionamento novamente e não acho justo te enganar.

- Eu já desconfiava - eu disse com lágrimas nos olhos - mas tenho que confessar que por um momento tive a esperança de que você voltaria para mim.

- Eu adoraria voltar, mas não estou preparado.

- Talvez você nunca esteja né? Boba eu achar que você mudaria um dia.
- Me desculpe, Diana.
Ele me beijou, me deu o último abraço e saiu pela mesma porta em que entrou me dizendo que estava com saudades. Não consegui segurar, caí em prantos. Chorei feito uma criança por duas horas sem parar. Quando consegui recuperar o fôlego, liguei para Betina.

- Ele se foi, Bê. O Pierre me deixou - eu dizia ainda com a voz embargada.

- Calma, Diana. Não é surpresa para ninguém que isso aconteceria né?

- Mas eu pensei que ele podia mudar. Que a gente ficaria juntos de novo.

- Aprende uma coisa, Diana. Ninguém muda ninguém. As pessoas só mudam se elas querem. E talvez o Pierre nunca mude. Se você se envolveu com ele, devia saber disso. O que vocês tiveram foi apenas uma recaída. Normal.

- Mas e agora o que eu faço? Eu estava quieta no meu canto, aprendendo a viver sem ele. Daí ele reaparece do nada, embaralha a minha vida e agora vem com esse papo de insegurança?!

- Você vai seguir em frente, amiga. A vida continua. E você não merece um cara inseguro. Mas me promete uma coisa. Se ele aparecer aí de novo, bata a porta na cara dele. E se você não tiver coragem, me chama que eu bato.

Só a Betina para me fazer rir num momento como aquele. E bater com a porta na cara dele não foi preciso. Até porque até o momento ele não mais me procurou.

PAPO DE CALCINHA: VOCÊ TAMBÉM JÁ VIVEU UMA RECAÍDA?

6 comentários:

Giovana disse...

Concordo plenamente com a Betina: bata a porta na cara dele! rsrs
Coisa mais feia fazer isso com alguém...

gianne disse...

Eu estou vivendo um lance com o meu ex a uns 7 meses. Se intensificou a mais ou menos 3 meses. Mas ele não fala em compromisso e eu não tenho coragem de perguntar. Quando deixo algo no ar, ele só diz que é pra eu ter calma... Isso me angustia muito, mas o fato de gostar tanto dele faz com que eu me submeta a essa situação.

Aline Zanin disse...

a maioria das mulheres não batem a porta na cara do ex...

Anônimo disse...

iii eu tive uma recaida com meu ex em 2 meses de separação, foi horrivel, principalmente em relaçao ao sexo. Depois tive outra em janeiro pela qual fomos comer apenas um sorvete e dizemos eu te amo, depois disso nunca mais quis ver ele, porque estou muito bem solteira..

Anônimo disse...

Eu sempre tenho recaídos, só e pergunto quanto estarei pronta. Nao queria vê-lo mais, mas aí não saberia que estaria pronta.

Anônimo disse...

ja tem 3 meses que terminamos e vivemos tendo recaidas eu gosto muito dele,sinto que ele tbm gosta de mim,mas em momento algum ele pedi pra voltar e realmente é angustiante essa situaçao pra mim,queria muito q ele me pedisse pra voltar até porq nós nos damos muito bem em tudo não consigo entender o porq não estamos juntos...ele fala q ta sozinho q só esta ficando comigo só que não consigo acreditar mais nos homens pois ja me decepcionei muito em outros relacionamentos,ja ate tentei me envolver com outra pessoa mas não consigo porq só penso nele..preciso de ajuda porq sempre q ele me procura eu não sei dizer não.