
Por Letícia Vidica
A gente bem que tenta, mas eles sempre inventam uma desculpinha nova. Quando a gente acha que já está vacinada a todos os tipos de desculpas típicas dos homens, eles fazem um novo MBA e mandam uma nova, que você só percebe que é mentira muuuuito tempo depois.
Eu já caí em muitas desculpas típicas, do tipo: ´Você é a mulher da minha vida´, ´Juro que vou te ligar amanhã´, ´Ninguém nunca me deixou assim´, ´Eu não tenho namorada ou eu não sou casado´, dentre tantas outras que eu passaria séculos aqui contando.
Cansei de ficar com cara de besta, fula da vida, me empanturrando de doces e engordando só porque um filho da mãe inventou mais uma desculpa para mim. Por isso, resolvi dividir a minha angústia com você, cara leitora, e contar algumas das desculpinhas que eu (estúpida!) já caí.
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O Murilo era o rei das mentiras e o pior é que eu caía em todas. Por mais alertada e esperta - que eu achava que era - ele sempre conseguia inventar uma nova. Pior ainda é quando eu descobria a mentira e ele inventava outra para justificá-la e eu caía também.
A gente se conheceu através de um amigo em comum e logo de cara ele já me mandou uma típica. Implorou o meu telefone,o meu email, o meu MSN, meu celular, meu perfil no Orkut e jurou por todos os santos que me ligaria assim que o sol raiasse. E eu? Nem dormi a noite toda e o resto dos 3 meses seguintes esperando ele ligar.
Quando eu já estava desistindo de esperar, ele me ligou. Como se nada tivesse acontecido e como se aqueles 3 meses de longa espera não existissem. Quando ouvi a sua voz no telefone a minha vontade era de entrar pelo fio e trucidá-lo, mas mais uma vez ele me enganou e eu aceitei o convite para jantar.
Ele sempre ficava de marcar os encontros e cada hora era um compromisso diferente. Quando eu convidava, também nunca rolava. Até que eu cansei disso e resolvi acabar o que nem existia. Ele jurou de pés juntos que me adorava, que não queria me perder e que queria continuar. Dei mais uma chance, mas... me dei mal. Descobri que o cara tinha duas namoradas (fixas!) e fazia o maior jogo de cintura para administrar as duas e queria me enfiar no meio desse triângulo amoroso... caí fora - já machucada, iludida e mais uma vez enganada.
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Depois dele, muitos outros passaram pela minha vida e jogaram os mesmos xavecos. Uns menos habilidosos na arte de mentir, eu conseguia perceber e cair fora. Quando não estava muito interessada, fingia que caía. Mas sempre tem um que se dá melhor na arte de mentir e aparece na sua vida.
O melhor lugar para dividir a minha fúria e contar sobre as mentiras que eu caí era às sextas-feiras no bar do Pedrão. Junto com as minhas amigas - que também caíam na rede da mentira - eu me consolava.
- E o Juca, Betina?
- Nem me fale daquele desgraçado, Diana.
- Ué, mas o cara não era o máximo e blablablá?
- Era, mas acredita que ele tem um filho e não me falou nada?
- Jura?! Mas qual o problema de ter um filho.
- Nenhum se ele ainda não morasse com a ex mulher. O cara queria era um teto para morar. Descobri que ele tá se separando da ex e como não tinha onde cair morto, resolveu me seduzir e acampar na minha casa.
- Homem é tudo igual né? Acredita que o Luís Otávio me ligou ontem à noite cancelando o nosso encontro porque estava com dor de cabeça. Eu, idiota, acreditei e não é que ele foi pra balada?
- E como vocês descobriu, Li?
- Ah, eu não queria ficar em casa, Bê, e resolvi ir dar uma volta. Flagrei o desgraçado saindo do prédio dele todo perfumadinho. Ainda teve a cara de pau de dizer que estava indo na farmácia? De camisa engomada e perfume novo?!
- Ai, amigas, não tem jeito, por mais que a gente tente e ache que estamos vacinada contra essas mentiras sempre vem mais uma.
- O nosso mal, Di, é se deixar levar. A gente é muito boba. Se apaixona de cara e depois sempre quebra a cara.
Passamos a noite toda a contar as mentiras que nós já tínhamos caído. Era bom porque todo o ódio que a gente sentia daqueles mentirosos de plantão ia embora naquele instante.
O problema é que a gente podia cair em mais uma a qualquer instante.