segunda-feira, janeiro 14, 2013

ALGO MAIS...

POR LETÍCIA VIDICA


- Posso saber qual o motivo da comemoração? – perguntei ao William, depois de abrir a porta do meu apartamento e flagrá-lo com uma garrafa de vinho e duas taças nas mãos, me olhando com olhos gulosos de cima a baixo e com sorrisinho malicioso.

- Deixa eu entrar e você vai descobrir! – disse ele jogando aquele corpo maravilhoso para cima de mim, me empurrando da porta ao sofá. Nem tive tempo de fechar a porta.
Aquele beijo sufocante me deixou tonta.

- Eita! Calma, calma...- eu disse depois de conseguir me desvencilhar daquele corpo e levantando do sofá para fechar a porta – Não quero ser tema da próxima reunião de condomínio! Falando nisso, vou ligar lá na portaria para brigar como seu Zé. Que história é essa de você ir subindo sem ser anunciado? Tá pagando quanto para ele? – perguntei parada na porta com as mãos nas cadeiras e olhando aquele corpo todo gostoso esparramado no meu sofá.

- Melhor não fazer isso! Fui obrigado a amarrar o seu Zé na casa de máquinas. – dizia William pegando na minha cintura, me puxando contra o peito dele e beijando minha nuca.

- Então, a situação é pior? Vou ser obrigada a chamar a polícia!! – eu dizia já amolecendo naqueles braços.

- Amanhã cedo, você faz o que quiser. Mas essa noite eu vou te sequestrar.

Não tive tempo de fugir daquele sequestro. Quando dei por mim, já estava prensada no meu sofá com as mãos dele tirando a minha velha camiseta que costumo chamar de meu melhor pijama e puxando a minha calcinha. Ele me deixa tão tonta que eu tinha até me esquecido que aquela era mais uma das noites que eu iria dormir com minha camiseta velha de guerra para noites de bons sonhos.

- Agora já podemos brindar. Quer gelo? – William saía de cima de mim depois de completar o seu ‘serviço’ me deixando enterrada, pelada, suada, acabada, mas feliz no meu sofá.

- Melhor você ir para casa. Estou cansada! – eu dizia retomando a minha consciência.

- Já estou em casa, baby! Você não entendeu. Vou ficar aqui até amanhã. Eu te sequestrei. Estou no comando! - ria ele me oferecendo uma taça com vinhos.

- Você não cansa não? – perguntei, tentando me recompor.

- De você?! Jamais...sempre quero mais...mais? – ele beliscava meus lábios.

- Muita calma nessa hora! Eu ainda não esqueci da história sobre a sua mãe doente...falando nisso, como ela está? – perguntei e me desvencilhei daqueles lábios antes de cair novamente em tentação.

- Está ótima! Na mesma...

- Assume então que a sua mãezinha não está doente, nunca foi e vive muito melhor do que eu e você juntos no sol do Rio de Janeiro? Vai continuar bancando esse drama até quando? Se a sua meta era apenas sair comigo e dormir comigo, você já conseguiu. Não precisa mais manter a farsa!

- Uau! Já te disse que esse seu jeito mandona e bravinha me excita? – dizia ele tentando se aproximar de mim – Se acha que eu estou mentindo, então, eu estou mentindo.

- A Lili me contou tudo... – cruzei os braços.

- Desculpe, mas a sua amiga não consegue nem ao menos saber onde o Luis Otávio está e vai querer saber mais da minha família do que a mim mesmo?! Vai mais vinho aí?
Como eu odiava isso! Mistério, sempre mistério. Ele sempre fugia dos assuntos e nunca respondia algo que eu perguntasse com clareza. Era sempre mistério no ar. E, por mais que isso me irritasse, também dava mais tempero à nossa relação. Tempero que apimentou aquela noite de sábado, que seria pacata até ele chegar. Foi a noite toda de lerê. Do sofá, dando uma passadinha na cozinha, no banheiro até terminar acabada na minha cama.

***

Achei que era um sonho, mas a minha campainha estava realmente tocando. Me enrolei nos lençóis ainda sonolenta, deixei William capotado na cama e fui atender. Quem seria agora? Mais um que não se anuncia? Espero que não seja uma pegadinha do destino.

- Ixi, chegamos na hora errada? – era Betina que me analisava dos pés a cabeça e já supondo o que tinha acontecido.

- Oi, meninas! – cocei os olhos para acordar melhor – Aconteceu alguma coisa?

- Pelo jeito, a noite foi tão boa que você esqueceu que a gente tinha combinado de correr no parque né?

Realmente, eu tinha esquecido o compromisso com as meninas. E, antes que eu me desculpasse do meu esquecimento, fui abraçada por William que chegou sorrateiramente atrás de mim.

- Bom dia, meninas! Vieram resgatar a minha gata? Desculpem, mas não abro mão. Ela é todinha minha... – dizia ele beijando a minha nuca e me fazendo sentir que alguém também já estava acordadinho.

- Oiiiii, William!!! – dizia Lili com sorrisinho malicioso na cara – Noite foi boa?

- Olha, bofe. Sei que não podemos competir com o seu corpinho ... – dizia Betina analisando a silhueta tentadora dela - ... mas a gente vai resgatar a Diana sim!!! Tempo encerrado.

- Perdeu, playboy! Betina falou, tá falado. Não gosto de desobedecer ela. Hora de ir para casa. – eu dizia para ele fazendo biquinho.

Aquele resgate tinha chegado em boa hora. Acho que desfaleceria se passasse mais uma tarde intensa daquela com aquele homem. Que pique!!!

- Pelo visto, as coisas andam fluindo muito e bem com você né, nega? – perguntava Lili enquanto fazíamos uma parada no banco do parque para um descanso.

- Bem até demais, Lili! O Will continua misterioso... até agora não esclareci a historia da mãe doente...

- Deixa isso para lá, Diana. É arrumar sarna para se coçar. Finge que acredita e aproveita do corpinho. Não é toda hora que se tem um amigo colorido como esse...

- Num sei... to me sentindo meio usada sabe? Às vezes, eu acho que sou a extensão da minha vagina. Ele só quer me comer...

- Tem coisa melhor do que isso? – exclamava Lili.

- Eu quero algo mais! Me sinto uma boneca inflável, não tenho escolha e é sempre ele que dá a última palavra. Não tem conversa.

- Você não sabe o que quer , isso sim. Até ontem chorava pelos cantos porque não tinha ninguém. Agora, arrumou um Deus tarado de ébano e reclama porque ele te deseja demais?!

- Não é isso, Betina. O sexo é maravilhoso e tal, mas é só isso. A gente mal conversa. Quando se encontra parece que dá choque e nos atracamos. To sentindo falta de algo mais...

- E você acha que ele quer algo mais com você? – perguntava Lili.

Aquela era mais um tipo de pergunta que eu não saberia responder. Estava louca para perguntar a ele, mas faltava a coragem. Passei o resto do dia tentando achar uma resposta, mas resolvi deixar isso um pouco de lado e aproveitar a noite que chegava ao lado das meninas.

Depois de muito tempo, sairíamos só as garotas para mais uma nova baladinha vip patrocinada por algum amigo playboy da Lili. E a noite prometia: o ritmo seria a salsa.

O mesmo de sempre: fila na porta, a gente passando na frente com a pulseirinha vip, uns olhares trocados no caminho, aquela conferida básica no banheiro e um pit stop no bar para pedir uma tequila.

Enquanto eu terminava de fazer o meu pedido, fui abraçada por dois braços fortes pela cintura e por um corpo que me prensava contra o bar.

- Ahá! Achou que ia se ver livre de mim? – era o William que me flagrara. Fiquei numa mistura de raiva por ele ter ido atrás de mim, afinal aquela era uma noite que eu queria curtir entre amigas; mas também orgulhosa por ele ter ido atrás, entendeu?

- Nossa! Implantou um chip em mim? – me virei e perguntei a ele.

- Eu sinto o seu cheiro.- dizia ele fungando na minha nuca. – Bora bailar?

- Pode ir... as meninas estão me esperando. – olhei para o lado e vi que a Lili já estava atracada com alguém na pista e a Betina me dava uma piscadinha como quem libera o meu caminho.

Não tive escolha. Engoli a tequila e cai na pista com o William. Aquela música envolvente, aquele homem maravilhoso era a soma perfeita para mais um clima surgir. Mas, no fundo de mim, eu não queria terminar mais uma noite na cama com ele. Mais uma vez, fazendo o que ele queria.

- Eu quero você! Aqui e agora! – ele dizia enquanto me beijava no sofá do camarote.

- Não dá, William! – eu tentava me desvencilhar.

- Por que não dá?! O perigo é sempre bom...

- O perigo é maravilhoso sim... o problema é que é só isso que você quer... sempre na hora que você quer... parece que você só quer me comer!!! – pronto, falei. Em hora e local errado, mas saiu.

- E ter tesão por você é um problema tão grande assim? Que eu saiba o que um não quer, dois não fazem.

- É ótimo que você me deseje. Mas me sinto uma boneca inflável.

- Diana, você tá confundindo as coisas. Não queira criar caso agora... eu que não estou entendendo. – dizia ele se afastando de mim. – Olha, se tá ruim para você, eu caio fora.

- NÃO, não é isso!!! – eu gritava retomando a minha consciência. O que eu estava fazendo? Colocando tudo a perder mais uma vez?

- E o que é então? – dizia ele olhando nos meu olhos.

- É que eu queria... queria...algo... mais... queria ter a certeza que você me quer além do sexo.

William ficou me olhando como quem encontra um ET. Fez aquele silêncio crucial que só os homens fazem. Antes que ele respondesse, Lili chegou bem louca no camarote, gritando e me puxando pelo braço para ir dançar na pista.

- Vamos, Di. Deixa o bonitão aí! A noite é nossa!

- Já vou, Lili. – eu dizia olhando para o William esperando a resposta.

- Vai nessa!!! A noite é de vocês mesmo. Eu não tinha nada o que fazer aqui... – virou as costas e desceu as escadas.

A música estava tão alta que meus gritos foram em vão para que ele voltasse. Desci as escadas puxada pela Lili, mas perdi ele na multidão. Ai, meu Deus, o que eu fiz? Mais uma vez, coloquei os pés pelas mãos? Eu só queria algo mais, mas será que é isso que ele quer também?



PAPO DE CALCINHA: VOCÊ ACHA QUE A DIANA DEVE INVESTIR EM ALGO MAIS? JÁ PASSOU POR ALGUMA SITUAÇÃO PARECIDA?

5 comentários:

Hanne Sebba disse...

Não tem absolutamenta NADA de errado na Diana querer algo mais... E sim... eu tb me sentiria uma boneca inflável...

Tá certo que o momento não era o mais indicado mas se não fosse aquela hora, qdo seria?

Anônimo disse...

huHUuH essa Diana, eu acho que ela não tem que ficar cobrando nada, ele apenas é um PA, qual o problema ser somente isso?, eu tinha um e adorava, nunca cobrei nada dele, porque sabia que ali não ia sair nada além do sexo.

Mirella disse...

Bom, concordo com a Hanne. Tb não vejo nenhum problema em ter um PA desde q isso não nos faça nenhum mal. A Diana quer algo mais, não está plenamente satisfeita só com sexo, fora que pode perder a oportunidade de conhecer um cara legal pq o Deus tarado fica sempre na cola. O local não foi o mais apropriado mas até aí foi nesse lugar q ela teve coragem de falar, e se ele pular fora de vez não vá atrás, a não ser q nao te faça mal ir para a cama com ele mais algumas vezes, rsrs.

Anônimo disse...

Quando sai o proximo?? estou muito curiiiosaa

Anônimo disse...

Também acho, nao há nenhum problema em querer algo mais, acho que a Diana esta certa!!! Sobre a hora q ela disse, poderia ser em quer lugar, vamos ver como ele vai reagir...